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Últimas opiniões enviadas

  • .Martins

    Embora ainda não tenha lido qualquer das peças de Nelson Rodrigues, algumas breves matérias -- lidas nos últimos meses, desde que decidi explorar os principais filmes da carreira da Fernanda Montenegro, e inevitavelmente encontrei A Falecida -- me indicaram certas características de suas obras: a crítica às instituições sociais, a escrita realista, o humor e o erotismo; as duas últimas, em particular, são frequentemente indicadas como a maior falha das adaptações de suas peças ao cinema, pois incompreendem sua função e interpretam mal seu significado para o enrendo, e por isso reduzem-nas ao grosseiro e apelativo. Fui satisfeito ao não encontrar tamanha incômodo no filme de Hirszman e Coutinho.
    Num cenário suburbano no Rio de Janeiro dos anos 50, somos apresentados a personagens que não se estranharia encontrar no cotidiano, e nem por isso menos ricas; consumidas por causas que não conseguem descobrir, e problemas e contradições que, por conseguinte, tampouco conseguem se mover a solucionar. Zulmira, reprimida, deseja alguma forma de liberdade que a sacie, embora não a tenha clara; fadada a ceder à essa tendência, contudo, deixa-se consumir pela culpa dos seus atos, e passa a enxergar na morte -- ou, melhor dizendo, num velório que a eleve aos olhos dos seus vizinhos, igualmente miseráveis -- a ascensão que não consegue alcançar na vida simples. Toninho, o marido, desempregado e rejeitado pela esposa, busca conforto com distrações menores, e torna-se apático aos protestos de Zulmira e sua alegada doença: julga-a sortuda por não gostar de futebol e não conhecer a ansiedade de preocupar-se com os jogos; é sortuda por ser uma mulher que não tem com o que se preocupar, ter nada com o que se incomodar, alega. Seus conflitos, ainda que em grande parte internos, não se deixam esquecer como sintoma da sua condição social e de tudo que os repreende: a moral, a religião, o casamento, a impiedade do corpo social, a própria morte transformada em negócio. Nunca tragédia de existencialismos, aliás, tamanha e inescapável a alienação das personagens; a seriedade e a tristeza dessa condição, entretanto, não expulsa de todo o humor característico de Nelson Rodrigues, embora apontem que parte da decepção do autor com a adaptação -- para além do fracasso do filme nas bilheterias, havendo nele investido -- tenha sido seu mais seco tratamento daquela realidade.

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  • .Martins

    É como assistir a uma paródia de melodrama, mas acontece que o filme não sabe disso, e você tenta pensar no quanto a cadeira é confortável, para não rir ininterruptamente durante duas horas.

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  • .Martins

    Pensei em escrever isso em resposta a um comentário, mas a extensão do texto fugiu meu controle.
    Sempre achei muito estranha a questão de Michel.
    Primeiro porque na mesma época em que Gilmore Girls estreou, Buffy, do mesmo canal, tinha Willow e Tara como um casal de mulheres. Buffy mudou de emissora para suas duas últimas temporadas, mas durante seu tempo na Warner elas se beijaram uma única vez, com o criador da série conseguindo, com bastante dificuldade, convencê-los de que a ação era uma reação natural e esperada ao que acontecera no episódio anterior. A emissora nunca teve problema com expressões de sexo e afetividade mostradas na série, inclusive com Willow, anteriormente em uma relação heterossexual. É clara, então, a posição da WB na época, mas meu ponto é que as personagens eram *reconhecidas* como um casal de lésbicas.
    E então há Michel, que possui vários dos estereótipos atribuídos a personagens homossexuais, em uma série que teve sua evidente parcela de piadas homofóbicas. No revival confirmam o que nunca foi um segredo, expõe que ele está casado com outro homem, mas essa personagem nunca aparece, então não há qualquer interação verdadeira de Michel como homossexual. Não é muito diferente de personagens gays que, nunca sendo estando em uma relação [com alguém do mesmo sexo], servem apenas de alívio cômico por observações sobre suas peculiaridades e falta de masculinidade. E masculinidade porque, não só personagens lésbicas sempre foram mais raras -- e sequer me recordo de alguma personagem feminina que tenha assumido essa posição de alívio cômico por tempo tão prolongado quanto toda a extensão de uma série --, mas porque é a primeira característica a ser insultada em um homem.
    E há ainda aquele diálogo/piada sobre Stars Hollow não poder ter sua própria parada gay, porque há apenas um homossexual na cidade. Vendo reações ao revival, parece ser consenso agora de que Lorelai e Rory não são exatamente boas pessoas, mas a criadora sempre foi muito confusa ao abordar (ou deixar de fazer menção à) sexualidade, raça, ou mesmo quando ela e o marido escrevem cenas como aquela na piscina, no terceiro episódio -- que levou muitos à essa conclusão sobre as protagonistas. É apenas estranho ver isso em uma série considerada progressiva e, por que não, icônica. O revival parece tão parado no tempo quanto o desenvolvimento das suas personagens.

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