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'How real is any of the past, being every moment revalued to make the present possible:'

The Recognitions, William Gaddis

Últimas opiniões enviadas

  • João Vitor Pinheiro

    (As linhas a seguir estão só marginalmente relacionadas ao filme.) Eu tinha um professor de física no Ensino Médio que era meio que uma lenda na escola por, entre outras coisas, supostamente ter pulado de um prédio de não-lembro-quantos-andares somente com um guarda-chuva aberto no intuito de provar não-lembro-qual princípio/lei da física (tolice dos moleques, lenda) e por chegar na sala de aula invariavelmente sem qualquer espécie de anotação/livro/apostila/material de apoio de um modo geral e encher rapidamente o quadro de memória pausando só pra pegar o inexorável dos dados específicos de cada questão com uma das duas ou três pessoas que conseguiam acompanhar a aula. Também por física ser a disciplina com maior índice de notas risíveis por prova. Não levava muito tempo pra você perceber que não tinha muita brecha pra 'small talk' ali não, que os 'momentos de descontração' ou pelo menos de descanso seriam raros, que não dava pra piscar sem perder o bonde (o que não quer dizer que ficar no bonde te levaria muito longe também), e que por mais que você fosse ver aquele cara em todas as semanas letivas por mais um bom tempo, era igualmente claro que também sairia dali sem saber praticamente nada 'humanizadamente' sobre ele além do quão engraçado ele conseguia involuntariamente ser em sua invariável ranzinzice inócua com toques de weltschmerz diante de algumas das muitas manifestações de curiosidade ou simplesmente estupidez juvenil que o cercavam vez ou outra tentando (sempre em vão) descobrir algo sobre sua 'história de vida' (sic) e/ou seus gostos 'fora' do mundo da física (ah, faça-me o favor!). O cara era tão mestre no low-profile que até as especulações que quase sempre afligem esse nobre tipo de pessoa passavam a anos-luz de qualquer resquício de verossimilhança (ide a história do guarda-chuva ou a variável com um barranco e pedaço de papelão). Mas houve é claro uma anomalia, algo sem precedentes que até onde eu sei nunca mais se repetiria: um dia ele passou um filme em sala, 'Slumdog Millionaire,' sim, por que mais eu estaria escrevendo sobre isso aqui não é mesmo? Mas o ponto não é nem um 'you from all people!' em relação a ele ter passado uma porra de filme em sala(!), talvez nem mesmo o fato do filme escolhido ter sido o 'Slumdog Millionaire,' que estava naquele hype desgraçado de pós-lançamento e tal, mas sim a natureza da afeição, praticamente um carinho, que ele demonstrou pelo filme, com benevolência extremamente atípica até mesmo pelos aspectos mais água-com-açúcar do filme. Isso não não me pareceu só surpreendente (que na época achei o filme tremendamente decepcionante): era absolutamente incompreensível. Revendo hoje eu vejo que só foi incompreensível por eu ter sido um imbecil que não viu o filme direito: não, não foi porque 'Slumdog Millionaire' tenha se revelado um filme muito melhor hoje do que na época; pareceu um pouco melhor só, talvez um pouco mais do que um pouco, mas não muito. Mas o ponto, se há um ponto nessa coisa que estou tentando dizer, acho que seria que, é claro!, deveria ter sido tão óbvio que a escolha do professor toscamente descrito acima por algo 'fora da física' pra se passar em sala tenha sido um filme que é construído essencialmente a partir de uma série de contextualizações biográficas ao redor de uma série de questões que descontextualizadamente não seriam tão interessantes, sugerindo por extensão um potencial frame humanizador para qualquer quadro de perguntas e respostas imaginável, pra qualquer nível de desempenho dentro desse quadro, e enfim uma lição (quantas vezes mais ainda a ser revista, de quantas formas...) sobre a natureza associativa da memória e do aprendizado, o que é crucial diante da alternância entre a presença e a ausência dos inúmeros contextos no decorrer de uma vida. Na ausência, um contexto não deixa de existir.

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  • Andre Carvalho
    Andre Carvalho

    Tenho uma quase certeza de já ter te indicado, inclusive aqui pelo Filmow. De toda a forma, reafirmo a indicação. Se eu fosse tentar descrever este vídeo, e algumas cenas que ele trazem, seria algo do tipo que tu descrevestes sobre aquela cena do Toy Story, levando em consideração inclusive a data e qualidade do vídeo no YT.

    Esse filme aqui povoou as melhores tardes de chuva, sem preocupação nenhuma, que qualquer criança gostaria de ter.

    https://youtu.be/UyqjN8Au8QI

    ps: ouvi atentamente as músicas; magistral.

  • Victoria Hautz
    Victoria Hautz

    Fiquei muito curiosa com a sua descrição! Irei assistir, com certeza! E recomendo muito Oslo e Alemanha. Diga-me o que achou depois de assistir!

  • Andre Carvalho
    Andre Carvalho

    Sim sim. Havia baixado ele quando corri pela discografia dele. Aparentemente foram sessões de improviso em ensaios, ou algo do tipo. Altamente ricas, diga-se de passagem.