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Últimas opiniões enviadas

  • Felipe Bernardes

    o impulso inicial é de dizer que isso não é um filme.

    que é um evento, que é um cérebro operando seu próprio sistema, que é a vida em si ou que transcende a vida em si. mas além da hipérbole não me ser (mais) tão atraente, tais superlativos operariam como uma lógica necrófila: todo o cinema está morto, e o que é feito aqui vai muito além da sétima arte. quando é justamente o contrário.

    a importância desse filme é notável por mostrar a capacidade que narrativas e estruturas podem ser exploradas a fim de criar uma experiência audiovisual como essa, algo que só pode ser expressado através de suas imagens. algo que só mostra que o cinema respira vivo e saudável.

    discordando de alguns comentários que dizem que a árvore da vida aborda com ambição os 'assuntos sérios' sobre a existência da vida desde 'a criação', seus lapsos temporais felizmente não me parecem articular um testamento ou entregar respostas, tampouco momentos extremamente didáticos/verborrágicos (alá 'o amor é a única coisa que transcende o tempo e o espaço'), mas apenas representar a dúvida como força onipresente - ora propulsora, ora paralisadora - do cotidiano. e nada disso importaria ao mínimo se toda essa composição visual não fosse um catalisador de criação artística das vivências e sentimentos íntimos completamente identificáveis do próprio diretor que, gradualmente, tornam-se nossos.

    e ainda que algumas sequências e planos me lembrassem o espelho do tarkovski (e digo isso como um grande elogio), ao fim do filme foi um diálogo d'as coisas mais simples da vida de edward yang que veio à cabeça:

    "meu tio diz que vivemos três vezes mais desde que o homem inventou o cinema."
    "como assim?"
    "significa que os filmes nos dão o dobro do que vivemos diariamente."

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  • Felipe Bernardes

    é comum ler sobre as referências ao truffaut no cinema de tsai ming-liang, seja pela sequência final de vive l'amour ou a interpolação mais explícita d'os incompreendidos em que horas são aí?. muitos textos também citam a influência de antonioni, que falava sobre a solidão, a incomunicabilidade e os 'espaços vazios' em sua trilogia dos anos 60. mas, no fim do dia, tsai é tsai e não uma versão asiática de um nome ocidental.

    aqui temos a solidão, a incomunicabilidade e os 'espaços vazios' e, ainda assim, é impossível dizer que as imagens que saíram daqui, dessas ideias, podem ser encontradas no cinema de qualquer outro diretor - oriental ou ocidental. porque o espaço vazio nesse caso torna-se uma geografia quase metafísica, permitindo a habitação não apenas dos personagens principais, mas também de seus desejos mais íntimos, que tomam suas próprias formas.

    e se é difícil comparar tsai com qualquer outro realizador (ainda que isso venha como um elogio), o mesmo embaraço me surge enquanto tento definir um gênero pro filme. mesmo um romance, se há um romance, surge como uma pista da solidão dos protagonistas, e não como um foco narrativo: se n'o buraco o diretor torce para que continuemos nos consolando no próximo milênio, em vive l'amour os personagens ainda estão em busca dessa mão acolhedora. e isso me parece um drama poderoso - existente apenas nesse apartamento, desse filme, no cinema idiossincrático de tsai ming-liang.

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