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Data de lançamento
1 Fev. 1968Duração
Conta a história de um jovem alemão, Gregor Hecker (Jaecki Schwarz), que, junto com seus pais, havia fugido dos nazistas para Moscou e agora, no começo de 1945, volta à Alemanha como tenente do Exército Vermelho. O filme explora as vivências pessoais do diretor Konrad Wolf e de seu amigo Wladimir Gall em forma de ficção.
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Gregor é um jovem soldado que entra na Alemanha com as tropas soviéticas vitoriosas no final da Segunda Guerra Mundial. Mas ele também é filho de alemães de esquerda que fugiram de Hitler e passaram a guerra na União Soviética. Como resultado, seu retorno à Alemanha é ambivalente; ele descobre que é um estranho em sua própria terra. Quando eles entram na Alemanha, Gregor começa a perceber que ele é diferente de todos os seus camaradas de armas, pois esta terra derrotada é seu país de origem, os alemães que ele encontra são seus compatriotas. Ele é um vencedor, mas também um dos vencidos. Ele tenta entender os alemães que encontra ao longo de seu caminho, mas ele é um jovem de 19 anos: curioso, ocasionalmente incompreensível e repetidamente consternado com as atrocidades e mentiras que encontra. Talvez eu seja rigoroso demais, mas eu sempre incomodo-me com as tentativas de ver humanidade onde não há e ver beleza onde jamais terá...de toda forma não me comovo com essa temática, apesar de reconhecer uma certa validade na procura do eu entre os outros e dos outros em mim...regular, diria!
A POUCOS PASSOS DO INFERNO
Até hoje eu só tinha assistido um longa-metragem da finada Alemanha Oriental (conhecida também pela sigla DDR), o indicado ao Oscar "Jakob, o Mentiroso" (1974), que achei um pouco acima da média. Esse aqui, todavia, é sensivelmente melhor, tanto no âmbito estético quanto no emocional.
É novamente um filme sobre a Segunda Guerra Mundial (tema comum na cinematografia dos alemães do leste), mas com o diferencial de ser bastante pessoal, uma vez que retrata lembranças do próprio diretor Konrad Wolf, cujos pais se mudaram para Moscou quando ele era criança e ele voltou depois como soldado alemão no final da guerra, durante o cerco a Berlim - exatamente como acontece com o personagem principal de seu filme.
O título, portanto, é honesto: Wolf lembra aqui não só de um período histórico de importância global, mas também de algo que foi memorável para ele, individualmente, ainda um garoto impressionável antes de chegar nos vinte anos. Por isso mesmo, há momentos bem pessoais, como aqueles em que o personagem se vê balançado entre a convicção nos ideais do Exército Vermelho e o ímpeto de voltar à infância alemã - de modo que, subentendemos, a criação da Alemanha Oriental deve ter sido um alento para Wolf, já que uniria o útil ao agradável.
Felizmente, Wolf não aproveita a brecha pra fazer um exercício de auto-idolatria e retrata seu alter-ego nas telas (interpretado com sutileza e competência por Jaecki Schwarz) com bastante ponderação, sendo uma pequena peça num tabuleiro muito maior, cheio de gente mais importante e mais experiente que ele, dois dois lados do front. É uma abordagem diferente da guerra não só pelo cunho claramente pessoal, mas também por se tratar de enfrentamentos mais nos bastidores que no campo de batalha propriamente dito, já que o personagem atua como tradutor e intermediador entre negociações de trégua de uma Berlim em contagem regressiva para a queda final do nazismo, mas ainda com espasmos de violência fascista cujas balas podem atingir soldados próximos.
Essa abordagem fica algo como um meio termo entre o primeiro livro de Mario Puzo, "A Guerra Suja" (narrativa também meio autobiográfica, toda em bastidores burocráticos da guerra) e filmes mais de dentro da batalha, como "A Queda de Berllim" (1950). O personagem fica assim relativamente longe do fogo cruzado mais constante, agindo para tentar negociar rendições, porém perto o suficiente para ser alvo potencial de ataques surpresa da Schutzstaffel, cuja resistência dura até depois da morte de Hitler.
Tecnicamente, é muito bom. A fotografia em preto e branco é muito bem feita (principalmente nas cenas de chuva ou nos planos mais abertos, mesmo em ambientes fechados) e, mais importante, Wolf move a câmera com destreza e sensibilidade, com zooms e afastamentos do enquadramento envolvendo detalhes e gestos que, supomos, o marcaram mais naquela ocasião. Há até momentos de humor e companheirismo, como o banquete comemorativo, que quebram um pouco o clima pesado do filme e dão um ar quase nostálgico.
Embora não seja uma imersão semi-autobiográfica tão densa e chocante quanto foram as de Roman Polanski ("O Pianista") e principalmente Elem Klimov ("Vá e Veja"), "Eu Tinha Dezenove Anos" é uma dramatização honesta, madura e por vezes comovente das lembranças de Wolf dos dias finais da guerra, quando ele estava sempre a um passo do inferno e da morte. E uma boa dica pra que se conheça não só essa abordagem diferente, mas também o próprio cinema produzido pela Alemanha Oriental, para quem se interessar por ela.
Recomendo o http://filmow.com/lissy-t112694/