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Últimas opiniões enviadas

  • Felipe Storino

    Thor: Ragnarok começa com o personagem título acorrentado no covil do demônio Surtur (Clancy Brown). Mesmo em uma situação de desvantagem, o herói mantém a calma e faz algumas piadas enquanto conversa com o demônio. Não demora para ele se soltar e começar uma excelente cena de combate entre Thor (Chris Hemsworth) e os lacaios de Surtur. O personagem gira o seu martelo, arrebenta monstros no soco, usa relâmpagos e, quando arremessa o martelo, uma câmera acompanha o objeto, nos colocando dentro da ação e mostrando a “visão” dele enquanto derruba dezenas de inimigos. O combate entre Thor e o gigantesco Surtur é eletrizante e nos faz realmente acreditar que o herói é extremamente poderoso. Com esta sequência inicial, o diretor Taika Waititi já deixa claro o tom que o filme terá até o final, conseguindo um equilíbrio perfeito entre ação, aventura e humor. Além disso, os roteiristas Craig Kyle, Christopher Yost (responsáveis pelo excelente Logan) e Eric Pearson sabem utilizar o universo compartilhado dos filmes da Marvel sem ficar presos a ele. Apesar das várias referências a outras produções do Marvel Studios, é perfeitamente possível assistir Thor: Ragnarok sem nenhum tipo de conhecimento prévio.

    O primeiro grande acerto do roteiro é situar o filme longe da Terra e se livrar de personagens que até então não acrescentavam nada, como Jane (Natalie Portman), paixão do Thor. Assim, em vez de salvar o nosso planeta, a grande missão do filho de Odin (Anthony Hopkins) é salvar o seu próprio lar, Asgard, que está perto de passar pelo Ragnarok, o apocalipse da mitologia nórdica. Tendo Hela (Cate Blanchett), a deusa da morte, como a grande vilã do filme, é interessante como os roteiristas resolvem de forma rápida o gancho deixado pelo filme anterior: Loki (Tom Hiddleston) governando Asgard no lugar de Odin. Em uma cena hilária, com a participação de Matt Damon e que dura poucos minutos, tudo é resolvido de maneira satisfatória e o filme está pronto para seguir com a sua própria história. Lembrando muito Guardiões da Galáxia, Thor: Ragnarok está repleto de cenas que resolvem coisas importantes, mas sem deixar de lado o humor, que é sempre inserido de forma orgânica durante as cenas, sem nunca parecer forçado demais. A expressão no rosto de Loki ao ver o Hulk (Mark Ruffalo) pela primeira vez desde Os Vingadores é impagável. Já o reencontro entre Thor e Hulk é ainda mais engraçado no filme do que já era no trailer.

    E por falar em Hulk, a decisão dos realizadores de darem mais personalidade ao gigante verde era algo que estava faltando no universo cinematográfico da Marvel. Antes tratado apenas como uma máquina de destruição a serviço dos Vingadores, aqui ele finalmente ganha uma personalidade, além de diálogos excelentes. O Hulk de Thor: Ragnarok surpreende ao mostrar para o espectador que ele é tão humano e com sentimentos quanto qualquer um de nós, seja sacaneando o Thor para que ele leve um choque ou ficando triste ao constatar que as pessoas na Terra não gostam dele. Ele ainda demonstra uma certa vaidade ao curtir a vida de gladiador no planeta Sakaar e é inteligente o suficiente para parar de lutar quando recebe ordens. Além disso, pela primeira vez nós vemos que o Hulk também fica desesperado ao perceber que vai se transformar em Bruce Banner, assim como acontece com seu alter ego. É algo que humaniza o personagem e nos aproxima ainda mais dele.

    O filme também aprofunda o relacionamento entre Thor e seu irmão, Loki, que deixou de ser um vilão para ser uma espécie de anti-herói. Já que Hela é a vilã da vez, Loki demonstra que é o Deus da Trapaça através de pequenas coisas, como se passar por outra pessoa ou fazer amizade com tipos estranhos. Apesar disso e do ciúme que sente de Thor, é possível perceber que ele se preocupa de verdade com o irmão. Já Thor parece muito mais preparado para as trapaças de Loki, ao mesmo tempo em que ainda deseja uma reconciliação total com ele. Até mesmo personagens mais secundários, como a Valquíria (Tessa Thompson) ou Heimdall (Idris Elba) possuem bons momentos e, no caso da primeira, têm suas motivações bem apresentadas. Praticamente todos os personagens do filme são interessantes e divertidos, algo que não acontecia nos anteriores quando tínhamos os chatos coadjuvantes terráqueos.

    Thor: Ragnarok ainda possui o mérito de ser o filme do herói que mais se parece com um gibi. O diretor Taika Waititi criou um filme visualmente muito bonito e colorido, lembrando as grandes histórias desenhadas por Jack Kirby, um dos criadores do herói. Todos os cenários são muito bonitos e diferentes entre si e trazem detalhes que parecem ter sido desenhados pelo próprio Kirby. Asgard possui toda aquela imponência dourada de uma morada de deuses, enquanto Sakaar apresenta uma arquitetura toda bagunçada, com prédios magníficos dividindo espaço com pequenas construções. Além disso, o filme possui pequenos easter eggs para os fãs, como o guarda-chuva do Thor que faz as vezes da bengala de Donald Blake (alter ego do herói nos quadrinhos), ou quando Loki lembra que já transformou o irmão em um sapo. Chama atenção também a habilidade do diretor com a tecnologia 3D, mesmo este sendo o primeiro blockbuster que ele dirige. Enquanto muitos diretores insistem em planos fechados e cortes rápidos, Taika compreende a importância dos planos abertos, com mais tempo de duração e com bastante profundidade de campo para que o 3D seja eficiente. Desta forma é possível apreciar toda a beleza de Asgard ou do covil de Surtur, fugindo daquela coisa básica de atirar objetos na direção do espectador só para mostrar algum tipo de efeito 3D.

    Foram duas tentativas frustradas, mas finalmente a Marvel acertou em um filme do Deus do Trovão. Com uma proposta totalmente diferente dos seus antecessores, investindo bastante no humor e com um visual que remete o tempo todo à arte de Jack Kirby, Thor: Ragnarok não é apenas a melhor encarnação do personagem nos cinemas, mas é também uma das melhores produções do Marvel Studios. Além disso, o final do filme ainda traz uma virada importante para o personagem e o deixa em uma posição muito interessante para o que vem no futuro do universo cinematográfico com Vingadores: Guerra Infinita.

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  • Felipe Storino

    Que tristeza não ter tido a chance de ver esse filme no cinema. Filmaço de ação com uma trilha sonora foda, muita violência e humor. As perseguições de carro são loucas demais e rola até uma quebra de expectativa com uma perseguição a pé. Entre os melhores que vi esse ano.

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  • Felipe Storino

    Vi muita gente criticando o filme por ele não ter um final, mas eu curti bastante. Na verdade, ele tem um final, só não é tudo mastigado pro espectador. Achei ele tenso do começo ao fim e aborda muito bem a paranoia que toma conta de pessoas que estavam vivendo em algum tipo de situação limite. O ritmo lento do filme faz a gente se sentir como mais um morador da casa.

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