objetos de critica (burguesia e clero) na filmografia de Buñel, já presentes no segundo filme e primeiro longa.
Primeiro longa-metragem do diretor Luis Buñuel, essa obra surrealista tenta passar o desconforto e o espanto com imagens cruas de morte, espancamento, fetichismo e, no final, um epílogo com um conto do Marquês de Sade.
objetos de critica (burguesia e clero) na filmografia de Buñel, já presentes no segundo filme e primeiro longa.
Sonhos muitas vezes não tem lógica, mas tem sentimentos forte. A ideia do filme é essa - e é uma beleza ver o filme sob essa ótica.
Curioso é que as críticas a Igreja Católica hj soam incrivelmente reais e quase proféticas - vide renúncia de Bento XVI perante aos escândalos recentes. Buñuel estava coberto de razão, décadas antes.
A Idade do Ouro... eu amo cada segundo desse filme, cada olhar cheio de luxúria desses amantes condenados, posso assistir diversas vezes e sempre tirar algo novo, ao invés do filme envelhecer ele se renova, é assim, uma coisa surreal.
Quem diz que o filme é chato ou perdeu a força, de duas, uma :
1. anda fumando crack.
2. tem frieira no pé.
Um filme que mais de 70 anos depois continua provocativo, ousado, mordaz, malicioso, insano, onírico, niilista, libertador, divertido e infelizmente relevante em sua crítica à sociedade baseada em ideologias religiosas, e aos psicopatas encorajados por valores culturais, como só Buñuel consegue fazer. Um filme no mínimo memorável.
Não sou drogada, não tenho frieira e achei o filme chato pra caralho. Julgue-me se puder, "cinéfilo"! :)
Se algum de vocês já se deparou com algum filme cuja importância histórica seja tão inegável quanto o martírio para se assiti-lo até o fim, uma pergunta: como avaliar essas obras?
A considerar apenas a apreciação sensorial, "A Idade do Ouro" estaria abaixo da média.
Não necessariamente por culpa dos seus criadores, mas talvez pelo envelhecimento típico de boa parte das vanguardas. E sendo este filme um instantâneo do surrealismo, fica explicada a agonia causada pela sequência de provocações à família, à Igreja e à ordem institucional, demasiado envelhecida.
Contudo, além da importância das figuras envolvidas na sua concepção, "A Idade do Ouro" ainda é um filme necessário, indo além da mera curiosidade arqueológica.
Chega de ressalvas por hoje.
Este filme não foi o segundo de Salvador Dalí, Dalí desistiu e Buñuel manteve o nome dele nos créditos. Um romance surrealista. Realmente, não tenho paciência para Buñuel, não se entende surrealismo, é só pra assistir, seguir o fluxo, fingir que achou algum significado e ficar com aquela cara de conteúdo, serve como fluxo de consciência, acho que o erro de Buñuel, embora este filme seja importante, foi dar sentido ao surrealismo, construindo uma trama sobre dois apaixonados, no meio de um documentário sobre escorpiões e um mini conto do Marquês de Sade, se tivesse ficado apenas no sem sentido completo, começo, meio e fim, acho que eu curtiria a brincadeira, mas assim não dá. Pergunto qual o sentido de tudo, e Renato Russo me responde em sua música L’Âge D’or, “Não é belo todo e qualquer mistério? O maior mistério é não haver segredo algum”.
honestamente o filme é cheio de imagens sem sentido como o aparecimento de uma vaca em cima da cama da moça do nada, a mulher que estava dando uma namoradinha com o cara do nada largar ele para beijar outro que apareceu do nada na frente do casal, enfim... creio que esse filme tenha-se mil coisas a interpretar, mas só consegui entender umas miseras partes, e considerei o filme meio chato. Mas o que entendi que, creio eu, seja a critica a hipocrisia da sociedade naquela a qual buniel tenta retratar de maneira comica e muito "louca" foi, sem duvida, feita com louvor... eu gostei muito da historia do casal, por causa da música e da energia "densa" que senti nas cenas, mas foi só.. e o final foi no minimo muito engraçado e insano xD
Acho importante destacar que surrealismo não quer dizer necessariamente que o filme não deve fazer sentido, pelo contrário. É muito fácil de apontar a forte presença do inconsciente no processo criativo do filme, quebrando paradigmas e a rigidez do racionalismo. É um filme revolucionário, que em apenas 62 minutos funciona como uma máquina crítica da sociedade da época por diversos ângulos, da visão reprimida com que a arte era encarada e retratada, aliás, não só a arte como o sexo e o moralismo hipócrita.
Mais do que chocar por pura polêmica (quem viu isso?), A Idade do Ouro é um marco de coragem gigantesca na história do cinema. Eu encaro o filme como um desabafo furioso entupido de benzedrina, transpirante e insano. Às vezes falta um controle maior da narrativa, mas isso seria tolher a liberdade criativa do movimento. Daí talvez venha a sensação de cansaço do filme, realmente é algo pra ser encarado como estudo e não diversão, ainda que depois de 80 anos continue divertidíssimo.
Quando eu ouvir falar sobre Idade do Ouro a primeira coisa que virá a minha cabeça, a partir de agora, será uma vaca em cima de uma cama.
Mesmo sem a força de "Um Cão Andaluz", Luis Buñuel e Salvador Dali realizam mais um belo exemplar de cinema experimental e surrealista. Funciona muito bem como uma espécie de prelúdio do que o diretor abordaria em seus futuros trabalhos. Ao contrário do que alguns dizem por aí, acho que não tem uma lógica. Assim como no curta de estréia da dupla, quase tudo é subjetivo, interpretações são bem pessoais mesmo.
pois eu prefiro o buñuel mais anárquico e iconoclasta deste período, com essas experimentações amalucadas do que o de 'o anjo exterminador'. acho que tanto idade de ouro quanto cão andaluz envelheceram bem melhor, inclusive.
no mais, um filme que tem boquete no dedão do pé de uma estátua é excelente. boquetes em dedos do pé de estátuas são meu primeiro critério para decretar a excelência de uma obra de agora em diante. não tem boquete no dedão do pé de uma estátua? menos uma estrelinha.
Dei meia estrela para que sirva de inspiração para as crianças como um exemplo de esperança. Calma, a vida pode melhorar com o tempo =)
Claro com todas essas produções altamente tecnológicas sem conteúdo algum que Hollywood nos agracia? Ou os mórbidos clichês mal produzidos?
mas eu estou me referindo à carreira do Buñuel.
acho seus dois primeiros filmes péssimos. Mas o cara com tempo fez filmes realmente maravilhosos como Veridiana e A Bela da tarde.
A crítica social e religiosa estão bem vívidas neste excelente exemplar de cinema surrealista, proveniente da parceria de Buñuel e Salvador Dalí (meu pintor favorito, por sinal). Recheado de psicodelias simbólicas (como a sagrada hóstia no táxi, ou o homem chutando o violino) e de cenas muitos polêmicas para a época - e algumas chocam até hoje! -, "A Idade do Ouro", ao contrário do que alguns afirmam, possui sim uma linha narrativa, e diria que até lógica. O que nos impede de enxergarmos essa lógica explicitamente são as inúmeras situações surreais e o total desgarramento da noção de tempo. Assim, em meio a passagens esdrúxulas, personagens de séculos atrás passeiam pelos séculos atuais, despreocupadamente, atravessando e rompendo o tempo, como se nada tivesse acontecido, o que acaba por acrescentar mais estranheza à obra. Claro que isto tudo é muito positivo, levando em conta a intenção dos realizadores.
Como um filme surrealista continua a fazer sentido (para mim) mesmo oitenta anos após ser filmado? :S
L'Age d'Or é um filme bem original, primeiro longa do Buñuel e segunda parceria com Salvado Dali. Pena que não me empolgou muito, talvez por toda a expectativa que eu tinha.
Inovador, com certeza, cheio de simbolismo e críticas inteligentes, e fruto da mente criativa de dois gênios, mas não gostei tanto quanto esperava. Achei um pouco cansativo.
Vi, não entendi e NÃO gostei. fico na dúvida se vi o mesmo filme da sinopse...fiz um esforço supremo pra ficar acordada e no fim achei um lixo chato total...
ah, tá...filme de arte, né? detesto!!!
relaxa, esse filme de fato não é um filme gostável para o público geral.não estou te chamando de burro ou ignorante, mas é que pra entender esse filme tem que entender todo o conceito das vanguardas européias e o que o surrealismo de Buñuel e do Dali tinham como proposta pra realmente gostar do filme
Odeia filmes de arte? Ainda bem que não penso dessa forma ou não teria assistido várias obras-primas
Minha ignorância em relação ao cinema ficou mais do que demonstrada ao ver esse filme. Surrealista, ok, mas sou absolutamente incapaz de gostar de algo que simplesmente não compreendo.
Compreensível. É um problema do ser humano no geral, não conseguir gostar de algo que não compreende. Não é uma crítica a você, não entenda assim. É que realmente as coisas são assim - e por isso mesmo acho seu comentário válido e compreensível. Eu, particularmente, adorei o filme. :D
Não sei se vi o mesmo filme de que estão falando... Ora! Não encontrei todo o choque, o pesadelo, a perturbação de que falam. Se o filme choca, é antes por ideias (bem complicadas, hm?) que por imagens. Mas não achei ruim... Muito pelo contrário. A despeito de minha tentativa frustrada de achar um sentido linear naquilo, gostei.
Talvez o melhor filme do Buñuel, esse filme é simplesmente fantástico!
"Há tanto tempo eu esperava. Que alegria! Que alegria ter assassinado nossas crianças!"
Achei incrível. A cena do canibalismo é maravilhosa e nos remete a uma das obsessões de Dali.
sobre "fio condutor", bem, o surrealismo não é algo sem sentido, mas sim algo ligado aos sonhos, no caso, uma sequência de cenas oníricas.
Filme delicioso e não acho que esteja abaixo de UM CÃO ANDALUZ. Os dois são maravilhosos
Vi, não entendi e gostei [2]. Só sei que quando terminei de ver eu ria tanto por ter tentado seguir uma linha de raciocínio durante a exibição. Ainda tento conectar a introdução sobre o escorpião ao restante do filme!!
E acho que Marquê de Sade teve uma participação reprimida no roteiro.
Pessoas, usem o código p/ spoiler, irei ver o filme logo mais, e como faço às vezes, já deixo a página do filme aqui aberta, li alguns comentários e me deparei com spoilers
A sensação é de estar preso num sonho e querer sair dele de tanta angústia e tormento que ele passa, através de imagens desconexas e perturbadoras que ficam fervilhando o seu subconsciente... Essa obra do Buñuel é surrealismo puro e não acho que ele tenha se perdido em relação a "Um Cão Andaluz", pelo contrário: o enredo apesar de não possuir uma linearidade totalmente compreensiva, ainda assim encanta pela forma de representação nas cenas (reações fortes podem ser suscitadas), abordando e trazendo à tona polêmicas e questionando diversos valores de forma insana. Radical seria uma boa palavra-síntese para tudo isto.
Ao contrário de Um Cão Andaluz, detestei. Bam Margera e Pânico na TV foram influenciados por essa aberração. Querem chocar por chocar.
A cena de Jesus, na pele do Duque, é uma porrada na cara da igreja, assim como outras partes do filme também, até porque a essência do filme é a crítica a Igreja.
Apesar dessa cena e de outras tantas clássicas e excelentes cenas, como a da mão sem os dedos ou a da vaca deitada na cama, esse filme do Buñuel não me surpreendeu tanto quanto o primeiro curta dele, Um Cão Andaluz.
Mas ainda assim é um ótimo filme, e deveria ser visto por todos, pura arte em forma de cinema.
'A Idade do Ouro' é um filme chocante. E se é chocante hoje, em 2010, imaginem em 1930, quando foi lançado? Cenas marcantes (como a vaca em cima da cama e a que ilustra o cartaz, onde uma moça chupa o dedão de uma estátua numa cena incrivelmente erótica).
Se hoje o filme ainda soa politicamente incorreto, não consigo nem imaginar como foi na época em que foi lançado!
É interessante ver a crítica à "modernidade" de 1930, ao clero, ao dinheiro, enfim...
Mesmo que parte da mensagem tenha se perdido, depois de tanto tempo, o filme ainda pode ser apreciado como uma ode ao absurdo.
Apenas acho que o filme poderia ser mudo, visto que as poucas falas que possui são praticamente irrelevantes.
tem cenas muito marcantes como a da vaca na cama, a moça chupando o dedão da estátua, aquela carroça perdida e o maestro. apesar de surrealista, tem um "fio condutor", que é o tal romance, uma devassa e um não-bom moço. o final é ótimo, muito bom.
Crítica muito bem construída, mas sinto q falta algo neste filme, que eu ainda naum descobri oq eh
Antes de ser um insulto a religião e à burguesia, é uma história de amor louco, ainda que a maioria das situações encontradas no filme não tenham significados, ao menos uma explicação racional. Os dois amantes de Buñuel são movidos por impulsos sexuais e selvagens, quase místicos, numa clara referência aos temas freudianos. Há também referências ao Karl Marx. Mas é quando se inspira em Marquês de Sade, que Buñuel torna-se anárquico e surrealista ao extremo. A seqüência final trata de uma série de orgias que duram 120 dias, tendo como cenário o castelo de Sellinay. Até aí nada demais. Mas sendo Buñuel irreverente como ele só, colocou um sósia de Jesus Cristo para interpretar o Duque de Blangis, o organizador do evento. Mais anticristo e anticlerical que isso, impossível. Eis aqui uma obra avessa a qualquer ordem e moral.