• Thiago Lucio Oliveira da Silva

    "Como o 3º ato de uma trilogia, "Batman - O Cavaleiro das Trevas Ressurge" cumpre o seu papel com competência, embora como filme seja um tanto quanto irregular, especialmente em sua 1ª hora. O impecável Christopher Nolan é responsável pelos momentos menos inspirados de toda a trilogia no estabelecimento desta narrativa, uma vez que até a sequência em que a ladra Selina promove o encontro de Batman e Bane, a trama patina seja ao tentar justificar o retorno de Batman às ruas (até então a ameaça de Bane não justificava o fim da sua aposentadoria que se dava por uma forte ideologia), o interesse repentino e abrupto de Bruce Wayne em Miranda Tate (por mais que seja uma personagem feminina bem defendida pela Cotillard), além das intervenções da própria Selina, do comissário Gordon e do policial John Gordan, cada um participando da trama perifericamente, mas sem muitos méritos. É como se as peças do quebra-cabeça de Nolan não tivessem a mesma complexidade e inteligência vistas nos filmes anteriores, especialmente no 2º filme, tornando a evolução dos eventos um pouco arrastada e burocrática e o próprio trabalho na direção, revela uma certa preguiça por parte de Nolan, especialmente na sequência que mostra Batman fugindo de moto dos policiais que o cercam ou quando Bane escapa do cerco policial na frente da Bolsa de Valores. Dois momentos orquestrados e montados de maneira canhestra por Nolan, sem um pingo de ambição ou apelo visual. A partir do confronto entre Bane e Batman, Nolan finalmente mostra o seu verdadeiro propósito para o filme e para a trilogia de uma maneira geral, estabelecendo o caos em Gothan e uma nova perspectiva da jornada de Wayne, criando uma combinação brilhante, poética e filosófica com o 1º filme que eleva este 3º filme a um patamar de altíssimo nível, culminando em um ressurgimento digno, bem orquestrado, épico e de alta qualidade. Toda a construção da revitalização física e mental de Wayne na prisão é maravilhosa, remetendo diretamente ao 1º filme sob uma perspectiva ambiciosa e diferente. Bane pode ser interpretado como um terrorista extremista como tantos outros, mas é uma ameaça física muito bem inserida dentro deste universo justamente por ser aquele que mais promove a destruição física da cidade de Gothan, ou seja, enquanto que no 1º filme, os vilões queriam promover a paranóia nos habitantes e no 2º, o Coringa era a personificação do caos, aqui Bane instaura o caos literalmente com o propósito de levar tudo às ruínas, trata-se da destruição em massa mesmo. A composição física de Tom Hardy é muito eficiente assim como o seu importante trabalho de voz e não há como negar que fisicamente Bane é uma figura imponente e amedrontadora, especialmente pela máscara que altera o som da sua voz (que não deixa de ser um interessante contraponto ao próprio Batman). Anne Hathaway não decepciona e transforma sua personagem em uma figura atraente, mesmo que ela tenha apenas um peso secundário dentro da trama principal. Cristian Bale está mais à vontade do que nunca na pele do Batman, Michael Caine é responsável por segurar muitíssimo bem os momentos de maior carga dramática enquanto que Gary Oldman, Morgan Freeman e Joseph Gordon-Levitt conferem dignidade aos seus personagens. Mesmo não possuindo a mesma complexidade vista no 2º filme e contando com alguns poucos momentos de brilhantismo, a trilogia se encerra de maneira competente, sendo responsável por finalizar o arco dramático do personagem central de maneira autêntica."

    8.5/10

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