Achei muito bom, sobretudo pela escolha curiosa de deixar lacunas, de ser anticlimático na conclusão, como se a história fosse até o limite do que foi possível resgatar dela. A direção está bem bonita e a trilha sonora muito bem escolhida.
Bem lindo, sensível e, ao mesmo tempo, despretencioso, não querendo ser senão o que é. Gostei ainda mais do que o "Petite maman", mas continuarei a ver mais coisas dessa diretora.
Tenho visto em sequência os filmes do Dario Argento e acho que ainda não vou parar. Comecei com “Suspiria”, depois “Phenomena”, “Inferno” e agora “Profondo rosso”. Esse último foi o que mais me impactou; o mais inabarcável, digamos assim.
Lembro que quando vi “Lisa e o diabo”, do Mario Bava, tive uma sensação parecida: não gostei da experiência do filme, mas quanto mais eu pensava sobre ela, mais encontrava camadas e mais camadas de intenção e significado no filme. Com Profondo Rosso se deu o mesmo: fiquei incomodado com a quantidade de problemas que o filme possui e não aproveitei a experiência. Porém, é nítido que a direção é consciente desses problemas e não se importa nada com eles, bem como é nítido que o diretor é excepcional naquilo a que se dedica.
O filme é visualmente lindo, a direção é inventiva nos enquadramentos das câmeras, no aproveitamento dos ambientes e uso das cores. Além disso, o enredo é interessante e está repleto de sacadas inteligentes. Várias coisas descobertas ao longo da história abrem uma nova interpretação para os eventos já assistidos, tornando uma segunda visita ao filme ainda mais rica. O mais extraordinário nesse sentido é a audácia do filme que, tendo uma “trama de detetive”,
mostra o assassino logo no início, mas conduz a cena tão bem que, assim como o protagonista, você só percebe o que viu no final.
Não sei se gostei de “Profondo Rosso” — tendo a achar que não — mas é um filme que quero rever e, principalmente, não posso deixar de me surpreender com esse sujeito fantástico que é o Dario Argento.
É visualmente muito bonito, mas não funciona muito bem como narrativa, pois os personagens meio que vão do nada ao nada, nem como uma narrativa mais sensorial e estética, pois o filme se preocupa com a narrativa, mas não o bastante para deixa-la coesa. Particularmente, não gostei, embora tenha algumas boas cenas e um visual muito bom.
Não curti, mas a direção é tão boa. O começo é impecável, com as motivações todas claras, os elementos sendo apresentados e, depois, recuperados, muito bom. Do meio para frente ele perde um pouco o ritmo e tem uma variação esquisita de tom, que começa cômico e vai ao gore, mas é um filme cheio de qualidades.
É um filme que nem sei dizer se gostei ou não, mas é tão bem executado, com roteiro conciso, maquiagem e efeitos ótimos. É realmente o trabalho de alguém que possui uma perspectiva própria, que conta com bons atores e que poliu seu projeto magnificamente. Goste-se ou não, é um filme muito bom.
No geral, o filme é bem legal, embora certamente não agrade a todos, mesmo dentre os fãs de filme de terror.
Para começar, ele tem um orçamento baixo e sofre com efeitos especiais nada requintados, o que fica ainda pior por se tratar de uma obra dos anos setenta do século passado, quando o “mais avançado possível” não era tão avançado assim. Como consequência disso, não há nenhuma cena na obra, a meu ver, que consiga nos enganar a respeito dos efeitos: os bonecos parecem bonecos, os efeitos computacionais são claramente efeitos computacionais e assim por diante. Não há nenhum momento em que sejamos capturados pela ilusão desses recursos. A bem da verdade, é mais o contrário: a simplicidade desses recursos nos tira da imersão do filme por serem tão rudimentares.
Ressalto esse aspecto não porque eu queira criticar o baixo orçamento e o resultado dele, algo que seria bobo fazer, mas porque esse aspecto rudimentar do filme o impacta em vários sentidos. Suspiria apresenta uma série de ambiguidades, com cenas que produzem simultaneamente sensações contrárias — beleza e feiura, susto e riso — sem que fique claro o quão intencionais elas são. Numa cena, por exemplo, podemos ser conduzidos ao terror e, diante de um elemento cênico claramente pobre, sermos levados em seuida ao riso. Mas causar o riso foi intencional? Esse tipo de dúvida surge em vários momentos da obra, tornando difícil precisar quando a direção está errando, acertando, ou mesmo produzindo certo efeito conscientemente.
Independentemente disso, algumas escolhas da direção são bastante evidentes e geram resultados notáveis. O filme brinca bastante com contrastes, mostrando tomadas geométricas, claras, ao mesmo tempo em que coloca uma trilha sonora misteriosa e frequentemente ruidosa. Por sinal, acho que nunca vi um filme tão barulhento quanto esse. Deve ser um espetáculo assisti-lo no cinema.
Os temas que ele carrega são curiosos, pois não são dispostos de maneira a serem resolvidos dentro do roteiro, como situações que precisassem da ação dos personagens para serem concluídas. Seus temas mais estéticos, mais próximos da música do que da literatura, eles permeiam a experiência de forma não rigorosa, sem requerer uma resolução muito clara. A bruxaria, a ganância, a arte, a decadência moral, está tudo lá, mas mais como alusões, como frases no meio de uma harmonia que está no plano principal. A esse respeito, mesmo a paleta de cores da obra, que é o argumento clássico usado para fazer as pessoas assisti-lo, não é exatamente coerente quando tentamos estabelecer o que cada cor significa. Precisão não é bem o foco do filme, a não ser como elemento a ser diluído.
Se porventura estivéssemos tratando de outro filme, essa bagunça seria problemática, contudo Suspiria faz parte de um gênero em que esses elementos estão muito bem estabelecidos, que é o que vou chamar aqui de “cinema clássico de terror”, mas algum crítico deve ter dado um nome melhor. Estou me referindo a filmes como Nosferatu de Murnau, Cat People de Tourneur, À meia noite levarei tua alma de Zé do Caixão, os filmes de terror do Mario Bava ou mesmo o primeiro Clock Tower no Super Nintendo. Em tais obras ouvimos os bater dos passos dos personagens, pois o som é muito importante para criar expectativa quanto ao desconhecido e para ressaltar o ressoar solitário do caminho; temos protagonistas um tanto vazios e pouco racionais; somos apresentados a figuras como o mordomo sinistro, a governanta severa e misteriosa, ou mesmo a personagens com traços físicos distintivos (muito alto, cego, anão etc.) e assim por diante. Suspiria está muitíssimo bem colocado dentro desse gênero que, pelo que sei, está completamente morto hoje em dia. Tratam-se de obras que se distanciam profundamente da nossa sanha por verossimilhança e funcionam mais como um pesadelo que, pouco a pouco, aprofunda-se.
Em suma, parece que o filme teve um remake e até vi o trailer. A primeria vista, ele parece muito bom, contudo, parece também racionalizado, explicadinho, verossímil, algo que só é possível desenraizando o filme original, retirando-o do gênero a que ele pertence e que o ajuda ser tão singular. Provavelmente gostarei de ver essa nova versão, mas nem por isso deixarei de acender aqui minha velinha pela morte do cinema clássico.
No geral, achei tudo bem legal: as animações essão muito bonitas, as cartas e jogadas mais absurdamente roubadas do que nunca, e a trama coloca várias interposições interessantes naquele caminho clássico em que tudo converge para uma batalha do protagonista contra o vilão. O que mais me divertiu foram os diálogos de Seto Kaiba, que soam completamente doentios até nos momentos mais triviais. Seto é aquele sujeito que precisa urgentemente de terapia e desenvolvimento emocional, mas que é egocêntrico demais para aceitar algo assim. Afinal, aceitar a interferência do outro significaria aceitar que, sob certos sentidos, o outro é maior do que você, algo impossível para alguém tão egocêntrico.
Ao longo do anime, embora o personagem apanhe da vida e seja colocado em situações de inferioridade algumas vezes, ele lida com isso de um modo inusitado que mantém sua loucura. Em vez de confrontar seu problema psicológico, entendendo que ninguém é assim tão grande, Seto o aprofunda ao concluir, reiteradas vezes, que é alguém tão magnânimo que vai conseguir dar a volta por cima de qualquer obstáculo. Dessa forma, sempre que é derrotado, o personagem se reavalia (sem tocar seu problema central, claro) e se reconstrói, melhorando, crescendo e, é claro, continuando inteiramente doido. E aí está a graça: trata-se de um personagem que nunca para de evoluir e nunca deixa de ser maluco.
No mundo real, acho que ele seria uma mistura de Kasparov, Da Vinci e Cebolinha, com pitadas de psicopatia: é um jogador genial, um cientista genial e um vilãozinho fofo e cheio de planos. Apesar da carranca, não chega a ser alguém indiferente ao sofrimento alheio, pois ama o irmão, mas claramente não tem nenhum interesse na vida que envolva o afeto dos outros.
Enfim: personagem bom, filme bem legal. Assistam se forem fãs.
Não achei exatamente um filme catastrófico, é mais como se ainda não fosse um filme, como se o roteirista estivesse treinando a escrita do roteiro, a direção ainda descobrindo o que é dirigir e os atores o que é atuar. Tudo é amador e óbvio de um modo constrangedor, de modo que não dá nem para julgar como um filme.
Assisti esperando pelo momento em que iam criar um meio para duas raças se comunicarem, que é um problema clássico de filosofia da linguagem: como sei que o outro, que não tem muito em comum comigo, entende o que eu quero dizer?
A resposta veio, mas foi bem tosca. Vi até o final emburrado.
O começo e a parte dramática do filme são interessantes, mas embora os problemas comecem pequenos, eles vão se avolumando até o filme deixar de ser interessante e ficar bem ruim, lá pelo final. Quando o terror ganha espaço, o filme perde qualidade, inclusive porque é nesse momento que o filme precisa ir mais fundo nas referências dos jogos. E os jogos, não é nenhum segredo, são uma porcaria e fornecem um material horrível para o diretor trabalhar. Infelizmente, ele não consegue fazer grande coisa para lidar com isso também
É um filme que não surpreende em nenhum momento, nem nas viradas da trama, com tudo soando um tanto previsível e só minimamente interessante. Apesar disso, ele também nunca fica completamente banal. As personagens são medianas, sem muito carisma, mas também sem chegar a ser chatas. A exceção, a meu ver, está na dupla Blanchett e Bullock, que representam personagens que, por sua centralidade na trama, são pouco inspiradas e deveriam ter sido bem melhor escritas.
Eu só me recordava da última cena, sequer lembrava que o Brad Pitt estava no filme. Uma coisa bem legal: o crime que motiva o filme não é pura autodefesa como eu pensava, quer dizer, as protagonistas não matam porque o outro é uma ameaça, mas por raiva. No entanto, se, por um lado, o crime inicial não nos permite julgá-las puramente como vítimas; de outro, o diretor não quer que as julguemos como vilãs. Ele não dá espaço para que elas apresentem ambiguidades morais, nem para que sejam questionadas de forma justa — os antagonistas tendem a ser babacas. O principal deles, todavia, é uma exceção: ele é alguém que entende o que leva as protagonistas agirem como agem, porém, ao mesmo tempo, é o detetive com o dever de capturá-las. Nós simpatizamos com sua compreensão, mas torcemos para que ele falhe e as moças escapem. Contudo, como em nenhum momento temos contato com a individualidade desse personagem, ele acaba funcionando menos como um indivíduo e mais como um recurso de roteiro, isto é, como algo que está lá para cumprir uma função na obra. E funciona, mas de um modo que corta possíveis ambiguidades e torna o filme um tanto didático. Thelma e Louise brinca com a estrutura dos “road movies”, essas histórias em que alguém atravessa um longo caminho de estradas e autodescobertas. As protagonistas começam como duas donas de casa afogadas na mediocridade da vida cotidiana, porém cometem um crime e viram foragidas. Quanto mais avançam para fugir do primeiro crime, mais vão cometendo outros e mais percebem que podem abandonar facetas velhas e adotar novas. Por sinal, aí está a graça da coisa: as personagens estão, simultaneamente, redescobrindo-se, criminalizando-se e ficando mais perto de sofrerem consequências horríveis por isso. Essa mistura de autodescoberta, crime e consequência produz um resultado muito bom, inclusive aquele final corajoso que, vocês sabem, associa a liberdade feminina à ruína. Confesso que fiquei até a última cena esperando pelo beijo lésbico. Numa obra sobre redescobrir-se, esperei pacientemente que, numa cena qualquer, o roteiro sugerisse ao espectador que o comportamento sexual também é uma faceta a ser abandonada. Até perdi as esperanças em algum momento, entretanto, na última cena, voilá, o beijo veio. Pessoalmente, eu gostaria de algo mais explícito, mais inequívoco, mas entendo eram outros tempos; de qualquer modo, fiquei satisfeito.
Tem vários elementos legais, como trabalhar a exposição pública de pessoas envolvidas com crimes, uma protagonista tentando racionalizar o que viveu (mesmo que com um texto banal) etc. isso faz parecer que essas coisas darão em algum lugar, mas não dão. Uma pena.
Bem difícil de aguentar o filme até o fim. É desnecessariamente longo, com um monte de sobras e closes intermináveis no rosto do protagonista.
Quase toda a obra, inclusive, se concentra nele, algo que diminui o protagonismo dos outros personagens e, a longo prazo, superexpõe o Batman, diminuindo o impacto do personagem, que vai ficando cada vez mais mundano e pobre.
Inclusive, as próprias cenas que seriam usadas para estabelecer o herói são toscas. Não há muita apresentação das motivações do personagem ou da relação que ele possui com os símbolos que o vestem. Não temos acesso à interioridade do Wayne, nem mesmo por meio de sua relação com o Alfred, que não é bem estabelecida. O resultado disso é que as ações do personagem perdem simbolismo, pois nenhum significado as acompanha, e que as cenas que dependem do sentimento do protagonista (com a mulher gato, a relação com os pais etc.) ficam ocas, já que nenhum sentimento foi construído até então. Tudo é vazio e gratuito e, mesmo quando, lá para o meio do filme, algum tema começa a ser construído, já é tarde demais para dar sentido ao filme.
Bem, creio que isso poderia funcionar se as ações do personagem construíssem os sentimentos e os símbolos que não são apresentados, porém isso não acontece, conquanto exista uma superexposição do protagonista na obra. Quase não existem cenas sem o Batman (e pouco sabemos dos personagens secundários), mas suas ações são tão banais que essa superexposição quebra qualquer teatralidade ou mesmo aura de competência que o personagem tenha. Batman não tem táticas criativas, procura por vilões batendo na porta deles (literalmente!), anda normalmente entre as pessoas ─ talvez até pegue um ônibus quando a gente não tá vendo. Aliás, nem sua investigação funciona: ele vaga de um lado para o outro até o vilão decidir se revelar, ou até o plano do vilão dar certo.
Claro que há coisas boas: Charada é legal e, em que pese o roteiro ruim, os atores são bons. Mas nada de bom se destaca em nenhum momento dessa pilha mal equilibrada de cenas ruins que é esse filme.
Um Homem Sem Importância
3.9 26Muito simples e bonito.
O Agente Secreto
3.9 1,1K Assista AgoraAchei muito bom, sobretudo pela escolha curiosa de deixar lacunas, de ser anticlimático na conclusão, como se a história fosse até o limite do que foi possível resgatar dela. A direção está bem bonita e a trilha sonora muito bem escolhida.
Seis Mulheres Para o Assassino
3.8 100 Assista AgoraNão curti, mas é tão bem dirigido e cheio de personalidade. Legal ainda assim.
Retrato de uma Jovem em Chamas
4.4 963 Assista AgoraBem lindo, sensível e, ao mesmo tempo, despretencioso, não querendo ser senão o que é. Gostei ainda mais do que o "Petite maman", mas continuarei a ver mais coisas dessa diretora.
Prelúdio Para Matar
4.0 269 Assista AgoraTenho visto em sequência os filmes do Dario Argento e acho que ainda não vou parar. Comecei com “Suspiria”, depois “Phenomena”, “Inferno” e agora “Profondo rosso”. Esse último foi o que mais me impactou; o mais inabarcável, digamos assim.
Lembro que quando vi “Lisa e o diabo”, do Mario Bava, tive uma sensação parecida: não gostei da experiência do filme, mas quanto mais eu pensava sobre ela, mais encontrava camadas e mais camadas de intenção e significado no filme. Com Profondo Rosso se deu o mesmo: fiquei incomodado com a quantidade de problemas que o filme possui e não aproveitei a experiência. Porém, é nítido que a direção é consciente desses problemas e não se importa nada com eles, bem como é nítido que o diretor é excepcional naquilo a que se dedica.
O filme é visualmente lindo, a direção é inventiva nos enquadramentos das câmeras, no aproveitamento dos ambientes e uso das cores. Além disso, o enredo é interessante e está repleto de sacadas inteligentes. Várias coisas descobertas ao longo da história abrem uma nova interpretação para os eventos já assistidos, tornando uma segunda visita ao filme ainda mais rica. O mais extraordinário nesse sentido é a audácia do filme que, tendo uma “trama de detetive”,
mostra o assassino logo no início, mas conduz a cena tão bem que, assim como o protagonista, você só percebe o que viu no final.
Não sei se gostei de “Profondo Rosso” — tendo a achar que não — mas é um filme que quero rever e, principalmente, não posso deixar de me surpreender com esse sujeito fantástico que é o Dario Argento.
A Mansão do Inferno
3.4 189 Assista AgoraÉ visualmente muito bonito, mas não funciona muito bem como narrativa, pois os personagens meio que vão do nada ao nada, nem como uma narrativa mais sensorial e estética, pois o filme se preocupa com a narrativa, mas não o bastante para deixa-la coesa. Particularmente, não gostei, embora tenha algumas boas cenas e um visual muito bom.
A Hora do Espanto
3.6 621 Assista AgoraNão curti, mas a direção é tão boa. O começo é impecável, com as motivações todas claras, os elementos sendo apresentados e, depois, recuperados, muito bom. Do meio para frente ele perde um pouco o ritmo e tem uma variação esquisita de tom, que começa cômico e vai ao gore, mas é um filme cheio de qualidades.
O Garoto da Bicicleta
3.7 321Bem simples, despretencioso e bom.
Entrevista com o Demônio
3.4 774 Assista AgoraBem legal. Um filme não muito pretencioso e coerente.
A Mosca
3.7 1,1KÉ um filme que nem sei dizer se gostei ou não, mas é tão bem executado, com roteiro conciso, maquiagem e efeitos ótimos. É realmente o trabalho de alguém que possui uma perspectiva própria, que conta com bons atores e que poliu seu projeto magnificamente. Goste-se ou não, é um filme muito bom.
Suspiria
3.8 1,0K Assista AgoraNo geral, o filme é bem legal, embora certamente não agrade a todos, mesmo dentre os fãs de filme de terror.
Para começar, ele tem um orçamento baixo e sofre com efeitos especiais nada requintados, o que fica ainda pior por se tratar de uma obra dos anos setenta do século passado, quando o “mais avançado possível” não era tão avançado assim. Como consequência disso, não há nenhuma cena na obra, a meu ver, que consiga nos enganar a respeito dos efeitos: os bonecos parecem bonecos, os efeitos computacionais são claramente efeitos computacionais e assim por diante. Não há nenhum momento em que sejamos capturados pela ilusão desses recursos. A bem da verdade, é mais o contrário: a simplicidade desses recursos nos tira da imersão do filme por serem tão rudimentares.
Ressalto esse aspecto não porque eu queira criticar o baixo orçamento e o resultado dele, algo que seria bobo fazer, mas porque esse aspecto rudimentar do filme o impacta em vários sentidos. Suspiria apresenta uma série de ambiguidades, com cenas que produzem simultaneamente sensações contrárias — beleza e feiura, susto e riso — sem que fique claro o quão intencionais elas são. Numa cena, por exemplo, podemos ser conduzidos ao terror e, diante de um elemento cênico claramente pobre, sermos levados em seuida ao riso. Mas causar o riso foi intencional? Esse tipo de dúvida surge em vários momentos da obra, tornando difícil precisar quando a direção está errando, acertando, ou mesmo produzindo certo efeito conscientemente.
Independentemente disso, algumas escolhas da direção são bastante evidentes e geram resultados notáveis. O filme brinca bastante com contrastes, mostrando tomadas geométricas, claras, ao mesmo tempo em que coloca uma trilha sonora misteriosa e frequentemente ruidosa. Por sinal, acho que nunca vi um filme tão barulhento quanto esse. Deve ser um espetáculo assisti-lo no cinema.
Os temas que ele carrega são curiosos, pois não são dispostos de maneira a serem resolvidos dentro do roteiro, como situações que precisassem da ação dos personagens para serem concluídas. Seus temas mais estéticos, mais próximos da música do que da literatura, eles permeiam a experiência de forma não rigorosa, sem requerer uma resolução muito clara. A bruxaria, a ganância, a arte, a decadência moral, está tudo lá, mas mais como alusões, como frases no meio de uma harmonia que está no plano principal. A esse respeito, mesmo a paleta de cores da obra, que é o argumento clássico usado para fazer as pessoas assisti-lo, não é exatamente coerente quando tentamos estabelecer o que cada cor significa. Precisão não é bem o foco do filme, a não ser como elemento a ser diluído.
Se porventura estivéssemos tratando de outro filme, essa bagunça seria problemática, contudo Suspiria faz parte de um gênero em que esses elementos estão muito bem estabelecidos, que é o que vou chamar aqui de “cinema clássico de terror”, mas algum crítico deve ter dado um nome melhor. Estou me referindo a filmes como Nosferatu de Murnau, Cat People de Tourneur, À meia noite levarei tua alma de Zé do Caixão, os filmes de terror do Mario Bava ou mesmo o primeiro Clock Tower no Super Nintendo. Em tais obras ouvimos os bater dos passos dos personagens, pois o som é muito importante para criar expectativa quanto ao desconhecido e para ressaltar o ressoar solitário do caminho; temos protagonistas um tanto vazios e pouco racionais; somos apresentados a figuras como o mordomo sinistro, a governanta severa e misteriosa, ou mesmo a personagens com traços físicos distintivos (muito alto, cego, anão etc.) e assim por diante. Suspiria está muitíssimo bem colocado dentro desse gênero que, pelo que sei, está completamente morto hoje em dia. Tratam-se de obras que se distanciam profundamente da nossa sanha por verossimilhança e funcionam mais como um pesadelo que, pouco a pouco, aprofunda-se.
Em suma, parece que o filme teve um remake e até vi o trailer. A primeria vista, ele parece muito bom, contudo, parece também racionalizado, explicadinho, verossímil, algo que só é possível desenraizando o filme original, retirando-o do gênero a que ele pertence e que o ajuda ser tão singular. Provavelmente gostarei de ver essa nova versão, mas nem por isso deixarei de acender aqui minha velinha pela morte do cinema clássico.
Yu-Gi-Oh! O Lado Negro das Dimensões
3.4 32No geral, achei tudo bem legal: as animações essão muito bonitas, as cartas e jogadas mais absurdamente roubadas do que nunca, e a trama coloca várias interposições interessantes naquele caminho clássico em que tudo converge para uma batalha do protagonista contra o vilão.
O que mais me divertiu foram os diálogos de Seto Kaiba, que soam completamente doentios até nos momentos mais triviais. Seto é aquele sujeito que precisa urgentemente de terapia e desenvolvimento emocional, mas que é egocêntrico demais para aceitar algo assim. Afinal, aceitar a interferência do outro significaria aceitar que, sob certos sentidos, o outro é maior do que você, algo impossível para alguém tão egocêntrico.
Ao longo do anime, embora o personagem apanhe da vida e seja colocado em situações de inferioridade algumas vezes, ele lida com isso de um modo inusitado que mantém sua loucura. Em vez de confrontar seu problema psicológico, entendendo que ninguém é assim tão grande, Seto o aprofunda ao concluir, reiteradas vezes, que é alguém tão magnânimo que vai conseguir dar a volta por cima de qualquer obstáculo. Dessa forma, sempre que é derrotado, o personagem se reavalia (sem tocar seu problema central, claro) e se reconstrói, melhorando, crescendo e, é claro, continuando inteiramente doido. E aí está a graça: trata-se de um personagem que nunca para de evoluir e nunca deixa de ser maluco.
No mundo real, acho que ele seria uma mistura de Kasparov, Da Vinci e Cebolinha, com pitadas de psicopatia: é um jogador genial, um cientista genial e um vilãozinho fofo e cheio de planos. Apesar da carranca, não chega a ser alguém indiferente ao sofrimento alheio, pois ama o irmão, mas claramente não tem nenhum interesse na vida que envolva o afeto dos outros.
Enfim: personagem bom, filme bem legal. Assistam se forem fãs.
Madame Teia
2.1 386 Assista AgoraNão achei exatamente um filme catastrófico, é mais como se ainda não fosse um filme, como se o roteirista estivesse treinando a escrita do roteiro, a direção ainda descobrindo o que é dirigir e os atores o que é atuar. Tudo é amador e óbvio de um modo constrangedor, de modo que não dá nem para julgar como um filme.
A Chegada
4.2 3,5K Assista AgoraAssisti esperando pelo momento em que iam criar um meio para duas raças se comunicarem, que é um problema clássico de filosofia da linguagem: como sei que o outro, que não tem muito em comum comigo, entende o que eu quero dizer?
A resposta veio, mas foi bem tosca. Vi até o final emburrado.
Five Nights At Freddy's: O Pesadelo Sem Fim
2.5 366 Assista AgoraO começo e a parte dramática do filme são interessantes, mas embora os problemas comecem pequenos, eles vão se avolumando até o filme deixar de ser interessante e ficar bem ruim, lá pelo final. Quando o terror ganha espaço, o filme perde qualidade, inclusive porque é nesse momento que o filme precisa ir mais fundo nas referências dos jogos. E os jogos, não é nenhum segredo, são uma porcaria e fornecem um material horrível para o diretor trabalhar. Infelizmente, ele não consegue fazer grande coisa para lidar com isso também
Oito Mulheres e um Segredo
3.6 1,1K Assista AgoraÉ um filme que não surpreende em nenhum momento, nem nas viradas da trama, com tudo soando um tanto previsível e só minimamente interessante. Apesar disso, ele também nunca fica completamente banal. As personagens são medianas, sem muito carisma, mas também sem chegar a ser chatas. A exceção, a meu ver, está na dupla Blanchett e Bullock, que representam personagens que, por sua centralidade na trama, são pouco inspiradas e deveriam ter sido bem melhor escritas.
RoboCop
3.3 2,0K Assista AgoraAchei um filme ok. Tudo é competente mas nada é especialmente interessante ou chamativo. Acho que é o melhor que Robocop pode ser mesmo.
A Visita
3.3 1,6K Assista AgoraAchei um filme razoável, com alguns bons momentos e sem grandes ideias.
Thelma & Louise
4.2 991 Assista AgoraEu só me recordava da última cena, sequer lembrava que o Brad Pitt estava no filme.
Uma coisa bem legal: o crime que motiva o filme não é pura autodefesa como eu pensava, quer dizer, as protagonistas não matam porque o outro é uma ameaça, mas por raiva.
No entanto, se, por um lado, o crime inicial não nos permite julgá-las puramente como vítimas; de outro, o diretor não quer que as julguemos como vilãs. Ele não dá espaço para que elas apresentem ambiguidades morais, nem para que sejam questionadas de forma justa — os antagonistas tendem a ser babacas.
O principal deles, todavia, é uma exceção: ele é alguém que entende o que leva as protagonistas agirem como agem, porém, ao mesmo tempo, é o detetive com o dever de capturá-las. Nós simpatizamos com sua compreensão, mas torcemos para que ele falhe e as moças escapem.
Contudo, como em nenhum momento temos contato com a individualidade desse personagem, ele acaba funcionando menos como um indivíduo e mais como um recurso de roteiro, isto é, como algo que está lá para cumprir uma função na obra. E funciona, mas de um modo que corta possíveis ambiguidades e torna o filme um tanto didático.
Thelma e Louise brinca com a estrutura dos “road movies”, essas histórias em que alguém atravessa um longo caminho de estradas e autodescobertas. As protagonistas começam como duas donas de casa afogadas na mediocridade da vida cotidiana, porém cometem um crime e viram foragidas. Quanto mais avançam para fugir do primeiro crime, mais vão cometendo outros e mais percebem que podem abandonar facetas velhas e adotar novas.
Por sinal, aí está a graça da coisa: as personagens estão, simultaneamente, redescobrindo-se, criminalizando-se e ficando mais perto de sofrerem consequências horríveis por isso. Essa mistura de autodescoberta, crime e consequência produz um resultado muito bom, inclusive aquele final corajoso que, vocês sabem, associa a liberdade feminina à ruína.
Confesso que fiquei até a última cena esperando pelo beijo lésbico. Numa obra sobre redescobrir-se, esperei pacientemente que, numa cena qualquer, o roteiro sugerisse ao espectador que o comportamento sexual também é uma faceta a ser abandonada. Até perdi as esperanças em algum momento, entretanto, na última cena, voilá, o beijo veio. Pessoalmente, eu gostaria de algo mais explícito, mais inequívoco, mas entendo eram outros tempos; de qualquer modo, fiquei satisfeito.
Halloween Ends
2.4 563 Assista AgoraTem vários elementos legais, como trabalhar a exposição pública de pessoas envolvidas com crimes, uma protagonista tentando racionalizar o que viveu (mesmo que com um texto banal) etc. isso faz parecer que essas coisas darão em algum lugar, mas não dão. Uma pena.
Soul
4.3 1,4KBem ruinzinho, todo perdido nos discursos que coloca.
Prezado Sr. Watterson
3.8 26 Assista AgoraAchei fraquinho. Mostra mais a relação dos fãs com a tira e tal, sem trazer muito conteúdo.
Batman
4.0 1,9K Assista AgoraBem difícil de aguentar o filme até o fim. É desnecessariamente longo, com um monte de sobras e closes intermináveis no rosto do protagonista.
Quase toda a obra, inclusive, se concentra nele, algo que diminui o protagonismo dos outros personagens e, a longo prazo, superexpõe o Batman, diminuindo o impacto do personagem, que vai ficando cada vez mais mundano e pobre.
Inclusive, as próprias cenas que seriam usadas para estabelecer o herói são toscas. Não há muita apresentação das motivações do personagem ou da relação que ele possui com os símbolos que o vestem. Não temos acesso à interioridade do Wayne, nem mesmo por meio de sua relação com o Alfred, que não é bem estabelecida. O resultado disso é que as ações do personagem perdem simbolismo, pois nenhum significado as acompanha, e que as cenas que dependem do sentimento do protagonista (com a mulher gato, a relação com os pais etc.) ficam ocas, já que nenhum sentimento foi construído até então. Tudo é vazio e gratuito e, mesmo quando, lá para o meio do filme, algum tema começa a ser construído, já é tarde demais para dar sentido ao filme.
Bem, creio que isso poderia funcionar se as ações do personagem construíssem os sentimentos e os símbolos que não são apresentados, porém isso não acontece, conquanto exista uma superexposição do protagonista na obra. Quase não existem cenas sem o Batman (e pouco sabemos dos personagens secundários), mas suas ações são tão banais que essa superexposição quebra qualquer teatralidade ou mesmo aura de competência que o personagem tenha. Batman não tem táticas criativas, procura por vilões batendo na porta deles (literalmente!), anda normalmente entre as pessoas ─ talvez até pegue um ônibus quando a gente não tá vendo. Aliás, nem sua investigação funciona: ele vaga de um lado para o outro até o vilão decidir se revelar, ou até o plano do vilão dar certo.
Claro que há coisas boas: Charada é legal e, em que pese o roteiro ruim, os atores são bons. Mas nada de bom se destaca em nenhum momento dessa pilha mal equilibrada de cenas ruins que é esse filme.
Pokémon: Detetive Pikachu
3.5 677 Assista AgoraLegal pela animação. A história é ok, o ator principal bem ruinzinho.