• "Você já viu um filme como “Contrabando” incontáveis vezes, sendo que aqui trata-se de um contrabandista (Mark Wahlberg), fora da ativa, que é envolvido em um último serviço para salvar a pele do seu cunhado (Caleb Landry Jones, péssimo) e a vida de esposa (Kate Beckinsale) e filhos. O serviço envolve a entrada ilegal de milhões de dólares através de um contêiner vindo diretamente do Panamá. É aquele tipo de filme que se encarrega de logo no começo apresentar que o ex-contrabandista tem uma vida nova e honesta, apenas para poucos minutos se encarregar de colocá-lo novamente no submundo. O diretor Baltasar Kormakur que seria o responsável por dar uma “roupagem” diferente a um filme com premissa batidíssima e clichê não confere a energia necessária para que “Contrabando” saia do zero a zero já que o filme em si não consegue construir nenhum clima de tensão (a trilha sonora é preguiçosa e repleto de melodias genéricas), não funciona nas burocráticas sequências de ação (o maior instante de “adrenalina” cabe à sequência do cargueiro “sem freio”) e sequer sabe soar inteligente e/ou esperto, como quer sugerir em seu desfecho (o trabalho de montagem é até previsível quando deveria chamar a atenção pra si). Aqui e ali, Kormakur é até bem auxiliado pelo bom trabalho de fotografia, especialmente nas sequências noturnas, mas nada especial. O filme conta com uma boa presença de cena de Giovanni Ribisi que parece ser o único ator realmente interessado em construir algo marcante dentro do filme e o seu trabalho de composição merece destaque já que trata-se de um ator irregular, logo é uma pena que a resolução para o seu personagem, assim como o filme todo, seja tão fraco; Ben Foster surge inicialmente discreto, mas rapidamente se deixa levar pelos seus velhos cacoetes artísticos, o que enfraquece seu personagem; já Diego Luna com pouco tempo de cena oferece uma participação canastrona e esquecível; Mark Wahlberg empresta seu carisma, mas nada que torne o seu personagem digno de atenção (ele vai facilmente do homem que busca a salvação de sua família para o anti-herói que gosta do que faz ilegalmente e não se define por nenhum dos dois) e Kate Beckinsale precisa seriamente trocar de agente, pois faz mais uma escolha discutível que não agrega em nada a sua carreira e nem consegue desmistificar se realmente é uma atriz de verdade ou apenas uma bela mulher. Filme fraco ruim."

    3.5/10