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Look at these people, look at their eyes... they're sparkling. They love this shit. They love blood. They love action. Not this talky, depressing, philosophical bullshit.

Últimas opiniões enviadas

  • Hernane Souza

    Death Note conta a historia de dois (ou três, ou quatro, sei la) adolescentes egocêntricos brigando para ver quem é o melhor do mundo. O ego desses personagens reflete o ego dos próprios criadores dessa animaçao. Provavelmente se achavam super inteligentes escrevendo o que parecia ser algo genial na cabeça deles, mas uma analise mais atenta mostra como o anime possui varias imperfeiçoes.

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    Por exemplo: Takada, uma personagem super importante, subindo na moto de Mello, seu inimigo, sem mais nem menos, praticamente sendo conivente com o próprio sequestro; Kira matando o chefe do depto. de policia mesmo sabendo que apenas a sua equipe tinha a informação do sequestro, o que por obvio levaria Mello a saber que Kira estava entre eles; L. e seus sucessores adivinhando e antecipando por puro acaso os passos do seu inimigo, etc. Senti vergonha alheia e preguiça dos argumentos desse roteiro em vários momentos, mas a forma como os roteiristas tentam encobrir todas essas falhas com uma masturbação ególatra de pseudo-logica "investigativa" (que está mais para "adivinhativa") é o que mais irrita.

    Poderiam ter aprofundado melhor questões apenas pinceladas: as diferentes concepções de justiça, a indiferença dos "deuses" quanto aos anseios humanos, as motivações dos personagens (resumidas a um "eu vou ganhar e voce vai perder"), a deturpação do caráter pelo poder; etc. Mas os roteiristas simplesmente reduziram toda a ideia do caderno-que-mata-gente a um infantil pique-pega entre personagens cuja suposta "inteligencia" se confunde com os poderes da telepatia: ate mesmo quando não ha evidencias, todo mundo sabe o que o outro pensa, o que o outro vai fazer, como se a dedução fosse não uma questão de logica amparada em pistas, mas sim uma especie de leitura de mentes. Acontece que colocar a defeituosa e imperfeita logica humana acima do caos e das invariáveis de um mundo complexo é de uma pretensão tal que para mim beira a inverossimilhança.

    O desfecho na segunda temporada (que consegue ser pior que a primeira) acaba escolhendo a mesma via moralista que inicialmente parecia problematizar. Desde os primeiros episódios, em nenhum momento Death Note me convenceu, mas resolvi assistir tudo com a esperança de uma melhora. Ledo erro: perdi meu tempo. Os personagens, por fim, são tao chatos e ególatras (Light, L, N, M, X, Y, Z tanto faz) ou tão vazios e esquemáticos (Rem, Misa, Mikami e outros) que no final, sinceramente, eu estava apenas torcendo para todo mundo morrer.

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  • Hernane Souza

    Para o criador e roteirista da série, Charlie Brooker, o surgimento de novidades técnico-científicas não necessariamente acompanham um avanço ético. Com mais histórias criativas, a quarta temporada de Black Mirror permanece contundente em sua proposta de explorar a permanência da desmoralização da sociedade mesmo com o advento de novas tecnologias.

    Por isso, não concordo com as críticas que apontam uma suposta baixa na qualidade da série. Muitas dessas críticas são bastante preguiçosas ou simplesmente não apresentam nenhum argumento objetivo. Quando você diz que a quarta temporada se tornou "cansativa" ou que não foi "surpreendido" por ela, isso diz mais sobre o tipo de espectador que você é do que sobre a quarta temporada em si.

    Algumas poucas críticas apresentam argumentos mais sólidos. Realmente, o (re)uso de tecnologias já apresentadas em outros episódios poderia ser visto com certo estranhamento, mas eu gosto de pensar que o foco da série está em explorar limites éticos, colocá-los em perspectiva. É antes uma série sobre relações humanas que uma ficção-científica. Nesse sentido, o que deve ser reinventado a cada episódio são as questões e reflexões éticas que a série propõe levantar. E tirando apenas um episódio, acredito que a quarta temporada cumpriu bem essa proposta.

    USS CALLISTER - 4/5

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    O primeiro episódio possui pontos positivos e negativos. É interessante a discussão levantada sobre uma inteligência artificial que conquista autonomia intelectual: no duro, os tripulantes da USS Callister são só algoritmos de computador, mas inteligentes o suficiente para se rebelarem contra seu próprio criador. Essa ideia me lembra de alguma forma o excelente anime Ghost in the Shell.

    Daly é a personificação exata do buller de internet: aquele cara que não consegue lidar com as insatisfações comuns que todos vivemos no cotidiano das relações interpessoais e, por isso, externaliza essa frustração apenas onde está protegido, atrás de uma tela de computador ou em um universo virtual próprio. A voz que ameça os personagens no final do episódio diz "Eu sou o rei do universo", quando na verdade ela vem, muito provavelmente, de algum adolescente frustrado na bolha do seu quarto.

    Além disso, o episódio possui alguns elementos que permitem analogias de ordem filosófica: é possível ver em Daly uma alegoria à deus e nos tripulantes da USS Callister uma alegoria a nós, seres humanos, "obrigados" a nos adaptar às regras daquela potestade sob pena da punição. Por isso não há genitálias naquele mundo: sexo é pecado. Contudo, se deus for superado, haverá um universo enorme a ser explorado sem as limitações morais inerentes à doutrina religiosa ou "Daly-osa". A filosofia Übermensch de Nietzsche é evidente nesta história.

    Mas todas essas críticas ao personagem são também, obviamente, críticas a nós mesmos. Afinal, o que você faria se fosse o dono (a) todo poderoso (a) de um mundo que ninguém conhece, senão você? O que você faria se fosse deus? O que você faz em sua bolha quando ninguém está olhando? Essas questões tornam o episódio interessante.

    O que tira pontos dele é a direção de Toby Haynes. Ele acerta no que é fácil ao traduzir a oposição dos dois mundos em cores: o mundo real de Daly é cinza, escuro, chato, enquanto o ficional é colorido. Mas erra no difícil: as cenas determinantes não alcançam o clima de tensão pretendido. Na parte em que Daly persegue os tripulantes, por exemplo, deveria parecer, em minha opinião, que a gente não está assistindo a um episódio de Black Mirror, mas sim a um episódio do próprio Star Trek, com aquele clima tenso e catártico que JJ Abrams conseguiu criar nos dois filmes da nova franquia. Isso enriqueceria ainda mais as referências que já existem no episódio. Mas não senti nada nessa cena nem em outras que deveriam ter o mesmo efeito. Ficou a sensação de que o episódio poderia ter sido muito mais emocionante se a direção fosse outra.

    ARKANGEL - 5/5

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    As duas primeiras cenas (quando o bebê não chora; quando a menina some no parque) mostram o medo que Marie possui em perder sua filha. A tecnologia Arkangel foi o cordão umbilical que ela encontrou para permanecer ligada eternamente à Sara. Os medos e frustrações de Marie, entretanto, farão o senso de proteção maternal ultrapassar limites, a ponto de usar aquele novo meio para restringir a autonomia, a privacidade e, de maneira geral, a própria liberdade da menina.

    Ao educar, as gerações mais velhas projetam seus princípios, valores, medos, anseios e frustrações nas gerações mais novas. Valores relativos à família, medos sobre sexualidade e drogas, problemas com autodeterminação, questões e de autoestima, enfim, tudo isso passa pelo filtro da educação dos adultos aos seus jovens. Quando não cria um outro adulto igualmente frustrado, a educação baseada na projeção dessas fraquezas nos jovens pode gerar o que se conhece como "efeito-mola", isto é, uma reação em sentido completamente oposto ao que está sendo imposto.

    Um adolescente, por exemplo, que tem sua sexualidade intensamente reprimida pelos pais - ou pela sociedade em geral - pode acabar reagindo a essas imposições se interessando ainda mais por sexo e afins. Sara foi impedida de conhecer o mundo como ele era, e pelo que passou - aborto induzido sem o seu consentimento -, terminou fazendo tudo aquilo que sua mãe temia: fugiu de casa com uma mochila nas costas e, para enfim conhecer o mundo como ele era, longe do super-protecionismo maternal, entrou no carro do primeiro desconhecido a cruzar seu caminho.

    CROCODILE - 5/5

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    Nós temos o poder de escolher e nossas escolhas deixam marca na nossa vida e na de outras pessoas. Quando trazem consequências, temos a opção de encará-las ou podemos jogar dados com o acaso e torcer para a sorte de uma má escolha não levar a nada. Foi o que Mia fez: para fugir da prestação de contas com o passado, fez uma aposta com o destino e matou seu ex-namorado. A cada aposta ruim - a cada morte - que seguiu a primeira, ela tinha a opção de parar, mas continuou dobrando-as até perder tudo o que tinha. É como diz a famosa frase de Pablo Neruda: "Somos livres para escolher, mas nos tornamos prisioneiros das nossas escolhas".

    HANG THE DJ - 5/5

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    Um aplicativo que determina tudo sobre sua vida amorosa: as pessoas com quem deve sair, o tempo que deve permanecer com elas, o jantar que vão ter, o lugar em que vão ficar, etc. Uma fórmula de computador que transforma o amor em números e estatísticas a fim de calcular as suas chances de darem certo com alguém.

    Isso só me levou a pensar: até onde a nossa necessidade desesperada por amor e afeto poderá nos levar? Ao ponto de permitir que nos tornemos dependentes de uma inteligência artificial que pensa por nós, que supostamente sabe o que é melhor para nós mesmos? O pior é que, por mais absurdo que isso possa parecer, se essa tecnologia existisse, seria muito popular.

    Na verdade o que nos atinge nesse episódio é justamente a certeza de que para encontrar o nosso par ideal, ainda assim teremos que passar pelos mesmos transtornos que aqueles personagens: sair com pessoas que não são tão interessantes, deixar de gostar de quem antes você achava interessante, ficar tempo demais com alguém que não gostamos tanto assim ou pouco tempo com alguém que gostamos, etc, tudo isso para ainda assim, no final, quem sabe jamais encontrar o seu "par perfeito" com a chance de 99.8% de dar certo.

    No mais, o desfecho do episódio é muito filosoficamente curioso. Ao som delicioso da Sigur Rós, o casal busca a liberdade tentando fugir do sistema que os aprisiona só para descobrir que eles são, entretanto, nada mais do que uma projeção, uma ferramenta desse próprio sistema. Isso é muito Black Mirror.

    METALHEAD - 2/5

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    De todos os medos, esse é o mais óbvio e comum: o medo de que quando as inovações tecnológicas do ramo da segurança crescerem além de nosso controle, o sonho do progresso se torne um pesadelo de mortes automáticas, velozes e impessoais. Não há espaço para a ingenuidade ou a esperança em Metalhead: tudo é morte, cinza, chato e sem cor. Inclusive o roteiro, que não é nada criativo ou original. Até que me ofereçam uma interpretação interessante, este é, na minha opinião, o pior episódio de toda a série.

    BLACK MUSEUM - 5/5

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    Black Museum é uma metonímia para Black Mirror. Os vários easter-eggs conectam todos os episódios e confirmam a hipótese de que eles se passam em um mesmo universo compartilhado. Além dessa auto-referencialidade, há vários elementos alegóricos que confirmam o aspecto metonímico do EP.

    O museu, por exemplo, seria a própria série: uma atração para o público que gosta de histórias contundentes como aquelas que estão por trás de cada objeto deste lugar. Por isso muito daqueles materiais são de episódios da própria série (easter-eggs). Por sua vez, o anfitrião e dono do museu, Rolo, é o criador de Black Mirror, Charlie Brooker, que se diverte e lucra contando essas histórias.

    Já nós, o público que dá audiência à esta série, somos os visitantes do museu que se entretêm com bizarrice de cada um daqueles contos. No fundo nós somos mesmo como os espectadores fictícios de White Bear que se deleitam com o sofrimento de Victória, ou com os sadomasoquistas que pagam para eletrocutar Clayton Lee, ou o Hacker invisível de Shut Up And Dance, que utiliza a tecnologia para se vingar de pessoas que erraram alguma vez. Assistimos à Black Mirror porque queremos ver nossa podridão em perspectiva.

    Nish, por fim, representa a crítica, o questionamento, a negação da própria série e do circo de horrores que Black Mirror no fundo é. Quando questiona a culpabilidade de seu pai quanto ao suposto crime que lhe fora imputado, relativizando as circunstâncias do fato e mostrando que há outras versões para a história, é como se ela estivesse dizendo à Charlie Brooker: você lucra com o pessimismo, com o bizarro, com a dor e o sofrimento.

    Mas no melhor estilo Fifteen Million Merits, Nish acaba entrando para o mesmo show que a princípio parecia ser contra, naquele que é sem dúvidas um dos melhores plot-twists da série. Sem dar ao anfitrião a chance de ampla defesa e contraditório, ela envenena Rolo e, para a catarse de um público sedento por punição, vinga-se dele por meios dolorosos. É como se Black Mirror e Charlie Brooker absorvessem as críticas que recebem, tornando-a parte do show, como o Bing de Fifteen Million Merits. Não à toa, Nish ganha um souvenir de presente no final por contribuir para o espetáculo.

    Se Black Mirror é uma antologia por excelência, Black Museum, com todas as suas histórias, auto-referências e auto-críticas cínicas é uma antologia de antologias.

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  • Hernane Souza
    Hernane Souza

    “Você olha um relógio. Ele funciona, mostra as horas. Você tenta compreender como ele funciona e o desmonta. Ele não anda mais. E no entanto essa é a única maneira de compreender…” - A. T.