Uma palavra pra esse filme: GENIAL*
Após deixarem para trás a cidade de Dogville, Grace (Bryce Dallas Howard) e o pai (Willem Dafoe) acabam por acaso nos portões da fazenda de Manderlay, no sul dos Estados Unidos. Lá Grace descobre uma estrutura escravagista em pleno funcionamento, apesar de estarmos em 1933, quando já fora abolida a escravatura. Ela se envolve então nas relações entre os empregados negros e seus patrões, apenas para descobrir que os laços que regem estas relações são bem mais complexos do que ela pensava.
Que final mindblowing. Lars von Trier trata de um assunto tão abominável e marcante na história da humanidade de maneira tão brilhante que é difícil ficar indiferente às imagens dos créditos junto à música de David Bowie. O ser humano costuma julgar e impor sua visão sem ao menos saber o que "o outro" quer. Isso é claro quando discutimos cultura popular no Brasil e no mundo. Isso também é evidente quando tomamos posições extremistas ao ler no jornal sobre a prática indígena de enterrar vivo os próprios filhos ou o costume de "castrar" as mulheres em algumas regiões da áfrica. Filme bom é aquele que não se encerra em si mesmo, e Manderlay é um grande exemplo para o Cinema.
Adoro os filmes do Lars von trier...MAS nesse acho que ele perdeu um pouco a mão. Dogville bate de 10x0 neste.
Muito bom, Lars sempre falando verdades desagradáveis. Apesar de Dogville ter sido mais impactante Manderlay não deixa a desejar.
Adoro essa maneira como Lars tenta objetivar através de seus filmes toda a complexidade, toda contradição da sociedade, do ser humano. Ao final desse filme, como em todos do mesmo diretor, me comprometi a futuramente revê-lo, e revê-lo novamente, pois me parece que assistir uma vez só um filme dele não é suficiente para captar todo a ideia q ele quis passar, ou ideias q nem mesmo ele considerou mas que estão implícitas na sua obra. É o tipo de filme que sempre tem algo a acrescentar, sempre tem algo novo apesar de já acabado, e que será sempre atual, pois apesar de nossa sociedade estar aparentemente em constante mudança, ela continua sempre apoiada em um modo ocidental-liberal que o filme apresenta, focando em uma de suas facetas.
Nessa primeira "assistida" o que mais me fez refletir é como os ideais (moral, tradição, etc.) da sociedade, apesar de as vezes parecerem tão "bonitos", estão longe de uma forma viável e racional de organização social. Uma coisa q ainda não tinha parado pra pensar é o modo como esses ideais vêm antes de uma visão prática, e quando digo prática é no âmbito científico mesmo, de observação, de tentar conhecer antes de sair impondo ordens do que é melhor, do que é "bom" e "mal". E quando essas ordens são impostas de maneira brusca e sem subsídio para torna-las possível, mesmo que se sobrepondo a outra ordem social q parecia bem pior, o caos se afirma ainda mais.
Enfim, poderia divagar indefinidamente aqui, mas acho q não convém.. kkk Adoro os filmes do Lars exatamente por isso, e por sua estética original. Precisamos d mais filmes assim, que nos façam pensar..
"A América havia oferecido sua mão, discretamente, talvez. Mas se alguém se recusasse a ver uma mão auxiliadora, realmente, a culpa era só dele."
puts..
Os diálogos são bem interessantes, todo o contexto em que os escravos de manderlay se encontravam até me fez lembrar uma sociedade pobre de qualquer lugar. Dogville foi muito legall e Manderlay está no mesmo patamar.
É um filme fantástico, sou suspeita a falar pq Lars eu admiro muito, porém a troca de Nicole Kidman por Bryce Dallas Howard é uma coisinha chata..rsrs...Grace é a Nicole na minha cabeça ...enfim, espero que o Lars faça logo o 3º e veremos quem será a finalista Grace e espero que pela demora do término da trilogia, Lars surpreenda e faça um Washington 3 vezes melhor que Dogville, o que para muitos parece impossível mas Trier é Trier!
A troca me incomodou bastante...a todo momento imaginava como seria se fosse a Nicole ali.
Fantástico, Fantástico demais, mesmo Dogville ainda continua sendo meu favorito. Lars constrói personagens, e os desconstrói também de uma maneira que enche os olhos.
Não chega a ser Dogville, mas reforçou a ideia e inseriu novas. Algumas cenas/partes do roteiro/narração achei levemente forçadas, mas é um ótimo filme.
Tenho a sensação de que eu poderia assistir uns 20 filmes nesse formato (Cenário, pensamentos e tal) que nunca me cansaria!
Eu pensei que após Dogville, a continuação perderia um pouco no quesito novidade rsrs besteira minha. E que venha o próximo \o/
Manderlay é bom, mas não tanto quando Dogville. Quando será que teremos a última parte?
Tenho pena da Grace. Ela tenta ser legal, mas a humanidade não deixa...
apesar de não ter gostado muito da "nova" Grace (Bryce Dallas Howard é uma ótima atriz, mas na minha opinião, ela deu à personagem características bem distintas da Grace da Nicole Kidman), Manderlay é tão criativo quanto Dogville, e traz também uma mensagem forte e amarga.
Manderlay é Nietzsche aplicado a história da escravidão na América. Não tem jeito, a melhor maneira de entender o filme é ler Genealogia da Moral da moral antes.
Alguém sabe me dizer se este filme também teve duas versões? Sendo uma de menor duração como em Dogville?
Pois, aqui informa duração de 139 min, e o que eu assisti tinha 132 min. Talvez estes 7 min não façam muita diferença, mas caso realmente tenha uma versão editada, quero assistir o filme completo.
Não há um terceiro filme?
O filme já não tem o impacto estético do ineditismo de Dogville, haja vista o cenário seguir a mesa linha em Manderlay. Então, para aqueles que não conseguiram se adaptar à brincadeira de faz-de-conta (portas e paredes falsas, etc.) da cidade imaginária, melhor não se aventurar por Manderlay. Mas quem superou essa etapa terá o mesmo acabamento visual do filme anterior e a mesma tensão de um roteiro pesado e provocador. Muito mais do que expor uma situação, a direção pretende incomodar os espectadores passivos (se é que é possível alguém que vai assistir este filme se classificar como tal!). Também, a troca de atrizes não prejudicou o filme, a direção conseguiu fazer com que esta Grace tivesse a mesa vulnerabilidade da anterior. E o restante do elenco também está muito bem, personagens densos e bem construídos, o que deixa o filme ainda mais interessante. Um filme que quando acaba deixa o sabor de indignação conosco... Um experimento cinematográfico que deu certo!
A principal questão do filme está muito além da escravidão. São questões que demorei um pouco para compreender totalmente mas que são um soco nos Estados Unidos. Espero que Lars Von Trier continue com Washington.
Ah, por mais que Bryce Dallas Howard seja uma excelente atriz, a imagem de Grace é a de Nicole Kidman na minha cabeça. :(
Esse filme levanta tantas questões sociológicas e filosóficas que eu nem sei o que pensar.
Lars Von Trier novamento se enreda em temas expressamente polêmicos e eminentemente atuais, ainda que não tenha o mesmo apelo que Dogville, o filme possui um roteiro extremamente bem elaborado e uma ótima conclusão.
E mais uma vez Lars Von Trier se envereda por um tema abrangente, respulviso e infelizmente atual. Filme reflexivo.
... e depois de tudo a subida de créditos emocionante com as imagens todas e a canção de Bowie!
Realmente emocionante, mas acho que teria sido perfeito se fosse com a música Redemption Song do Bob Marley. Letra perfeita pro tema abordado no filme, e melodia melancólica, típico do Lars.
A vida psíquica-sócio-econômica-política-cultural de alguns negros contada por um escandinavo.
Grace torna-se refém de sua própria ideologia e, mais uma vez, seus atos remetem a uma condescendência inconsciente... semelhante a que todos temos.
O roteiro é genialmente bem elaborado. Ponto forte do filme. Os dois últimos capitulos vencem qualquer desfalque dos anteriores.
Aquele nó na garganta e a sensação de descrença que segue todo filme do Lars.
Às vezes achei que não ia conseguir ver até o fim.
Puta amor masoquista.
Filme que mostra de maneira magistral o quanto as diferenças sociais não mudaram nos últimos 200 anos.
Não tão brilhante quanto Dogville mas também tem o seu valor.
sobretudo porque um dos pontos fortíssimos de Dogville era a originalidade, principalmente no cenário. Daí, Manderley já começa perdendo porque não tem essa mesma originalidade estética. Mas, o conteúdo eu achei mais impactante do que em Dogville.
Realmente, o impacto de Dogville foi maior. Acho que entendo com mais facilidade os filmes que de alguma forma criticam a natureza humana.
a questão central acabou vindo de encontro ao que eu estou aprendendo agora em filosofia. achei genial o filme, em todos os sentidos.
Os 2 últimos atos, são bons! Mas no geral, nem chega aos pés do "Dogville".
A crítica do filme vai além da questão racial americana, que até hoje é vergonhosa, não só lá, mas também no restante do mundo. Ele nos faz refletir sobre questões filosóficas acerca de justiça e liberdade. Até onde somos livres? As regras servem mesmo para nos reprimir? Se pararmos para pensar, sem leis não haveria liberdade. Tudo que funciona sem regras, torna dificultoso e desproporcional às condições vividas em determinado meio social. Podemos encarar as leis como meios garantidores de liberdade, visto que sem elas o caos tomaria conta da comunidade. Isso é ser livre? Outro conceito relevante no filme é o de justiça. Este deve ser entendido como valor subjetivo ao ser humano. Subjetivo, pois varia de acordo com cada cultura, cada meio social. Por isso, o meio utilizado para punições ou para garantir decisões justas podem ser diferentes em cada civilização, contando que a finalidade seja o alcançar dessa tal "justiça". Além das questões raciais que são um tapa de um jeito que só o Von Trier sabe dar.
Recado dado de forma bem explícita aos americanos, bem ao jeito Von Trier de ser (pra mim, um gênio)
achei essencialmente uma crítica a enganosa liberdade dada aos negros. uma ferrenha crítica à abolição sem oportunidades de inserção, crítica à falsa liberdade, à quem vê de fora o mundo dos outros e faz mudanças sem sequer saber os porquês das coisas. e acima de tudo, uma crítica maravilhosa à invasão do Iraque que nada mais foi do que Manderlay.
em suma, um filme de cunho didático para o Sr. Bush.
eu não diria que chega a superar Dogville, que por tratar de questões mais existenciais e ter um caráter catártico, torna-se praticamente insuperável. agora, Manderlay nos coloca diante da questão que foi dita acima: qual a real situação dos negros? e uma segunda, que eu acho mais chocante: ninguém esta isento de responsabilidade em sua própria opressão. (e como a democracia também gera opressão)
"Von Trier joga seus personagens até o fundo do poço, mostrando na cara de cada um deles a hipocrisia, vaidade, arrogância, de forma nada sutil."
A frase acima define bastante o que eu achei do filme, assisti o mesmo com um pouco de receio, senti que a troca das atrizes pesou muito, mas 'venhamos-e-convenhamos', a mensagem que o filme passa é um tapa na cara da sociedade, os últimos 30 minutos vale pelo filme inteiro...
Essa frase nunca vai sair da minha cabeça, nunca:
“[...] os Estados Unidos não estão preparados para a libertação dos escravos agora [1930] nem estarão daqui a 100 anos”
Manderlay não a obra-prima que pensei que seria como é o filme Dogville, mas é acima de tudo, um filme político... Trata dos EUA, mas de todos nós: universal. A exemplo de em Dogville, as crenças de Grace, que são as nossas, vão sendo uma a uma dissecadas e se mostrando simplórias... No fim, a maioria não resiste. Grace é a metáfora perfeita dos nossos governos civilizatórios... Vale a pena ver e refletir!
poderia ter sido melhor, talvez se tivesse sido mais "realista" como em dogville.
Não tão bom quanto o primeiro da trilogia, mas tão critico quanto.
Gênial e inspirador. Realmente uma digna continuação de Dogville.
Nem tão bom quanto o primeiro. A substituição de Nicole Kidman por Bryce Dallas Howard deixou a desejar.
Obs.: Não tem como assistir e não lembrar dos Contos do Machado.
e o terceiro, sai ou virou lenda?
haha LENDA!
Washington(o 3°) ainda não foi filmado- e sinceramente creio que jamais será-. :/
Depois que o Lars entrou naquela depressão profunda, o que nos brindou com "AntiCristo" e "Melancolia" por exemplo, ele nunca mais citou a conclusão dessa trilogia sobre os EUA, iniciada em Dogville. E como o próximo filme dele, sera aquele pornorotico (Nymphomaniac) previsto para 2013... :(
Um meio injustiçado justamente por ser uma sequência da obra-prima Dogville. A substituição de Nicole Kidman do papel principal, vaga dessa vez ocupada por Bryce Dallas Howard, também gerou controvérsias, mas é possível dizer que esta cumpriu muito bem seu papel. Dessa vez, o diretor Lars Von Trier manda verdades a respeito da escravidão e continua com destacável relevância. Porém, é inegável que o diretor realmente se repetiu em muitos aspectos. Sendo assim, é muito provável que o cara não grave a última parte da trilogia, o que, em minha opinião, é algo lamentável.
Uma digna continuação de Dogville, apesar de nao ter o mesmo brilho de seu antecessor. Apesar da Bryce Dallas Howard ser uma jovem atriz de muito potencial, ainda nao possuía maturidade nem experiência suficiente para fazer uma personagem de tamanha carga dramática como a Grace. Nicole Kidman fez muita falta... Apesar de suas falhas, trata-se de um filme muito interessante e de forte impacto, como quase tudo que este gênio chamado Lars Von Trier faz.
(estranhei por não ser mais a Nichole Kidman) mas o filme é muito bom, a ideia, o medo; mas foi o filme do Lars Von Trier que menos me deixou perturbado.
lars como sempre mostrando a verdade da forma mais autêntica possivel, como sempre é dificil fazer uma auto-avaliação após os filmes dele, isso sempre acontece comigo, mas diferente de muitos cineastas, ele sempre me deixa com a sensação de um soco no estômago.. enfim, não é fácil digerir os filmes lar von, mas é sempre uma verdade sendo dita.
um questionamento da realidade, eu interpreto como sendo assim, o pior escravo e aquele que não reconhece a própria escravidão... nós seres humanos, vivendo presos, limitados e sempre com um pessimismo típico de lar von trier, as coisas nunca terminam bem, ou melhor, essa é a visão de lar von trier para o mundo em que se habita, cineastas como ele são pessoas que pensam além do que se pode enxergar e transformam suas obras e algo que ultrapassa o tempo e espaço