O filme mistura drama familiar com uma dose de terror. Nesta dose de terror, foi ridículo. Na parte dramática foi excelente. E no fim, ficou a dúvida no ar da narrativa criada pelo próprio filme, quem jogou Sutter no poço? Ou foi um acidente? Pensei até que a ideia seria de um piano amaldiçoado, criaram a narrativa e deixaram assim.
Pense num Nepo Filme de respeito? Rs. Dirigido por Malcolm Washington, estrelado por John David Washington e produzido pelo pai de ambos, Denzel. Essa é a terceira produção de Denzel baseada numa peça do August Wilson e, em comparação a Ma Rainey's Black Bottom, a mais cinemática. Aqui já fica mais difícil, ao contrário de Ma Rainey's, de entender onde começa o fime e onde termina a peça. Confesso que achei esse um pouco mais arrastado, embora seja mais dinâmico nos cenários. Eu "senti" mais o ritmo teatral nos diálogos e nas atuações. Não é um demérito aos atores e gosto que tentem se manter fiel à peça. Aliás, John entrega aqui algo que Nolan, por exemplo, não conseguiu tirar dele. A Danielle Deadwyler é SEMPRE incrível. E o resto do elenco entrega.
Em "The Piano Lesson", Wilson foi muito mais ambicioso. Aqui ele trabalha com temáticas ainda mais grandiosas e com uma premissa ainda mais complexa que "Ma Rainey's Black Bottom" ou "Fences". Aqui também eu vi ainda mais fortes as influências de August Wilson sobre "Pecadores" (o filme do Ryan Coogler). Em todas essas obras, as complicadas camadas de ser um corpo preto nos Estados Unidos se desdobram e se sobrepõem. Algumas linhas de diálogo ficam marcadas, o texto transcende. É difícil colocar as obras dentro de um gênero específico. Elas existem dentro de uma categoria própria — no caso, talvez aqui tenhamos também um exemplar do afrosurrealismo. E, apesar das questões de ritmo (não sei se é pela duração, mas acho que Wolfe em Ma Rainey's foi mais feliz), Malcolm Washington guia bem esse navio e Mike Gioulakis brilha muito na cinematografia. As escolhas estéticas são impecáveis. E, apesar do fotógrafo em alguns casos (como este) ser branco, todos esses filmes que foram lançados nesses últimos anos por diretores negros como Barry Jenkins, Jordan Peele, Melina Matsoukas e agora o Malcolm, mostram que ninguém sabe filmar melhor os negros do que os próprios negros.
Com detalhes impecáveis de época, atuações de primeira linha e o texto de uma das peças mais elogiadas do século XX, esta representa um dos lançamentos não anunciados mais fortes da Netflix no final de 2024.
Graças à direção segura do estreante Malcolm Washington, Piano de Família consegue se sustentar. Sem dúvidas, é o grande diferencial do filme. As atuações são boas, com destaque para Danielle Deadwyler, e os aspectos técnicos como design de produção, som, trilha e montagem são competentes. Funciona muito mais pela direção do que pelo roteiro.
Não foi exatamente o tom teatral que me incomodou, mas sim o excesso de diálogos. O roteiro parece girar em círculos, como se estivesse sempre retomando os mesmos pontos, sem avançar de fato. Há um peso desnecessário na fala que mina o impacto emocional que a narrativa tenta construir.
Além disso, a mistura de drama com elementos de terror é mal dosada. A escrita não consegue equilibrar os dois gêneros com clareza, o que compromete a narrativa. E algo que definitivamente cansa é o tom constantemente elevado das vozes. Os personagens praticamente gritam o tempo todo, o que acaba tornando tudo mais exaustivo do que intenso.
O filme mistura drama familiar com uma dose de terror. Nesta dose de terror, foi ridículo. Na parte dramática foi excelente. E no fim, ficou a dúvida no ar da narrativa criada pelo próprio filme, quem jogou Sutter no poço? Ou foi um acidente? Pensei até que a ideia seria de um piano amaldiçoado, criaram a narrativa e deixaram assim.
Ótimas atuações e uma trama interessante, mas um pouco cansativa… mas vale conhecer.
Pense num Nepo Filme de respeito? Rs.
Dirigido por Malcolm Washington, estrelado por John David Washington e produzido pelo pai de ambos, Denzel.
Essa é a terceira produção de Denzel baseada numa peça do August Wilson e, em comparação a Ma Rainey's Black Bottom, a mais cinemática. Aqui já fica mais difícil, ao contrário de Ma Rainey's, de entender onde começa o fime e onde termina a peça. Confesso que achei esse um pouco mais arrastado, embora seja mais dinâmico nos cenários.
Eu "senti" mais o ritmo teatral nos diálogos e nas atuações. Não é um demérito aos atores e gosto que tentem se manter fiel à peça. Aliás, John entrega aqui algo que Nolan, por exemplo, não conseguiu tirar dele. A Danielle Deadwyler é SEMPRE incrível. E o resto do elenco entrega.
Em "The Piano Lesson", Wilson foi muito mais ambicioso. Aqui ele trabalha com temáticas ainda mais grandiosas e com uma premissa ainda mais complexa que "Ma Rainey's Black Bottom" ou "Fences". Aqui também eu vi ainda mais fortes as influências de August Wilson sobre "Pecadores" (o filme do Ryan Coogler).
Em todas essas obras, as complicadas camadas de ser um corpo preto nos Estados Unidos se desdobram e se sobrepõem. Algumas linhas de diálogo ficam marcadas, o texto transcende. É difícil colocar as obras dentro de um gênero específico. Elas existem dentro de uma categoria própria — no caso, talvez aqui tenhamos também um exemplar do afrosurrealismo.
E, apesar das questões de ritmo (não sei se é pela duração, mas acho que Wolfe em Ma Rainey's foi mais feliz), Malcolm Washington guia bem esse navio e Mike Gioulakis brilha muito na cinematografia.
As escolhas estéticas são impecáveis.
E, apesar do fotógrafo em alguns casos (como este) ser branco, todos esses filmes que foram lançados nesses últimos anos por diretores negros como Barry Jenkins, Jordan Peele, Melina Matsoukas e agora o Malcolm, mostram que ninguém sabe filmar melhor os negros do que os próprios negros.
Com detalhes impecáveis de época, atuações de primeira linha e o texto de uma das peças mais elogiadas do século XX, esta representa um dos lançamentos não anunciados mais fortes da Netflix no final de 2024.
Graças à direção segura do estreante Malcolm Washington, Piano de Família consegue se sustentar. Sem dúvidas, é o grande diferencial do filme. As atuações são boas, com destaque para Danielle Deadwyler, e os aspectos técnicos como design de produção, som, trilha e montagem são competentes. Funciona muito mais pela direção do que pelo roteiro.
Não foi exatamente o tom teatral que me incomodou, mas sim o excesso de diálogos. O roteiro parece girar em círculos, como se estivesse sempre retomando os mesmos pontos, sem avançar de fato. Há um peso desnecessário na fala que mina o impacto emocional que a narrativa tenta construir.
Além disso, a mistura de drama com elementos de terror é mal dosada. A escrita não consegue equilibrar os dois gêneros com clareza, o que compromete a narrativa. E algo que definitivamente cansa é o tom constantemente elevado das vozes. Os personagens praticamente gritam o tempo todo, o que acaba tornando tudo mais exaustivo do que intenso.