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Respondo em liberdade pelo crime de ter me passado por pessoas que nunca fui.

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Últimas opiniões enviadas

  • Renato Oliveira

    É tarefa inviável a tentativa de contemplar em um comentário a riqueza do roteiro bem como as sutilezas das atuações. Vale desde então destacar que a seleção de atrizes para avó, mãe e filha foi perfeita e favorece que os temas abordados sejam pensados e sentidos com certo grau de familiaridade. É um filme sobre uma tentativa de recomeço, sem dúvida magnífico por abordar feridas humanas que não se restringem a uma cultura ou a um grupo de determinado nível sócio-econômico.

    O filme reitera a verdade de que as relações familiares são espinhosas e perturbadas, e que a novela familiar de cada um é atravessada por mágoas e não-ditos. É interessante notar que o relacionamento entre mãe e filha não é abordado como se representasse "o preto ou o branco", mas sim é expresso por momentos de acordos, sincronismo, boa comunicação... E outros nos quais os conflitos ressurgem. Céu e inferno estão mesclados. Assim, a tentativa de reaproximação de Catherine não se dá nos moldes de um "período problemático" que é superado após um acerto de contas dando origem a uma vida nova. O roteiro descarta estes três tempos imaginários para mostrar tanto "idas e vindas" quanto, acima de tudo, a realidade de que os mesmos conflitos reaparecem, a despeito de já terem sido verbalizados e aparentemente resolvidos.

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  • Renato Oliveira

    Nunca o tema da intergeracionalidade gay foi tão bem abordado no cinema. É um filme sobre (des)encontros, que dialoga a ex-sistência do passado mediante um protagonista que tem dificuldade de se situar no momento presente. O roteiro explora a temática da morte em articulação com os efeitos do passar do tempo, que produz perdas, novas cabeças e formas diferentes de relações. Para jogar com o título de um romance de Joyce, o filme pode ser considerado um retrato do artista quando (não mais tão) jovem. Retrato este que se anuncia verdadeiro em um personagem visivelmente angustiado, alheio à sua época e ao mesmo tempo necessitado por fazer algum tipo de laço com o outro.

    Na cena em que

    Comentário contando partes do filme. Mostrar.

    Sam e Braeden pintam o corpo um do outro, é curioso notar que Sam, tão apegado a sua concepção de que a atual geração gay é alienada, parecia incapaz de enxergar que esta mesma geração tinha algo a lhe ensinar, dado que é esta que se põe a questionar a feminilização do homem enquanto tabu social e a desconstruir o estigma em torno do gay passivo.

    Certamente é um filme que complexifica o relacionamento gay intergeracional. Obra memorável por sua construção de personagens bem como pela exploração concisa da singularidade das etapas da vida.

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  • Renato Oliveira

    Escrever um comentário a respeito é, de algum modo, reagir ao efeito de emudecimento que o filme provoca. Não ter exatamente o que falar e ao mesmo tempo querer ter as palavras certas para compartilhar a experiência é o resultado deste que pode ser descrito como "um filme para vida". Não há dúvidas de que ele precisava ser feito, que seus diálogos tinham que ser filmados e que, acima de tudo, é uma abordagem honesta sobre as relações humanas. Não se trata da homoafetividade sendo mostrada como um tipo de relação interpessoal em oposição ao interesse/desejo pelo outro sexo, mas sim o afeto pelo igual/mesmo como inerente às relações humanas, e o corpo do outro como imprescindível no caminho da autodescoberta. A identificação com as personagens Thor e Kristján acontece tão naturalmente que parece ser possível se esquecer de sofrimentos passados para então se conectar a dor do outro que se articula ao vazio... E desejar que eles vençam, que o discernimento, o diálogo e a amizade vençam a ignorância e o ódio.

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