É recorrente a comparação com Vá e Veja (apesar de que a mais próxima semelhança tenha sido o matrimônio dos dois diretores), mas na minha opinião são filmes bem diferentes. The Ascent não é um manifesto anti-guerra tão intenso e pungente, mas uma captura hiper realista das consequências do fim da guerra, consequências de privação de esperança e dignidade. Por vezes toma contornos até mesmo bidimensionais entre alemães e russos (como a vilanização absoluta da tropa alemã e arrogante e incorruptível honra de Sotnikov ao tratar o senhor da aldeia), mas se aprofunda na complexa psique humana ao confrontar escolhas tomadas em momentos definidores no filme pelos personagens (nesse ponto total vantagem para Vá e Veja ao apresentar um personagem extremamente intrincado).
E é a partir do momento da captura dos dois soldados russos que o filme ganha força. Em uma desoladora nevasca, os personagens encontram-se sem saída tanto geográfica quanto mentalmente, totalmente cercados por inimigos e pelas pesadas consequências de suas decisões. A catarse final encontra-se justamente no reflexo de uma dessas escolhas, em particular. Se o ser humano é capaz da mais desprezível ação em prol de preservar a própria vida, ainda que um resquício miserável de liberdade, é o fato dele ser refém da própria consciência viva que o consumirá através da culpa, tornando sua mente uma prisão inescapável e opressora (importante ressaltar as constantes visões de Rybak ao tentar escapar dos alemães, sempre culminando com sua morte e a volta para a realidade onde deve conviver com a vergonha de sua covardia).