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"Caché" é uma obra que permite várias interpretações para seu significado, incluindo a relação com movimentos xenófobos na Europa (aqui mesmo no filmow existem textos pertinentes sobre o tema, nas opiniões abaixo). Ainda assim, acho interessante analisar o filme como obra de suspense, pois este é um dos exemplares mais eficientes do gênero. O diretor Michael Haneke constrói sua história sem pressa, apresentando as peças aos poucos, da mesma forma que os personagens tentam encontrar o sentido das misteriosas fitas vhs e desenhos que recebem. Lentamente somos imersos nessas imagens que revelam somente ruas, casas e corredores percorridos em primeira pessoa, mas que se encaminham a um segredo do passado de um dos personagens. Várias vezes a reprodução destas fitas toma a tela toda, em algumas cenas o enquadramento passa a impressão de que estamos vendo através de uma câmera escondida, contribuindo para a estranha sensação de que o espectador está sendo vigiado ou é também um espião. O efeito que Haneke atinge com maestria é transmitir a dúvida dos personagens para o espectador, mesmo depois dos créditos finais. E assim, tal como um segredo do passado, "Caché" (que significa "escondido") não será facilmente esquecido.
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É um daqueles filme-crítica geniais, que você só pode avaliar, depois de parar pra refletir. Um dos mais intrigantes de M. Haneke.
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Em mais uma obra em que Michael Haneke usa seu estilo inconfundível para nos incomodar, nos deixar tensos com uma situação que poderia acontecer com qualquer um de nós. Haneke transforma a vida normal e acontecimentos normais em algo aflitivo, e uma coisa até certo ponto simples, como receber uma simples fita com filmagens da sua casa, se transforma em algo que só de pensarmos já é capaz de tirar nosso sono.
Mas como em todos seus filmes, tudo aquilo que você ve em uma primeira olhada é só uma ponta da história. Seus personagens, e principalmente as famílias de seus personagens são sempre perfeitas a primeira vista, felizes em sua zona de conforto. Mas ao mergulharmos em seus dramas, vemos que a aparente tranquilidade de seus personagens sempre escondem segredos e dramas do passado, que voltam de alguma forma para incomodar a paz da familia supostamente perfeita. É assim em sua grande obra-prima, A Fita Branca, onde toda a hipocrisia de um vilarejo é posta a prova, e é assim aqui.
Num primeiro momento, queremos saber quem está enviando as fitas, sentimos a tensão do personagem, principalmente por imaginarmos aquilo acontecendo a nós. Mas, aos poucos, vemos que nada é por acaso, e o personagem vai aos poucos se mostrando alguém que deixa seu lada desprezível e ignorante aflorar conforme a situação vai cada vez mais se complicando.
Seu "algoz" no filme é alguém deplorável, que em nenhum momento parece ser capaz de prejudicar o protagonista, mas isso não o impede de não sentir culpa por tudo que fez a ele, ao ponto de dizer, e realmente acreditar, que não era o culpado pela vida dele ter sido um fracasso. O filme faz questão de não deixar claro quem estava enviando as fitas, nem a real intenção, mas o personagem principal não consegue perceber que toda aquela situação possibilitou a ele reparar um erro de seu passado, ou de pelo menos pedir desculpas.
Michael Haneke é um mestre, e mostra seu controle da narrativa mais uma vez nesse filme. Com um ritmo lento, que vai nos transportando aos poucos para a situação dos personagens, e atuações primorosas, vale com certeza muita a pena assistir esse filme.
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Você começa achando que é suspense, depois vira um drama, depois você não sabe o que esperar e quando se dá conta depara-se com tão belíssima obra, com uma bela mensagem e após o desfecho nos faz ficar pensando nele por algum tempo.
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Para quem gosta de refletir após ver um filme, este é super recomendado.
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Eu me tornei um curioso fã de Michael Haneke desde o ótimo e instigante ''A Fita Branca'' e com uma imensa euforia me pus diante de ''Caché'', mais uma obra grandiosa do cineasta.
Trata-se de um filme sacana, intimista e que consegue deixar o espectador com muitas dúvidas sobre um elemento chave na narrativa: o autor das fitas e desenhos enviadas ao personagem Georges e sua família.
Nuances que fazem o roteiro ser perturbador e reflexivo ao mesmo tempo, ofertando um convite para o imaginário do espectador. Esse caráter incitivo do trabalho de Haneke me agradou bastante e me deixou perplexo.
A discrepância entre a verdadeira história dos personagens nos deixam curiosos e esse recurso narrativo omisso cheio de evidências a até mesmo uma abordagem séria sobre oposição racial e imigração faz de ''Caché'' ser uma obra excepcional.
Não foi à toa que esse filme teve um sucesso estrondoso em Cannes e é inegável seus méritos artísticos.
Possui um bom clima de suspense e mistério, que é combinado com sua essência abstrata e multisignificativa.
O elenco está ótimo, dando ênfase ao particularismo de Haneke.
Daniel Auteuil e Juliette Binoche, com seus olhares atônitos, transmitem uma carga dramática ímpar, sendo ajudado pela ausência de trilha sonora.
Um bom filme para ver e se deixar levar pelo universo provocador e intimista de Michael Haneke. -
Talvez, se Georges não fosse tão medroso e fechado em suas convicções preconceituosas, teria considerado que os vídeos estariam tentando ajudar... salvar uma vida, e até poderia ter descoberto o autor anônimo.
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Caché não é um filme pra curtir, pra se divertir, é uma experiência muito pesada, visceral, revoltante!
O filme começa e vc vê aquela família como vitima de algo, aquela família intelectual e politizada, com amigos, reuniões, discussões, uma casa linda, cheia de livros, tv, a vida e o mundo passa ali... no meio de tudo isso vem algo de fora, do exterior... algo que invade a paz da família e deixa o telespectador atônito...as malditas fitas, a invasão, o pior de tudo, alguém sabe um segredo, Georges parece saber desde o inicio o que pode ser, mas sua mente que o deixa sempre no mundo perfeito e requintado impede que sua imaginação vá a fundo, Georges e seu mundo intelectual nunca serão atingidos por marginais, por pobres, por pessoas que nunca tiveram uma chance, ou tiveram essa chance ROUBADA! É nisso que ele quer acreditar.
Georges me da nojo com o passar do filme, me lembrou muito intelectuais ou certas pessoas que vivem de discursos humanitários, de igualdade, de bondade mas fica claro que amam pobres...longe deles!
Isso fica claro no começo do filme, na cena do ciclista, Georges não tolera que alguém invada o seu mundo, que alguém pare sua vida, ele não tolera pausar sua vida por conta de problemas externos, por conta de pobres, desfavorecidos nem nada, ele se revolta, acha absurdo, quando vê que as fitas estão entrando em sua vida, fica indignado, pior ainda é quando vê que as fitas são enviadas por alguém do seu passado... Georges não consegue nem acreditar.
Majid está destruído, isso fica claro no seu rosto, corpo, voz, roupas, fica claro até no físico, enquanto Georges aparenta ser um coroa inteligente, bem de saúde, aquele tipo que toma uma ou duas taças de vinho no jantar e fica tagarelando sobre politica e literatura pra se gabar para a própria esposa, majid parece não poder nem contar com um amigo, com uma boa refeição, da dó do personagem, no primeiro momento Majid ve Georges como um amigo, até sorri um pouco, mas logo ve que o coroa bem vestido ainda é um garoto, uma criança irresponsável, apenas ganhou tamanho, ainda é um canalha, sempre foi!
Majid é humilhado, Georges que poderia se redimir, piora tudo e confirma que é uma pessoa podre, podre pra si mesmo, ele não se tolera, não se aguenta, faz pose pra si mesmo, edita o que fala para sua esposa de tanta vergonha que tem das coisas que fez e ainda faz, edita seu programa para parecer um ser intocável.
A cena do suicídio é rápida e cruel, Georges vê Majid se matando e o ve como um galo morto caindo no chão, fica alguns segundos ainda pensando como seus olhos perfeitos podem ter visto uma cena tão cruel, tão feia, tão nojenta, o ser humano caído ali pouco importa pra ele.
A cena final entrega minha teoria de que Georges é a mesma criança do passado, se esconde debaixo das cobertas como se estivesse se escondendo atras dos pais, debaixo da barra da saia da mãe, fez a besteira e espera que ela se resolva sozinha, num lugar quente, confortavel e escondido.
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Cara, não tem sequer uma vírgula de seu comentário que eu não concorde ou tenha achado a mesma opinião. A cena final só mostra a grande sacanagem que fizeram com o Majid e no desprezo pelo ser humano.
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Siiiiim! Você traduziu perfeitamente o meu sentimento sobre o filme. Achei incrível a sutileza com que se insere o ódio pelo personagem de Georges. Não é aquela coisa pronta... Você analisa, observa e sem perceber, começa a desprezar. Um desprezo imenso de quando você se depara com alguém que tem poder pra impedir das mais trágicas ações e no ato, simplesmente foge. Joga a culpa em outro. É incrível como Georges fica na defensiva todo o tempo.
Mas admito que a dúvida e inconclusão do caso das fitas me corroeu e me aborreceu imensamente. Fez com que eu terminasse o filme de cara fechada. -
Então, no final, vc não viu o que acontece? Tenho medo de dar Spoiler rs
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Bom, eu vi até os últimos segundinhos... Mas se tinha algo lá sobre quem mandou as fitas, acho que não consegui interpretar : (
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bom vou colocar spoiler rs, no final não fica realmente claro quem mandou, mas está bem na cara que foi o filho do Majid, no final do filme, no canto esquerdo enquanto as crianças estão saindo da escola, é possível ver o filho do Majid conversando com o filho do Georges, na maior intimidade, como se fossem velhos conhecidos, a impressão que da é que o filho do Majid contou sua versão da história para o filho de Georges...e aquele sumiço do filho do Georges foi por conta da revolta do guri com o próprio pai.
Também tem versões mais viajantes, teorias e tals de que o próprio Georges enviava as fitas pra ele mesmo, de forma inconsciente, como se o psicológico dele estivesse querendo curar traumas e inseguranças guardadas.
No fim o que guardei foi que quem enviou as fitas não importa mesmo rs
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Eu vi essa parte sim! Mas eu não tinha pensado nisso, faz bastante sentido... E pode ser, viu! O que eu tinha imaginado quando vi essa parte, foi que Haneke tentou colocar um retrato sobre a xenofobia nos dias atuais. Enquanto Georges vivia preso na ignorância, seu filho teve oportunidade de conhecer uma existência mais pura, onde seu convívio com um descendente de estrangeiro não se mostrava como algo ruim.
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so pelo o diretor fiquei com vontade de ver e estou vendo agora
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Com que olhos enxergamos um acontecimento há muito "esquecido" em nossa memória? Quando os olhos do adulto se diferenciam dos olhos da criança, assuntos implícitos podem ser explicitados e ressignificados e isso pode gerar muito sofrimento. Como se ver atualmente como executor de uma conspiração que hoje possui outro sentido, outro valor, devido as suas experiências de vida? A vida torna-se mais complexa que uma "brincadeira de criança" ou uma "explicação infantil" e pode evidenciar questões que são difíceis de tolerar e de aceitar. Como permanecer quieto, acordado? Há quase que um ímpeto de perambular pela cidade e de ficar "escondido" da vida, pelo menos enquanto durar o efeito do remédio. Como permanecer sem ser visto, como não morrer após subsequentes mortes simbólicas para a sociedade e para a família? Ao final, ainda fica a pergunta sobre o que irá permanecer (ou não) escondido.
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Me decepcionei um pouco pois achei que seria um suspense angustiante como "Violência Gratuita" e não um drama. Mas mesmo assim a ambiguidade do filme me agradou bastante principalmente em seu final enigmático.
Excelente atuação de Daniel Auteuil que transmite com precisão o desgaste psicológico de seu personagem. Juliette Binoche também acertou atuando de maneira bastante contida de modo que o espectador não consegue conhecer seu personagem. Pra mim isso evidenciou a distância do casal cuja aparente harmonia era sustentada com mentiras e falta de comunicação.
Terceiro filme do Haneke que eu vejo e mais uma vez ele me surpreendeu. -
Realmente o título não poderia ter sido melhor. Um aparente suspense com várias e várias sutilezas escondidas. Ao refletir mais sobre o filme algumas delas aparecem, outras não. Merece ser reassistido.
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Um filme mais ou menos por se tratar de Haneke, esperava mais, bem mais...
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Fiquei completamente assustado e intrigado com a quantidade de temas, variantes e possibilidade são colocadas para o espectador de uma forma, às vezes, sutil, outras, muito explícitas.
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SPOILERS!!!
Mais uma vez Michael Haneke nos estabelece, com o pessimismo de praxe, diante de um microcosmo social, executando talvez uma de suas obras mais complexas. O cenário é estabelecido por uma família de classe média alta francesa que vive dentro da falsa sensação de segurança burguesa (muitas vezes um outro cineasta, Luiz Bruñel, estabelece essa relação). O personagem principal se vê ameaçado por fitas que gravam a sua própria casa e não sabe de onde essas vêm. Como já é recorrente na carreira do diretor austríaco, ninguém é confiável, haja vista, seus personagens são humanos, e sempre ressalta a desesperança na raça. O filme nos leva até a casa de um antigo morador da casa de campo do jovem Georges Laurent e depois descobriremos que esse mesmo morador fora abandonado em sua infância pelos pais de Georges. Fora expulso e depois teria voltado a um orfanato por ter provocado um desconforto ao jovem primogênito, fazendo-o ver o abate de um galo que incomodava a família. Por esse simples fato iria ser privado de uma introdução ao contexto social “ideal” e iria viver no orfanato, comentado pelo seu filho no fim da película. Majid é o representante de uma sociedade que exclui seres humanos com grande facilidade, que não se adequam a princípios sociais convenientes. Um animal a ser abatido, por isso a maior agressão que faz à Georges é que este veja aquele ser abatido, num frenesi vingativo e desesperado. “Quero que você presencie isto” – diz Majid -... assim como presenciou um galo a ser abatido, o que custou o futuro deste jovem. Haneke termina o seu majestoso filme com um enquadramento de uma escola. Ali é o primeiro contato do ser humano com o que depois será o maior inimigo nos filmes desse escritor/diretor: a sociedade. Majid foi privado de uma violência, mas ainda assim fundadora do falso senso de comunidade, privando-o de uma introdução social. Ficou escondido (caché), às margens de uma sociedade excludente. Michael Haneke é o que o cinema atual tem de mais próximo de um sociólogo. Na verdade, ele é um dos grandes.
Ps: É interessante observar como as gravações de fitas muitas vezes são confundidas com a real filmagem do filme em si. E quando isso é estabelecido a fotografia da fita cassete é mais viva que a real iluminação estabelecida pela fotografia do filme. Através de uma câmera a realidade parece mais viva, mas é de fato opaca. Se Stanley Kubrick faz um quadro (enquanto pintura) em movimento; Haneke faz um quadro em construção, pelo expectador. -
Terminei de ver agora e ainda estou impressionado com a complexidade desse filme. A direção do Michael Haneke é fantástica, como em todos os filmes dele, mas esse tem algo de especial. As câmeras paradas, as cenas demoradas, as conversas desanimadas, tudo passa um tom de aflição que só o Haneke sabe fazer. É um filme longo, mas que passa muito rápido se você se envolver com as personagens. O filme acaba e faz você refletir sobre toda a história. Se é aquilo mesmo, se tem algo faltando, se tem algo errado... Se você entendeu certo, se você entendeu errado... Enfim, é um filme que faz você pensar. Recomendo demais esse filme, que pra mim é o melhor do Haneke.
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achei muito interessante mas me decepcionou. esperava (muito) mais! fica longe dos melhores do haneke.
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Caché. O que falar de um filme que tem tantas opiniões sensacionais na página do filmow? O que falar do segundo filme que eu vejo de um diretor que já me fascinou tanto? Por fim, como falar de um filme tão doentio?
È difícil. Difícilimo expressar qualquer opinião sobre qualquer produção do Haneke, porquê o sentimento após os créditos finais é indiscrtitível. Vi apenas dois de seus filmes, ' Amour' e ' Caché'. Ambos foram uma experiência complicadissima para mim. Mas muito agradáveis também. Apesar de ser pesado e de durante 2h um misto de emoções surgirem aos poucos, é simplesmente agradável conhecer esse outro lado do cinema. Um lado cru, mas muito, muito bonito.
Caché é sem dúvidas bastante complexo. Não se trata de um filme simples, e que facilmente você já entende sua proposta e qual a intenção do diretor. Mas caramba, aqui com uma hora de filme se fica pensando " O que é isso que eu estou assistindo agora?". Como o título do filme sugere( não haveria um outro título melhor do que esse, eu creio) tudo aqui está totalmente nas entrelinhas. Nada aqui é "jogado na sua cara". Por isso muitos vão achar o filme monótono e sem sentido.
O que mais chamou atenção, foram os personagens. Incrível como sua opinião,em relação a eles muda a cada minuto do filme. No fim do filme, fica a dúvida/questionamento: Quem interferiu na vida do outro, afinal? Quem foi o "culpado" da infelicidade?
Outro ponto bastante positivo é a o ritmo do filme. Nunca pensei que fosse gostar de algo com um ritmo tão lento, mas que é o fator principal para um bom desenvolvimento da história.
Caché é sem dúvidas um filme que merece ser assistido com o coração, e principalmente, com a mente aberta. E esteja preparado para duas horas -
Os traumas, as dores, a consciência pesada e cicatrizes permanentes surgem em formas de sonhos, lembranças...ou fitas.
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Assim como o genial título, os problemas sociais e dramas estão nas entrelinhas das cenas que vão ocorrendo, não são explicadas e 'jogadas' para o espectador como acontece em todos os outros filmes. O autor das filmagens e desenhos, a xenofobia e as críticas sociais... tudo está 'Escondido'.
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É um filme difícil de manter-se envolvido. Como foi dito por aí, Xenofobia é o tema principal travestido pelo mistério do "quem é q filma?". Pra mim, talvez, o que mais me Desconforta é a frieza e falta de proximidade, e a distância que uma mesma família consegue ter e manter (vide: Pai, mãe, filho..relação Georges/Mãe de George.) relações humanas. Toda essa Apatia social, e no fim um possível vislumbre de um futuro sem tantas diferenciações étnicas/ culturais.
Um desconforto que só..
P s: Não deixe de ler o comentário do Gus abaixo. -
* Caché = Escondido.
Acredito que os filmes de Haneke abrem espaço para diferentes olhares. O meu olhar parte do título “Escondido” para compreender alguns elementos da história e do formato do filme.Em um filme brilhante, Haneke aborda um assunto tabu (ou “escondido”) entre os europeus: a xenofobia.
Os protagonistas do filme – Georges e Anne – representam um estereótipo da burguesia francesa. Ele apresenta um programa literário na TV pública e ela trabalha em uma editora. Cercados por discussões “intelectuais”, eles se encaixam em um modelo de vida celebrado pela civilização francesa. Na vida íntima, o diálogo entre Georges e Anne é desencontrado: um parece sempre querer esconder algo do outro. Georges e Anne têm um filho adolescente – Pierrot – com o qual também encontram dificuldade de dialogar.
Georges recebe fitas com imagens de seu cotidiano, gravadas por um personagem anônimo, escondido. Essas fitas vão, aos poucos, revelando um assunto que era mantido escondido pelo protagonista.
O suspeito pelas fitas – Majid – é um filho de imigrantes argelinos. Quando crianças, Georges e Majid viveram na mesma casa. Os pais de Georges consideraram adotar Majid depois que os pais deste foram mortos. Devido a algumas mentiras contadas por Georges, Majid foi enviado para um orfanato. As fitas recebidas por Georges levam-no a se lembrar de Majid – lembrança que preferia manter “escondida”.
Neste drama familiar está escondido um drama social, importante para compreender o filme. Imigrantes do norte da África foram levados para a França após a segunda guerra mundial para ajudar na reconstrução do país; contudo, os franceses nunca souberam como lidar com as diferenças culturais e com as imigrações posteriores advindas da mesma região. Além disso, a guerra da Argélia criou uma tensão entre franceses e argelinos que persiste até hoje.
Além da questão de Georges com Majid, Haneke apresenta outros elementos que tematizam o conflito entre europeus e imigrantes. Exemplos:
- Logo no início do filme, o conflito com um jovem imigrante africano que está pedalando “na contra-mão”;
- As imagens de uma intervenção italiana no mundo árabe que são sobrepostas à ligação de Anne em busca de seu filho;
Estas referências compõem um quadro, que amplia a presença do tema "imigração" no cotidiano dos personagens do filme.Duas cenas me parecem especialmente importantes:
(1) Georges aparece em uma sala de edição em seu trabalho, assistindo um episódio de seu programa literário. Nesta cena, ele decide que se edite parte da emissão, retirando a opinião de um dos participantes. A cena remete à ideia de uma gravação controlada, na qual Georges seleciona o que pode ser escondido.
(2) Na seqüência da cena anterior, Georges vai até a casa da Majid, suspeito pelas gravações anônimas. Majid diz “Eu chamei você aqui porque gostaria que você estivesse presente” e se suicida. Majid, que tinha sido colocado em um lugar de invisibilidade social, convoca Georges a estar presente diante de seu sofrimento.
Nesta seqüência de cenas, Haneke levanta o mal-estar de Georges diante de sua história com “Maijd”. Ele foi obrigado a relembrar que foi o responsável pela internação de Majid num orfanato, mas parece não se sentir realmente culpado. Para ele Majid não é um “igual” na sociedade. Georges gostaria de poder manter essa história simplesmente escondida - “editá-la”, cortá-la do enredo de sua vida. A posição de Georges diante de Majid representa a posição da sociedade francesa diante da comunidade argelina.Os filmes de Haneke tem uma estrutura distinta do cinema de Holywood. No meu ponto de vista, o significado de seus filmes não está em uma conclusão (cenas finais), mas no problema que o filme como um todo constrói. Assim, os seus filmes levantam questões, mas não apresentam soluções.
Para se compreender a tão debatida (e misteriosa?) cena final, acredito que é importante observar a seqüência de 3 cenas que concluem o filme:
(1) Georges volta para casa e mais uma vez mente para sua esposa, “escondendo” o problema. Ele toma alguns remédios e se deita; assim como a burguesia francesa, ele se omite e finge que este conflito étnico não lhe diz respeito.
(2) O episódio de Majid (no passado) sendo levado violentamente para um orfanato. A cena remete à histórica relação de poder dos franceses sobre os argelinos;
(3) A cena da escola mostra o filho de Majid se aproximando do filho de Georges. Realidade comum na França contemporânea, observamos dois estudantes de origens diferentes – um francês e um imigrante – convivendo em um espaço público. Esta cena sutil explicita uma grande questão diante do espectador: como os franceses e os argelinos irão lidar com os conflitos do passado daqui para frente? Assim, problema é deixado em aberto diante de nós, sem uma resolução.O diretor brinca com as nossas expectativas: afinal, quem é o personagem “escondido”, responsável pela gravação das fitas? Em minha opinião, não existe resposta para esta pergunta. Afinal, o que Haneke parece querer indicar é que há algo mais importante que tenta se manter escondido: a xenofobia.
Além das questões sócio-políticas presentes no filme, Haneke utiliza de maneira muito interessante ideias em torno da “gravação de imagens”. O personagem principal é um apresentador de TV. O seu trabalho é ter a sua imagem gravada. Contudo, algumas gravações que não estão em seu controle surgem e o forçam a retomar questões "escondidas" no passado.
Além disso, é interessante perceber a relação entre a primeira e a última cena do filme. No início temos uma tomada da casa de Georges, filmada com a câmera parada. A cena nos leva a procurar o que pode estar “escondido” nela. Descobrimos em seguida que se trata de uma das fitas enviadas para Georges. Em diferentes momentos do filme, tomadas semelhantes são mostradas, "brincando" com a nossa expectativa: Qual é a natureza desta cena? Esta é mais uma das gravações anônimas? Neste jogo de imagens, o diretor encerra o filme com uma tomada esteticamente semelhante à inicial. Haneke faz com que nos perguntemos: esta cena (a conversa do filho de Majid com Pierrot) é mais uma gravação do observador anônimo? E uma vez mais caímos no jogo do diretor, procurando o que pode estar “escondido” na cena.
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Um filme dificil, como quase todos de Haneke que exige paciencia. Pode parecer monotono pra grande maioria, mas quando ele te prende a atenção, voce quer chegar até o fim. O final não é como a grande maioria esperava? Talvez, mas pra variar, esse esta nas entrelinhas.
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Olha, eu respeito sua opinião e a dos outros aqui, mas eu acho que nós, em algumas situações, devíamos simplesmente aceitar que nem todos os filmes vão fazer sentido e ter uma explicação explícita do que aconteceu. Os filmes são subjetivos por natureza e ás vezes você pode achar que entendeu e vem alguém e explica tudo de uma outra maneira e nem por isso essa é uma situação ruim. O que acontece é que as pessoas ficam ofendidas se o diretor não foi explícito no filme e ficam literalmente "falando merda".
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Acho uma deslealdade esse filme ter sido considerado o melhor da década pelo "The Times", na frente de outros tantos filmes excelentes. A mensagem é fraca e chama pouca atenção e essa ideia que Haneke tem de que o espectador deve criar seu próprio final para a obra é uma bosta.
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Bom, como muita gente ficou em dúvida em relação ao final, eu vou explicar, kkkkkkk, é o seguinte:
a penúltima cena mostra o Majid pequeno sendo levado para o orfanato, ou seja, não pôde receber a mesma educação que George e consequentemente nem seu filho. Tanto pai quanto o filho tiveram uma vida humilde por culpa de George. No entanto, o filho do culpado tem uma educação de primeira, como a cena final frizou.
OBS: na cena do cinema, aparece o cartáz do filme de Almodóvar: "Má Educação". Coincidência?Já em relação as fitas, acredito ser uma alegoria do nosso peso de consciência.
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Mas você percebeu que há uma conversa entre o Pierrot e o filho de Majid na última cena? É algo que não está no foco principal da cena, brincando com o título do filme (Caché = Escondido).
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Eu não percebi. Porém, não acredito que o filho fosse cúmplice do Majid, como algumas pessoas sugeriram. Talvez esta conversa fosse o início da vingança do Majid. Bom, um dos pontos de perenidade que Haneke deixou no filme. rsrs
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Eu gosto muito dos filmes do Haneke, mas seria tão bom se ele fosse um pouco menos comedido nas emoções. Caché até agora parece ser o melhor dele.Não consegui desgrudar os olhos. Depois de analisar o contraponto das duas cenas finais, fiquei sem fôlego.
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um grande filme!! abaixo, vi alguns poucos comentários que tocaram muito bem nos pontos fortes do filme, outros muitos que perdem-se em depreciar a obra, paciência. a câmera de haneke traz muito bem grandes problemas sociais! e a cena final explica tudo!!! filme pra se ver, rever e ver de novo!!
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Sinceramente vou relatar a experiência desagradável de assistir esse longa, e sei que não vou agradar por aqui (nem pretendo), pois vai de contra-mão com o que a maioria acha (ou diz achar só para agradar).
gri… gri… gri…. (isto é uma onomatopeia para o som do grilo… eu sei… eu sei… normalmente é: cri… cri… cri…)....gri... gri... gri...
Particularmente nada contra esse tipo de filme, sobre o final do filme. Acredito que entendi bem o mesmo, mas... Isso é o que se pode chamar de um filme INÚTIL e superestimado. É incompreensível o pseudo-intelectualismo. Talvez, este precise mesmo se autojustificar. Já eu não vou entrar em detalhes sobre o filme (me falta paciência) mas posso garantir que ele não acrescenta nada.-
Faço minhas as suas palavras -> um filme INÚTIL e superestimado. É incompreensível o pseudo-intelectualismo.
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Haneke confundindo as cabeças educadas por hollywood.
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nem sempre não gostamos de certos filmes ou diretores específicamente por causa dos blockbusters de Hollywood. Gosto muito de cinema europeu, meu preferido por sinal. No meu caso, é que Haneke simplesmente não me agrada, minha opinião somente. :)
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Tranquilo Sweet, eu escrevi não te criticando e tal... mas me colocando como sido educado por filmes "Hollywoodianos" e que quando termina fica com a cara no chão, gostando ou não do filme.
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Não desceu, como em outros filmes de Haneke que já vi. Não desce, não tem jeito....
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Assisti ao filme mas estou perdido!
Muitas questões. Não sei o que fazer.Alguém me explica o final ? A relação do filho de um com o filho do outro. E o que significa o título do filme Caché? E afinal, quem gravava as fitas? Quem era um menino que aparecia na janela de relances com a boca suja?
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O final dá a entender que os filhos ''trabalhavam'' juntos, os desenhos eram feitos pelo Pierrot. Caché em francês é esconderijo... (?) não entendo a relação ao título do filme. O menino que aparecia na janela de boca suja era o Mijad pequeno, após matar o galo, sujo de sangue.
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O filme levanta algumas questões sobre arrependimento e culpa e tem um final intrigante(pra alguns, incompreensível) que vai fazer o espectador pensar sobre ele.
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Filme que inicialmente parece entendiante, mas te prende a atenção no decorrer da história até o final.. e não é essa a característica de um bom filme?! É! Gostei dele.
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E não é que é bom? Até agora eu não entendo minha implicância com o Haneke!
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Vi ontem no TC Cult, ele me prendeu mas a viagem foi pouca, era o que? um filme sobre Bullying? Acho que vou ter que assistir de novo.
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Não compreendo o hype em torno desse filme, não é ruim, mas está longe de ser um grande trabalho. Haneke me pareceu, de alguma forma, contido. Percebe-se que a história é maior e mais complexa do que o visto na tela e isso não agrega valor a Caché, que não merece ostentar o título de melhor da década.
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Meu texto sobre o filme http://sessaocafe.blogspot.com.br/2012/11/cache-2005.html
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Cara, fiquei impressionado com a profundidade e ao mesmo tempo facilidade (talvez até sutileza) com que Haneke abordou o xenofobismo.
Durante o desenvolver da trama fui adquirindo uma espécie de raiva do protagonista, a maneira arrogante e rude de agir em vários momentos, principalmente lidando com os que considerava suspeitos, mas demorei para notar que este era o ponto do filme. Não havia mistério por trás das fitas, mas sim por trás das atitudes das personagens. Enquanto Georges buscou apagar o passado, Majid viveu suas consequências durante toda a sua vida, cada qual pertencentes a diferentes etnias e posições sociais.
Eu não sou nenhum grande pensador, só pude formular tudo isso após ler um bocado das críticas, mas realmente é um filme intrigante e que, como característica quase inerente de Haneke, quebra nossas expectativas. Neste filme, nós não vemos um thriller popular, vemos uma crítica à sociedade trabalhada num suspense, o que, aos meus olhos, é uma combinação perfeita. Envolver o espectador nos mistérios e nos conflitos e ao mesmo tempo fazê-lo notar os impasses e questões a serem criticados é fantástico.
Quanto ao desfecho, bem, como já disseram, este é um filme aberto à conjecturas. Porém não qualifiquem um filme por seu final não corresponder ao que querem. Um bom diretor (e Haneke o é) sempre traz uma boa trama e, portanto, nunca deixa uma história inconclusa. Você pode não ter a garantia do que é unicamente certo, mas tem a possibilidade de refletir e tirar suas próprias conclusões pelo decorrer da história. Eu até então não sei se havia compreendido o encerramento.
Mas ainda assim foi um excelente filme.Não soube na hora se havia ali a intenção de mostrar que havia uma aliança maliciosa entre os dois jovens ou se ambos eram simples colegas de escola que convivem em paz, numa completa antítese com relação ao comportamento do protagonista.
Quanto a produção, a fotografia é ótima e a atuação também, em especial a da Juliette Binoche, que me deixou fascinado. Mais uma vez, filme muito bom.
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cara a minha é totalmente contrario tipo o filme foi construido por 3 roteiristas sendo que os dois deles so roterizaram esse filme
e o outro roteirista era o proprio Haneke que tinha acabado levantar uma grana e resolveu dar chance a roteiristas inexperientes a principio a roteiro toma forma de uma maneira* e a base segue normalmente, o filme fica tenso e até maçante parece que percebendo isso o proprio Haneke resolveu colocar o dedo pra mudar o roteiro e tornar a onda um pouco mais sinistra na ideia de mudar a questão do culpado e instigar o publico a repensar a primeira percepção que o filme dá e na hora do ápice ele se arrepende do que tinha feito e não indica um culpado até pq ele mesmo não decidiu isso na preéprodução e o filme ja tinha levado mais tempo que o esperado -
Haneke em sua melhor forma! um dos melhores filmes já feitos por ele. recomendadíssimo.