Estranhos na Noite - Mordaça no Estadão em Tempos de Censura

2016

Estranhos na Noite - Mordaça no Estadão em Tempos de Censura

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O regime militar promulgou, em dezembro de 1968, o Ato Institucional nº 5, um dos mais duros golpes na democracia brasileira. O decreto assinado pelo então presidente Artur da Costa e Silva suspendia, entre outros direitos, a liberdade de imprensa. A primeira publicação a sofrer com a necessidade de aprovação prévia de seus artigos foi o jornal O Estado de S. Paulo, popularmente conhecido como Estadão. O documentário de Camilo Tavares, com roteiro e entrevistas de José Maria Mayrink, resgata a memória do periódico e da influência da censura a partir de depoimentos de profissionais que passaram pela redação do veículo durante os anos de repressão.

A figura de um censor oficial em meio às máquinas de escrever era motivo de constrangimento entre os repórteres. Gellulfo Gonçalves, chefe da diagramação, anunciava sua chegada nos corredores com a música Strangers in the Night – Estranhos na Noite, em tradução do inglês –, eternizada na voz de Frank Sinatra. E a ira dos militares com a imprensa livre era ainda maior com o jornal dirigido por Julio de Mesquita Filho, responsável pelo editorial Instituições em Frangalhos, uma severa crítica ao então presidente Costa e Silva. Começava, a partir desse artigo, uma era de restrições às reportagens. Segundo a historiadora Maria Aparecida de Aquino, uma das entrevistadas por Camilo Tavares – filho do ex-articulista Flávio Tavares – foram cortados 1.136 textos, apenas entre setembro de 1972 e janeiro de 1975.

Os relatos dos redatores e funcionários de diversas funções desmascaram a verdadeira face da ditadura e mostram as consequências terríveis trazidas pelo controle da mídia. Jornalistas relembram a curiosa proibição em falar sobre as interdições na liberdade de imprensa, e da necessidade de tratar o país e o regime militar como uma terra livre de problemas e um governo miraculoso. Articulistas comentam, entre outros casos, a coibição da cobertura sobre um surto de meningite em São Paulo e o cerceamento de textos sobre o falso milagre econômico. Quando a censura atuava, receitas de bolo ou trechos de poemas eram utilizados no espaço das matérias cortadas. As atrizes Eva Wilma e Irene Ravache recordam serem obrigadas a arriscar as próprias vidas para guardar o segredo sobre o paradeiro de colegas.

O filme resgata as histórias de violência sofrida por jornalistas que colocaram em jogo a própria integridade física para defender seus ideais. Antonio Carlos Fon recorda a tortura sofrida no Departamento de Ordem Política e Social (DOPS) depois de denunciar crimes do Esquadrão da Morte, organização paramilitar cujo objetivo era executar possíveis inimigos do regime. Carlos Garcia, chefe da sucursal de Recife, revela como foi torturado para revelar uma suposta “cédula comunista” infiltrada na redação do jornal. Há, ainda, o depoimento do ex-ministro da Fazenda, Delfim Neto, negando ser o pivô de um escândalo político, e a coragem de Julio de Mesquita Neto em enfrentar um interrogatório da Polícia Militar. É um retrato da bravura de pessoas que lutaram pelo direito de estampar a verdade nas capas do jornal, doa a quem doer.

(Extraído do site Canal Brasil)

Estreia Mundial:
20 de Fevereiro de 2016
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