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A Sight & Sound existe desde 1932 e pertence ao British Film Institute, a principal instituição de preservação e promoção do cinema no Reino Unido. Durante décadas foi a publicação de referência da crítica cinematográfica internacional, o lugar onde os debates sobre cânone, autoria e linguagem cinematográfica aconteciam com maior peso institucional. A cada dez anos, desde 1952, a revista realiza a votação considerada a mais importante do cinema: convida críticos, programadores, diretores e acadêmicos de todo o mundo para eleger os maiores filmes de todos os tempos, e o resultado define, ou pelo menos documenta, o que o campo considera grandeza cinematográfica naquele momento. Em 2022, pela primeira vez desde 1962, o número de votantes ultrapassou dois mil e meio, com representação significativamente mais ampla em termos geográficos e de gênero do que nas edições anteriores. O resultado foi uma lista que surpreendeu o campo e gerou debate imediato.
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Quem votou
A edição de 2022 contou com 1.639 críticos, curadores, arquivistas e programadores, além de uma lista separada de diretores. O eleitorado foi o maior da história da votação e o mais geograficamente diverso: votantes da África, Ásia, América Latina e Oriente Médio apareceram em número significativamente maior do que nas edições anteriores, onde a Europa Ocidental e os Estados Unidos dominavam. Essa ampliação do eleitorado não foi acidental: o BFI fez um esforço deliberado para incluir vozes que historicamente estiveram sub-representadas na construção do cânone cinematográfico ocidental. O resultado dessa escolha aparece na lista, que é diferente das anteriores não apenas em um ou dois títulos mas na lógica que a organiza.
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O que a lista revela sobre quem a fez
A mudança mais comentada foi a primeira colocação. Jeanne Dielman, 23 Commerce Quai, 1080 Bruxelles, de Chantal Akerman, derrubou Vertigo de Alfred Hitchcock, que havia ocupado o primeiro lugar em 2012, e Citizen Kane, que dominou a lista por décadas antes disso. Um filme de 1975 sobre uma viúva belga filmando tarefas domésticas em tempo quase real, dirigido por uma cineasta lésbica que o mundo do cinema levou décadas para reconhecer plenamente, tornou-se o maior filme de todos os tempos segundo a crítica especializada internacional. Isso diz algo sobre quem votou e sobre o que o campo decidiu valorizar em 2022
Última atualização há 5 meses
Criada em 11/05/2026
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