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Últimas opiniões enviadas

  • Felipe Storino

    O público que assistiu a primeira versão dos Power Rangers cresceu, então nada mais justo que a história cresça e amadureça também. Dessa forma, não espere piadas bobinhas e situações de humor físico, embora ainda tenha bastante humor. Até mesmo personagens como os já clássicos Bulk e Skull não aparecem aqui. O filme dirigido por Dean Israelite, a partir do roteiro de John Gatins, é muito mais sério. Pelo menos até onde adolescentes enfrentando monstros gigantes consegue ser sério. A estrutura de todos os episódios da série consistia nos personagens enfrentando algum tipo de problema pessoal enquanto tinham que combater as ameaças de Rita. No final eles enfrentavam um monstro gigante e salvavam o dia. O novo filme segue esta exata fórmula, o que pode acabar desagradando algumas pessoas, já que boa parte do roteiro se concentra no desenvolvimento dos personagens. É uma história mais séria para um público de fãs que já não são mais crianças. Apesar de bem diferente da série original, o espírito dela ainda está lá e o filme consegue ser nostálgico e novo ao mesmo tempo.

    A cena de abertura, que mostra Zordon (Bryan Cranston) como o ranger vermelho sendo derrotado pela ranger verde Rita Repulsa (Elizabeth Banks), é bem curta, mas cumpre bem o papel de apresentar, em poucos minutos, a origem dos heróis. Além disso, ela ainda explica o motivo de Zordon ter virado apenas um rosto flutuante e o porque de Rita ter conseguido criar um ranger verde maligno na série original. A cena deixa claro também o motivo dos zords (os robôs gigantes dos personagens) terem formas de dinossauro, apesar disso ser explicado mais pra frente em um diálogo expositivo do robô Alpha 5 (Bill Hader). A decisão do diretor de abrir o filme com uma cena repleta de ação não é à toa, já que assim ele consegue capturar de imediato a atenção do espectador, permitindo que o filme possa ter momentos de calmaria com a promessa de que teremos mais cenas como aquela da abertura. Aliás, a própria cena que apresenta o personagem Jason (Dacre Montgomery) também não dá muito respiro, mostrando o rapaz em uma perseguição automobilística que acaba com o carro capotando e ele tendo que passar o resto do ano na detenção do colégio. É aqui que ele conhece Billy (RJ Cyler) e Kimberly (Naomi Scott), começando assim a formação da famosa equipe de heróis.

    A partir daí passamos a ver a reunião de todos os cinco jovens e os desafios que cada um precisa enfrentar no dia a dia, antes de finalmente conseguirem acessar suas famosas armaduras. Todos eles possuem questões com as quais qualquer adolescente pode facilmente se identificar. Jason, por exemplo, apesar de ser um popular jogador de futebol americano da escola, possui problemas de relacionamento com o pai, o que faz com que ele se meta em encrencas constantemente. Billy não é apenas um nerd como na série original, mas sim alguém que possui dificuldades de socialização e que, pela primeira vez, se vê com um grupo de amigos. Já os outros três são os que possuem as questões mais interessantes do longa. Kimberly se sente muito culpada por algo terrível que fez, enquanto Zack (Ludi Lin) passa os dias cuidando da mãe que está muito doente. Já Trini (Becky G) não consegue dialogar com os pais conservadores que não conseguem aceitar a filha como ela é. Assim como os jovens, Zordon também é mostrado como alguém que precisa enfrentar seus próprios medos para que, finalmente, consiga superar o passado e realmente servir como um mentor para a nova geração de Rangers. A personagem menos trabalhada é a vilã Rita, que deseja o de sempre: poder suficiente para destruir a Terra e moldar o universo à sua maneira.

    Mesmo possuindo como tema principal o aprendizado, Power Rangers - O Filme não esquece que é um filme de ação e apresenta excelentes cenas do tipo. Desde o combate que abre o filme, passando pelas sessões de treinamento da equipe e saltos gigantescos, até chegar ao momento em que eles finalmente utilizam suas clássicas armaduras e zords. Aliás, é divertido perceber como vários movimentos dos personagens durante essas lutas fazem referência à série original, porém sem nunca parecer tão tosco quanto ela. Inclusive, o diretor Dean Israelite acerta em cheio ao colocar apenas pequenas referências ao seriado, sem exageros, fazendo com que seu filme tenha personalidade própria e não fique parecendo apenas uma grande homenagem a um programa de sucesso. Claro que ele não esquece sua origem super sentai, então temos muitos prédios destruídos, crateras imensas engolindo carros e por aí vai. Tudo como manda o manual da equipe super sentai. Enxergando em seu filme uma história de super-heróis como qualquer outra existente hoje em dia nos cinemas, Israelite aproveita ainda para fazer referência a outras franquias de sucesso, como Transformers e Homem-Aranha. A cena de Jason sem camisa, se olhando no espelho logo após descobrir seus poderes, é praticamente uma cópia do Homem-Aranha interpretado por Tobey Maguire no filme do Sam Raimi.

    Power Rangers - O Filme apresenta ainda um design de produção muito bom, fazendo com que tudo relacionado aos rangers pareça realmente alienígena. A base do Zordon, por exemplo, possui um visual bem clean, sem botões ou alavancas, sendo tudo controlado pelo robô Alpha 5. E por falar no robô, foi bom perceber que ele continua tão carismático quanto na série da década de 1990, soltando até mesmo o famoso bordão “ai ai ai”. Até o visual dele, que parecia tão esquisito nas fotos de divulgação, é bastante simpático quando o vemos em movimento na tela, principalmente por combinar com o todo o resto da base. Mais do que reencontrar velhos amigos, a sensação que fica ao final do filme é a de que passamos a conhecê-los melhor e que, apesar de ainda serem adolescentes, de certa forma eles também cresceram e amadureceram, assim como sua base de fãs.

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  • Felipe Storino

    Raw não é um filme interessado apenas em chocar com uma história sobre canibalismo. Pelo contrário, boa parte do filme é dedicada a abordar o tema dos trotes em faculdades e como eles podem ser cruéis. Mostrada como uma menina tímida e avessa a festas, Justine acaba sendo obrigada a comparecer a várias delas simplesmente para se enturmar. Filmando essas festas sempre com câmera na mão, muitas luzes piscando e gente se esbarrando, a diretora cria um clima claustrofóbico e angustiante que deixa claro para o espectador o quanto Justine não se sente bem naquele local. Aliás, Julia Ducornau é competente em todas as cenas nas quais ela tenta criar um clima de claustrofobia. A cena de Justine embaixo do lençol, como se passasse por uma crise de abstinência, consegue ser simples e, ao mesmo tempo, extremamente perturbadora. Essa cena fica ainda mais interessante por poder ser enxergada como uma metáfora para um renascimento, já que Justine parece estar dentro de um útero.

    Além da pressão de passar pelos trotes, Justine ainda precisa enfrentar as pressões normais de uma faculdade, como conseguir boas notas e lidar com professores que, por algum motivo, não vão com a cara dela. E aqui é interessante perceber como a diretora do filme utiliza algumas cenas que podem ser interpretadas de maneiras diferentes dependendo do espectador. Por exemplo, a cena em que Justine tem uma crise de alergia e começa a se coçar desesperadamente pode ser vista, num primeiro momento, apenas como uma reação ao fato dela ter comido carne pela primeira vez na vida. Porém, ela também mostra toda a pressão que a jovem está sentindo ao escolher a mesma profissão de seus pais e que também foi a escolha de sua irmã. Além disso, a cena em que Justine está vomitando fios de cabelo deixa claro o problema de ansiedade pelo qual a garota está passando.

    Raw ainda encontra espaço para abordar o tema do despertar sexual de uma jovem que está passando da adolescência para a vida adulta. E como isso é visto pela sociedade predominantemente machista na qual vivemos. Se por um lado os colegas de faculdade exigem que Justine se vista de maneira mais sexy para comparecer às festas, por outro eles não perdem tempo ao chamar a garota de vagabunda caso ela comece a se pegar com algum cara. A sequência em que os outros alunos vazam um vídeo que mostra a protagonista, claramente alcoolizada, tentando morder o braço de um dos cadáveres da faculdade, enquanto todos ao redor dela morrem de rir, nada mais é do que uma grande metáfora para os vários casos de vazamentos de vídeos que acontecem na vida real. As pessoas preferem dar risada do que ajudar alguém que está claramente sem condições de tomar qualquer decisão.

    Mas lembra quando eu disse lá em cima que Raw era um filme de terror psicológico e também gore? Pois é, as cenas violentas não são muitas, mas quando acontecem são impactantes e muito bem feitas. Todos os efeitos especiais parecem práticos, sem o uso de computação gráfica, deixando as cenas com bastante realismo. Algumas coisas parecem tão reais que é até difícil não se contorcer um pouco na cadeira, mas nada que faça alguém vomitar. O filme conta também com um design de som excelente, que ajuda a deixar essas cenas ainda mais perturbadoras. Quando Justine está tendo uma crise de coceira, por exemplo, o som das unhas dela esfregando na pele vai crescendo de tal maneira que passa a sensação de que ela vai acabar arrancando até mesmo a carne dos ossos. Já os sons que a protagonista faz quando está comendo carne nos fazem perceber todo o prazer que ela está sentindo com aquele ato. O único ponto negativo da direção fica por conta da falta de sutileza de Julia Ducornau ao banhar a protagonista com uma luz vermelha intensa, em antecipação a algum ato de violência por parte dela.

    No final das contas, Raw é aquele tipo de filme que se torna interessante justamente por sair do lugar comum e conseguir abordar vários temas interessantes utilizando uma história sobre canibalismo. Se fosse produzido em Hollywood, provavelmente o filme descambaria para muita matança desenfreada, com muito sangue claramente falso, feito com uma computação gráfica de segunda categoria, e sustos imbecis. Filmado na França, Raw felizmente não vai por esse lado e acaba nos apresentando uma protagonista que precisa aprender a conviver com uma terrível condição, ao mesmo tempo em que precisa lidar com as várias mudanças pelas quais sua vida está passando.

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  • Felipe Storino

    O começo de Mulher-Maravilha me deixou apreensivo. Com uma sequência ambientada no presente e que mostra a personagem recebendo uma encomenda de Bruce Wayne, a impressão que dava é que o filme iria servir apenas de prólogo para Liga da Justiça. Felizmente, essa sequência dura pouco e logo o filme volta no tempo para mostrar o passado da princesa Diana, a futura Mulher-Maravilha (Gal Gadot), quando ainda era uma criança na ilha de Themyscira. E aqui temos um belo exemplo de como deve ser o filme de origem de um super-herói. Apesar de não ocuparem muito tempo da produção, as cenas em Themyscira cumprem de forma extremamente eficiente a função de apresentar todas as características da personagem e o mundo no qual ela vive.

    Assim, conhecemos uma Diana que, desde a infância, não abaixa a cabeça para ninguém e que sempre teve talento para o combate. Além disso, a diretora Patty Jenkins é eficiente ao apresentar toda a história da criação das amazonas e o combate contra Ares, o deus da guerra, em pouquíssimo tempo, nunca tomando espaço da protagonista. E aqui é interessante notar como o roteiro de Allan Heinberg mistura elementos das histórias escritas por George Perez, na década de 1980, com elementos mais recentes dos quadrinhos vistos na fase do roteirista Brian Azzarello. O mundo das amazonas é muito bem apresentado, mostrando que todas elas passam por um treinamento pesado, mesmo que a função delas seja a busca pela paz. Com todos estes elementos mostrados em poucos minutos, não demora para que vejamos a primeira grande cena de ação do filme e a protagonista logo parta em busca do seu destino.

    O combate na praia em Themyscira é uma das melhores cenas de ação do filme, com muita gente lutando ao mesmo tempo sem que o espectador fique perdido em relação a onde está cada elemento do combate. Toda a sequência é um espetáculo visual, com as amazonas disparando suas flechas ao pularem das montanhas ou de cima dos seus cavalos. E apesar de não ter uma gota de sangue, o combate é violento (na medida do possível para um filme de herói), com várias mortes acontecendo. O mais curioso é perceber como as cenas de luta ficam diferentes quando Diana finalmente assume a identidade de Mulher-Maravilha. A partir deste ponto, todos os confrontos parecem ter sido dirigidos pelo Zack Snyder, possuindo exatamente a mesma estética de O Homem de Aço e Batman vs Superman. Então é um festival de câmeras lentas, seguidas de câmeras mais aceleradas para dar a impressão de que a personagem se movimenta velozmente.

    Apesar disso passar a sensação de já termos visto essas lutas em algum lugar, o filme ainda nos brinda com excelentes cenas de ação. Destaque para o combate contra tropas alemãs que estão invadindo um pequeno vilarejo e o momento em que Diana utiliza seu tradicional uniforme pela primeira vez. Aliás, essa cena fica ainda mais bonita e épica devido à fotografia, que fica mais clara e colorida no momento em que a protagonista toma as rédeas da situação. Assim, percebemos toda a esperança que a Mulher-Maravilha traz para as pessoas mais necessitadas. Talvez o grande ponto fraco fique por conta do confronto final da personagem com o vilão. A cena envolve um combate grandioso demais e que lembra muito a luta contra Apocalipse no fim de Batman vs Superman. Eu esperava ver uma solução mais interessante e inteligente por parte da personagem, como George Perez fez, em 1987, no final do seu primeiro arco com a Mulher-Maravilha. Aliás, se a escala de poder continuar aumentando dessa maneira, o filme da Liga da Justiça vai ser nível Dragon Ball Z.

    Claro que assistir grandes cenas de ação e aventura é sempre divertido, mas o grande mérito de Mulher-Maravilha é ele ser um filme, acima de tudo, muito divertido. Diferente de O Homem de Aço e Batman vs Superman, com seus personagens deprimidos e cheios de dúvidas, aqui temos uma princesa Diana que desde o início sabe exatamente o que deve e o que deseja fazer. Assim, se ela precisa sair da sua terra natal para salvar o mundo da influência de Ares, ela faz isso com determinação e um sorriso no rosto. E graças à atuação de Gal Gadot, a inocência da personagem ao conhecer o mundo dos homens é contagiante. A Mulher-Maravilha desse filme é tão simpática que lembra muito o eterno Superman interpretado por Christopher Reeve, em 1978. Enquanto o Superman de Henry Cavill parece sempre se achar acima da humanidade, a Diana de Gal Gadot cumprimenta as pessoas sempre com um sorriso no rosto. É o tipo de pessoa que fica extremamente agradecida a um vendedor de sorvetes por ele vender algo tão saboroso. Tomara que a personagem não perca essa característica quando interagir com os outros personagens da DC em Liga da Justiça.

    Com um otimismo que não se via há muito tempo em um filme da DC, Mulher-Maravilha chega para mostrar que o verdadeiro legado de um super-herói é servir como símbolo de esperança e trazer luz para a escuridão, em vez de ser engolido por ela. Já passou da hora dos filmes da DC serem menos como Watchmen do Zack Snyder e mais como a Mulher-Maravilha da Patty Jenkins.

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