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“To argue with a man who has renounced the use and authority of reason, and whose philosophy consists in holding humanity in contempt, is like administering medicine to the dead, or endeavoring to convert an atheist by scripture.” - Thomas Paine

Últimas opiniões enviadas

  • Fernando Canhete

    Joon-ho Bong é um diretor fantástico. Mother, Memórias de um Assassino e The Host já mostram a que veio, mas com Snowpiercer se estabelece definitivamente como um dos grandes da atualidade. A construção de um universo distópico mesclada ao uso de paradigmas sociais inventivos é um grande desafio. Bong não só consegue isso, como instaura uma narrativa extremamente amarrada e autoral. O uso das lentes teleobjetivas em "profile shots" torna-se aqui não somente um método de nos gerar dúvidas sobre o personagem, como uma forma de reforçar a lateralidade do filme em si. Temos aqui a transposição de uma pirâmide social, sendo a locomotiva uma tradução da mesma, onde "base" e "topo" tornam se "fundo" e "frente". E partindo daí os planos de perfil são direcionados. Curtis sempre olha pra direita quando segue com o seu motim, enquanto eventualmente precisa olhar pra esquerda quando confrontado por sua humanidade. As escolhas se resumem em direções e a narrativa flui através dessa lateralidade com maestria.

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    Quando, por fim, Curtis chega ao motor da locomotiva e se depara com uma possível mudança de relação com seu "exército" (a possibilidade de se tornar o novo líder), Curtis muda de direção e encara a esquerda, como se estivesse prestes a mudar sua própria visão. A explosão da locomotiva, gerando uma nova abertura, é também o surgimento de uma nova dimensão. Uma nova possibilidade de escolha, um rompimento com a lateralidade do trem.

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  • Fernando Canhete

    Nesse filme, o uso de planos para estabelecer a dominância de personagens em dadas situações e gerar hierarquia entre interlocutores torna essa adaptação do teatro algo de fato cinematográfico. Mas além da linguagem cinematográfica, o "mise-en-scène" estabelece um diálogo fortíssimo com o teatro, veículo do qual Nichols chegou ao cinema. Um belo exemplo disso se dá no momento em que Martha começa a provocar o convidado para enciumar George, e o plano distancia a esposa do convidado, fazendo com que o mesmo e Martha ocupem a maior parte do plano e a esposa do convidado, ao fundo, fique pequena, tornando-a indefesa mediante uma situação de conflito sexual. E simultaneamente, no "mise-en-scène", George senta ao fundo, afastado dos três, que no sofá, estabelecem um triângulo entre si. Polanski, recentemente, tomou para si a excelente fórmula desse filme e construiu algo similar em seu "Carnage" - excelente, por sinal - com o casal Watts e Waltz sendo praticamente um espelho de Burton e Taylor.

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  • Fernando Canhete

    FLCL é uma série animada sem qualquer compromisso com a realidade, e esse de fato é seu maior charme. Mas seu caráter explosivo e confuso não são gratuitos. A associação com o crescimento do protagonista é notória. Temos um personagem central, Naota, em crescimento e a puberdade é esse seu momento. Tanto de descobertas sexuais quanto mudanças físicas. Logo esse mundo é o seu novo mundo, e o descobrimos junto com o próprio garoto.

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    A sua relação com Mamimi, quando iniciamos o primeiro episódio, é cheia de inseguranças, mas aos poucos Naota percebe seus próprios sentimentos aflorarem. Ele passa a notar os lábios de Mamimi com maior frequência, nota pela primeira vez algo em seu corpo que o envergonha (um chifre simbolicamente fálico) e até percebemos, ao fim do primeiro episódio, uma mudança de conduta (Naota sentia repulsa de beber na mesma lata que Mamimi, mas ao fim ele aceita compartilhar a lata.) Ao decorrer dos 6 frenéticos episódios, vemos Naota percorrer a Jornada do Herói (o monomito, de Joseph Campbell), crescendo e amadurecendo, pra retornar assim ao seu mundo em que "nada acontece".

    Tudo aqui marca a efervescência dessa fase, desde a excelente trilha sonora da banda "The Pillows" até a composição frenética de cores, distorções físicas e edição acelerada. Definitivamente, uma série que vale a pena ser assistida.

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