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O Oscar 2017 está logo aí e teremos o nosso tradicional BOLÃO DO OSCAR FILMOW!
Serão 3 vencedores no Bolão com prêmios da loja Chico Rei para os três participantes que mais acertarem nas categorias da premiação. (O 1º lugar vai ganhar um kit da Chico Rei com 01 camiseta + 01 caneca + 01 almofada; o 2º lugar 01 camiseta da Chico Rei; e o 3º lugar 01 almofada da Chico Rei.)
Vem participar da brincadeira com a gente, acesse https://filmow.com/bolao-do-oscar/ para votar.
Boa sorte! :)
* Lembrando que faremos uma transmissão ao vivo via Facebook e Youtube da Casa Filmow na noite da cerimônia, dia 26 de fevereiro. Confirme presença no evento https://www.facebook.com/events/250416102068445/
A queda (Downfall) é um filme obrigatório não só para quem gosta de história como para toda a nossa geração, que desconhece por completo os motivos que levaram à Ditadura não só na Alemanha como em vários países do mundo (inclusive no Brasil). Claro que, com o filme retratando apenas os últimos dias de Hitler, você não vai saber muito do que se passava para além do bunker do ditador. Mas não precisa. Basta lembrar as palavras de Hitler dirigida ao seu povo, anos antes: "Tudo o que vocês são, o são através de mim; tudo o que eu sou, sou através de vocês". Assim sendo, Hitler era o microcosmo do cosmo alemão daquele tempo (qualquer paralelo com a suástica não foi acidental).
O filme está mais pra documental do que pra experiência cinematográfica. Foi inteiramente baseado nos relatos dos sobreviventes que estavam no bunker junto com Hitler, principalmente da secretária dele, Trandl Junge. Esse ponto de vista garante uma certa imparcialidade na condução do filme, sendo esse o seu maior mérito. O diretor é extremamente contido, praticamente não há trilha sonora, a fotografia não chama a atenção, e o que resulta disso é que a atuação se sobressai imensamente.
Kundalini em estado bruto era o que destacava os líderes nazistas. E essa representação está perfeita no filme "A queda". Não imagino um Hitler melhor retratado do que o conseguido pelo ator Bruno Ganz. O ator estudou não só o gestual como a voz, o olhar e uma raríssima fita onde o ditador fala em voz normal, sem saber que estava sendo gravado. Já vi algumas (poucas) críticas de tolos dizendo que "humanizaram" Hitler. Vai ver porque ele ERA humano de fato. Caricaturalizá-lo só vai nos afastar de perceber que SERES HUMANOS que riem e que choram ordenaram e cometeram todas essas atrocidades contra OUTROS seres humanos, algo que nossos amiguinhos dos EUA estão fazendo nesse momento com os Iraquianos, como em Abu Ghraib. Adoro tudo o que se relaciona à 2ª guerra mundial, e já vi vários vídeos de Hitler, e posso dizer que Bruno Ganz o representou perfeitamente. Pelo menos uma cena do filme foi copiada de um documentário, onde Hitler, com um olhar terno e um sorriso no rosto, dá uma medalha a um garoto (creepy, mas real). Outra coisa assustadora no filme é a interpretação de Ulrich Matthes para Goebbels, o chefe de propaganda e a mente por trás do sucesso de Hitler. Em documentários que vi (tenho a série "The World at War" toda) Goebbels discursando, eu ficava embasbacado só com a altivez deste homem feio e franzino, mas com um vigor que o tornava praticamente um Titã na tela. O ator, além de ser a cara dele (praticamente todos os personagens são cópias fieis!) conseguiu retratar parte da força, e principalmente os olhos dilatados, profundamente negros. Mas a cena que mais me marcou foi definitivamente o fim trágico dos filhos de Goebbels, magistramente dirigida, apenas com o som das cápsulas sendo quebradas... putz, aquilo pareceu uma eternidade! Tanto que a atriz que interpreta a esposa de Goebbels teve uma crise nervosa, devido ao envolvimento com o personagem. O efeito deste filme na Alemanha foi bombástico. As pessoas saíam do cinema totalmente mudas. É muito fácil olhar para os horrores do holocausto, sentir piedade e esquecer no dia seguinte. Afinal, os judeus são "os outros". É muito fácil ver um soldado alemão retratado como um ser malvado e pensar "esse não sou eu". Mas olhar para si mesmo, reconhecer-se na tela como um ser humano, civil e alemão, voluntariamente unido em torno de um ideal sanguinário (a ponto de reprimir qualquer manifestação contrária entre os próprios alemães) é uma experiência completamente diferente.