Sonhos de uma Vida (“The Roads Not Taken”)

Javier Bardem deveria ter sido indicado pela sua atuação aqui. Provavelmente não foi porque o filme também não ajuda.

Bardem, também ótimo em “Apresentando os Ricardos”, é Léo, que aparentemente está chegando a um estágio de Alzheimer bastante agressivo a ponto de não reconhecer o que faz, onde está e até mesmo seus entes queridos, o que quebra o coração de sua filha Molly (Elle Fanning de “Por Lugares Incríveis”).

Nesse meio tempo o espectador acompanha sua mente o levar em outros rumos de sua vida, com outra mulher no México e na solidão como um escritor na Grécia.

Se o título em português da produção já dá uma pista do que pode ser, o título original já diz tudo: “The Roads Not Taken” significa “as estradas não percorridas” ou “os rumos não tomados”, o que logo expõe que o que o protagonista vislumbra em sua mente são realidades alternativas do que teria acontecido caso ele tivesse tomado diferentes decisões em determinados pontos de sua vida.

Isso impacta em dois aspectos: primeiro que não existe muito mistério daquilo que acontece na tela e quando o óbvio é revelado, no terceiro ato, é mais uma confirmação, além de que a revelação em si nem chega ser algum tipo de reviravolta.

Segundo que todo o desenvolvimento da trama influencia muito pouco no futuro, pois suas realidades alternativas tem pouca relevância do que ocorre e nem serve de edificação ou algum tipo de lição, já que fica subjetivo se as decisões tomadas por Léo no passado foram ou não acertadas. O fato de toda a ação se passar em um único dia também parece pouco frente a toda uma vida.

Tanto que o desfecho, ou melhor, os últimos segundos do filme são a melhor parte e, aí sim, funcionam como uma reviravolta dramática de cair o queixo. Pena que não deixa o espectador digerir direito e já passa para os créditos. (leia os spoilers após as cusiosidades para saber a verdade)

Além de Bardem está excepcional, Fanning também impressiona como a filha que é totalmente ligada ao pai e ela o faz sem recair em clichês dramáticos manjados.

“Sonhos de uma Vida” pegou um fiapo de premissa e não soube desenvolvê-la até um ótimo final, mas que não conversa com o resto. Vale pelas atuações.

Curiosidade:

  • O filme teria uma participação de Chris Rock numa terceira realidade alternativa onde ele seria amante do personagem de Bardem. Mas na hora da edição a diretora Sally Porter achou muito forçado e cortou todas as cenas dessa realidade.

***SPOILERS – SÓ LEIA DEPOIS DE TER VISTO O FILME***

  • A grande reviravolta é o final. Pena que seja tão rápido que não consegue se conectar com o resto. Quando Molly está colocando Léo para dormir após as 24 horas passadas, ambos olham para outra Molly simplesmente pegando as chaves e indo embora. Isso significa que a realidade que vimos no filme TAMBÉM É FRUTO DA IMAGINAÇÃO DE LÉO. Na verdade a filha também não se importa com o pai e vai embora sem dizer nada. Todo o amor que Molly passava durante o filme estava na cabeça de Léo. Por isso que quando os médicos e outras pessoas perguntavam porque ele estava assim (cataônico), ela nunca dizia o que ele tinha (porque ele não entendia que estava doente). da mesma forma ela não conseguia explicar para o seu trabalho porque ela não conseguiu ir, já que na cabeça dele, ele mesmo não entendia o trabalho dela e não reconhecia a própria condição. Também por isso que toda vez que as pessoas se referiam a “ele”, Molly dizia que ele tinha nome e que podia escutar tudo (pois ela era o alter ego dele nessa realidade).

Ficha Técnica:

Elenco:
Javier Bardem
Laura Linney
Elle Fanning
Salma Hayek
Branka Katic
Dimitri Andreas
Katia Mullova-Brind
Milena Tscharntke
Debora Weston
Aaron Joshua
Sabina Cameron
Griffin Stevens
Catherine Levi

Direção:
Sally Potter

Roteiro:
Sally Potter

Produção:
Christopher Sheppard

Fotografia:
Robbie Ryan

Trilha Sonora:
Sally Potter

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