filmow.com/usuario/fellipeteixeira_x/
    Você está em
  1. > Home
  2. > Usuários
  3. > fellipeteixeira_x
28 years, Curitiba (BRA)
Usuário desde Fevereiro de 2010
Grau de compatibilidade cinéfila
Baseado em 0 avaliações em comum

Últimas opiniões enviadas

  • Fellipe G. T.

    "Poderia um trabalho institucionalizado ser visto como algo criminoso?"
    Seguir uma postura anti- governo em prol de princípios poderia realmente ser algo antiético?

    São perguntas que esse último filme de Stone, "Snowden", tenta responder.

    O biografado do título tem como principal mérito descortinar informações importantes dos programas de vigilância do governo dos Estados Unidos. Revelando isso, Snowden nos traz questionamentos sobre o limite de nossa própria privacidade -- e não só no que concerne a órgãos públicos como NASA e FBI, mas mesmo pessoas alheias, nós, civis.
    Se ao assistirmos Black Mirror já havíamos ficados atemorizados com as distopias (possíveis) de Charlie Brooker, nesse novo Stone embarcamos no começo de tais pesadelos. Vemos uma tentativa de encenação de eventos já concretos postos à prova, aonde reparamos que o "Grande Irmão" está mais desperto do que nunca. Engana-se quem ainda acredita que a vigilância se dá somente em regiões fechadas: com o mundo globalizado, a aldeia se tornou global e as pessoas, cada vez mais localizáveis-- basta ter um celular no bolso para ser devidamente rastreado.

    Sempre deixamos rastros virtuais. Não adianta.

    A criptografia se torna a língua moderna e ficamos cada vez mais vulneráveis aos Hackers e aos tais Sistemas de Vigilância Governamentais. Até mesmo o Brasil não passou ileso da espionagem do Tio Sam (4), além da própria presidente Dilma Rousseff, diversos ministros, diplomatas e assessores foram espionados pela Agência Nacional de Segurança (NSA) - e isso veio à tona graças ao "Wikileaks", em 2015.

    "Mas eu não tenho nada a esconder, por que iriam me espionar?"

    A pergunta típica entre os que ainda não 'captaram' a dimensão do problema. Não se trata só de o espionarem por "segurança nacional", mas a questão maior é a falta de transparência, a poeira de baixo do pano também. Sem falar a "irresponsabilidade" do uso por parte de funcionários (que certamente deve ocorrer) -- e que foi representado no próprio filme de Stone, exatamente no trecho a qual Snowden descobre a possibilidade infinita de vasculhar a vida alheia que tais sistemas possuíam.

    "(...) todo o arco do filme passa por estabelecer um Snowden conservador (votante do Partido Republicano e apoiante de Bush e da intervenção armada) que com a tomada de consciência no seu trabalho nas agência de segurança (as centrais de inteligência) se converte em democrata liberal e libertário. Esse arco de consciência política é no fundo o sonho molhado de Stone: conseguir que o seu cinema mainstream tenha um poder de agitprop que consciencialize os reaccionários à causa da esquerda americana." (1)

    Concordo com Ricardo Vieira Lisboa (à pala de walsh), quando diz que o Stone atual se foca mais no conteúdo do que na forma cinematográfica. Na realidade, em diversos filmes, o autor usa do cinema como instrumento para conscientização do espectador, frequentemente questionando o establishment e desafiando as percepções do cidadão comum acerca das altas esferas nas quais as decisões que nos impactam são tomadas – sejam estas econômicas (Wall Street e sua continuação), políticas (JFK, W., Nixon) ou mesmo midiáticas (Assassinos por Natureza). (2)

    Apesar do formato não tão inspirado, "televisivo" (como apontou Lisboa), e um 'quê' de "panfletário" em sua essência, não o deslegitimo e acentuo sua qualidade e contundência. Em plena consciência da potência de difusão de idéias que o Cinema pode proporcionar, o cineasta usa-se de uma linguagem objetiva e eficaz, garantindo um embate intelectual tanto entre os já conhecedores do assunto quanto aos que acabaram de ter sido instigados com as idéias do longa. Sendo assim, concordo com Villaça quando atribui a expressão "Um dos mais importantes do ano" a tal filme.

    Agora obstruam a webcam e evitem tags subversivas na internet. E se puderem, não pensem a respeito, pois poderia soar como... "Crime de pensamento".
    -------------------------
    Fontes:

    1) Ricardo Vieira Lisboa, crítica para "Snowden" no site "Á Pala de Walsh", 22 de setembro de 2016.
    2) Pablo Villaça, crítica para "Snowden" em "Cinema em Cena", 12 de Novembro de 2016.
    3) Artigo "Edward Snowden" em "Wikipedia".
    4) Artigo "Estados Unidos espionaram assistente pessoal de Dilma e avião presidencial" no site "El Pais", em 5 de Julho de 2015.
    -----------------
    14/12/2016

    Você precisa estar logado para comentar. Fazer login.
  • Fellipe G. T.

    Londres.
    Início do Século XX.

    Mulheres seguem trabalho exaustivo em uma empresa de lava- roupas, repleto de horas extras, chefiadas por um homem de moral duvidosa. Maud Watts (Carrie Mulligan) é uma das tais operárias. Jovem, a moça apenas preocupa-se em cuidar do filho e ser uma esposa obediente. Aos poucos, somos introduzidos junto com a protagonista ao movimento sufragista - movimento encabeçado por mulheres britânicas e americanas, que tinham como foco obter o direito aos votos também às mulheres (01). Maud começa relutante: manter a estabilidade do "status quo" ou se arriscar em ser retaliada por uma causa maior? É interessante como o filme consegue desenvolver de forma gradativa e natural a mudança de Maud: ao seu início "alienado" na fábrica, até seu auto-reconhecimento como feminista, e isso é um ponto deveras acertado, não só pela estrutura do filme mas pela boa performance de Mulligan. Seu envolvimento com as personagens de Bonham Carter e Streep (que aparece pouco em cena), a alavancam cada vez mais a seu doloroso dilema -- e o nó na garganta maior se dá ao confrontarmos a dor da personagem ao perder seu filho para o marido, que fica com a guarda da criança por conta da lei não favorável às mães.

    "O nome da sua mãe é Maud Watts. Não se esqueça desse nome..."

    Brasília. 2016.
    Nos últimos dias, manifestantes denominados como "vândalos" pela grande imprensa, invadiram e quebraram vidros de ministérios, além de tacar fogo em veículos de mídia favoráveis ao Golpe de 2016. Aproveitando o clima de comoção nacional após o acidente do time de Chapecoense, nossos desavergonhados políticos aprovaram a reacionária PEC 55, na surdina de uma terça- feira (02). Visto tamanho descaramento, era sugerível que fizéssemos uma petição online para impedi-los? Não creio. Talvez, nesse caso, seja sugerível trocar um pouco os argumentos e partir para as ações, de fato.

    É da mesma maneira que depois de décadas de comportamento passivo, e argumentações sempre ignoradas -- longe de uma resolução realmente efetiva--, que as mulheres resolvem se comportar anarquicamente e lutar diretamente por seus direitos. A violência é sempre um mal-- embora pareça o gesto mais "expressivo" perante um público indiferente. "A violência atinge criminosos e inocentes", é dito pelo personagem de Brendan Gleeson para Maud, após a mesma explodir a fábrica e arriscar a vida de uma inocente. Mas a indiferença perante às injustiças também não é uma forma de violência? Uma violência invisível que atinge a muitos por conta de uma clara desigualdade de direitos (?).

    Não há liberdade sem sacrifício.

    E a julgar o triste ato envolvendo Emily W. Davison (a primeira mártir do movimento), percebe-se como tal símbolo horrendo foi o estopim para que o apelo dessas mulheres ganhassem visibilidade no resto do mundo.

    "(...) o filme conecta de maneira sistêmica todos os conflitos femininos contra a opressão patriarcal – a opressão sexual está ligada à econômica, que está ligada ao moralismo da sociedade, que está ligado à maternidade, que está ligado à dependência econômica etc." (03)

    A protagonista é oprimida pelo patrão, pelo governo e também em sua própria relação conjugal -- e aqui o filme dramatiza bem a herança machista que seu marido herdou. Percebe-se que o casal é harmônico e o personagem de Ben Whishaw a trata com afeto, só que existe disparidades cuja a ignorância dele perante às demandas das mulheres impedem de compreender a descoberta ideológica da esposa, o fazendo cometer atos cruéis com o aval da lei vigente. Os homens do filme são representados sempre com algum certo desequilíbrio moral (exceto talvez o marido de Bonham Carter no filme, embora o mesmo tenha tido um gesto minimamente duvidoso ao final). Talvez a única figura masculina realmente pura no longa seja o próprio filho de Maud, que deve representar a "esperança" pela integridade dos homens das gerações seguintes -- e o pequeno Adam Michael Dodd nos entrega uma surpreendente atuação em cena.

    Ao final, constato que esse " As Sufragistas" cumpre o nobre papel de atiçar o desejo de luta das mulheres, que apesar dos avanços que foi obtido até então, ainda continuam a 'resolver' certos tabus com dificuldade -- só agora no Brasil foi aprovado aborto para até 3 meses de gestação, por exemplo (4) -- e ver essas histórias representadas, assim como olhares femininos cada vez mais diversos no cinema, nos traz o sentimento de que talvez um dia possamos construir um lugar aonde as vozes cantam no mesmo tom, seguindo à risca os ideais iluministas que as próprias sufragistas se inspiraram antigamente.

    "The journey for women, no matter what venue it is - politics, business, film - it's a long journey." - Kathryn Bigelow

    -------------------------------------

    Referências:

    (01) Artigo "Sufrágio feminino" no website "universitário".

    (02) Matéria "PEC 55 é aprovada no Senado em primeiro turno" em brasil.elpais.

    (03) Artigo "O que aprender com o filme “As Sufragistas”?" em horizontesafins.wordpress.

    (04) Artigo "STF decide que o aborto até o terceiro mês não é crime e o que isso significa" no website da "epoca.globo".

    -----------------

    07/12/2016

    Você precisa estar logado para comentar. Fazer login.
  • Fellipe G. T.

    "A História de todas as sociedades até os nossos dias não foi senão a história da luta de classes."(Marx) (1)

    Nessa obra magistral de Bertolucci, somos apresentados a um momento histórico mais que emblemático para o começo do século XX: o nascimento do fascismo na Itália, impulsionado pela influência de Benito Mussolini. Os camponeses de viés socialista marcam o contraponto, e o filme parte do microcosmo para fazer tais representações. O contraste entre os amigos Olmo e Alfredo, já demonstram tais conceitos sintetizados nos personagens: Alfredo (De Niro), filho do patrão, "financiador" indireto do fascismo -- que aqui é representado por um sombrio Donald Sutherland; e Olmo (Depardieu), filho bastardo de camponeses, materializa o conceito "socialista" do filme. A obra mantêm o foco nessa relação genuína de amizade, cujo fatores ideológicos acabam por o distanciarem. É possível manter uma amizade genuína se abstrairmos os claros contrastes das visões de mundo? Quando, ainda no caso desses personagens, uma idéia anula a outra?
    Apreciei bastante o desenvolvimento ambíguo de Alfredo, que é filho do patrão e acaba por "herdar" os problemas do mesmo, e é justamente a sua negligência e falta de manejo em compreender as relações de poder existentes, que o faz manter o maquinário fascista de forma alienada-- se contrastarmos a infância dele com a de Olmo, percebe-se que Alfredo teve uma criação rude e fria, bem longe do calor e idealização da família de Olmo. Já este, é visto como herói entre os camponeses da comunidade, e o julgamento público feito para Alfredo no pós- guerra denota o contraste entre ambos, que acabam se confrontando em sopapos num belo plano geral, cujo 'zoom out' lento induz ao pensamento de como esse conflito patrão/operário ainda irá perdurar por todo resto do século (e segue constante). Alguns críticos afirmam que Bertolucci fez o filme como um mero panfleto comunista. Não suficiente, a tendência atual de criticar o "Imperialismo americano" possui uma resposta irônica ao constatarmos que o próprio diretor captou recursos também de lá para financiar tal filme. Mas considero válido se entender os mecanismos que movem a atualidade, e se "apropriar" deles para difundirmos nossas idéias. Tal como Bertolucci o fez nesse "1900". Longa- metragem mais caro da Itália na época, e um dos épicos mais grandiosos do cinema, eis um grande retrato histórico a ser conferido.

    “(...) Um monumento à contradição...
    à contradição entre os camponeses e os burgueses...
    entre atores de Hollywood e camponeses reais
    da Emília, entre ficção e documentário, entre a mais
    meticulosa preparação e a improvisação livre...
    entre o épico e o intimismo (...)”

    Bernardo Bertolucci sobre 1900. (2)

    Fonte:
    (1) Trecho do "Manifesto do Partido Comunista".
    (2) Citado de cinemaitalianorao.blogspot.
    ------------------
    21/11/2016

    Você precisa estar logado para comentar. Fazer login.
  • Marcello
    Marcello

    Fala Fellipe! Espero que esteja tudo bem contigo.
    Por aqui vai caminhando.
    Aqueles dois filmes que você falou que assistiu e gostou, "A Chegada", não assisti ainda não, mas aquele "Brazil", do Terry Gilliam, eu já tinha visto anos atrás na TV.
    Ultimamente não tenho visto nada demais não, uns poucos filmes na TV e no PC somente rs.
    Boa semana pra ti mano. Abraço!

  • Filmow
    Filmow

    O Oscar 2017 está logo aí e teremos o nosso tradicional BOLÃO DO OSCAR FILMOW!

    Serão 3 vencedores no Bolão com prêmios da loja Chico Rei para os três participantes que mais acertarem nas categorias da premiação. (O 1º lugar vai ganhar um kit da Chico Rei com 01 camiseta + 01 caneca + 01 almofada; o 2º lugar 01 camiseta da Chico Rei; e o 3º lugar 01 almofada da Chico Rei.)

    Vem participar da brincadeira com a gente, acesse https://filmow.com/bolao-do-oscar/ para votar.
    Boa sorte! :)

    * Lembrando que faremos uma transmissão ao vivo via Facebook e Youtube da Casa Filmow na noite da cerimônia, dia 26 de fevereiro. Confirme presença no evento https://www.facebook.com/events/250416102068445/

  • Maria Clara
    Maria Clara

    Eii!! Esse doc "Elefante" não me lembro de ter visto.. vou procurar! Ah mano, acho q La La Land só vai ganhar pelo puxasaquismo mesmo hahaha não curti muito não, claro que as músicas são o que nos envolve mesmo, achei ótimas escolhas, mas ainda assim, não acho interessante pra ganhar Oscar não kkk.. Não sei, o gênero Romance só me chama interesse quando é acompanhado pelo drama, nesse caso, não teve nada muito dramático e também não achei uma história tão linda assim, apesar de agora não parar de ouvir Jazz desde o dia q vi, esse filme não me cativou =( hahahhaa Mas quando passei a imaginá-lo em preto e branco, vindo de uma outra década, comecei a dar uma chance melhor pro filme..