• Com uma estrutura narrativa parecida com a dos filmes de Robert Altman, Woody Allen surge com a idéia de contar não uma, mas muitas estórias, sem que pra isso precise de um protagonista. Como no anterior Meia Noite em Paris, inicia o longa com uma pequena declaração de amor à cidade que visita (sem um pingo da zelo que teve no longa anterior com aquele belo trabalho de montagem).

    Em Para Roma, com Amor, todos os elementos que o diretor usou e abusou em sua extensa filmografria estão presentes: as piadas inteligentes, os personagens neuróticos, os relacionamentos conturbados, as boas referências aos variados artistas e pensadores que tanto admira (ou não), etc. O que mais incomoda no roteiro, é o fato do diretor atacar com piadas – que inicialmente são engraçadas - , mas na medida em que repetidas, perdem completamente a graça e acabam por deixar seu elenco constrangido. As piadas de conotação sexual são completamente vergonhosas, em alguns casos, mais parece que além andou vendo a nata da comédia besteirol americana pra buscar alguma possível influência. A galeria de personagens também nem é das mais interessantes que o diretor/roteirista concebeu; Alec Baldwin extremamente mal usado, em um personagem péssimo que serve apenas pra acompanhar o casalzinho sem química formado por Ellen Page e Jesse Eisenberg (e que papo é esse de tratar Ellen Page como alguém sensual ?). Penelope Cruz que entra em cena apenas pra exibir sua beleza bancando uma prostituta tapada. Roberto Benigni reprisando tudo que já fez em sua carreira, vivendo um italiano simples, que de uma hora pra outra se torna um pop star na TV, numa possível tentativa do diretor satirizar o culto idiota em torno de celebridades. O próprio Allen entra em cena, rabugento e pessimista, com boas piadas, interpretando um personagem bem parecido com o que entregou a Larry David em Tudo Pode Dar Certo (particularmente, a única figura que gostei).

    Woody Allen parece ter gasto toda sua inspiração recente em Meia Noite em Paris, realizando um longa irrelevante, com único propósito de cumprir sua frequência de um filme por ano e claro, fazer mais uma pequena viagem cinematográfica pela Europa.