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  • Guilherme

    Palhaços Assassinos do Espaço Sideral (Killer Klowns From Outer Space, 1988) de Stephen Chiodo

    Muitos podem torcer o nariz para esse filme, ou até para os filmes de terror avacalhados como esse. Mas a verdade é que “Palhaços Assassinos do Espaço Sideral” é uma diversão trash de primeira categoria. A ideia da história é tão despudorada, e sua execução tão hilária e imaginativa, que o filme marcou seu nome naquele grupo de filmes “terrir” que todo fã do gênero adora, ao lado de outros como “Fome Animal”, “A Volta dos Mortos Vivos”, “A Noite dos Arrepios”, “Uma Noite Alucinante 2” e tantos outros.

    Como o título, e até empolgante música tema do The Dickies, já deixa claro, o filme será uma colcha de retalhos de clichês e convenções dos filmes sci-fi de terror dos anos 50/60. O plot inicial, de uma ameaça alienígena atacando uma cidade interiorana dos EUA já é conhecida de filmes como “A Bolha”, “A Ameaça Que Veio do Espaço” e “A Guerra dos Mundos”. E como a obra é um produto dos exagerados anos 80, é claro que os vilões do filmem trariam uma carga de humor satírico e inventivo no melhor estilo “Gremlins”.

    O filme foi totalmente imaginado e criado pelo Irmãos Chiodo (direção, roteiro, produção e aspectos técnicos), que sempre trabalharam em equipes técnicas de filmes (como no curta “Vincent”, de Tim Burton) e também com efeitos especiais e manipulação de marionetes (como no hilário “Team America – Detonando o Mundo”). Mas talvez o trabalho mais memorável, para os fãs do gênero, dos cineastas seja o trabalho no design dos alienígenas do cult “A Hora das Criaturas” (ou “Criaturas”), outra pérola divertida dos anos 80. Os alienígenas do filme, aliás, eram uma versão B dos “Gremlins”; praticamente uns “ouriços espaciais carnívoros” (!!!).

    Acostumados a sempre trabalhar com baixo orçamento, os Irmãos Chiodo fizeram quase o impossível em “Palhaços Assassinos do Espaço Sideral”, já que possuíam míseros $2 milhões de dólares para fazer o filme. Por mais que tenham um aspecto B, os efeitos especiais práticos elaborados para o filme aparentam terem sido realizados com um orçamento bem maior. O filme é uma grande prova de que, no cinema, a criatividade e o talento são muito mais importantes que um grande orçamento.

    O roteiro do filme possui uma trama muito simples, e sem grandes acontecimentos. A questão do meteoro caindo na Terra, e na verdade não ser um verdadeiro meteoro, é reciclada de filme como “A Ameaça que Veio do Espaço”. Até a questão de o primeiro sujeito a encontrar os alienígenas ser um caipira já é conhecida tanto de “A Bolha” (1958) e até do segmento que Stephen King protagoniza em “Creepshow – Arrepio do Medo”. Mas a falta de novidades em relação a trama é compensada pelas ideias geniais das diversas formas como os palhaços atacam os cidadãos do local; cada vez mais surpreendentes em seu absurdo imaginativo.

    A própria nave espacial dos alienígenas já escancara a enorme imaginação dos irmãos, por ser no formato de um circo todo brilhante; com a diferença de seus cabos de sustentação serem eletrificados (!). Já o interior da “nave” traz um design futurista claramente adaptado das sci-fi B dos anos 50 (com várias luzes, botões e sons de efeito) como “A Ilha da Terra”, mas com uma explosão de cores em formato de arco-íris em seus corredores que já denota o tom cartunesco do filme, com direito até um globo de energia soltando raios púrpura, uma “criação” de pipocas e até uma sala gigantesca onde os palhaços guardam seus “casulos” de algodão-doce para se alimentarem (!!). A própria fotografia do filme já favorece a diferença dos dois “universos”, já que tudo relacionado aos palhaços é sempre retratado com cores saturadas em contraste com as cores “normais” do universo humano.

    E se todo o visual relacionado aos palhaços alienígenas do filme já enche nossos olhos, as formas de ataque aos seres humanos também não ficam para trás. A cada nova aparição dos bizarríssimos palhaços, os espectadores caem na gargalhada pelo modo exagerado com que agem para capturar suas vítimas. Os vilões possuem bazucas que lançam pipocas carnívoras, que inclusive se tornam serpentes elásticas espaciais mutantes (!!!) quando se alimentam. Além disso, também há armas de raio-laser que matam os seres humanos e os envolvem em um casulo de algodão doce (no melhor estilo “vagens espaciais” de “Vampiros de Almas”) ou em um balão colorido. Até mesmo as brincadeiras que palhaços comumente fazem para entreter suas audiências ganham uma versão macabra aqui, vide a engraçada cena onde algumas pessoas são capturadas por um jogo de sombras, cães farejadores feitos de bexiga, uma língua-de-sogra estranguladora e torta na cara... com ácido.

    Já os palhaços alienígenas são outro ponto de destaque inventivo. Extremamente bizarros, as criaturas exibem texturas grotescas sob uma maquiagem exageradamente medonha. Enquanto suas roupas são adequadamente coloridas e espalhafatosas, seus cabelos exibem tons vibrantes. Mas o aspecto mais assustador fica por conta dos olhos estranhos dos personagens, e suas bocarras enormes com dentes pontiagudos e gengivas podres; nada a dever com o alienígena de “Predador”. Os palhaços vão desde pequeninos (como aquele que arranca a cabeça de um motociclista no melhor estilo Jason em “Sexta-Feira 13 – Parte VIII – Jason Ataca Nova York”), até uma criatura gigantesca inspirada em “Godzilla”, apelidada pelos Irmãos Chiodo de Klownzilla. Tudo fica ainda mais divertido pelos palhaços demonstrarem um tom de deboche diabólico em suas ações bisonhas; além de se transformarem em uma nuvem de purpurina quando são mortos (!!!). E se os mortos vivos de George A. Romero morrem após alguma agressão ao cérebro, preparem-se para descobrir a forma inspirada como os palhaços alienígenas morrem! É impagável!

    Mas o filme não traz apenas momentos humorados pelo absurdo, como também aproveita a natureza sinistra dos personagens para criar verdadeiros frios na espinha dos espectadores. Há uma determinada cena à la Freddy Krueger em que um palhaço tenta atrair uma criança para fora de uma lanchonete (com um imenso martelo escondido nas costas), e outro em que um dos vilões cria um boneco de ventríloquo humano aterrador com o cadáver de um personagem. Os Irmão Chiodo também sabem criar uma ambientação soturna para um filme de terror, como no plano geral da floresta que foca o circo dos palhaços, e até aquele em que os vilões seguem em uma estrada tomada por neblina noturna, em direção à cidade.

    E se o clímax do filme também não deixa a desejar no quesito criatividade, o único ponto negativo fica por conta da limitação de recursos da produção, claramente vista em alguns cenários mais modestos. A ideia de colocar os protagonistas tentando fugir da nave é interessante ao fundir um “Trem Fantasma” com o universo psicodélico de “Alice no País das Maravilhas”. Já o monstrengo gigantesco do final poderia ser um rival à altura do zumbi mutante gigante da conclusão de “Fome Animal”.

    Todos os atores do filme estão adequadamente exagerados, em combinação com o tom da história. Grant Cramer (o protagonista Mike) é carismático. Suzanne Snyder, que interpreta a mocinha Debbie, trouxe seus gritos com vontade a outro filme de “terrir”, já que também já havia participado dos divertidos “A Noite dos Arrepios” e “A Volta dos Mortos Vivos 2” (além de “Mulher Nota 1000”, de John Hughes). Já John Vernon utiliza sua persona autoritária e ranzinza já vista no cult “Clube dos Cafajestes” para criar um personagem igualmente detestável aqui.

    Pérola das antigas sessões de filmes de terror da Band, “Palhaços Assassinos do Espaço Sideral” se tornou um pouco mais popular para as massas aqui no Brasil após ter sido incluído no catálogo da Netflix. Curiosamente, o filme pode ser considerado um sucesso de bilheteria, já que arrecadou mais de $43 milhões nos cinemas do mundo todo.

    Perfeito como um filme descompromissada para uma sessão de cinema em casa com os amigos, “Palhaços Assassinos do Espaço Sideral” talvez seja um dos filmes mais engraçados e criativos que vocês assistirão. Veja sem preconceitos.

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  • Guilherme

    À Prova de Morte (Death Proof, 2007) de Quentin Tarantino

    A história da amizade entre Quentin Tarantino e Robert Rodriguez é longa. Segundo rumores, os dois se conheceram no Festival de Sundance em 1992, quando Tarantino apresentou o seu já clássico “Cães de Aluguel” e Robert Rodriguez o cult “El Mariachi”. Ambos sairiam laureados do festival, tendo sido lançados ao “hall” dos jovens cineastas mais promissores do momento. Porém, não era apenas o talento na direção, e o sucesso repentino com filmes sensacionais, que ambos tinham em comum. Tarantino e Rodriguez se encontraram parceiros como dois cinéfilos que AMAM o cinema fantástico (ficção científica, terror, fantasia) de décadas anteriores; além de filmes trash e exploitation.

    Exploitation, aliás, se refere a filmes de terror, ação, aventura, eróticos, em sua maioria “bagaceiros”, do fim dos anos 70 e 80 que exploravam, sem sutileza nenhuma, temas diversos como sexo (Sexploitation), estereótipos urbanos da negritude marginalizada 70’s (Blaxploitation), nazismo (Nazixploitation), dentre outros. Além disso, alguns estudiosos também consideram dentro do exploitation filmes giallo (filmes italianos de assassinato e mistério, como a “Trilogia dos Animais” de Dario Argento), slashers (filmes de assassinos mascarados, como “Banho de Sangue” e “Sexta-Feira 13” popularizaram na Europa e nos EUA respectivamente), histórias de estupro e vingança (como “A Vingança de Jennifer” e o recente “Vingança”), presídios de mulheres (“Women in Cages”, de Roger Corman), faroestes italianos (“Django”), filmes de artes marciais (como os de Bruce Lee) e VÁRIOS outros.

    Não é novidade para ninguém que Quentin Tarantino sempre foi um GRANDE entusiasta desse tipo de cinema. Na verdade, seus filmes são recheados de referências à estética e narrativa do exploitation, apesar de o diretor sempre utilizar isso de forma inteligente para criar uma aura cool e moderna. No cinema de Tarantino, há filmes de gângsteres violentos (“Cães de Aluguel”, “Pulp Fiction – Tempo de Violência”), filmes de samurais (“Kill Bill – Vol. 1”), filmes de faroeste spaghetti (“Kill Bill – Vol. 2”), blaxploitation (“Jackie Brown” e “Django Livre”) e tudo mais.

    Assim como Martin Scorsese trabalha incessantemente na restauração de grandes clássicos do cinema, Tarantino faz o mesmo pelos filmes B. Na verdade, como sempre foi “rato de locadora”, o diretor é MUITO obcecado por esses filmes, chegando a realizar vários festivais abertos ao público para exibir “pérolas” do cinema B e exploitation de seu próprio acervo. Inclusive, o diretor trabalha também para que vários desses filmes sejam relançados e ganhem mais reconhecimento do público, através do selo “Quentin Tarantino Presents”.

    O termo Grindhouse vem a partir dos cinemas que exibiam esse tipo de filme trash e exploitation. Verdadeiros “pulgueiros”, os cinemas grindhouse se localizavam sempre em bairros ruins e não tinham uma clientela muito “refinada”, digamos assim. Pelo preço de um ingresso, os frequentadores desses cinemas assistiam a dois filmes, um atrás do outro, com inclusão de trailers antes de cada filme. O mais interessante, é que não havia uma coerência entre os longas exibidos, por exemplo, você poderia assistir um filme de artes marciais no começo e, logo depois, um filme de terror de canibais, ou um pornô(!). Além disso, quase sempre as películas dos filmes se encontravam em péssimas condições de conservação, com vários riscos e “queimaduras” sendo projetados. Estes “machucados” na película resultavam na necessidade de recortes (literalmente) dos frames; e muitas vezes as cenas acabavam em uma ordem desconexa – o que resultava em incongruências na montagem e no som. Algumas vezes, rolos inteiros de filmes ficavam faltando, o que deixava os espectadores se perguntando o que havia acontecido na história nos últimos 20 minutos de filme (!!). O mais engraçado, é que o próprio cinema exibidor já informava aos espectadores, antecipadamente, através de um letreiro na tela, que o filme apresentaria falta de rolos (!!!).

    Tarantino e Rodriguez já haviam trabalhado juntos na razoável antologia de contos “Grande Hotel”, porém, a parceria dos dois cineastas para replicar a aura dos filmes Grindhouse que tanto adoravam veio pela primeira vez com “Um Drink no Inferno”. Apesar de não ter sido um projeto tão complexo e visionário quanto o posterior “Grindhouse”, “Um Drink no Inferno” foi a seu próprio modo uma experiência de dois filmes em um (no caso, um filme de gângsteres e outro de terror) com a estética exploitation. O resultado foi uma bilheteria muito maior que esperavam inicialmente, tanto quanto a aceitação pela crítica especializada. Considerado um dos melhores filmes de terror dos anos 90, Um Drink no Inferno pegou a todos de surpresa, já que na primeira metade dessa década, o cinema de horror se encontrava em uma decadência gigantesca.

    Dez anos depois daquele sucesso, Tarantino e Rodriguez iniciariam as filmagens do ambicioso projeto “Grindhouse”. A proposta era que cada um dos cineastas filmassem um filme de pouco mais de uma hora cada, Rodriguez faria um filme de zumbis (almejado por ele há vários anos) e Tarantino faria um filme de perseguição automobilísticas (dos quais o diretor é fã). Enquanto isso, trailers de filmes falsos, seguindo a estética exploitation, seriam filmados por outros diretores para serem exibidos antes e entre os filmes. Eli Roth (que vinha do sucesso de “O Albergue”, produzido pelo próprio Tarantino) e Edgar Wright (oriundo do GENIAL “Todo Mundo Quase Morto”) foram convidados pelos diretores para filmarem dois dos trailers. Rob Zombie, que encontrou os diretores na premiação Scream Awards e havia lançado seu melhor filme, “Rejeitados pelo Diabo”, pediu para fazer outro dos trailers do projeto, já que também é fã de exploitations. O quarto trailer seria feito pelo próprio Robert Rodriguez, enquanto o quinto foi escolhido através de um concurso realizado pelos cineastas na conferência South by Southwest (SXSW), à procura de cineastas independentes que se afeiçoassem pelo estilo. O escolhido acabou sendo o iniciante Jason Eisener.

    O filme foi lançado nos cinemas dos EUA conforme havia sido planejado: os dois filmes com estética de película envelhecida e sequências cortadas; defeitos de montagem e som propositais; mesmos atores interpretando papéis diferentes (o elenco é INCRÍVEL); produção que mimetizasse uma pobreza de recursos, mas com muita imaginação; e toneladas de gore, violência e carga sexual. Os filmes foram exibidos um após o outro, com os trailers falsos entrecortando-os. Infelizmente, o projeto se revelou um fracasso de bilheteria (arrecadou apenas US$25 milhões para um orçamento de US$53 milhões), apesar das críticas majoritariamente positivas (o filme possui 83% de aprovação no “Rotten Tomatoes”).

    Com o insucesso comercial do filme em seu país de origem, as distribuidoras estrangeiras resolveram lançar os filmes separadamente, afinal, o conceito Grindhouse não era algo muito conhecido fora dos EUA. No Brasil, por exemplo, “Planeta Terror” foi lançado somente em novembro de 2007, enquanto isso, “À Prova de Morte” chegou aos cinemas TRÊS anos depois, em julho de 2010. Inclusive, o seguimento de Tarantino só foi lançado nos cinemas por causa do recente sucesso de seu filme posterior, o já clássico “Bastardos Inglórios”, de 2009. Reparem no absurdo: o filme de Tarantino só chegou aos cinemas brasileiros DEPOIS de seu projeto seguinte.

    Em uma entrevista, Quentin Tarantino afirmou que desde 1992, quando estreou como diretor em “Cães de Aluguel”, não houve nenhum filme que tivesse uma perseguição automobilística realmente impressionante. Segundo o diretor, com exceção de “O Exterminador do Futuro 2 – O Julgamento Final”, e a sequência da autoestrada em “Premonição 2”, o uso de CGI em excesso tirou muito da veracidade e intensidade das perseguições de carro.

    De certa forma, o diretor estava correto. Já que há muito tempo não se via nas telonas cenas de ação envolvendo fuga de carros tão emocionantes quanto as vistas no clássico vencedor do Oscar “Operação França” ou no policial 80’s “Viver e Morrer em Loas Angeles”, ambos do GRANDE diretor William Friedkin. E com intenção de prestar sua homenagem a filmes como “60 Segundos” (o original de 1974), “Fuga Alucinada” e “The Wraith – A Aparição”, Tarantino desenvolveu a ideia de “À Prova de Morte”, um filme slasher onde o assassino é um misógino ex-dublê de filmes B que aniquila suas vítimas através de colisões de carros.

    Diferente de Robert Rodriguez, que criou um autêntico “filme ruim” exploitation de corpo e alma, Tarantino trapaceia um pouco no seu projeto; afinal de contas, o diretor e roteirista é MUITO inteligente. Mais que um filme de perseguições automobilísticas SENSACIONAIS, o filme de Tarantino é um símbolo do empoderamento feminino no clima dos longas dos anos 70 de Pam Grier, em um gênero em que as mulheres, na grande maioria das vezes, nunca foram bem retratadas.

    Com um excelente, e BELO, elenco feminino, Tarantino cria suas personagens através de diálogos sobre música, sexo, bebidas, drogas e pregando peças umas nas outras com uma naturalidade e desenvoltura ao qual elas nunca tiveram a chance em pornochanchadas como “Porky’s”, “A Primeira Transa de Jonathan” e “O Último Americano Virgem”. Todas a garotas possuem seu espaço e exibem diferentes personalidades. Mas assim como em todos os seus filmes, Tarantino parecer criar diálogos espirituosos e cool sobre “nada”, enquanto utiliza os mesmos para desenvolver suas personagens e levar a trama adiante. Desta forma, conhecemos a indomável Jungle Julia (Sydney Tamiia Poitier, filha do GRANDE Sydney Poitier), a materna e doce Abernathy (Rosario Dawson, a poderosa Gail de “Sin City”) e a impassível Kim (Tracie Thoms, de “Rent – Os Boêmios”) como uma forma de retratar personagens femininas negras icônicas de longas blaxploitation como “Coffy” e “Foxy Brown”.

    Utilizando recursos metalinguísticos a seu favor, como sempre, Tarantino já brinca com a manipulação de películas nos antigos Grindhouses ao inserir um frame modificando o título do filme (que seria “Thunderbolt”, originalmente). Também são feitas brincadeiras acerca de falhas na colagem de frames (como na repetição de falas no início do filme) e interrupção abrupta de trilha e efeitos sonoros, com destaque para a inclusão do tema romântico que Pino Donnagio compôs para o clássico “Um Tiro na Noite”, nas cenas de Jungle Julia ao celular. Na verdade, “À Prova de Morte” já causa uma estranheza nostálgica pelos créditos iniciais, com letreiros desenhados em amarelo forte, em fontes saudosistas.

    A própria fotografia do filme é um recurso narrativo importante para os acontecimentos. Enquanto a primeira metade apresenta a estética “lavada” e crua dos anos 70 (sem faltar os riscos e “machucados” projetados na película); a segunda metade apresenta cores mais fortes, estética moderna e película limpa. Para quem viu a conclusão de cada uma das metades, sabe que a fotografia acompanhou a evolução das personagens que estão sendo retratadas, e a forma como lidarão com o mesmo assassino.

    Além disso, a carga de valorização do poder feminino já pode ser conferida desde o quadro em que o diretor enfoca Jungle Julia deitada em um sofá na mesma posição que Brigitte Bardot, em uma imensa fotografia na mesma sala. Reparem, em especial, os vários cartazes de filmes clássicos e B sobre mulheres poderosas, espalhados pelo boteco de comida mexicana em determinado momento. A própria câmera de Tarantino trabalha o belo copo de suas atrizes transcendendo o fetiche, utilizando ângulos baixos e planos detalhes (principalmente de pés, claro) que endeusam suas personagens e as torna quase intocáveis (mesmo ao focar os glúteos de Jungle Julia durante uma longa sequência). O foco no imenso cabelo selvagem da mesma personagem também é um toque especial.

    Em contrapartida, os homens do filme são retratados em segundo plano, como Tarantino faz questão de “esconder” o namorado de Arlene (Vanessa Ferlito) atrás do corpo da mesma enquanto ela dança com sua amiga. O que nos leva ao assassino Dublê Mike, interpretado pelo lendário parceiro de John Carpenter, Kurt Russel. Para o papel, foram considerados outros atores, incluindo Mickey Rourke, Sylvester Stallone, Ving Rhames e até John Jarrat (o assassino australiano do assustador “Wolf Creek – Viagem ao Inferno”). Russel já se apresenta com uma caracterização que denuncia o estilo saudosista brega do personagem, enquanto seu porte e modo de falar contradizem a “breguice” através de uma auto-confiança que deixa o personagem, ao mesmo tempo, patético e ameaçador. A cena em que o Dublê Mike confronta “Butterfly” é genuína em traduzir o estranho fascínio que a mulher criou por aquela figura.

    Com uma cicatriz no mesmo olho em que utilizava um tapa-olho estiloso quando encarnou Sanke Plissken em “Fuga de Nova York” e “Fuga de Los Angeles”, Kurt Russel também adota um tom cínico caipira divertido para o personagem, como se fosse uma versão infernal de Jack Burton (“Os Aventureiros do Bairro Proibido”). O personagem, inclusive, é chamado de Frankenstein, personagem de um filme cult de corridas dos anos 70, chamado “Corrida da Morte – Ano 2000”. Há um momento em especial, em que o ator sabiamente quebra a quarta parede, quando olha para a câmera e dá um sorriso maquiavélico antes de um assassinato em massa. Ciente que “À Prova de Morte” é um filme sobre o poder das mulheres, Russel também exibe um bom timming cômico ao refletir medo e pavor de algumas delas após uma retribuição violenta, principalmente ao mimetizar gritos estridentes de “mulherzinha” em um momento específico.

    Sem perder o clima de mistério e terror, Tarantino consegue criar uma atmosfera macabra em determinados momentos, como ao utilizar uma rilha sonora sinistra (que Ennio Morricone criou para o cinema de Dario Argento) ao criar quadros onde Mike observa suas vítimas em seu carro (como se fosse a Sra. Voorhees espreitando nas matas de Crystal Lake em “Sexta-Feira 13”). Além disso, a cena do primeiro assassinato trabalha idealmente a silhueta daquele carro assassino em meio a bruma de uma estrada sombria. Aliás, a cena da colisão é um dos assassinatos em massa MAIS INACREDITÁVEIS que você verá em qualquer filme. Tarantino utiliza sua técnica narrativa de mostrar o mesmo acontecimento através de pontos de vista diferentes (como no clímax de “Jackie Brown”) de uma forma que se torna cada vez mais chocante enquanto é repetida. Realmente, é de uma sequência gore de tirar o fôlego.

    Já no segundo seguimento, além de criar uma cena de café-da-manhã que se torna a versão feminina da cena similar de “Cães de Aluguel”, Tarantino arquiteta uma longa sequência de perseguição que deixa nossos nervos à flor da pele. Além de citar as cenas de ação do clássico “Mad Max”, ao trazer um ambiente árido igual ao daquele universo pós-apocalíptico, a cena de ação traz vários planos sequências, praticamente nenhum efeito digital e um trabalho GENIAL da atriz Zöe Bell (verdadeira revelação). A carismática atriz, aliás, começou no cinema como dublê, inclusive de Uma Thurman em “Kill Bill”. Em “À Prova de Morte”, a corajosa Bell se arrisca no capô de um carro, em auto velocidade, sem proteção, enquanto outro carro a persegue com colisões. E a câmera de Tarantino acompanha tudo em altíssima velocidade, com um tom quase documental, que torna urgência e periculosidade da situação quase insuportável de acompanhar.

    Contando com os icônicos carros vistos nos clássicos “Bullit” e “Corrida Contra o Destino”, “À Prova de Morte” ainda brinca com o universo compartilhado “Gridhouse”, trazendo de volta os personagens Earl McGraw e seu filho (originalmente de “Um Drink no Inferno” 1 e 2), além da furiosa Dakota Block de “Planeta Terror”. Reparem também em Rose McGowan (a Cherry Darling) interpretando outra personagem em “À Prova de Morte”, enquanto as loucas Babysitter Twins de “Planeta Terror” (Elise e Electra Avellan) também marcam presença aqui, na primeira metade do filme.

    Uma curiosidade: a cena de lap dance de Abernathy ficou faltando na versão original de Grindhouse, como forma de brincar com os “rolos perdidos” daqueles antigos cinemas. Além disso, a música “Down in Mexico” seria utilizada originalmente na dança sensual de Santanico Pandemonium em “Um Drink no Inferno”, que acabou sendo “After Dark”.

    Com um elenco homogeneamente formidável (a química entre as atrizes é indiscutível), “À Prova de Morte” concorreu a seis prêmios ao redor do mundo. Inclusive, o filme foi exibido na mostra competitiva do Festival de Cannes. Um grande feito.

    “À Prova de Morte” é capaz de agradar tanto os fãs de exploitation quanto os fãs de filmes “sérios” de Tarantino. É o diretor continuando a revalidar o cinema bagaceiro dos anos 70 para plateias do mundo todo.

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  • Guilherme

    Planeta Terror (Planet Terror, 2007) de Robert Rodriguez

    Quando Robert Rodriguez estava filmando o bom cult alienígena dos anos 90, “Prova Final”, ele já previu que os filmes de zumbis teriam uma retomada nos cinemas em um futuro próximo. Os últimos grandes longas de zumbis haviam sido “A Noite dos Mortos Vivos” (refilmagem) e “Fome Animal”, no começo dos anos 90. Durante uma conversa com Elijah Wood e Josh Hartnett no set do filme, ele disse que já possuía um rascunho de 30 páginas de um filme sobre mortos vivos, e que gostaria de se empenhar mais na produção do filme.

    Conforme havia previsto, a partir de 2002 os filmes de zumbis voltaram à tona com o sucesso de “Resident Evil – O Hóspede Maldito” e “Extermínio”. Mas foi finalmente com “Madrugada dos Mortos”, em 2004, que o subgênero se fixou novamente. Arrependido de não ter realizado seu projeto anteriormente, Rodriguez encontrou em “Grindhouse” a oportunidade definitiva de ter seu desejo realizado. Após não ter tido uma boa experiência na direção de “Prova Final”, pela insistência dos produtores em limitar o estilo enérgico do diretor, Rodriguez teria liberdade criativa para desenvolver “Planeta Terror” (incialmente “Projeto Terror”), com muita fidelidade aos clássicos trash e exploitation que tanto venera.

    Dez anos depois do sucesso de “Um Drink no Inferno”, Tarantino e Rodriguez iniciariam as filmagens do ambicioso projeto “Grindhouse”. A proposta era que cada um dos cineastas filmassem um filme de pouco mais de uma hora cada, Rodriguez faria um filme de zumbis (almejado por ele há vários anos) e Tarantino faria um filme de perseguição automobilísticas (dos quais o diretor é fã). Enquanto isso, trailers de filmes falsos, seguindo a estética exploitation, seriam filmados por outros diretores para serem exibidos antes e entre os filmes. Eli Roth (que vinha do sucesso de “O Albergue”, produzido pelo próprio Tarantino) e Edgar Wright (oriundo do GENIAL “Todo Mundo Quase Morto”) foram convidados pelos diretores para filmarem dois dos trailers. Rob Zombie, que encontrou os diretores na premiação Scream Awards e havia lançado seu melhor filme, “Rejeitados pelo Diabo”, pediu para fazer outro dos trailers do projeto, já que também é fã de exploitations. O quarto trailer seria feito pelo próprio Robert Rodriguez, enquanto o quinto foi escolhido através de um concurso realizado pelos cineastas na conferência South by Southwest (SXSW), à procura de cineastas independentes que se afeiçoassem pelo estilo. O escolhido acabou sendo o iniciante Jason Eisener.

    O filme foi lançado nos cinemas dos EUA conforme havia sido planejado: os dois filmes com estética de película envelhecida e sequências cortadas; defeitos de montagem e som propositais; mesmos atores interpretando papéis diferentes (o elenco é INCRÍVEL); produção que mimetizasse uma pobreza de recursos, mas com muita imaginação; e toneladas de gore, violência e carga sexual. Os filmes foram exibidos um após o outro, com os trailers falsos entrecortando-os. Infelizmente, o projeto se revelou um fracasso de bilheteria (arrecadou apenas US$25 milhões para um orçamento de US$53 milhões), apesar das críticas majoritariamente positivas (o filme possui 83% de aprovação no “Rotten Tomatoes”).

    “Grindhouse” concorreu a 15 prêmios ao redor do mundo, tendo vencido sete deles. O filme foi nomeado a Melhor Filme de Horror, Melhor Atriz Coadjuvante (Rose McGowan) e Melhor Maquiagem no badalado Saturn Awards em 2007. Já no Golden Schmoes Awards o longa venceu os prêmios de Filme Mais Subestimado do Ano, Melhor Filme de Horror e Melhor Trilha Sonora.

    Com o insucesso comercial do filme em seu país de origem, as distribuidoras estrangeiras resolveram lançar os filmes separadamente, afinal, o conceito “Grindhouse” não era algo muito conhecido fora dos EUA. No Brasil, por exemplo, “Planeta Terror” foi lançado somente em novembro de 2007, enquanto isso, “À Prova de Morte” chegou aos cinemas TRÊS anos depois, em julho de 2010.

    Com uma história que aproveita todas as oportunidades de seu absurdo, “Planeta Terror” pode ser descrito como uma mistura de “A Noite dos Mortos Vivos”, “A Volta dos Mortos Vivos” e “Fuga de Nova York” (ATENÇÃO: não confundir o clássico de George A. Romero de 1968, com “A Volta dos Mortos Vivos” dirigido por Dan O’Bannon em 1985).

    Toda trama envolvendo uma conspiração militar científica parece uma forma de Rodriguez homenagear a inteligente paródia de O’Bannon, que envolvia tanques com zumbis derretidos após uma experiência militar que deu errado. “Planeta Terror” traz mortos vivos que se transformam após entrar em contato com um gás verde sugestivo (reparem no atmosférico plano do gás se dissipando através da lua cheia), da mesma forma que a Trioxina no longa de 1985.

    Aproveitando para criar sequências de ação com um festival de tiros ensurdecedores assim como no cinema de Sam Peckinpah, e explosões de sangue divertidamente exageradas, Rodriguez ainda aproveita para utilizar o canastra personagem de Bruce Willis (‘Where’s the shit!?”) como forma de brincar com o modo como os exploitations utilizavam atores famosos em seus filmes. Para atrair público para os cinemas, os cineastas utilizavam pontas de atores famosos fora da fotografia principal (já que não conseguiam pagar o salário completo), mas faziam a publicidade como se esses atores fossem parte importante da trama. O mais engraçado é que quando o filme foi lançado no Brasil, a própria Europa Filmes fez um trailer especial, lançado nos cinemas, colocando Bruce Willis como o próprio protagonista!

    Com um trabalho de maquiagem riquíssimo em sangue, pústulas, bolhas, pus, gosmas, tripas, desmembramentos e nojeiras afins (também da KNB FX), “Planeta Terror” afirma seu caráter splatter com orgulho. Os mortos vivos são realmente pútridos e gosmentos, elevando à enésima potência o “Tarman” de “A Volta dos Mortos Vivos”. Inclusive, Rodriguez não esquecer de pontuar o detalhe icônico da predileção dos zumbis por cérebro. Em soma, Rodriguez ainda cria umas versões cheias de apêndices diferentes dos zumbis (como na cena do militar interpretado por Tarantino) para referenciar as criaturas de “Do Além”; além de citar diretamente as cenas mais gore do cinema de George A. Romero, como o momento de evisceração do Capitão Rhodes em “Dia dos Mortos”. Reparem na carnificina bizarra cometida no hospital do filme. E é ótimo que Rodriguez tenha resgatado os mortos vivos lentos e insidiosos de Romero, importante para dar uma aura de decomposição para aquelas criaturas.

    Tão importante quanto os zumbis bizarros, Rodriguez também ambienta o espectador em uma paisagem atmosférica que brinca com os clichês de horror. Desde a densa névoa cobrindo a paisagem noturna e que torna o luar mais sinistro (a sequência de Fergie na estrada é genial), até as fontes de luz desconexas que tornam uma floresta morta ao redor de uma cabana ainda mais sombria (como na casa de Earl McGraw, parecida à de “The Evil Dead”). Já as cenas em ambientes de laboratório aproveitam a oportunidade para criar aqueles computadores imensos cheios de luzes piscando que era característico do futurismo do fim dos anos 70 e 80, tanto em produções B (“A Hora das Criaturas”) quanto A (“Alien – O 8º Passageiro”).

    A própria trilha sonora do diretor, rica em sintetizadores e batidas “bregas” dos anos 80, é eficaz no clima cheio de empolgação do filme. Segundo o próprio diretor, ele tocava os temas compostos para “O Enigma de Outro Mundo” e “Fuga de Nova York”, para ambientar os atores com clima do filme. Baseado nas composições de John Carpenter, além do trabalho de Ennio Morricone em “O Enigma de Outro Mundo”, a trilha de “Planeta Terror” funde tons macabros trash com um rock’n’roll (o tema principal é SENSACIONAL) que mantém um ritmo constante do filme. Há até uma cena de amor do filme que homenageia, em montagem e música, uma cena semelhante de “O Exterminador do Futuro”. O próprio John Carpenter foi convidado por Rodriguez para compor a trilha sonora do filme, porém o mestre recusou a oferta.

    Em acordo com o exploitation, a fotografia de Rodriguez abusa dos grãos maiores, acusando uma estética mais suja e grosseira, sem perder as cores fortes daquele universo fantasioso urgente, com uso de filtros verdes, amarelos e vermelhos. Os efeitos especiais que mimetizam riscos, queimados e “machucados” na película dão um efeito nostálgico, principalmente nos momentos de maior tensão, como no confronto de Dakota e Dr. Block no hospital. A brincadeira do “rolo perdido” também é incluída em um momento oportuno, que cria uma piada narrativa com o entusiasmo do momento.

    Assim como em “Um Drink no Inferno”, o diretor parece se divertir MUITO com seus personagens absurdos. Desta vez, temos como protagonista uma go-go dancer atrevida e independente, Cherry Darling (Rose McGowan, experiente como scream-queen em “Pânico” e no esquecido “Fantasmas”); que é introduzida da mesma forma que Santanico Pandemonium. Em determinado momento, a personagem perde uma perna, que é substituída por uma metralhadora (!!), fazendo parceria ao revólver peniano de Sex Machine no longa de 1996. Já o herói El Wray (Freddy Rodriguez, impagável) é construído com um persona tão segura e misteriosa quanto Snake Plissken em “Fuga de Nova York”, inclusive em seu passado misterioso e lendário. Também é interessante reparar que El Wray é o nome do reduto ao qual os Irmãos Gecko estão fugindo em “Um Drink no Inferno”, criando uma ponte mítica entre os dois filmes.

    Também se destaca a volta do xerife Earl McGraw (Michael Parks), marca do universo Tarantino/Rodriguez; desta vez, apresentando sua poderosa filha, a Dra. Dakota Block (Marley Shelton, do ruim slasher “pós-Pânico” “O Dia do Terror”). Papel feito especificamente para Shelton após ela ter trabalhado com Rodriguez no sensacional “Sin City – A Cidade do Pecado”, Dakota é uma personagem forte e determinada. O diretor aproveita a beleza e os grandes olhos da atriz para criar imagens icônicas da estranheza do rosto borrado da personagem; criando um dos melhores cartazes do filme. Já seu marido, o Dr. Block de Josh Brolin (o eterno irmão mais velho “d’Os Goonies”), traz um tom de médico louco grotesco assim como o Dr. Hill de “Re-Animator – A Hora dos Mortos Vivos”.

    Com todo um elenco homogeneamente divertido no exagero e cheio de expressões nada sutis, “Planeta Terror” traz participações especiais de Tom Savini (dispensa apresentações) e Carlos Gallardo (o “Mariachi” original) como os policiais humoradas do xerife interpretado pelo eterno Kyle Resse, Michael Biehn; responsável por frases de efeito hilárias. Sem contar a participação de Jeff Fahey (“Anatomia de um Assassino”) como o simpático J.T. e Quentin Tarantino no papel do personagem mais asqueroso do filme.

    Cheio de ação absurda, Rodriguez cria algumas das cenas mais icônicas do cinema fantástico do século XXI, sempre com sua montagem dinâmica e câmera ágil. Não somente é divertido ver Cherry Darling dando todas suas piruetas e disparando sua metralhadora a bordo de uma Harley Davidson com pose de “Rambo”, como também é inventivo o modo que Rodriguez faz da especialidade de Dakota (anestesia) para empoderá-la. Ainda por cima, o diretor mimetiza a sequência de perseguição do fim de “Fuga de Nova York” ao criar uma solução para situação de sítio à la “A Noite dos Mortos Vivos”. Já a sequência final na base militar extrapola tanto as explosões nonsense quanto seria necessário para um filme com essa proposta.

    Robert Rodriguez sempre deixou claro em seu cinema pré-"Um Drink no Inferno" ("El Mariachi", "Revanche Rebelde" e "A Balada do Pistoleiro") que sempre teve predileção pelo estilo de ação dinâmico de filmes de justiceiros B (como "Desejo de Matar" de Charles Bronson) e até a atmosfera de spaghetti westerns. Fora que o diretor sempre deixou claro para todos que tem como grandes ídolos cineastas como John Carpenter.

    O diretor Robert Rodriguez ainda dirigiu o trailer falso Já Robert Rodriguez sempre deixou claro em seu cinema pré-Um Drink no Inferno (El Mariachi, Revanche Rebelde e A Balada do Pistoleiro) que sempre teve predileção pelo estilo de ação dinâmico de filmes de justiceiros B (como Desejo de Matar de Charles Bronson) e até a atmosfera de spaghetti westerns. Fora que o diretor sempre deixou claro para todos que tem como grandes ídolos cineastas como John Carpenter.de “Machete”, que mais tarde ganharia um filme próprio e até uma sequência. O próprio director alega que quis fazer com “Machete” uma versão Mexicana de James Bond. Com um clima de ação descerebrada e violenta IMPAGÁVEL (a metralhadora acoplada na Harley Davidson é sensacional), o próprio protagonista Machete de Danny Trejo (que se tornou seu maior papel no cinema) parece uma mistura de Chuck Norris em “Braddock – O Super Comando” com o “Cobra” de Sylvester Stallone, e isso em um filme de ação tosco produzido pela famigerada Cannon (produtora B de “American Ninja” e “Invasão USA”).

    O trailer ainda conta com frases tão bregas quanto a ação exploitation tem direito, com destaque para: “He knows the score; he gets the women and he kills the bad guys!”. Bem como, a prévia não poupa flashes de nudez gratuita que não faltavam a esse tipo de filme, além de sangue jorrando a partir das ações do herói e seu “facão”. Para melhorar ainda mais, o trailer já nos apresenta a coadjuvantes divertidíssimos, como o padre matador interpretado por Cheech Marin (“Deus tem piedade...eu NÃO!”).

    Rodriguez realizou um longa-metragem de “Machete” em 2010, além de uma exagerada sequência em 2013, “Machete Kills”. Apesar de divertidos, nenhum dos filmes conseguiu fazer justiça à prévia criada para “Grindhouse”, mesmo se levarmos em consideração a participação de nomes como Steven Seagal, Robert De Niro, Antonio Banderas, Mel Gibson e Charlie Sheen brincando com estereótipos.

    Destituído de necessidade de ser “sério” como obras como “Guerra Mundial Z” e “Eu Sou a Lenda”, “Planeta Terror” é um filme que se orgulha de estar ao lado de obras como “Demons – Filhos das Trevas”, “A Coisa”, “A Noite dos Arrepios” e até os filmes de Lucio Fulci. São todos filmes que sublimam a falta de recursos com criatividade, aproveitam o absurdo de seus universos e focam em criar uma diversão escapista intensa.

    “Planeta Terror” é admirável em sua sinceridade, e vigoroso na sua proposta. Muito mais divertido do que tinha direito de ser.

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  • Arthur Ferreira
    Arthur Ferreira

    Excelente gosto aí, meu caro! E é isso aí, 0 filmes no "Não Quero Ver". 0 preconceito!

  • Filmow
    Filmow

    O Oscar 2017 está logo aí e teremos o nosso tradicional BOLÃO DO OSCAR FILMOW!

    Serão 3 vencedores no Bolão com prêmios da loja Chico Rei para os três participantes que mais acertarem nas categorias da premiação. (O 1º lugar vai ganhar um kit da Chico Rei com 01 camiseta + 01 caneca + 01 almofada; o 2º lugar 01 camiseta da Chico Rei; e o 3º lugar 01 almofada da Chico Rei.)

    Vem participar da brincadeira com a gente, acesse https://filmow.com/bolao-do-oscar/ para votar.
    Boa sorte! :)

    * Lembrando que faremos uma transmissão ao vivo via Facebook e Youtube da Casa Filmow na noite da cerimônia, dia 26 de fevereiro. Confirme presença no evento https://www.facebook.com/events/250416102068445/

  • Lolline Carvalho
    Lolline Carvalho

    Muito obrigada por me aceitar. Adorei os seus comentários e análises dos filmes :D