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three little devils jump over the wall

Últimas opiniões enviadas

  • Filipe
    Filipe

    2
    Minha mãe costumava dizer que Ichiro era incurável, mas eu estava mesmo decidida.
    Ichiro costumava dizer que minha mãe era maluca, mas eu costumava responder: “que seja”.
    Chega este momento simplista na vida do cidadão comum, alguns poderiam chamar de concreta paz, outros de completo vazio. Se este último está certo, ‘horror vacui’, pois há um condão negativo alastrando nas veias e ruelas de cada cidadela, julgando todo ser civilizado. Quando não está presente, eclode de pequenos pontos de pressão, conflitos tolos que tomam proporções mediterrâneas. A caneta que cospe sua tinta aos montes sobre um documento original, o objeto que bloqueia a visão do motorista ou no meu caso, dois seres que não se amam acabam por serem amados pela mesma pessoa. De uma filha ou amante para mediadora. Duas criaturas que ainda não se absorveram e não notam o quão incômodo é um jantar, mesmo que por mim mesma, consiga entender cada palavra pesada entre a comida.
    É icônico este repúdio, o afastamento. Enquanto ela me criou só, ele vivia como um sonoro ermitão. Para uma, a dependência era o mal do homem moderno e que só estivesse com alguém cujo não precisasse totalmente dele, para outro, a alcunha das bandas eram andarem sempre juntas, filosofias diferentes, no fim sempre uma.
    Seus comportamentos nunca foram por mim desfrutados, embora acabei tentando me acostumar com suas personalidades heréticas quando próximos. Tarefa tomei que se não pudesse diminuir a implicância, poderia desvirtuar os focos. Com o passar dos tempos, fui centralizada, isto deu graças por um mês, depois as disputas provinham de um ponto que não imaginava surtir: eu. A filha dissimulada, a namorada penosa. Quem se importava mais comigo?
    — Ela era uma boa moça, até que você entrou na vida dela para acabar com tudo — desta vez, diga-se de passagem, que tomei papel de telespectadora impulsionada pelo cansaço —, eu só desejava que ela encontrasse um rapaz decente, todos nós sabemos que isto é só uma fase.
    — Ela já é maior de idade, sabe o que faz da vida! — Hora do contra-ataque. — Você que não supera que sua parte já acabou nisso tudo, que ela toma a decisão que bem entender aqui... se ela quer isto, quem é você para dizer o contrário?
    — Quem sou eu? Está me perguntando realmente quem eu sou? Eu sou a mãe dela! E quem é você?
    — Chega! — A única palavra solta, posso ouvi-la ecoando dentro e fora de minha cabeça, o ambiente descalabro faz seus rostos derreterem antes que possa entender o efeito que isso surtiu na conversa.
    Desculpe, deixei minha imaginação tomar conta disto mais uma vez, a culpa da intervenção nunca feita, agora todo pensamento tem um ponto de alteração. A discussão seguiu. O casamento veio. Ela desaprovou. Não ligamos, casamos. Na cerimônia, rosas e veleiras, nos dias seguintes, rotinas vezeiras. Não demorou muito para vinda de primeiras discussões, começavam tolas, agarrando propriedade em detalhes difusos, como quem entra e não quer sair. Brigas simulavam o próximo e atual passo, vazio. Era algo novo para nós dois, nenhum sabia exatamente o que fazer nessas ideias cruzadas, fora rostos virados, reconciliações eram estranhas e soavam pouco saudáveis. Nunca estive pronta para um grande relacionamento como esse deveria ter sido, pensávamos em nos tornarmos foragidos ou beduínos antes de sequer tomar um ponto razoável nesses embates. Loucuras estritas que faziam-me pensar que minha mãe muito possivelmente estivesse certa.
    “Acabou”, “terminou tudo”, entre outras frases corriqueiras. Francamente, isso assustou bastante em primeiro impacto, agora é tão normalizado quanto um “bom dia”. Mude, altere ou enlouquece-te, mas por favor, suplico, não abranja em ti essas pequenas violências que convertem em bordões. Quando ele não voltou a noite após me dizer isso, fiquei tão pasma quanto envolvida nas minhas conclusões precipitadas de por onde ele andava, sai do apartamento, não conseguindo passar da portaria, sentada ali na frente do elevador com mãos no rosto esperando alguém passar. A rua estava morta, muito demorou para me cansar e subir. A televisão já não me entretinha, o céu parecia tão distante e todo livro disposto pelo prédio parecia uma ferramenta de enfeite de tão soltos da minha cabeça. Deitada na cama, propunha um ambiente pacífico. Não consegui, não poderia negar, estava assustada, decorava cada rachadura no teto. Enlouquecendo.
    No dia subsequente, tomei itens importantes e vaguei, cabeça estribada por pensamentos. Passos desejando a existência de algum deus para suprir a testemunha desses momentos pequenos, metáforas esquecidas. Deparei-me no jardim de minha mãe, com vasos espalhados por todos os cantos e mudas plantadas longe da casa. Como um espírito atravessando o corredor, flutuando acima de móveis.
    — Sente, coma um pouco conosco.
    — Ichiro? Você passou a noite aqui?
    — Não o incomode.
    Por algum motivo, aquilo era compreensível, estourando alguns de meus sentidos, meus tímpanos zumbiam e minha cabeça dava voltas, eu não podia entender, de certa forma, era uma consequência óbvia. Lá era para onde ele fugiria. Gatos e ratos compartilham do fato de serem animais, não? Era a trajetória que tomou. Minha mãe consolando meu marido, os dois contra mim. Jantares passaram a mudar: “ela não está te enlouquecendo?”, sílabas ganharam tonalidades grudentas umas com as outras.
    Dois anos depois ela faleceu, fazia sol, o vento era leve e tudo corroborava normalmente. A grama balançava com pudor e nuvens se aplumavam como pássaros. Havia uma árvore sobre minha cabeça. Ele me consolou colocando o braço através das minhas costas e segurando meu ombro, me dava pêsames. Esperando encontrar em seu rosto uma feição abalada, só tive a impressão de ver um sorriso que desaparece de repente, de quem diz: “eu venci”.
    Eu costumava pensar que um dia estaria liberta dessas complicações.
    E eu costumava responder: “que seja”.

  • Filipe
    Filipe

    1
    Este conto jovial que começava com “hoje eu decido” esteve compartilhando suas raízes comigo em toda minha adolescência, não lembro a primeira vez que tive conhecimento, parecendo se arrastar ao meu lado desde a infância. Abrangia toda e qualquer área da minha vida. A pequena garota que cansada de sua vida, fugiu para Tóquio, atravessando mil anos entre plantações para deitar-se sobre luzes de néon e música alta. Não era sobre onde ela acabou parando, e sim sobre o porquê. Não havia o lobo que punisse sua desobediência. Nunca, no resto de minha existência, contaram-me outra história onde a rebeldia terminasse de maneira tão simbólica e impune, afinal era natural, e todos que a amavam de alguma forma, acabaram seguindo seus passos.
    Estou aqui. A roupa úmida dependurada no varal de chão na sacada. Meus vasos encostados na parede branca da cozinha, o verde se diluindo na pintura. E ali, na janela com seu aparelho velho de música, o homem com quem me casei. O ruído saia tão alto de seus ouvidos que nem sequer me ouviu chegar, coloco as sacolas sobre a mesa e nem sequer desvia o olhar para minha presença. Acostumada, puxo uma cadeira me sento. Observo sua silhueta contra o vidro embaçado e aproveito este momento que ele não tem ciência sobre mim para então respirar. Pouco restou ali, de alguma forma. O que me apaixonou. Nunca foi um homem desonesto, porém, repleto de elipses. Jamais sufocante, contudo, sempre distante. Isto normalmente tornaria a convivência insuportável, infelizmente, já não havia essa palavra. Era como se não estivéssemos do lado um do outro.
    — O que trouxe? — Me desprendo do meu fluxo momentaneamente ao notar que ele descobriu outra pessoa na sala.
    — Nada de importante, apenas fiz algumas compras para o jantar.
    — Jantar, uh? — Disse apalpando algumas verduras. – O que vai fazer?
    — Você verá! — Digo em tom divertido, não recebendo nenhum sorriso de volta.
    Ele se joga na sua poltrona com violência, vou até onde estava repousando antes tranquilo, abro o vidro. Lá fora, a rua está calma e crianças não brincam como costumam brincar, há alguns carros estacionados do outro lado da rua e estico a mão na direção de uma árvore distante, como se por um momento, pudesse tocá-la, me assusto quando sinto algo em meus dedos. É uma joaninha, sua asa está machucada, então viro o dedo esperando que ela se agarre, mas despenca por metros, sumindo de minha vista. Uma voz francesa surte das caixas de som da televisão.

  • Filipe
    Filipe

    +teste 002: https://www.youtube.com/watch?v=8tBp2d6xEF0

    +teste 003: https://www.youtube.com/watch?v=E2Xesjtj5So

    +vou fazer o teste 004 narrado para ver como sai

    +acho que no fim, quando se fecha os olhos, todo quarto de hotel é sempre o mesmo quarto de hotel, mas nunca sua casa.

    +suas artes são maravilhosas, eu não consigo nem sonhar em chegar perto de algo assim.

    +vou te mandar o capítulo 1 e 2 do que estou escrevendo, já que não estou tão seguro quanto os próximos: vou mandar separado em uma segunda mensagem já que esta não é o suficiente para compactar os caracteres.

    +a copa me lembra 2014, a última vez que tudo ficou bem de verdade.

    +em 2014 eu sai uma noite sozinho por uma rua estranha, tinha que achar uma casa, era minha missão, se eu encontrasse, toda minha vida teria sido diferente, toda ela. Estava com uma mochila vazia e uma bolinha daquelas que quicam no chão na mão, desisti, voltei para casa e me joguei num colchão na sala, me arrependi no dia seguinte.