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Últimas opiniões enviadas

  • Acabei de Assistir

    Quanto mais um diretor ganha notoriedade e vai conquistando seu espaço dentro das grandes produções cinematográficas, a tendência comum é que suas histórias se afastem de uma pessoalidade na forma de contar uma história ou até mesmo de qual irá contar para o público. Então é muito bom quando somos presenteados com uma obra tão pura, honesta e simples vinda das mãos de um dos melhores diretores da atualidade.

    Cuarón queria contar essa história a partir de suas memórias e sua direção para com a obra reflete muito dessa identidade narrativa abordada, o mesmo trabalhou em diversas áreas da produção deste filme, inclusive como Diretor de Fotografia, assim vemos o filme com uma perspectiva quase que voyeurista, a câmera se faz distante dos acontecimentos, observamos tudo de uma maneira menos introspectiva possível, como se participássemos da história de longe.

    Partindo da informação do parágrafo anterior entendemos o motivo pelo qual Roma foi indicado na categoria de Design de Produção, este aspecto do filme é primoroso, todos os ambientes foram meticulosamente construídos para serem fiéis a realidade, a própria casa onde o filme se passa não foi construída em estúdio, ela é real. Podemos não saber disso, mas é inevitável que o público perceba a vivacidade dos ambientes e dos locais.

    A cinematografia por si só também é um show à parte, existem sequências que por muito tempo não sairão da minha cabeça por seu esplendor visual, o trabalho de coreografia aliado aos planos sequências executados tornam a experiência mais crua e visceral, a imersão na história é quase que imediata, destaque para a cena da praia que foi uma das mais bonitas tanto visualmente quanto emocionalmente que já assisti na vida. Cada plano foi planejado e cuidadosamente executado, todos os movimentos e posicionamentos da câmera são suaves e naturais, somos guiados assim como a história, da maneira mais paciente possível.

    O design de som também é algo elogiável aqui, logo no começo do filme já somos jogados numa cena “banal”, onde a protagonista está limpando o chão e tirando o coco do cachorro, porém cada som emitido é sentido durante toda sua execução, temos a sensação de que o filme está vivo, e isto se mantém durante toda a duração do longa.

    Acredito que os meus maiores problemas foram em relação ao ritmo, pois o primeiro ato me pareceu muito arrastado, com a história engrenando pra mim apenas no segundo ato, está é uma narrativa difícil, então o público fã de histórias mais convencionais com certeza se frustrarão aqui. Assim como me incomodei com a atuação da Yalitza Aparicio, pois sua clara falta de experiência como atriz fez falta, diversas cenas exigiam mais de suas expressões e trejeitos, mas simplesmente não conseguiam ser entregues com tanto primor.

    Roma é um belíssimo retrato da simplicidade dentro da grandiosidade, escrito e dirigido com uma maestria que não se encontra em qualquer obra, com uma delicadeza e sutileza que todos os longas tentam alcançar mas que apenas poucas conseguem. Com um ritmo não convencional e que demora para engatar, mas que com certeza ficará com você por muito tempo. Recomendo a todos.

    Nota: 9.7

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  • Acabei de Assistir

    Bons filmes são aqueles que possuem diversas camadas além de sua superfície, a cada novo elemento ou cena, mais profundo a obra se torna. Dentro do terror isso se torna ainda mais raro e especial, então quando um longa lhe apresenta tudo isso dentro de uma atmosfera incomoda e com uma trama cheia de alegorias e metáforas, é impossível que a mesma não se torne elogiada dentro dos amantes do horror.

    Jennifer Kent estreia seu primeiro longa, e demonstra um domínio grandioso sobre sua obra e como a quer apresentá-la, muitas cenas possuem uma criatividade elogiável, muito bem apresentadas e com uma estética única, é perceptível o esforço e o cuidado com que cada cena foi concebida. Essie Davis faz um dos melhores trabalhos dentro do gênero que já tive o prazer de ver, o medo, a raiva, o cansaço e a angústia são visíveis dentro de suas feições, o raro caso onde a atriz desaparece dentro de seu personagem, sua interpretação suga o público para dentro da história e conduz o filme de uma maneira magistral.

    Outro destaque é o uso do som dentro do longa, cada barulho é minuciosamente inserido no ambiente e somos capazes de escutar cada ruído ou som junto da personagem, assim ficamos assustados junto com ela e não por ela, assista no idioma original, não diminua sua experiência. Jennifer Kent sabe desse poder em sua obra, então utiliza diversos artifícios não convencionais dentro do gênero para causar medo, fãs dos famosos Jump Scares ficaram decepcionados aqui, esse é um trabalho sutil para aqueles que a querem apreciar.

    Noah Wiseman para mim foi um dos pontos fracos do filme, não acho correto isentar uma atuação apenas por se tratar de uma criança, já que vimos diversas outras tão memoráveis quanto de qualquer adulto como Jacob Tremblay em Room ou Brooklynn Prince em The Florida Project. Em diversos momentos vemos feições em momentos que ela não eram requeridas ou diálogos com entonações completamente destoantes com o tom da conversa, assim todos os momentos em que eles estava em cena eu me desprendia da narrativa, ainda mais quando o mesmo contracenava com Essie Davis.

    Algumas escolhas da diretora foram duvidosas e até mesmo desnecessárias, o longa possuía um orçamento baixo, então em muito momentos o CG utilizado para mostrar o Babadook eram deploráveis de tão mal feitos, mas quando a obra se focava mais na sugestão de sua existência, utilizando apenas o som e a escuridão para nos assustar, a atmosfera era muito mais aterrorizante. Logo não entendo a decisão de mostrá-lo tão descaradamente correndo o risco de quebrar a atmosfera que estava tão bem construída.

    The Babadook é uma obra com muito a dizer sobre depressão e o luto, com uma mensagem forte sobre a importância da sanidade mental das pessoas, bem original na sua forma de dar medo e de condução da narrativa, com uma das melhores performances femininas que já vi no cinema. Possui alguns problemas com certas decisões que toma no decorrer da história, se tornando genérico e abusando de convenções em alguns momentos, mas que com certeza te assustará e te fará refletir por alguns dias. Recomendo a todos.

    Nota: 7.5

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  • Acabei de Assistir

    Bons filmes são aqueles que além da sua superfície, apresentam diversas camadas que são desdobradas no decorrer da história mostrando o quão complexas as coisas representadas realmente são, tornando difícil para o público tomar lados ou julgar as decisões dos personagens logo de cara, pois nos identificamos com os problemas enfrentados e incondicionalmente nos colocamos nos lugares dos mesmos, questionando o que faríamos diferente. E é assim que temos uma grata surpresa no meio das comédias românticas, que são comumentes julgadas por suas tramas rasas e problemáticas frívolas, há excelentes subversões aqui.

    Relacionamentos interraciais sempre tiveram um grande foco no cinema, mas nos esquecemos que relacionamentos interculturais também podem ser tão complicados quanto, pois como dizem, num relacionamento você não só se relaciona com seu par romântico, mas também com sua família como um todo. Isso é algo comum para todos as pessoas, então quando essa problemática é apresentada no filme, automaticamente pensamos no quão plausível isso é e buscamos até vivências pessoais para ajudar nesse processo, o longa sabe disso e utiliza isso a seu favor.

    O roteiro é cuidadosamente escrito e percebemos o carinho e a devoção que foi posta em sua escrita, tudo aqui é genuíno e crível, não a toa, pois a história é semi-biográfica dos próprios roteiristas, o verdadeiro casal que vivenciou essas situações, com diversas liberdades criativas é claro. O humor do filme é um dos maiores pontos de destaque, me peguei em diversos momentos rindo um bocado, o que é bom já que a comédia é algo estritamente enraizado no texto e nas vidas dos personagens.

    O elenco é muito bom, Holly Hunter e Ray Romano para mim foram os principais destaques, trazendo uma verdade e um carinho por sua filha, assim como uma química entre ambos que é quase palpável. Zoe Kazan convence muito com sua fisicalidade e expressão frágil durante a segunda parte do filme. Mas como um todo, ninguém abaixa o nível de atuação e o principal, todos possuem um excelente timing cômico, algo que eleva muito o material trabalhado.

    Porém a qualidade do longa cai muito durante o terceiro ato, toda a originalidade e genuidade se perde, diversos clichês e atos previsíveis ocorrem um atrás do outro, era possível prever algo cinco minutos antes do mesmo acontecer. Isso por si só não é um problema, mas foge da sinceridade que o filme vinha propondo no decorrer de sua história. Alguns arcos e comentários são subutilizados e rasamente explorados, apenas inflaram a duração do filme sem ter algo muito grandioso ou inovador a acrescentar.

    Algumas piadas são utilizadas diversas vezes tirando um pouco da sua força e tornando-as batidas, assim como certos maneirismo de alguns personagens que quase beiram a caricaturização mas que logo voltam ao trilho e não atrapalham tanto a experiência. Mas como o roteiro se prende muito ao humor, muitas vezes é visível a integração de alguma punchline apenas pelo motivo de ter alguma, e não por que a piada era necessária ou realmente engraçada, quebrando assim o ritmo dos diálogos e do próprio andamento da história.

    The Big Sick é uma história genuína e engraçada, com coisas importantes a dizer e com personagens cativantes e divertidos, muito bem escrito te guiando para diversas situações imprevisíveis e cômicas. Com uma mão pesada em alguns momentos, um terceiro ato fraquíssimo e com algumas piadas batidas e fora de lugar, mas que com certeza irá valer a pena no final. Recomendo a todos.

    Nota: 9.1

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  • Alan Guimarães
    Alan Guimarães

    Olá, Acabei, obrigado pela minha curtida da lista de História Geral, e espero que você goste também das minhas listas complementares de História do Brasil e do Oriente Médio, dê uma olhada. Abraços.

  • Ninfa
    Ninfa

    Opa Gustavo como vai?....... Espero poder continuar lendo seus comentários transcendentais que nos levam a enxergar outra perspectiva, bela e límpida. Como se você conseguisse dialogar telepaticamente com o diretor, passo a compreender nuances dos filmes vistos 1,2 ou mais vezes com mais detalhes, como que você pudesse girar um caleidoscópio da percepção cinematográfica. Em filosofia damos a isso o nome de estética, e, talvez sem querer, você já trabalha com ela em suas resenhas.

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