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Si belle! Cybèle?

Últimas opiniões enviadas

  • ℋelder ♏a☂os

    Um filme que mais complica que explica o universo. Independente das dúvidas em relação a linhas do tempo, por si só é um sci-fi bem meia boca, com personagens de caráter meio que inverossímeis pra astronautas na mais importante missão da Terra. Ainda que, é claro, vivendo momentos de tensão. Algumas decisões de roteiro beiram o ridículo (Evil Dead anyone?), que seriam até interessantes se o filme tivesse outro tom. Não há praticamente desenvolvimento nos personagens, exceto na protagonista (Gugu Mbatha-Raw). O clima de tensão é forçado o tempo todo, sem falar na carga melodramática que me incomodou um pouco. Decepcionante.

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  • ℋelder ♏a☂os

    Andrei Zvyagintsev tem o dom de produzir belíssimas tomadas, especialmente as que contrastam o clima opressivo do clima ou desolado das passagens naturais com as estruturas físicas, algumas decadentes, como já apresentadas em trabalhos anteriores como Leviatã e O Retorno. Esses takes de prédios destruídos, abraçados pela flora, trazendo em nível subconsciente toda a carga de ideias que vão de melancolia, contemplação, movimento ou estagnação, e desolação pela passagem do tempo é o máximo que podemos comparar com a obra de Tarkovsky, como alguns tentaram assim fazer. Além do fato de ser também hoje uma persona non grata pelo governo (mais sobre isso no final). As consequências para Tarkovsky, no entanto, foram muito mais pesadas.

    Zvyagintsev não tem a poesia de seu xará, e sua mensagem é notadamente menos sutil. No caso, a crítica a louvação aos novos deuses da sociedade dita moderna, os smartphones e a internet, no qual as relações são mostradas quase sempre em tom de felicidade e franqueza enquanto a realidade é de falsidade e angústia, as relações humanas como um negócio onde as partes só se interessam pela satisfação de seus próprios desejos e necessidades, onde um "eu te amo" é dito apenas como uma forma de reafirmar esse negócio, e talvez a mensagem mais contundente: a perda da empatia nas relações humanas que leva à própria perda da identidade como nação. A cena final na qual ouvimos o noticiário sobre a intervenção na Ucrânia claramente procura tecer uma relação entre toda a carga e simbologia do desaparecimento de Alyosha com a perda do significado da nação russa. Noutra cena, um pouco mais sutil, o quarto do filho está sendo reformado para venda, e de todos os elementos originais do quarto da criança o único que resta é o que aparenta ser o mapa da Rússia (?) com a palavra "dream" (sonho) desolado no canto direito, de onde será removido sem os olhos de nós espectadores como testemunhas. Tal qual outra cena um pouco anterior (da escola), a câmera faz a passagem através da janela de um ambiente fechado e minúsculo (o drama particular) para a amplidão do clima gélido do inverno russo trazendo à baila toda a significância que aquele clima carrega como elemento alegórico da frieza e falta de sensibilidade. Andrei passa ainda algumas mensagens sugestivas pouco perceptíveis a um espectador menos atento ao governo russo, mas talvez bem diretas para quem viva no país. A idade de Alyosha, que no filme tem doze anos, é, como alguns notaram, uma referência ao governo de Putin que começou em 2012, ano no qual também o filme também se inicia. As metáforas visuais de Andrei são sem dúvida contundentes, talvez muito pontuais, sem muita margem para maiores interpretações. O que empobrece um pouco a obra ao meu ver.

    Um ponto que me incomodou também foi um caráter misógino na obra, retratando as contrapartes do gênero feminino de forma muito mais depreciativa que as figuras masculinas. Não que o filme seja complacente com a figura paterna; Boris, o pai, nem ao menos chega a procurar ver o filho na primeira cena onde aparece, vai dormir em quarto separado sem antes não deixar de checar o celular. Sua relação com a nova esposa (por sinal também mostrada insensível ao desaparecimento de uma criança) deixa evidente que talvez não dure também muito tempo, e o filho dessa relação - já gestando na barriga da mãe - será provavelmente abandonado como Alyosha. É verdade que em nenhum momento vemos o pai em um gesto de carinho na barriga da mãe, por exemplo. E numa cena, passada já em 2015, o filho é tratado rispidamente pelo pai. Entretanto, as figuras femininas são muito mais carregadas na tinta, e explicitamente mostradas de forma histérica ou fútil, mesmo figurantes como duas garotas que aparecem por meros dois minutos. O diretor poderia ter sido mais cuidadoso nesse ponto. Não me entendam mal, achei um filme bem acima da média. Carrega um peso nas interpretações pautadas com belas passagens que ficam algum tempo na memória, mas esses detalhes que detectei me impediram de apreciá-lo como eu gostaria. É um bom filme sobre temas como perda, desprezo e indiferença que a princípio enfoca a ruína das relações interpessoais, mas que durante o processo também procurar afirmar esse mesmo defeito para a identidade de uma nação. Neste ponto é também importante notar que a produção foi feita sem o apoio financeiro do estado, como uma retaliação ao seu trabalho anterior, Leviatã, que levantava temas como arbitrariedade e abuso do poder governamental. Ainda que Andrei diga não se focar no aspecto político e sim no humano da nação russa, este filme, mais até que Leviatã, é uma crítica muito mais mordaz ao governo de Putin.

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  • Santiago
    Santiago

    Meu e-mail, Helder.. [email protected]

  • Filmow
    Filmow

    O Oscar 2017 está logo aí e teremos o nosso tradicional BOLÃO DO OSCAR FILMOW!

    Serão 3 vencedores no Bolão com prêmios da loja Chico Rei para os três participantes que mais acertarem nas categorias da premiação. (O 1º lugar vai ganhar um kit da Chico Rei com 01 camiseta + 01 caneca + 01 almofada; o 2º lugar 01 camiseta da Chico Rei; e o 3º lugar 01 almofada da Chico Rei.)

    Vem participar da brincadeira com a gente, acesse https://filmow.com/bolao-do-oscar/ para votar.
    Boa sorte! :)

    * Lembrando que faremos uma transmissão ao vivo via Facebook e Youtube da Casa Filmow na noite da cerimônia, dia 26 de fevereiro. Confirme presença no evento https://www.facebook.com/events/250416102068445/

  • Luana
    Luana

    Valeu, Helder, por aceitar ;) gostei demais do seu acervo!