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Últimas opiniões enviadas

  • .Martins

    "Von Sydow [Antonius Block, o cavaleiro, neste filme] uma vez perguntou a Bergman o que ele achava de seu primeiro filme e sua transição para o cinema internacional; Bergman disse que a maior história já contada deveria ter sido feita em sueco."

    Podcast sobre entrevista com Max Von Sydow, em inglês:
    https://www.youtube.com/watch?v=NYMHwEBFYVs

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  • .Martins

    Embora ainda não tenha lido qualquer das peças de Nelson Rodrigues, algumas breves matérias -- lidas nos últimos meses, desde que decidi explorar os principais filmes da carreira da Fernanda Montenegro, e inevitavelmente encontrei A Falecida -- me indicaram certas características de suas obras: a crítica às instituições sociais, a escrita realista, o humor e o erotismo; as duas últimas, em particular, são frequentemente indicadas como a maior falha das adaptações de suas peças ao cinema, pois incompreendem sua função e interpretam mal seu significado para o enrendo, e por isso reduzem-nas ao grosseiro e apelativo. Fui satisfeito ao não encontrar tamanha incômodo no filme de Hirszman e Coutinho.
    Num cenário suburbano no Rio de Janeiro dos anos 50, somos apresentados a personagens que não se estranharia encontrar no cotidiano, e nem por isso menos ricas; consumidas por causas que não conseguem descobrir, e problemas e contradições que, por conseguinte, tampouco conseguem se mover a solucionar. Zulmira, reprimida, deseja alguma forma de liberdade que a sacie, embora não a tenha clara; fadada a ceder à essa tendência, contudo, deixa-se consumir pela culpa dos seus atos, e passa a enxergar na morte -- ou, melhor dizendo, num velório que a eleve aos olhos dos seus vizinhos, igualmente miseráveis -- a ascensão que não consegue alcançar na vida simples. Toninho, o marido, desempregado e rejeitado pela esposa, busca conforto com distrações menores, e torna-se apático aos protestos de Zulmira e sua alegada doença: julga-a sortuda por não gostar de futebol e não conhecer a ansiedade de preocupar-se com os jogos; é sortuda por ser uma mulher que não tem com o que se preocupar, ter nada com o que se incomodar, alega. Seus conflitos, ainda que em grande parte internos, não se deixam esquecer como sintoma da sua condição social e de tudo que os repreende: a moral, a religião, o casamento, a impiedade do corpo social, a própria morte transformada em negócio. Nunca tragédia de existencialismos, aliás, tamanha e inescapável a alienação das personagens; a seriedade e a tristeza dessa condição, entretanto, não expulsa de todo o humor característico de Nelson Rodrigues, embora apontem que parte da decepção do autor com a adaptação -- para além do fracasso do filme nas bilheterias, havendo nele investido -- tenha sido seu mais seco tratamento daquela realidade.

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