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Últimas opiniões enviadas

  • Gabriel Luna

    ''Paris, Texas'' representa os anseios e as angústias características do homem pós-moderno. Logo no princípio, Travis, o protagonista, nos é apresentado em meio à paisagem grandiosa do deserto do Texas, podendo ser interpretada como uma imagem simbólica para sua própria condição moral - a desilusão frente à vida, a sua alma exaurida pelas consequências do tortuoso destino que lhe fora remanescido. É interessante que Wenders opta pelo uso de um plano excessivamente aberto, em conjunto à formidável fotografia de Robby Muller, com o intuito de desengrandecer a figura humana em relação à vastidão das paisagens físicas. Desse modo, percebemos um homem deslocado e caótico, um equivalente à personagem Meursault de Camus ou ao eu lírico da Tabacaria de Pessoa, "um estrangeiro, passageiro de algum trem"; em suma, o homem pós-moderno. Esse homem vagueia pelo fastígio dos trilhos - provável metáfora à passagem cíclica do tempo -, à procura de um possível sentido para a sua existência. Essas idiossincrasias são ratificadas pelos diálogos - ou a falta deles - com seu irmão Walt, demonstrando a ineficácia, nesse sentido, de Travis em relacionar-se harmonicamente com outro indivíduo, o que pode ter sido um fator culminante no desenlace dos acontecimentos com sua mulher, em específico. Outro fator importante é a crítica do diretor à superficialidade dos relacionamentos contemporâneos, caracterizada na relação entre Anne e Walt, deveras fria em alguns aspectos, e a sua base na consolidação a partir de um elemento externo, como Hunter. Além disso, a construção do relacionamento entre Travis e seu filho é fundamental na percepção da obra como um todo. Por exemplo, há uma cena em que os dois andam lado a lado, contudo, separados pela extensão da estrada, ou seja, a alegoria da ruptura a partir da inexorabilidade do tempo.

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    Todavia, esse filme também trata da libertação do seu protagonista, passando de um niilismo existencial à redenção pelo amor ao seu filho Hunter, e à retratação dolorosa com sua mulher, numa leitura dostoievskiana da obra.

    A psicologia do uso das cores corrobora essa tese, quando proporciona, à medida que a obra passa, o uso simultâneo da cor vermelha por ambos, substanciando a ideia de amor e paixão, não obstante sem negligenciar o significado de inquietude e perigo que se aproxima. A cor preta também é utilizada a fim de supor uma conjectura lúgubre à cena final; esta, a propósito, belíssima, com enquadramentos precisos e uso de planos longos no rosto de Jane, interpretada magnificamente por Nastassja Kinski, que transpõe, atuando apenas no terceiro ato, uma mistura de sentimentos profundos à figura de Travis e entrega uma atuação soberba à película.
    Comentário contando partes do filme. Mostrar.

    Por fim, a justaposição dos rostos na cena final é sublime, simbolizando a união das almas - mas não integralmente -, pois há resquícios dos quais Travis ainda não se libertou em sua completude.

    Como disse, contudo, trata-se, sobretudo, da redenção de um homem; a cena final denota essa virtude da obra, com o enfoque na sua figura dramática e o uso em excesso da luz verde, manifestando, assim, a esperança instaurada na essência desse protagonista, em toda sua complexidade.

    "Não vá ainda. Não vá ainda...Eu costumava fazer longos discursos para você depois que você se foi. Conversava com você o tempo todo, mesmo estando só. Passei meses falando com você. E agora não sei o que dizer. Era mais fácil quando eu só te imaginava. Imaginava suas respostas. Tínhamos grandes conversas os dois. Era como você estivesse ali. Podia te ver, ouvir, cheirar. Escutava sua voz. Às vezes eu acordava com sua voz, no meio da noite, como se estivesse do meu lado. E então..ela se ia lentamente. E eu não podia te ver. Eu tentava falar alto, como antes, mas já não existia mais nada. Não podia te ouvir. Então.. desisti. Tudo parou. Você... havia desaparecido. Agora trabalho aqui, e sempre ouço a sua voz. Todos os homens têm a sua voz."

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  • Gabriel Luna

    A linha tênue entre companheirismo e fidelidade de duas pessoas que se amam nunca foi tão bem retratada como neste filme.

    Logo nos instantes inicais, somos manifestados, de uma maneira metalinguística, a espectadores de uma obra na qual predomina o silêncio, este que permeia as vidas de George e Anne - idosos que compreendem o estado, físico e mental, em que se encontram.
    A tomada de longos planos-sequências, a ênfase em aspectos rotineiros, em conjunto com a falta de diálogos nos traz a sensação de imersividade junto à película; somos testemunhas de uma realidade na qual não há espaço para idealizações e subjetividades. O diretor sintetiza, de maneira crua e visceral, a realidade que envolve o processo de envelhecimento e seus corolários.

    "O eterno velho que nada é, nada vale, nada teve
    O velho cujo único valor é ser o cadáver de uma mocidade criadora"
    À percepção do poema de Vinicius de Moraes, depreendemos a condição na qual a personagem Anne, interpretada magnificamente pela Emanuelle Riva, está submetida; a filha que se preocupa mais com assuntos financeiros, e o pianista que outrora foi seu aluno, com receio de "encarar" a dura realidade vivida por ela. Destaque para a relação entre Georges e Anne, marcada pelo afeto e cumplicidade - inerentes ao amor autêntico - e ao jogo de olhares dos protagonistas, o qual transborda todas os pensamentos e emoções, tornando qualquer forma de diálogo, no mínimo, insignificante.

    À medida que a obra chega ao seu término, somos contemplados por uma cena das mais profundas que o cinema foi capaz de produzir; a dubiedade em que se encontra Georges, comove à todos. Nesse sentido, Michael Haneke, ao concretizar o ato, compreende a catarse aristotélica, levando ao espectador,
    uma sensação de purificação transcendental. Por fim, a simbologia que se estabelece na figura do pássaro, remete-nos à filmografia de Ingmar Bergman; o profundo dilema da dualidade em relação à existência.

    O cinema francês, mais uma vez, proporciona-nos uma obra-prima, que certamente orgulharia àqueles que outrora eram referência na sétima arte, como Godard, Truffaut e Renoir.

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  • Filmow
    Filmow

    O Oscar 2017 está logo aí e teremos o nosso tradicional BOLÃO DO OSCAR FILMOW!

    Serão 3 vencedores no Bolão com prêmios da loja Chico Rei para os três participantes que mais acertarem nas categorias da premiação. (O 1º lugar vai ganhar um kit da Chico Rei com 01 camiseta + 01 caneca + 01 almofada; o 2º lugar 01 camiseta da Chico Rei; e o 3º lugar 01 almofada da Chico Rei.)

    Vem participar da brincadeira com a gente, acesse https://filmow.com/bolao-do-oscar/ para votar.
    Boa sorte! :)

    * Lembrando que faremos uma transmissão ao vivo via Facebook e Youtube da Casa Filmow na noite da cerimônia, dia 26 de fevereiro. Confirme presença no evento https://www.facebook.com/events/250416102068445/

  • fernanda
    fernanda

    kkkkkkkk é assim mesmo

  • fernanda
    fernanda

    haha leigo