Gênio não no sentido de uma força sobrenatural que encarna em um ser terreno, mas no sentido de um indivíduo extremamente humano aberto para qualquer tipo de inspiração para a concepção do ato criativo. O intuito do documentário não é o de tentar entender ou explicar George Harrison como um grande músico ou Beatle ou astro, mas de captar o que acontecia em sua volta, quem o cercava, os seus amigos e como o artista encarava tudo aquilo. Isso sempre é demarcado, haja vista que tudo é feito em relação aos seus amigos, pelas pessoas que influíram no comportamento de Harrison e definiram aquele ser humano que acabou também os definindo. É um filme feito com muito carinho por fãs se dirigindo a outros fãs e admiradores. Digo isso pela marcação temporal dos entrevistados. Os depoimentos – muito bem capturados - são adicionados de uma forma que já se poderia prever o que viria a ser falado a seguir. Isso definitivamente não é algo ruim. Scorsese pressupõe que o expectador já tenha interesse naquele personagem, nós apenas vamos além. Nomes como Monty Phyton, Patty Boyd, George Martin, Phil Spector, Ravi Shankar ou A vida de Brian e outros são colocados em cena como se já fossem do conhecimento de quem assiste. Talvez para quem queira começar a conhecer o trabalho e a pessoa de George Harrison isto seja um empecilho. A sincronização da trilha sonora com os depoimentos – uma assinatura forte de Scorsese em seus filmes e documentários - é emocionante e traz a aura de um dos maiores guitarristas criativos que já viveu. E ainda vive. A emocionada última declaração de viúva Harrison realmente preenche com um conteúdo verdadeiro e vemos como ele foi importante durante sua vida e posteridade.