filmow.com/usuario/charolastria_/
    Você está em
  1. > Home
  2. > Usuários
  3. > charolastria_

Usuário desde Agosto de 2015
Grau de compatibilidade cinéfila
Baseado em 0 avaliações em comum

Últimas opiniões enviadas

  • Gustavo

    "Captain Fantastic" muitas vezes incita a reflexão e o debate sobre a escolha de estilo de vida alternativo, explorando as dicotomias entre o espaço urbano e o florestal, e apresentando seus prós e contras, sem parecer panfletário.

    Há também a questão paterna sobre qual o melhor método de educar os filhos. De um lado, apesar de viverem na selva e nunca terem frequentado o colégio, os filhos de Ben são estimulados constantemente a leitura, a terem pensamento critico e se expressarem sobre diversos assuntos de acordo com seus pontos de vista. Eles são muito mais instruídos sobre questões relevantes do que seus primos da cidade com sua educação tradicional.

    Por outro lado, mesmo que os esforços de Ben em dedicar-se a criar seus filhos da maneira como acredita ser a correta, ele acabou também os "limitando" a conhecer apenas o que esta nos livros, os privando de interações sociais e de conhecer o mundo "la fora", onde se podem extrair grandes ensinamentos e experiências edificantes. Impedindo que as crianças se familiarizarem com um mundo que cedo ou tarde e de uma forma ou de outra algum dia elas irão ter de lidar.

    Pra além dessas e outras questões, o filme se apresenta como uma cativante descrição de uma família não convencional que nos conquista de imediato. Mortensen faz um excelente trabalho em retratar esse pai obstinado e que ama seus filhos mais do que qualquer outra coisa. Seu personagem é bastante humano e nunca se curva a caricatura. As crianças estão igualmente excelentes. E o uso de Sigur Ros na trilha sonora não poderia ser mais adequado.

    Você precisa estar logado para comentar. Fazer login.
  • Gustavo

    Depois de assistir o excelente "A Brighter Summer Day" do diretor, as minhas expectativas estavam todas voltadas pra essa, que infelizmente foi sua última obra. E o resultado após este, foi que novamente o diretor me surpreendeu com uma produção que trasborda humanismo e sensibilidade.

    "Yi Yi" é basicamente sobre a vida. Possui uma narrativa que abrange os altos e baixos dela, com momentos melancólicos e de felicidade momentânea. E como algo inerente a condição humana, há dores, incertezas, alegrias. É um filme sobre oportunidades perdidas, sobre escolhas, algumas delas feitas há tanto tempo, mas que ainda assim martelam na nossa cabeça. É sobre a busca por encontrar respostas pras questões que nos aflige, da constante sensação de perda, de vazio existencial, de inquietação consigo mesmo, de como cada personagem têm de lidar com suas vidas, seus dilemas, os problemas que surgem (sejam eles familiares, amorosos, ou profissionais), e as decisões que eles precisam tomar.

    Os personagens de "Yi Yi", que aliás, estão em um estado constante de descoberta e de aprendizado, exatamente como nós estamos diariamente. E é aí que o diretor acerta ao universalizar seu filme, pra além daquele contexto Taiwanês. O que faz com que mesmo vivendo em uma realidade tão distante daquela família, nós ainda assim conseguimos sentir exatamente o que eles sentem, nos bons e nos maus momentos, e a empatia se torna inevitável.

    Yang foi muito honesto e verdadeiro, assim como seus personagens extremamente humanos, que nem parecem estar atuando de fato, mas, sim, vivenciando com toda sinceridade tudo aquilo, como se aquela fosse suas próprias vidas. São 3 horas do mais puro cinema narrando a vida exatamente como ela é.

    Você precisa estar logado para comentar. Fazer login.
  • Gustavo

    "E o cheiro de sangue enquanto se debatia deixou os outros loucos. Então as feras começaram a comer uns aos outros. E em seu frenesi comeram a si mesmos. Podia sentir seu gosto por matar, como um cisco dentro do olho. Podia sentir o cheiro de morte exalando do oceano. Nunca vi nada pior......até esse piquenique".

    A citação acima é só um exemplo dos inúmeros diálogos marcantes, do primoroso texto de Welles, sempre carregado de ironias e afiado como uma navalha. Se tratando de noir, todos os elementos característicos do "gênero" estão em total sintonia, e nem mesmo a edição criminosa da produtora que interviu nos esforços artísticos do diretor, encurtando o filme - cujo a duração deveria ser de duas horas e meia - foi capaz de diminuir o impacto de uma das melhores produções de Welles.

    A atmosfera dúbia e soturna realçados pela fotografia em preto e branco, os personagens moralmente ambíguos que parecem sempre esconder algo, o clima de desconfiança, as segundas intenções, traições, reviravoltas inesperadas, assassinato, a femme fatale manipuladora, com seu ar sedutor e angelical, e o roteiro intrincado e permeado pelo niilismo, marcam essa produção estilizada de Welles.

    "A Dama de Shanghai" com sua direção criativa e sofisticada ainda possui algumas cenas icônicas, como a ESPETACULAR sequência onírica no parque, com seu jogo de luzes e sombras deslumbrantes, que antecede outra cena marcante e estilosamente bem filmada: A da casa de espelhos, que é sem duvidas uma das cenas mais clássicas do cinema.

    Você precisa estar logado para comentar. Fazer login.