É bom desconfiar quando as coisas começam bem em um filme do Bergman. A ruína é assombrosa.
Na Suécia, século XIV, a população oscilava entre o cristianismo e o paganismo. Herr Töre (Max von Sydow) e Märeta Töre (Birgitta Valberg) formam um casal que tem uma propriedade rural. Eles são cristãos fervorosos e incumbiram Karin Töre (Birgitta Pettersson), sua filha, uma adolescente de quinze anos, de levar velas para a igreja da região e acendê-las para a Virgem Maria.
É bom desconfiar quando as coisas começam bem em um filme do Bergman. A ruína é assombrosa.
A cena do jantar e da mãe de Karin a abraçando me causou um desconforto e dor sem tamanho.
A fé do ser humano se mostra forte nas piores horas. Belo filme, porém perturbador.
Nunca é fácil assistir Igmar, em cada filme uma verdade intrínseca ora aqui, ora ali retratando o existir de seu povo.
A Fonte da Donzela
(Jungfrukällan│1960│SUE│Drama, Suspense│16 anos│86 min P&B│Leg│Vk)
► http://cinerialto.blogspot.com.br/2013/03/Jungfrukallan.html
Lindo trabalho sobre a transição da religião do período clássico para o período médio. Excelente trabalho para se discutir sobre religião nos primeiros anos da idade média. Roteiro magnifico. Bergman, foi mesmo um gênio do cinema.
Eles abrigaram em sua casa forasteiros, sem imaginar que eles abordaram durante o caminho sua filha que está desaparecida, a violentaram e a mataram com toda a frieza e crueldade humana.
Mesmo aflitos com o desaparecimento de sua filha, eles abrigam, aquecem e alimentam os malfeitores.
Quando um dos malfeitores oferece um vestido rasgado e sujo de sangue, é revelado aquela mãe, o destino trágico de sua filha desaparecida.
Mas ela consegue ser forte, mesmo que por dentro ela esteja destruída.
Quando consegue ficar sozinha, ela se senta e finalmente desmorona ao perceber que perdeu tudo o que tinha, após perceber que nada disso trará sua filha de volta, recobra a sua força e decide contar ao seu marido o que houvera.
Após isso, o filme aborda apenas a história de um pai que fica cego de ódio e decide se vingar daqueles que fizeram mal a sua filha e faz justiça com as próprias mãos.
Após vingar-se dos malfeitores, ele olha para suas mãos sujas de sangue e pede perdão a Deus e sai em busca do corpo de sua filha.
Ao encontrar o corpo de sua filha, ele questiona Deus, por permitir tamanha atrocidade e pede perdão por suas atitudes.
E um milagre acontece: onde jazia o corpo da donzela, começa a brotar água.
Sem sombra de dúvidas foi o filme mais intenso e humano que já vi.
Estou com um peso no coração até agora, simplesmente toda a maldade, toda a miséria, todas as coisas abomináveis foram transportadas com maestria para esse filme e isso não é ruim, muito pelo contrário o filme nos faz refletir e muito sobre a natureza humana, sobre como somos guiados pelas nossas emoções e como nossa vida pode mudar do dia para a noite.
É um filme pesado, com cenas que nos desafiam, que nos enojam, e nos emocionam pois o que acontece nesse filme acontece e muito na vida real.
Mesmo retratando tantas nuances negativas do ser humano, não deixa de ser uma obra de arte.
Uma coisa que achei interessante foi o temor que as personagens tinham de Deus e procuravam sempre orar para ele, para evitar que coisas ruins acontecessem com eles e aconteceu justamente o contrário, esse filme mostra que Deus pode ser sim contraditório e que às vezes nos proporciona sofrimentos, para que possamos aprender com eles.
Gostei do contraste entre as religiões, e como um pai pode esquecer um pouco dessa fé, movido pela vingança e ódio. Mesmo que depois ele se arrependa e volte a recuperar essa fé.
Funcionou bem na época, mas envelheceu mal e tornou-se fraco comparado à versão estadunidense.
Entendo o seu ponto de vista, mas esse filme não merece ser comparado com as versões posteriores. Já assisti as duas e são muito boas, realmente, mas esse deve ser analisado singularmente.
Quando Kurosawa encontra Hitchcock em mais uma obra-prima do mestre sueco.
A singularidade dos filmes de Bergman me impressionam cada vez mais.
"Veja como é a fumaça: trêmula pelo teto como se estivesse com medo. Ela só precisa do ar e, lá fora, ela tem todo o espaço para si. Mas ela não sabe disso e fica aqui, trêmula, presa sob o telhado. Acontece o mesmo com o homem. Ele treme como uma folha ao vento pelas coisas que sabe e que não sabe.
Você tem que atravessar sobre um tronco fino. Tão fino que não saberá onde se segurar para não cair. Sob você, há um rio, um rio negro que quer engolir você. Mas você sai ileso. Agora há uma vala à sua frente, tão profunda que não consegue ver o fundo. Mãos se estendem para você, mas não conseguem alcançá-lo. Finalmente, você se vê diante de uma montanha de horror. Ela cospe um fogo ardente e um buraco assustador se abre. Chamas de todas as cores saem dele: cobre, ferro, azul vitríolo, amarelo esverdeado. Raios saem das chamas que cegam e correm, as rochas e os homens parecem indefesos como formigas. Esta fornalha devora assassinos e estupradores. Quando você acha que está perdido, uma mão o agarra, um braço o abraça e o leva para longe, onde o mal não terá mais poder sobre você."
A vingança não é nem de perto a protagonista dessa película. Mostrar a fragilidade da construção dos valores católicos como, por exemplo, o perdão é de grande valia e de maior importância no roteiro. E assim discutir como esses valores são propagados até os dias atuais sem mudanças, sem reflexões. A mulher se mostra desde sempre atrelada a esses valores, tanto como foi a obrigação a levar velas “sozinha” a virgem maria como o corpo guardião da santidade.
Filme impactante, com doçura e frieza, que permeiam a historia, trazendo reflexões universais.
A cena que o Max von Sydow se atraca com a árvore para arrancar os galhos é linda demais, o plano capturado é perfeito.
Achei a Karin um encanto, quanta doçura *-*.
O filme é muito bonito, um dos melhores do Bergman.
O díalogo que o personagem tem com Deus no final do filme me lembrou Os Irmãos Karamazov, quando o Inquisidor pergunta a Jesus:
"Será que não pensaste que ele (o Homem) acabaria questionando e renegando até tua imagem e tua verdade se o oprimissem com um fardo tão terrível como o livre arbítrio?"
O filme parece uma fábula. Mas à medida que o enredo vai se desenvolvendo dá pra se perceber suas diversas camadas. Algumas cenas são muito simbólicas.
Como a que a família se senta à mesa para receber os assassinos da filha. É um quadro muito forte. De novo ele é formado quando o pai resolve matá-los e novamente senta numa cadeira e os observa dessa vez já ciente de quem são. Não dá pra esquecer a beleza no final, que fecha de forma muito sutil a simplicidade e reverência como é encarada a fé e a honra.
Eu imaginava que seria completamente diferente, mas do jeito que foi, foi bom. A fatídica cena me afetou demais. E o final, então.
Filme completo legendado - http://youtu.be/hQY8pqeV_9w
Esse ai foi excluido, tentem esse http://www.youtube.com/watch?v=LV7wcF5uVtc
Obra- prima!
É impressionante o brilhantismo de A Fonte da Donzela, uma história que consegue ser tensa e bela até os dias atuais, com uma excelênte qualidade na produção e ótimas atuações do elenco.
Que me perdoem o trocadilho, mas filmes como Aniversário Macabro (e seu remake A Última Casa) e A Vingança de Jennifer (e seu respectivo remake Doce Vingança) beberam diretamente na fonte de A Fonte da Donzela, com cenas similares e acontecimentos inspirados nesse clássico dos anos 60, que mostram como Bergman criou uma obra de grande superioridade cinematográfica.
Tão lindo e ao mesmo tempo tão triste.. é de uma singeleza que... sem palavras. Os filmes de Bergman são grandes aprendizados.
Definitivamente o filme do Bergman que mais me causou tensão, raiva e desconforto. Nota: Tomem cuidado com alguns dos comentários aqui que não estão marcados como spoilers porém revelam detalhes importantes que se tivessem me pego de surpresa teriam tornado a experiência ainda mais intensa. Magnífico!
sobre a religiosidade expressa no filme, recomendo a leitura do artigo: http://www.historiaimagem.com.br/edicao12abril2011/cristo...
A era medieval com o paganismo e o cristianismo andando juntos,a moral cristã e a selvageria e a morte e a esperança.Filme feito com maestria,parabéns.
Grande filme!
Uma história forte, pesada, carregada tanto de emoções diversas quanto de significado.
O cristianismo onipresente, vívido, refletido nas singelas paisagens se opõe ao paganismo velado, acuado, que se esconde em olhares assustados e interiores escuros.
Um ambiente de medo, de incerteza geral que escancara as fraquezas do homem e beira o paroxismo. As cenas decorrem sob uma atmosfera tão densa, tão paralisante, que só podem nos remeter à penumbra de tais tempos.
Mais uma obra colossal!
Apesar de todas as dificuldades que haviam para se fazer um filme antes são superadas pela genialidade que não acompanha o ciclo evolutivo e tecnológico, com pouco se faz muito, e não generalizando Bergman como todos fazem, afinal, assisti poucos filmes do diretor, mas esse filme trabalha sentimentos tão distintos, selvagens e sensíveis que tornam a obra em uma espécia de crucifixo humano. Em pequenas cenas, os olhares e tormentos são evidentes nos personagens, assim como adorei a atuação de Gunnel Lindblom nesse sentido, mas em um todo, devemos crer que essa fábula religiosa é encantadora, um desfecho incrível.
Este filme é um conto de moralidade e de arrependimento e, portanto, mesmo em alguns casos, com ações cheias de malevolência, é necessário aceitar a bondade que ainda está lá.
Como se estivesse jogando xadrez, Bergman manipula não só os personagens, mas também as emoções dos espectadores, com manobras inteligentes e imprevistas, enquanto pressiona os seus próprios sentimentos em relação a história, para que possamos, pelo menos, levar em grande consideração os eventos que ocorrem . Da maneira de sempre: com a incrível capacidade de virar a atmosfera de um filme em uma fração de segundo, utilizando diversos tipos de iluminação e técnicas de ângulo da câmera.
Os famíliares cristãos ortodoxos de Karin, a todo momento. estão preocupados com o altruísmo, a pureza e a decência aos olhos de Deus, eles tentam crer em um mundo intrinsecamente bom e justo. Nada disso adianta. Para Bergman, Deus não está ali. Como disse Töre, ele não é capaz de entender.
Enfim, A Fonte da Donzela mostra porque Ingmar Bergman é considerado um imortal do cinema.
Um dos filmes mais agressivos produzidos por Bergman, por conter alguns homícidios e um estupro, mas ao mesmo tempo minuciosamente belo.
Considerado como a terceira parte de uma trilogia do "questionamento religioso", (iniciada por ''O Sétimo Selo'' e e ''Morangos Silvestres''). Na TV:
12/10 22:00 Canal Futura
14/10 21:00 Canal Futura
16/10 00:00 Canal Futura
20/10 22:30 Canal Futura
aee, meu 4º Bergman ♥
Acabei de ver, sei nem o que falar mas que dor no coração Ç___Ç
tem uns 10 minutos que eu to tentando escrever alguma coisa sobre esse filme e não me flui nadinha, só dá pra dizer que o filme me perturbou bastante e o final é muuito bonito, trágico e libertador. Valeu por me deixar sem palavras de novo, Bergman.
Senti de tudo ao assistir esse filme. Uma mistura de afeto, revolta, sofrimento, pena... fé. Nele, culpa e redenção jamais caminharam tão bem juntas.
Bergman É Bergman.
A Fonte da Donzela tem uma das cenas mais fortes que já vi num filme de Bergman,
se para muitos a cena do estupro é brutal, para mim é a que Max von Sydow arremessa a criança contra a parede, não só pela violência gráfica, mas principalmente pelo simbolismo impresso nela, ali vemos claramente se esvair toda a compaixão e inocência daquele homem, a luz da fé se apaga em seu olhar naquele momento.
Somente Ingmar Bergman para promover uma fábula belíssima, ainda que cruel e assustadora, já que a situação narrada é deveras incômoda. Tensão constante caracterizam essa obra. Aqui temos uma trama bem obscura, mas que traz traços freqüentes de suas obras — as típicas características sobre a fé, o contato da humanidade com um Deus, as indagações, a esperança diante de, no caso, uma tragédia que faz com que os personagens procurem um conforto com uma religião e que, conseqüentemente, desperte o anseio de vingança. Visto como tal, não se deve desmerecer essa obra-prima, ainda que seja um filme menor do cineasta, tem grande proporção emocional e mensagem clara.
Em linhas gerais, é um desconcertante filme que coloca o sentido da redenção no coração do homem — Max Von Sydow representa esse sentido por conta de situações que seu personagem vivencia, de maneira bruta e impactante. É o homem que reverte a calmaria cristã em algo ainda mais perturbador. Ainda que seja um filme assumidamente provocador, é um trabalho que a sensibilidade torna certas cenas mais brandas e privando o público de um provável enjoo — quem viu ao filme, sabe como o tema discutido aqui é mordaz e angustiante, mas Bergman transforma esse sentido tão tenso em algo poético, catártico e de reflexão.
Umas cenas me provocaram hipnose:
1. O simbolismo de Max Von Sydow quando retira a árvore do chão — o homem embrutecido e com raiva descontando sua fúria à Mãe Natureza que, ironicamente, não foi condescendente com seus ideais?
2. O "banho" pra limpar o corpo, com os galhos da árvore que retirou do solo: Von Sydow externa ali o teor de profano — o corpo nu, másculo, viril, aos olhos de Ingeri (a pagã libidinosa), numa espécie de ritual sagrado que antecede a vingança.
3. O estupro, propriamente, causa uma repulsa, extremamente agressivo, mas feito com um olhar cuidadoso e até sutil por Bergman.
4. A tal comentada seqüência que Von Sydow se vinga dos estupradores, numa ira imoderada, totalmente transfigurado existencialmente. A cena é bastante forte, violenta.
5. O diálogo final com Deus, próximo ao corpo da filha, quando uma nascente de água jorra a seiva de vida cristalina. Um milagre divino? Ou é apenas um efeito do destino diante de tanta agrura ocorrida? Eis a renovação da vida que há de ser esperança dali pra frente. Diante dessa revelação, a promessa de uma paz de espírito e a tal construção de uma igreja pra comunidade.
Não sei se amei ou se odiei o filme, tive várias interpretações do mesmo e ao mesmo tempo, nenhuma. Me deixou com uma tremenda dor de cabeça. Não sei se é péssimo ou estupendo.
A Fonte da Donzela é maravilhoso, como já esperava que seria. Bergman brinca de ironia e nos brinda com esta obra-prima, que me proporcionou filosofar sobre amor, vingança, culpa, fé e redenção, violência. cenas corajosas, atuações magistrais (Sydow já eternizado aos 29 anos), fotografia em p&b linda, linda. e o final? tão bonito e poético que, a meu ver, funciona como a grande moral de uma fábula religiosa.
Inspirador das "vinganças com as próprias mãos" vistos em filmes como A Vingança de Jenifer, A Hora, etc etc etc! O filme carrega uma beleza visual intensa. Os atores parecem ter sido "esculpidos" no celulóide, assim como a paisagem é explorada em detalhes maravilhosos. Permeado pela religião e simbolismos, acaba se traindo nas cenas de violência prática, mas mesmo assim é um filme digno e soberbo!
"VOCÊ me permitiu!". Belíssimo panorama medieval e (porque não?) atual da religião.
Bergman é único. E em A fonte da Donzela ele prova que é mestre até a última cena!
Fantástico! Que fotografia maravilhosa (comum nos filmes de Bergman)
Fora isso, tem a trama que serviu de inspiração para filmes com a temática vingança.
"Quando você acha que está perdido, uma mão o agarra, um braço o abraça e o leva para longe onde o mal não terá mais poder sobre você."
O momento em q o pai perde a cabeça e se vinga dos assassinos é uma aula de direção. O filme se torna escuro e sombrio. Genial!
Me desculpem a comparação... Mas alguém viu alguma semelhança entre este filme e Aniversário Macabro do Wes Craven?
Aniversário Macabro realmente é inspirado nesse. Bem como "A última casa, que é o remake.
Realmente Ricardo e Débora, Aniversário Macabro foi o primeiro filme dirigido por Wes Craven e foi uma homenagem à Fonte da Donzela onde ele reescreveu o roteiro para os tempos modernos (inicio dos anos 70) e rendeu trocentos filmes de "House" inspirados nele. Mas o que me chamou a atenção no comentário de vocês foi o fato de que alguém não curtiu. Será que foi alguém mal informado que marcou?
"E corre água pura e cristalina, livre de todo O Mal. Sacríficio e liberdade: corre água."
Um tema bem bacana, e interpretado de uma forma única. Interessante. A cena final é linda.
tem diretor que nuca pode fazer algo ruim esse e um deles e ingmar ne ou vc gosta ou adeia e eu amo
Uma das maiores abordagens cinematográficas no que diz respeito ao tema vingança.
¹
Torço pra, se conseguir chegar ao Valhala, ser discípulo do Töre.
para o próximo que assistir esse filme.
se você primeiro viu os comentários NÃO VEJA A SINOPSE!!!!
Bem interessante, dialoga muito com os contos de fadas nas primeiras transcrições, antes que se tornassem tão afetados pela geração dos românticos e, pior, da Disney. Tem toda aquela dimensão existencial do Bergman e é bem bonito. Se você espera uma luta de espadas e discursos heróicos com o bem vencendo o mau, ou a cinderela encontrando o príncipe e o sapatinho de cristal, esqueça esse filme.