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  • Guilherme

    Vampiros de Almas (Invasion of the Body Snatchers, 1956) de Don Siegel

    Assim como o clássico “O Dia em que a Terra Parou” (1951), “Vampiros de Almas” foi uma sci-fi que marcou gerações, tanto pelo talento das mentes criativas evolvidas, como também pelos subtextos sociopolíticos por trás da superfície de filme de terror alienígena.

    A verdade é que a série de contos de Jack Finney de 1955, intitulada “The Body Snatchers”, possui uma trama que pode ser metaforizada de acordo com a época em que ela é retratada, fascinando cineastas em diversas décadas diferentes. Enquanto a (melhor) versão da história, dirigida por Philip Kaufman no fim dos anos 70 trazia um ar de paranoia e conspiração inspirados pelos escândalos políticos dos EUA na determinada década (como o caso de “Watergate”); a versão dos anos 90 dirigida por Abel Ferrara baseava-se no medo de enfermidades contagiosas possivelmente epidêmicas, como foi o caso da HIV/AIDS no fim dos anos 80. Já a (fraca) versão mais recente, Invasores (com Nicole Kidman e Daniel Craig), claramente retratava o medo de infiltração e ataques terroristas na sociedade pós 11 de setembro.

    A primeira versão da história, no entanto, transformou o filme em um clássico do cinema justamente por servir tanto como uma crítica ao macarthismo e o “caça às bruxas” comunista nos EUA durante a Guerra Fria; quanto também um temor sobre a invasão comunista no ocidente capitalista; isso tudo dependendo da personalidade e interpretação de cada espectador. O protagonista Kevin McCarthy e o autor Jack Finney negam o propósito desses subtextos, porém o próprio diretor Don Siegel afirma que é impossível não tirar essas interpretações a respeito da história do filme. Algo semelhante ocorreu com a peça teatral “As Bruxas de Salem”, de Arthur Miller, que gerou um filme inesquecível de 1996.

    Considerando o contexto político dos EUA da época, com o FBI e o senador Joseph McCarthy reprimindo violentamente qualquer indício de expressão política que questionasse o sistema estadunidense, além de criar a “Lista Negra de Hollywood”, fica fácil adaptarmos a história de pessoas que tentam manter sua humanidade frente a várias outras que desejam reprimir suas individualidades. E se os vilões da história são cópias idênticas de humanos feitas por alienígenas insidiosos que disseminam “vagens espaciais” na cidadezinha (!), o entretenimento fica ainda melhor.

    O roteiro do filme, escrito por Daniel Mainwaring (do noir “Fuga ao Passado”), é hábil ao captar a atenção do espectador desde o início, nos apresentando ao protagonista Dr. Miles (Kevin McCarthy, eternizado pelo papel) claramente transtornado e horrorizado com alguma situação passada; sendo que esse personagem nos servirá de narrador da história. Já para manter o clima de desespero visto no início do filme, o roteiro de Mainwaring nos faz acompanhar eventos que ocorrem quase em tempo real, durante dia e noite, trazendo uma sensação de urgência na história, além de tornar mais fidedigno a extenuante luta dos personagens contra aqueles vilões. O cansaço latente dos heróis ainda é mais acentuado pelo fato de não poderem dormir, por motivos explicados durante a descoberta da invasão alienígena. Esse desconforto da privação de sono é tão angustiante quanto no posterior clássico de Wes Craven “A Hora do Pesadelo”.

    O texto de Jack Finney merece aplausos não só pelo modo “sutil” BRILHANTE de invasão alienígena, em uma época que o medo vinha de grandes catástrofes (como as vistas em “Guerra dos Mundos”), como também pela caracterização dos vilões. Fisicamente idênticos às suas vítimas, os “pod people” (que acabou se tornando gíria para pessoas emocionalmente e criativamente inócuas) se distinguem pela falta de humanidade e sensibilidade; tanto a fraqueza, quanto a maior virtude dos seres humanos. Servindo para criar excelentes falas (“Um mundo onde todos serão iguais!? Nenhum sentimento? Só instinto de sobrevivência!?”), a história também serve como catalizador de reflexões sociais contundentes, assim como nos posteriores filmes de mortos-vivos de George A. Romero. Afinal de contas, o que o FBI fazia na época do macarthismo era justamente minar a individualidade e a liberdade de expressão dos politicamente engajados que fossem contrários ao governo estadunidense; todos deveriam ser e pensar “iguais”.

    Já a direção de Don Siegel (de cults como “Perseguidor Implacável” e “O Estranho que Nós Amamos”) consegue trazer todo o clima de conspiração e paranoia para deixar os espectadores cada vez mais desconfortáveis em relação ao futuro dos protagonistas. Explorando bem uma soturna fotografia em preto-e-branco de Ellsworth Fredericks (que trabalhou na série Alfred Hithcocok’s Presents), Siegel aumenta o contraste das cores a medida que o filme segue um curso mais sombrio, sendo hábil ao explorar muito bem as sombras cada vez mais constantes dos personagens; não só para gerar tensão frente à perseguição que os heróis sofrem, como também como uma metáfora dos clones desumanizados que poderão se formar. O uso das sombras ganha seu ápice quando os personagens se escondem em um buraco abaixo do solo, com as sombras dos vilões transeuntes sobrepondo a pouca iluminação de suas faces naquele local.

    Além disso, os planos e enquadramentos criados por Siegel são capazes de levar os nervos dos espectadores à flor da pele. Notem a cena em que o Dr. Miles tenta fazer ligações em sua casa após descobrir as “vagens alienígenas” em seu quintal, quando Siegel cria um ângulo que “espreme” os heróis em um ambiente claustrofóbico com vários objetos de cena, ao mesmo tempo que cria um ângulo alto que foca o andar superior da casa intermitentemente, de modo a nos deixar apreensivos sobre alguém escondido nos cômodos de cima. Além disso, com o desenvolvimento da fuga dos heróis, Siegel explora cada vez mais ângulos abertos e panorâmicas que exploram o deserto e ambiente inóspitos, como um símbolo pessimista para o destino mais provável daqueles personagens.

    Siegel também consegue trazer um tom de estranheza e incômodo frente àquela história de alienígenas. Na icônica cena da descoberta das “vagens alienígenas”, por exemplo, Siegel monta o momento com cortes secos daquele bizarro “nascimento”, com primeiros planos angulados desconfortáveis no rosto dos heróis. Da mesma forma, Siegel é sugestivo, e elegante, tanto ao criar enquadramentos que diminuem o local de “saída”, e consequente, salvação dos heróis frente a um ambiente opressivo (como na sequência da caverna); quanto também ao criar um plano geral de um encontro dos clones em uma praça, quase como se fosse um comício político, ou até

    Apesar de “Vampiros de Almas” ser um filme B sem todos os momentos de efeitos especiais dos filmes de invasão alienígena de sua década, a cena que envolve a criação dos clones pelas “vagens alienígenas” é perturbadora não só pelos excelentes efeitos orgânicos ali presentes, como também pelos efeitos sonoros enervantes daqueles corpos se expandindo.

    O filme recebeu o título original de “Invasion of the Body Snatchers” para que não houvesse confusão com “The Body Snatcher” (“O Túmulo Vazio”), filme de terror de Boris Karloff. Inicialmente o filme traria uma carga maior de alívios cômicos, inclusive tendo sido aprovado em exibições teste para a audiência. Porém, sabiamente, os produtores solicitaram a retirada desses momentos, rendendo ao filme uma carga muito maior de tensão e aspecto sombrio. Curiosamente, o grande cineasta Sam Peckinpah (“Sob o Domínio do Medo”) participou como um extra do elenco, e alegou, até a sua morte, que havia participado de revisões significativas do roteiro; algo que o roteirista creditado do filme desmentiu várias vezes. Já o ator Kavien McCarthy ficou tão marcado por “Vampiros de Almas” que voltaria para fazer uma participação especial da refilmagem da década de 1970, além de uma brincadeira satírico em “Looney Tunnes – De Volta a Ação”, de Joe Dante, um grande fã de “Vampiros de Almas”.

    Além de ser laureado pela crítica internacional, “Vampiros de Almas” foi eleito para integrar a lista de “10 Maiores Filmes de Ficção Científica” (nº 9) do American Film Institute, além de ter sido selecionado para preservação no National Film Registry, pela Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos, sendo considerado “culturalmente, historicamente, ou esteticamente relevante”. O filme também consta na famosa obra de Steven Schneider “1001 Filmes para Ver Antes de Morrer”.

    Apesar de não trazer o final pessimista que o diretor Don Siegel desejava para o filme, o longa tampouco traz o final completamente otimista dos contos originais de Jack Finney. Na verdade, levando em consideração o caráter do FBI na época do macarthismo, Siegel conseguiu criar um comentário irônico em relação ao fim do filme; dando a ideia de que, talvez, a situação estivesse um pouco pior que se imaginava a princípio.

    Clássico incontestável, “Vampiros de Almas”, é uma obra que traz um significado reflexivo sobre sua época histórica embalado por um filme de terror realmente angustiante e perturbador.

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  • Guilherme

    Invasores de Corpos (Invasion of the Body Snatchers, 1978) de Philip Kaufman

    Do fim da década de 60, até o início dos anos 80, o cinema estadunidense entrou em um período chamado “Nova Hollywood”, influenciado pela novelle vague francesa e por novos cineastas que, antes de tudo, eram cinéfilos, como Martin Scorsese (“Caminhos Perigosos”, “Touro Indomável”), Brian De Palma (“Carrie – A Estranha”, “Um Tiro na Noite”), Paul Schrader (roteirista de “Taxi Driver” e “Trágica Obsessão”), William Friedkin (“O Exorcista”, “Operação França”) e vários outros. Essa nova onda do cinema estava de acordo com o contexto sociopolítico do momento. O “Verão do Amor” dos hippies mostrou ao mundo todo que conflitos e guerras (como o do Vietnã) destruíam o que o ser humano tinha de melhor. Ao mesmo tempo, vários movimentos sociais acerca de direitos humanos, sexualidade e igualdades de minorias nasceram nesse período. Sem contar a revolta com o meio político, que passava por escândalos sem precedentes como o de “Watergate”. O brasil, por exemplo, vivia os terrores da Ditadura Militar.

    E foi como resultado desse período turbulento que nasceu Invasores de Corpos, 20 anos após o filme original. Onde os invasores alienígenas, com sua carência de sentimentos e individualidade, representavam as instituições e pessoas conservadoras que impediam o progresso pelo qual a sociedade humana passava.

    “Invasores de Corpos” integra um restrito grupo de refilmagens que conseguiram não só fazer justiça ao longa original, como também se mostrarem melhores em vários aspectos: filmes como “A Mosca”, “O Enigma de Outro Mundo”, “Cabo do Medo”, “Scarface”, “Bravura Indômita”. Não à toa, todos esses filmes foram comandados por grandes diretores. No caso de “Invasores de Corpos” é notável que a evolução dos efeitos especiais e visuais serviram a favor da narrativa; além de que a caracterização dos invasores foi mais bem definida, o senso de urgência é maior e a visão pessimista daquela invasão ganha contornos mais assustadores.

    A cena inicial do longa é daqueles momentos difíceis de tirar da cabeça. Fotografada com um uso de cores fortes que remetem a “Guerra dos Mundos” (1953) e com efeitos especiais que ficam no limite entre a verossimilhança biológica e a fantasia grotesca, a sequência mostra microrganismos deslumbrante que se organizam em um ballet espacial que fundamenta um paralelismo com os satélites e estações espaciais de Kubrick em “2001: Uma Odisseia no Espaço”. Após chegarem à Terra, o diretor Philip Kaufman (um dos criadores de “Indiana Jones”) filma sua implantação insidiosa em nossa sociedade de fora meticulosa e quase documental em sua fisiologia. Beneficiando-se de excelentes efeitos especiais, o diretor já denuncia a ameaça das criaturas pela forma como as raízes de se desenvolvem e parasitam as plantas ao redor, além de um simbolismo bizarro do crescimento das flores de dentro daquelas pequenas vagens.

    O fato de o filme se passar em São Francisco também revela uma inteligência ímpar por parte de W.D. Richter. O roteirista, que também trabalhou no “clássico” de John Carpenter “Os Aventureiros do Bairro Proibido”, e na versão 70’s de “Drácula”, se beneficia do nosso conhecimento sobre o espírito cosmopolita e progressista da metrópole, conhecida por ser o berço de várias revoluções sociais. Desta forma, São Francisco funciona não só como uma representante inclusiva, como também da “liberdade” sempre oprimida por forças desumanas.

    Também interessante, é o fato de o roteiro também trazer os protagonistas como profissionais da saúde, inclusive atuantes em vigilância sanitária (rendendo uma cena de apresentação divertida à la “Sherlock Holmes”), também traz uma credibilidade maior para a história. As possibilidades de questionamentos e teorias a respeito do que poderia estar acontecendo com as pessoas, além das discussões psicológicas a partir do personagem de Leonard Nimoy são interessantes, não só para darem pistas falsas para os heróis, mas também para deixar os espectadores nervosos pela dificuldade de se descobrir a verdade.

    Aliás, a empatia que sentimos pelos personagens vem bastante dos atores em questão. Donald Sutherland (que já esteve em um terror de paranoia em “Inverno de Sangue em Veneza”) traz a sua presença magnética natural, nos fazendo respeitar seu personagem ao mesmo tempo que o encaramos como uma figura crível ao tentar manter o máximo de controle possível mesmo sabendo do horror ao redor. Já Brooke Adams (do clássico “Cinzas no Paraíso”) tem carisma o suficiente para criar uma química bacana com Sutherland, além de ser a principal via de entrada no espectador na história ao testemunharmos a mudança de seu marido. Por falar nele, Art Hindle (do cult “The Brood – Filhos do Medo”), aposta muito bem na inexpressividade fria que marcará o tom de todos os “pod people” no cinema a partir dali.

    Além disso, o filme também conta com a presença de Leonard Nimoy, antes de começar a saga de “Star Trek” na sétima arte, e trazendo um ar de dignidade e erudição tão grande que só são rivalizados pela dubiedade inevitável de seu papel. Já Jeff Goldblum (antes de fugir de um T-Rex em “Jurassic Park”) começa como uma figura antipática e infantil, mas que ganha um charme natural porque... bem, tem a estranheza de Jeff Goldblum. Quanto à personagem de Veronica Cartwright nós temos uma surpresa, já que ela ganha nossa simpatia não só pela fragilidade de sua figura, como também pela resiliência natural surpreendente ao descobrir as melhores formas de sobrevivência naquele ambiente. A atriz é experiente em situações de desespero desde criança quando estreou o clássico “Os Pássaros”, e até no ano seguinte quando enfrentou “Alien, o Oitavo Passageiro”. Aliás, assim como em “Alien”, Cartwright protagoniza outra cena icônica do cinema de terror aqui em “Invasores de Corpos” (a cena final); e em ambas, ela não sabia o que realmente iria acontecer. Portanto, sua expressão de surpresa é genuína.

    O filme ainda conta com uma participação especial de Robert Duvall (“O Poderoso Chefão”, “Apocalipse Now”), além do diretor (“Don Siegel”) e protagonista (Kevin McCarthy) do filme original. O primeiro interpreta um suspeito taxista, enquanto o segundo retorna à histeria do fim do filme original em uma cena especial.

    Outro ponto positivo do filme, e que torna toda a experiência ainda mais assustadora, é a caracterização dos “pod people”. Além de terem uma postura fria e sem emoções, seus gritos esganiçados de alerta são, nada menos, que perturbadores. E assim como no filme original, a cena da criação dos clones é antológica. Com efeitos práticos palpáveis e orgânicos que parecem saídos do cinema de David Cronenberg, e do clássico de Roger Corman “A Pequena Loja de Horrores”, Kaufman brinca com os nervos do espectador ao gastar longos plano apara mostrar cada detalhe bizarro e pegajoso daquelas criações (notem os pequenos cílios vivos que “sugam” o DNA da pessoa, e até o ressecamento de pele dos humanos “parasitados”). Os efeitos sonoros atmosféricos criados por Ben Burtt (de “Star Wars”) remetem a pulsações humanas que ficam mais intensas de acordo com o grotesco da cena. Destaque também para uma criatura formada a partir de um cão que remete a algumas imagens aterradoras do cult “Balada para Satã”.

    Kaufman, sabiamente, trabalha seus planos de forma a trazer a aura de terror como filmes clássicos da época. O diretor explora bem os ambientes sombrios como William Freidkin em “O Exorcista” (como um rosto surgindo da escuridão), assim como os enquadramentos elegantes que praticamente fazem um split-screen sem a tela dividida (como no momento em que Geoffrey olha “de rabo de olho” para uma conversa entre Matthew e Elizabeth), bem como Roman Polanski em “O Bebê de Rosemary”. O uso de sombras e silhuetas em estilo noir, em contraste com a fotografia tradicionalmente “crua” da época (Michael Chapman, de “Taxi Driver”) também ajuda no senso de perseguição e perigo do longa. Já o trabalho de som de Ben Burtt, além de enaltecer os sons de passos, corridas e pisadas em degrau, ainda substitui os sons diegéticos naturais do início (vento, galhos, pássaros) para sons mecânicos e automatizados (carros, caminhões de lixo, buzinas) à medida que o filme segue; dando uma noção da desumanização da população.

    O diretor também usa bem a câmera na mão e zooms in rápidos em determinados momentos para denotar uma urgência e angustia pela situação desesperadora. Já os planos inclinados são hábeis ao nos causar estranheza, chegando à genialidade pelo modo como o diretor utiliza os próprios morros de São Francisco para causar essa angulação em contraste com a posição reta dos personagens. A claustrofobia também é presente, não só pela grande quantidade de extras em cena (como na sufocante cena da livraria), como também pelo design de produção inteligente de Charles Rosen (“Primavera para Hitler”). Reparem no contraste de ambiente opressor, escuro e em tons marrons fortes da casa de Elizabeth, com os cômodos mais claros e arejados da casa de Matthew.

    Kaufman é tão inteligente que chega a utilizar até mesmo elementos triviais do cenário como fontes de simbolismo. O para-brisa trincado do carro de Matthew, por exemplo, pode funcionar para ilustrar as pessoas deformadas do mundo externo; enquanto Geoffrey, por diversas vezes, é retratado através de espelhos, revelando que não é verdadeiramente ele mesmo.

    O filme foi um sucesso de público e crítica. Com um custo de somente 3,5 milhões, o filme arrecadou mais de $35 milhões somente nos EUA. Concorreu a 13 premiações internacionais, inclusive Melhor Roteiro Adaptado no Sindicato de Roteiristas e ganhando o de Melhor Diretor e Melhor Som no Saturn Award.

    Com um plano final de gelar a espinha, e encerrando a narrativa como um soco no estômago de “Os Pássaros”, “Invasores de Corpos” é mais um clássico do cinema sci-fi, e a melhor adaptação cinematográfica da história imortal de Jack Finney.

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  • Guilherme

    A Bolha Assassina (The Blob, 1988) de Chuck Russel

    Muitos se lembram de “A Bolha Assassina” não só como um “clássico” do cinema de terror dos anos 80, como também por ter sido reprisado várias vezes no antigo “Cinema em Casa” do SBT. O longa foi mais uma das diversas refilmagens de filmes sci-fi B dos anos 50 (no caso, “A Bolha” de 1958) que foram feitas por diretores fãs dos filmes originais, nos anos 80. Nesta lista, ainda se incluem filmes como “A Mosca”, “O Enigma de Outro Mundo” e “Invasores de Marte”. E assim como “Viagem Maldita”, por exemplo, “A Bolha Assassina” é um daqueles raros exemplos de refilmagens que ficam muito melhor que o filme original.

    As mentes criativas por trás do filme já haviam se destacado no gênero do terror no ano anterior. O diretor Chuck Russel (que mais tarde faria “O Máskara”) e o roteirista Frank Darabont (o mesmo de “Um Sonho de Liberdade”, “À Espera de um Milagre” e “O Nevoeiro”, além da série “The Walking Dead”) já haviam impressionado os fãs e críticos em 1987 por “A Hora do Pesadelo 3 – Os Guerreiros dos Sonhos”, considerados por muitos como a melhor sequência da franquia. O filme foi um grande sucesso depois do malfadado (injustamente) segundo filme de Freddy Krueger. Os dois cineastas firmaram o vilão como uma das maiores figuras da cultura pop da época, por apostarem mais em um tom de humor negro e aventura, que no horror do genial longa original de Wes Craven.

    A verdade é que “A Bolha Assassina” é fruto de uma época em que o cinema comercial de terror apostava mais em histórias humoradas, devido ao enorme sucesso de “A Volta dos Mortos Vivos” e, principalmente, “A Hora do Espanto” em 1985. Ou seja, os inúmeros slashers do início da década de 80 deram lugar a filmes de horror que não se levavam tão à sério, como “A Noite dos Arrepios”, “A Casa do Espanto”, “A Hora das Criaturas”, “Uma Noite Alucinante 2”, “Vamp – A Noite dos Vampiros” e tantos outros.

    Do filme original (estrelado por um jovem Steve McQueen) o roteiro do filme traz o mote inicial. Como já aconteceram diversas vezes no cinema sci-fi, um misterioso meteorito cai em uma cidade interiorana dos EUA trazendo uma (criativa) criatura alienígena que causara pânico nas pessoas da região. Até mesmo o evento da descoberta da criatura é idêntico ao longa original, com a presença de um senhorzinho e seu cachorro.

    A grande questão de “A Bolha Assassina”, e que é responsável por grande parte do divertimento do filme, é o próprio personagem título. O fato de o monstro do filme ser uma enorme “geleca” rosa já é absurdamente hilária por si só. Esse conceito também foi utilizado em outro “terrir” dos anos 80, “A Coisa”, mas no caso do último, a criatura era um marshmallow “inteligente” que comia as pessoas por dentro quando ingerido, transformando-as em zumbis ocos (!!!).

    A bolha do título é realizada com excelentes efeitos especiais práticos, desde stop-motion até sobreposição de imagens. O design da criatura foge do aspecto apenas gelatinoso do filme original e ganha nodulações, fibras, vasos sanguíneos e inervações que a tornam ainda mais asquerosa e orgânica. E, surpreendentemente, as movimentações erráticas da criatura conseguem ser bastante ameaçadoras, seja envolvendo violentamente suas vítimas, ou até se expandindo em animalescos tentáculos para tentar captura alguém. O próprio diretor Russel aproveita os efeitos que tem à disposição para tornar seu vilão cada vez mais predatória, como ao encurralar uma vítima em uma cabine telefônica totalmente coberta pela bolha (inclusive com um cadáver parcialmente digerido exposto em suas “entranhas); e até ao registrar “carapaça” de suas vítimas se deformando após os órgãos internos terem sido digeridos.

    Sem nos privar de ver o gore exagerado característico desse tipo de filme, Russel, e sua equipe de maquiagem, mostram pessoas derretendo vivas por dentro da bolha (naquela que é a cena mais icônica do filme) e membros arrancados; sem deixar de criar cenas que apelam pelo charme do cartunesco, como ao mostrar uma vítima sendo arrastada viva por um ralo de cozinha. (!).

    Além de explorar ao máximo a inventividade de suas cenas de morte, Russel ainda é elegante ao criar planos angulados para dramatizar a grandiosidade do vilão (como naquela em que o casal de heróis foge dentro de uma lanchonete), e também nos planos plongèe que funcionam para denunciar a dimensão absurda daquela criatura frente às pessoas (como no intenso momento que a bolha sai do ralo). Além de trazer um bem-vindo humor negro (como ao fazer uma transição entre uma cena de morte e uma gelatina sendo devorada por uma criança), o diretor também trabalha com estilo os chavões dos filmes de terror adolescentes da época. Desta forma, a fotografia evocativa de Mark Irwin (o mesmo de “Pânico”) torna momentos como dois jovens estacionados em um mirante como algo incrivelmente nostálgico.

    O diretor também consegue brincar bastante com a metalinguagem, explorando com mais criatividade a cena da bolha no cinema do longa original. Além de fazer uma brincadeira com filmes slasher de vilões mascarados (como “Sexta-Feira 13”, “Dia dos Namorados Macabro” e “Chamas da Morte”), o diretor ainda cria um plano genial em que a projeta a próprio bolha na telona do cinema através de uma luz estroboscópica. Sem contar que o filme tem um excelente ritmo e intercalação de ação, explorando o exagero das situações sempre com uma piscadela para a plateia, como ao criar zoons in dramáticos de personagens combatendo a bolha com armas de fogo e explosões (!!).

    O roteiro de Frank Darabont já denuncia seu fascínio pela literatura de Stephen King. Reparem como a cidadezinha do filme se assemelha a “Castle Rock”, tradicional cidade das histórias de King. Além disso, o filme possui uma reviravolta GENIAL em relação à natureza da bolha, envolvendo militares e cientistas de órgãos secretos dos EUA, em uma trama de possível contágio que se assemelha à “super gripe” de “A Dança da Morte”. Até mesmo o sobrenome do protagonista masculino do filme (Brian Flagg) faz referência ao vilão desta história de King (Randall Flagg).

    Por falar nele, o personagem vivido por Kevin Dillon (irmão de Matt) é um ponto negativo do filme, já que o ator não consegue trazer carisma para um jovem rebelde no estilo James Dean em “Rebeldia Indomável”, ou até seu irmão Matt Dillon em “O Selvagem da Motocicleta”. Em contrapartida, a heroína vivida por Shawnee Smith, que ironicamente esteve na adaptação televisiva de “A Dança da Morte”, faz um trabalho muito mais empático e intenso com a destemida Meg; que diferente da maioria das screm queens da época, não espera ser salva pelo “mocinho”, sendo capaz de ser proativa e salvar sozinha alguns personagens. Muitos vão se lembrar de Smith por sua icônica personagem Amanda, em “Jogos Mortais”.

    Infelizmente o filme foi um fracasso de bilheteria em sua época. Por um custo (alto) de $19 milhões, o filme rendeu pouco mais de $8 milhões só nos EUA, um grande prejuízo. No entanto, o filme permaneceu como cult entre os fãs do gênero. O filme concorreu a seis prêmios internacionais, incluindo Melhor Filme de Ficção Científica no Saturn Awards e Melhor Filme no Fantasporto.

    Trazendo o Hard Rock 80’s nostálgico com a música tema Brave New Love, da banda Alien, “A Bolha Assassina” é daquele tipo de filme de terror propositalmente cômico e exagerado dos anos 80 que diverte tanto pela criatividade e por não se levar tão a sério.

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  • Arthur Ferreira
    Arthur Ferreira

    Excelente gosto aí, meu caro! E é isso aí, 0 filmes no "Não Quero Ver". 0 preconceito!

  • Filmow
    Filmow

    O Oscar 2017 está logo aí e teremos o nosso tradicional BOLÃO DO OSCAR FILMOW!

    Serão 3 vencedores no Bolão com prêmios da loja Chico Rei para os três participantes que mais acertarem nas categorias da premiação. (O 1º lugar vai ganhar um kit da Chico Rei com 01 camiseta + 01 caneca + 01 almofada; o 2º lugar 01 camiseta da Chico Rei; e o 3º lugar 01 almofada da Chico Rei.)

    Vem participar da brincadeira com a gente, acesse https://filmow.com/bolao-do-oscar/ para votar.
    Boa sorte! :)

    * Lembrando que faremos uma transmissão ao vivo via Facebook e Youtube da Casa Filmow na noite da cerimônia, dia 26 de fevereiro. Confirme presença no evento https://www.facebook.com/events/250416102068445/

  • Lolline Carvalho
    Lolline Carvalho

    Muito obrigada por me aceitar. Adorei os seus comentários e análises dos filmes :D

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