filmow.com/usuario/brngrs/
    Você está em
  1. > Home
  2. > Usuários
  3. > brngrs
22 years, São Paulo (BRA)
Usuário desde Janeiro de 2014
Grau de compatibilidade cinéfila
Baseado em 0 avaliações em comum

Últimas opiniões enviadas

  • Bruno

    Já dá pra começar a falar em um cinema brasileiro ecoando as grandes ruínas do progressismo reformista, criado na margem de um sistema político esgotado. Tivemos alguns exemplares importantes nos últimos anos (com todo o destaque para O Som ao Redor), mas é Depois da Chuva que começa a abordar de frente este grande mal-estar.

    A Reabertura Democrática é quase sempre retratada como um período efervescente, de reformulação da esquerda, de lutas populares. São poucas as obras que contradizem o mito que foi criado entre as Diretas Já! e o Collor. Depois da Chuva é a visão mais deprimente desse período, um Terra em Transe reformulado. Atores políticos isolados e levados ao niilismo, conjuntura fragmentada, repetição eterna dos mesmos clichês (caminhando, cantando e morrendo de tédio). O filme todo se constrói sobre uma ruína de relacionamentos fracassados e de uma cidade destruída (a Salvador que aparece não é a Salvador da "vida real", arte não é ufanismo regional). A opção de fazer um filme de formação (que inclui até as primeiras experiências amorosas do personagem central) é bem estranha nesse cenário -- essa estranheza, porém, quase nos diz que não devemos ver isso de uma maneira séria, mas com um pouco de cinismo. A escola é uma transposição da ampla conjuntura nacional da época para um microcosmos mais simples de trabalhar, que permite uma redução de personagens e de pompa no tratamento do material. O uso desse microcosmos permite também uma exploração além do argumento do que viria a ser a vida política brasileira após o período retratado. Alianças, "governabilidade", está tudo lá.

    O final é, de longe, um dos mais assombrosos do cinema recente. Incerto, negativo, um aprofundamento do tema ruinoso que permeia todo o filme.

    Você precisa estar logado para comentar. Fazer login.
  • Bruno

    O Cronenberg sempre foi hiperbólico. É um mecanismo narrativo muito caro a ele por violar com gosto o sentido de realidade que o cinema tenta recriar. Tendo isso em vista, não se deve levar o enredo de Maps to the Stars com uma visão naturalista da coisa. É exagerado e irreal por essência. Nada de muito novo nesse quesito.

    A questão de forma, com marcação na edição, é interessante. O Sanders estava um pouco perdido no Cosmopolis, mas retoma bem aqui a linha ousada que ele tinha até o Crash, de 1996. Talvez fosse só questão de ter mais espaço e liberdade. As quebras e perdas de ritmo que acontecem durante o filme se encaixam de maneira bem orgânica com o roteiro.

    Gosto bastante da linha que o Cronenberg anda seguindo, fugindo e se aproximando do passado dele próprio. Pode vir coisa boa por aí.

    Você precisa estar logado para comentar. Fazer login.
  • Bruno

    Talvez seja o melhor filme do Nolan (apesar d'eu não ter visto Interstellar ainda). A parte técnica, apesar de ser bem formal e sem surpresas (mas isso é ok, considerando que o filme é um blockbuster), é bem boa. O que eu gostei mesmo foi que ele finalmente conseguiu quebrar com o ranço dele por uma profundidade real na direção e no roteiro.

    É um filme que não exige gráficos explicatórios (como é comum dele -- uma falsa complexidade para esconder falhas de roteiro), mas que gera uma subjetividade muito forte para um argumento bem banal. Toda discussão sobre como emerge uma sociedade fascista e autoritária, sobre como o privado age acima do público nas esferas políticas, isso é muito além do que se espera de um filme padrão de Hollywood. Claro que essas discussões, no filme, não são exatamente teses de sociologia, mas o Nolan consegue abordá-las sem didatismo, dando espaço para o espectador. O Batman, em si, é um personagem legalista, com disputas morais bem óbvias, é incrível conseguir criar algo decente em cima disso.

    A estrutura do filme tem alguns problemas típicos de blockbuster (como um plot twist bem desnecessário e que não faz parte organicamente do resto da forma), mas é uma narrativa boa, fluída, coisa que ele aprendeu a fazer com os filmes anteriores da trilogia. Se ele se manter nessa pegada e parar de querer reinventar a roda da narração, pode até se tornar um diretor bom.

    Você precisa estar logado para comentar. Fazer login.