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Últimas opiniões enviadas

  • Felipe Storino

    Vendido como um prelúdio do primeiro Alien, de 1979, e como um retorno da franquia ao terror, Alien: Covenant é muito mais uma continuação de Prometheus e passa longe de ter o clima sombrio do primeiro filme. Com roteiro escrito por John Logan e D.W. Harper, este novo capítulo da saga parece preocupado demais em colocar os androides interpretados por Michael Fassbender como protagonistas, além de querer responder questões que na verdade nunca foram importantes. Com isso, boa parte do filme é gasta com diálogos que nunca se mostram realmente interessantes para a trama. A cena da flauta, por exemplo, é de uma perda de tempo inacreditável. Além disso, na tentativa de desvendar os mistérios por trás da criação do xenomorfo, a criatura vai se tornando cada vez menos ameaçadora do que já foi um dia.

    O filme começa com a nave Covenant fazendo uma viagem até Origae-6, um planeta que vai servir de colônia para os milhares de terráqueos que hibernam na nave. Enquanto faz uma de suas recargas de energia, a espaçonave acaba sendo atingida por uma onda de choque causada por um acidente cósmico imprevisível. Com isso, várias estruturas são danificadas e a tripulação é despertada para tentar resolver os problemas. Em seguida, eles recebem um sinal de comunicação vindo de um planeta com características parecidas com a Terra e resolvem investigar, na esperança de que ele possa ser uma colônia melhor que Origae-6. Claro que é aí que começam os problemas de verdade, com a tripulação tendo que sobreviver aos nossos queridos xenomorfos.

    Assim que chegam ao planeta, fica claro que Alien: Covenant não possui o espírito do original. A investigação feita pelos personagens no local acontece durante o dia, com bastante claridade, bem diferente da escuridão do primeiro filme. Além disso, grande parte da produção se passa em espaços abertos, com bastante espaço para correria. Nada de corredores escuros e claustrofóbicos, aqui Ridley Scott se entrega à ação desenfreada. Até mesmo quando uma das criaturas invade a pequena nave auxiliar não existe uma sensação de claustrofobia, já que a nave parece ser bem maior por dentro do que por fora. Além disso, geralmente as conversas entre os personagens são filmadas com um plano bem aberto, mostrando todo o cenário ao redor, não deixando espaço para que o espectador fique imaginando de onde pode surgir alguma criatura. Assim, quando uma personagem está sozinha e a câmera se fecha no rosto dela, já fica bem óbvio que algo irá surgir ali, acabando com qualquer surpresa.

    A verdade é que toda a tensão do filme se baseia no fato de que todos os personagens são meio tontos. Em uma cena, temos uma pessoa que resolve entrar em uma sala mesmo vendo que existe uma criatura assassina lá dentro. Já em outra, um dos personagens acha super seguro colocar o rosto bem perto de um ovo de Alien. E todos sabemos o que acontece quando alguém faz isso. Com exceção dos androides David e Walter, todos os outros personagens parecem estar ali apenas para cometer erros bobos. A relação dos dois androides chega a parecer mais importante até do que o surgimento do Alien como o conhecemos. Aqui vale notar também como a criatura nasce extremamente rápido, diferente de outros filmes da franquia nos quais os personagens ficavam algum tempo infectados (a Ripley que o diga).

    Já que Alien: Covenant não passa nem perto de ser um filme de suspense, o mínimo que se espera dele é que seja excelente nas cenas de ação. Infelizmente, elas são apenas ok. A maioria das cenas de luta corporal contra os xenomorfos são mostradas com a câmera muito próxima dos personagens e com cortes muito rápidos, o que dificulta a compreensão do que está acontecendo. Já as cenas envolvendo a criatura principal se resumem a reciclar ideias de outros filmes da franquia, como a utilização de grandes veículos ou do vácuo espacial para combater a ameaça.

    No final das contas, Alien:Covenant é um filme até divertido, mas que demora a engrenar justamente por querer explicar coisas demais com longos diálogos. Além disso, em pelo menos duas situações eu achei que o filme tinha acabado, mas ainda tinha mais coisa para acontecer. Já o plot twist nos últimos minutos de filme é tão óbvio que só deve ter surpreendido quem não estava prestando muita atenção até ali. Fica a expectativa agora para que o próximo filme tenha mais Alien e menos androides.

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  • Felipe Storino

    O início de Guardiões da Galáxia Vol. 2 já apresenta a equipe tendo que enfrentar uma mega batalha contra um monstro gigante. Enquanto esperam a criatura que está prestes a atacar o planeta, Rocky (voz de Bradley Cooper) está consertando a caixa de som do Senhor das Estrelas, Peter Quill (Chris Pratt), e começa uma discussão com Drax (Dave Bautista) sobre aquilo ser ou não importante naquele momento. Quando finalmente a criatura chega para o combate e o grupo parte para a pancadaria, a câmera do diretor James Gunn foca no pequeno Groot (voz de Vin Diesel) que começa a dançar uma das músicas da lista de Quill. Durante alguns minutos só conseguimos ver alguns trechos da batalha, que se desenrola meio desfocada em segundo plano na tela. O que poderia ser frustrante acaba se tornando extremamente divertido e James Gunn já deixa claro que esse não é um filme apenas de ação desenfreada, mas é também uma história intimista. As pequenas coisas da vida, como a felicidade do Groot dançando, são tão importantes quanto as grandes coisas.

    Ao contrário dos Vingadores, que até o momento só enfrentaram ameaças à Terra, os Guardiões da Galáxia enfrentam desafios que podem destruir o universo inteiro. Em um cenário onde tudo é grandioso demais, James Gunn acerta em cheio ao nos mostrar que são as pequenas coisas que realmente fazem a diferença no final das contas. O melhor exemplo disso é Groot, que parecia ter perdido sua utilidade para equipe depois de virar um graveto no final do primeiro filme, mas que aqui se mostra bastante importante em diversos momentos cruciais para os amigos. Não é à toa também que pequenos objetos, como o walkman de Peter Quill e outros tocadores de música, tenham tanta importância durante o filme, se transformando em verdadeiros personagens. Assim, o diretor consegue utilizar um filme de ação e comédia para contar uma história que trata principalmente sobre família. Não se espante se você perceber que está emocionado com Peter Quill descobrindo a verdade sobre sua origem ou com o reencontro entre Gamora (Zoë Saldaña) e sua irmã Nebula (Karen Gillan). E é impossível não ficar com os olhos marejados quando Drax, com um olhar sereno, relembra os bons momentos que viveu com a filha.

    Mas calma, apesar do tema principal de Guardiões da Galáxia Vol. 2 ser a família, é claro que o filme ainda conta com muita ação. E do melhor tipo. Até o combate inicial, mesmo acontecendo principalmente em segundo plano, é empolgante o suficiente para fazer o espectador vibrar com os heróis. Nesta luta, aliás, o filme aproveita para fazer piada com um dos maiores clichês dos filmes de fantasia: o personagem que decide ser engolido pelo monstro gigante para derrotá-lo de dentro pra fora. Os combates espaciais também estão fantásticos, com destaque para uma perseguição em um campo de asteroides quânticos. A criatividade no design das naves envolvidas nos combates ajuda a deixar a coisa toda ainda mais divertida, maluca e grandiosa, como pede o universo habitado por esses heróis. Um dos combates do filme ainda é coroado por uma participação inusitada de um famoso personagem da cultura pop, deixando tudo ainda mais absurdo.

    Com um protagonista que foi embora da Terra na década de 1980, é como se James Gunn decidisse abraçar de vez a maluquice que foi aquela década e fizesse um filme que poderia facilmente ter sido lançado naquele período. E isso inclui doses cavalares de humor, muitas vezes humor negro, piadas adultas, violência e até um pouco de sadismo. Apesar de não mostrar uma gota de sangue sequer, não deixa de ser aterrorizante (embora também seja divertido) ver Rocket Racoon gargalhar enquanto metralha dezenas de inimigos. O personagem realmente se diverte ao infligir dor nas pessoas, algo que fica ainda mais claro em uma cena na qual ele aciona diversas armadilhas. Para dar uma amenizada nessa violência, vários inimigos enfrentados pela equipe utilizam naves não tripuladas, o que permite bastante destruição sem que nenhuma vida seja perdida.

    Mesmo com várias coisas acontecendo ao mesmo tempo e muitos personagens na tela, é impressionante como todos eles são bem trabalhados pelo roteiro escrito por James Gunn. Praticamente todos os personagens possuem seus pequenos arcos de história e se encerram de maneira satisfatória. Desde o pequeno Groot e suas trapalhadas até Yondu (Michael Rooker) e Peter Quill, que precisam aprender da maneira mais difícil o que realmente significa ter uma família. A única exceção fica por conta de Drax, que acaba servindo muito mais como alívio cômico junto com Mantis (Pom Klementieff), a nova personagem da franquia. Porém, mesmo eles dois possuem bons momentos de tela e oportunidades para brilhar na história. A cena em que Drax comenta sobre a beleza de Mantis ou sobre as habilidades dela é hilário. O único ponto fraco do roteiro fica por conta de uma fala de Ego, O Planeta Vivo (Kurt Russel), na qual ele revela algo importante para os personagens sem ter a necessidade de fazer isso. Mas talvez isso tenha sido apenas mais uma homenagem à década de 1980, quando os vilões precisavam revelar completamente seus planos ao achar que já tinham vencido, dando uma oportunidade para os mocinhos saírem vitoriosos.

    Enquanto todos os atuais filmes da Marvel se preocupam em preparar o terreno para Vingadores Guerra Infinita, Guardiões da Galáxia Vol. 2 segue o caminho totalmente oposto. Com a liberdade de não precisar se preocupar com todo um universo compartilhado por outras produções, James Gunn entrega um filme redondinho, com muita ação, humor e emoção na medida certa e que não depende de nenhum outro filme para ser apreciado. É possível se divertir com este segundo filme até sem ter assistido ao primeiro. E tudo isso sem deixar de referenciar o resto do Universo Marvel com participações que vão fazer os fãs pirarem. Com a possibilidade de explorar todo o universo cósmico da Casa das Ideias, a participação de Stan Lee neste filme está com certeza entre as melhores dele em todos os filmes.

    Guardiões da Galáxia Vol. 2 ainda possui o mérito de ser o tipo de filme que consegue agradar tanto o público que está interessado apenas na ação desenfreada, quanto o público que se importa com o drama daqueles personagens. Mesmo habitando um universo de coisas absurdas, os personagens são tão críveis que é possível para o espectador se identificar com todos eles. Todo mundo já brigou com um irmão, já perdeu alguém querido ou deixou de dizer o quanto alguém foi importante na sua vida. Assim, é difícil não se emocionar quando Peter Quill finalmente percebe que teve um bom pai afinal de contas, em uma das cenas mais bonitas que o Universo Marvel já produziu nos cinemas. Resta torcer para que James Gunn continue tendo esta liberdade criativa mesmo depois de Guerra Infinita, quando finalmente os Guardiões da Galáxia vão se encontrar com o resto do Universo Cinematográfico da Marvel.

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