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Últimas opiniões enviadas

  • Arthur Conrado

    A Casa que Jack Construiu é um filme sobre serial killer que, na verdade, zomba desse tipo de filme. Ele faz uso de diversos clichês, elementos recorrentes e até mesmo referências clássicas de histórias de suspense/terror e de serial killers. Temos a mulher com o carro quebrado na estrada que pede/aceita carona de um desconhecido; a vítima que literalmente pede para ser morta; o assassino que entra na casa da sua vítima fingindo ser policial (mas, aqui, a vítima é inteligente o suficiente para desconfiar que o cara não é um policial, mas inocentemente o deixa entrar quando este afirma ser um agente de seguro de vida que pode aumentar a quantia que ela receberia pelo recém-falecimento de seu esposo); os policiais burros e incompetentes, que não enxergam o criminoso bem na sua frente, mesmo quando ele mesmo se denomina culpado ou quando uma vítima pede socorro; o atropelamento de uma pessoa na estrada; o assassino com manias estranhas (neste caso, TOC e tirar fotos de suas vítimas depois de mortas); elementos ocasionais improváveis (ou quase absurdos) que favorecem o vilão (como a chuva mais forte que já se viu que lava o rastro de sangue que o corpo arrastado de uma de suas vítimas deixa por todo o caminho até o seu esconderijo de cadáveres); o psicopata que torturava animais quando criança; o assassino que guarda os corpos das vítimas em um frigorífico; o gosto pela taxidermia (em alusão a Norman Bates, de Psicose); a loira gostosa e peituda que se torna vítima de um assassino cruel e impiedoso (com a remoção de seus seios, surpreendentemente naturais, ironizando a frequente presença de siliconadas, bem como a exploração do sexo em filmes do segmento slasher); a vítima que grita incansavelmente por socorro, porém ninguém ouve; a perseguição/o assassinato na floresta; o jogo frio e sádico no piquenique (remetendo a Violência Gratuita); o serial killer que divulga seus crimes para a polícia (como referência ao assassino do Zodíaco); o típico diálogo por meio do qual o vilão revela seus planos malignos para as vítimas antes de exterminá-las.

    Lars von Trier compôs um longa-metragem, sobretudo, autorreferente. Seu estilo estético e narrativo se apresenta de modo potente e desenvolvido com propriedade. A peculiar câmera na mão, viva e inquieta, captura os detalhes das feições e dos movimentos, acompanha de perto os personagens, quase entrando em suas peles. O enredo dividido em capítulos, típico de seus filmes, ajuda na construção de mini-histórias, praticamente fechadas em si, por serem acontecimentos isolados, porém unidas por um fio condutor, o que permite explorar, em cada incidente, um estereótipo diferente de serial killer, sem, com isso, desvincular essas personas do mesmo psicopata. O formato confessional reconfigura o formato utilizado em seu último filme, Ninfomaníaca, sendo pertinente ao mergulho interior de Jack em companhia de Virgílio.

    A reflexão acerca de sua própria obra e, mais que isso, o deboche às recorrentes críticas tanto às suas produções quanto à sua pessoa surge por meio da abordagem (proposital, irônica e em nenhum momento injustificada) de questões frequentemente associadas ao seu nome: machismo, misoginia, violência e sadismo. Suas protagonistas fortes são substituídas por mulheres estúpidas vítimas de um psicopata, que as culpabiliza com o discurso ácido de que é uma merda nascer homem, pois o homem já nasce culpado e precisa viver carregando o fardo da culpa, enquanto as mulheres são sempre as vítimas. Propositadamente, são contados apenas incidentes envolvendo mulheres. Quando questionado por Virgílio acerca do motivo de apenas matar mulheres, Jack afirma também ter matado homens (porém, em seu relato, notamos que os homens que aparecem são poupados da morte, sendo suas vítimas masculinas duas crianças – ou seja, ainda em fase de formação).

    No quesito violência, o espectador também não é poupado. Trabalhando com a analogia entre morte e arte, von Trier apresenta cenas chocantes, entretanto nada gratuitas ou desnecessárias. O uso de gore, a aflição e o desconforto causados são pertinentes às situações narradas. Até mesmo o sadismo se justifica, uma vez que se trata de um psicopata. Escarnecendo da crítica, o dinamarquês coloca o seguinte questionamento nos lábios de Virgílio: “Então, dar com um macaco (hidráulico) no rosto de uma mulher é arte, é isso que devo entender?”.

    Após anos em depressão, Lars von Trier retorna com um filme autoanalítico, que se constrói a partir da essência da obra do diretor e roteirista. Do mesmo modo que Jack, de tempos em tempos, se vê diante da necessidade (e não apenas do desejo) de matar para não sucumbir às conturbações internas que lhe afligem, Lars parece ter encontrado na criação a sua válvula de escape, a sua libertação. Assim como o protagonista chega à conclusão de que a casa que construiu não era de madeira, cimento e tijolos, mas feita com os corpos de suas vítimas, ou seja, a sua carreira de assassino, von Trier utiliza o longa como uma forma de refletir acerca de sua cinematografia, alcançando, com isso, uma maturidade sobre o que quer representar. É como se ele estivesse se virando para o público e dizendo: “É isto que eu faço. Esta é a minha arte” (fazendo questão de lembrar outras produções suas, por meio da exibição de cenas de Manderlay, Anticristo, Melancolia e Ninfomaníaca). Portanto, A Casa que Jack Construiu não seria, na verdade, A casa que Lars construiu?

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  • Arthur Conrado

    Assisti no Festival do Rio 2018. Eu mais cinco pessoas na sessão. Uma delas dormiu tão profundamente que roncava a ponto de seu ronco ecoar pela sala de cinema. Outra saiu da sessão com pouco mais de 1h de filme. Eu mesmo fiquei constantemente olhando a hora no celular para ver se estava perto de terminar por não aguentar mais.

    Em resumo: tédio total. Excelente opção para quem sofre de insônia.

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  • Filmow
    Filmow

    O Oscar 2017 está logo aí e teremos o nosso tradicional BOLÃO DO OSCAR FILMOW!

    Serão 3 vencedores no Bolão com prêmios da loja Chico Rei para os três participantes que mais acertarem nas categorias da premiação. (O 1º lugar vai ganhar um kit da Chico Rei com 01 camiseta + 01 caneca + 01 almofada; o 2º lugar 01 camiseta da Chico Rei; e o 3º lugar 01 almofada da Chico Rei.)

    Vem participar da brincadeira com a gente, acesse https://filmow.com/bolao-do-oscar/ para votar.
    Boa sorte! :)

    * Lembrando que faremos uma transmissão ao vivo via Facebook e Youtube da Casa Filmow na noite da cerimônia, dia 26 de fevereiro. Confirme presença no evento https://www.facebook.com/events/250416102068445/

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