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Últimas opiniões enviadas

  • Jéssica

    As frases: "There's a lot of beauty in ordinary things." e "I wish there was a way to know that you're in "The Good Old days" before you've actually left them.", para mim, são perfeitas para resumir a série. ❤

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  • Jéssica

    Essa 4ª temporada enfrenta o passado e acaba por trazer mais alma e mais honestidade à série. A meu ver, a cada episódio fica nítido que ninguém está realmente bem em "BoJack Horseman". As pessoas que dizem que estão, estão mascarando a realidade, e as pessoas que sabem que não estão bem, estão constantemente lutando com esse conhecimento para melhorar. Penso também que essa temporada apresenta menos mentirosos e mais personagens tentando avançar para um melhor estado de existência e, assim, descobrir que talvez às vezes, quando você menos espera, há uma esperança real de encontrar esse lugar mais feliz - talvez até encontrar isso em outras pessoas.

    Agora, sobre os pontos altos da temporada, para mim:

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    1. o episódio que falou sobre a crise das armas nos Estados Unidos somado a questão de gênero, onde há o diálogo em que a Diane diz: "Eu não posso acreditar que este país odeia as mulheres mais do que adora as armas!", e a Princess Carolyn responde: "Não??", diz muito, tanto sobre a questão do armamento como o quanto as mulheres ainda são vistas de forma pejorativa e tratadas de forma imbecilizada (basta ver as reações dos homens no episódio).

    Para reforçar a crítica contra a temática sexista, ao decorrer dos episódios, ainda há a série “American Dead Girl”; o programa de "empoderamento" feminino “Felicity Huffman’s Booty Academy”; o triste aborto espontâneo da Princess Carolyn junto a forma monstruosa como o doutor a trata e dá a notícia a ela; todas as opressões que a Beatrice sofreu durante a vida inteira; a lobotomia sofrida pela mãe da Beatrice; a questão do suplemento para a perca de peso da Hollyhock e a Diane com dificuldades de se posicionar por ser mulher. E ao mesmo tempo que choca, exatamente por sabermos que tudo isso é bem real, é ótimo ver que a série continua implacável ao usar o humor em seu ataque aos regimes patriarcais de longa duração dos Estados Unidos (e que reverberam pro resto do mundo).

    2. o episódio que destrincha a vida da Beatrice, que é fantástico! Beatrice ao ter um filho não planejado viu sua vida virar um fardo e isso custou mais a ela do que custou ao seu filho. Ela se tornou amarga e furiosa, sua vida ficou sem amor algum. Ela poderia ter melhorado isso? Talvez, mas a 4ª temporada enfatiza o papel prejudicial que o sexismo institucionalizado desempenhou no enquadramento da perspectiva sem esperança de Beatrice. Por isso mesmo ela se enxerga na pele da Henrietta e procura a forçá-la a seguir seus sonhos, dizendo: "Acredite em mim, você não quer isso. (...) Não deixe aquele homem envenenar a sua vida como envenenou a minha". Aqui percebemos que tudo, por mais difícil que seja, e que toda àquela figura fria de Beatrice são totalmente justificáveis. As cenas em que seu pai brigava com a sua mãe e com ela; a forma como ele as depreciava; a lobotomia que sua mãe sofreu por conta do pai 'não saber lidar com emoções femininas'; as criticas constantes que seu pai direcionava a ela por ela querer ler e ter um pensamento livre, ou até mesmo por querer simplesmente comer, são muito perturbadoras. Vemos os inúmeros abusos que a personagem passou desde sempre e como ela foi internalizando todos esses abusos dentro dela. Ela só teria valor a um homem (e só isso que importava) se possuísse beleza e isso, somente isso, ao olhar de seus pais e da sociedade, já era o suficiente para ela ser feliz e viver conformada. Ela, que se mostrava muito inteligente, crítica e curiosa foi "apagada" em vida, e passou a viver vegetando. Não tem como não criar empatia com a personagem. E a cena final e que o BoJack consegue fazer com que ela pense no sabor do sorvete, quebrando o trauma que ela tinha de sequer experimentar, é lindo, mesmo sendo em um contexto bem conturbado.
    O BoJack quer ser a vítima, e ele realmente é, mas não comparado a sua mãe. Beatrice foi constantemente espancada pelas declarações de seu pai, os sonhos de seu marido e as exigências de seu filho. A responsabilidade que o homem que queria escapar para a Califórnia (e os muitos homens que julgam as mulheres pelo que fazem com seus próprios corpos) resultou em uma criança que não queria, que não conseguiu curar o seu casamento e isso, consequentemente, acabou por gerar um homem/cavalo também quebrado.

    Vejo que a 4ª temporada é focada, mais do que nunca, naquela jornada muito complicada, para todos os seus personagens. A aparição da Hollyhock se mostrou um ponto forte para essa busca desenfreada. E no final das contas, o questionamento real acaba nem sendo "Onde está o BoJack?" mas sim em "Quem é o BoJack?". E ele está tentando resolver este, que é o maior mistério de todos, o de encontrar, conhecer e suportar a si mesmo. O mesmo desafio que todos nos esforçamos para responder: qual é o significado da vida?

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  • Jéssica

    Como é gostoso sair do cinema satisfeita e feliz por ter assistido a mais um grande filme nacional. ❤

    Abordando o cenário contemporâneo da mulher, de forma sutil e forte ao mesmo tempo, Laís Bodanzky nos entrega um belo filme, tanto pelo roteiro quanto pela direção e montagem como um todo

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    (a cena da chuva no início, a fumaça do cigarro e o leite derramado são ótimas metáforas para demonstrar a tensão dos momentos vividos)

    . As temáticas feministas são bem pontuais e precisas, e foi interessante perceber que, além de mim, muitas outras mulheres presentes na sessão se identificaram tanto com os dilemas, lutas, dores, relacionamentos conturbados, pressões, opressões e conquistas do dia a dia das personagens. Rosa é uma personagem real e, se olharmos com mais cuidado, percebemos que é possível encontrar diversas dela em inúmeros lugares. Aliás, as personagens femininas são muito bem interpretadas, com grande destaque para a Maria Ribeiro e a excelente Clarisse Abujamra. E não tem como não ressaltar, a participação do Jorge Mautner também foi muito preciosa. :)

    Adorei a aparição do livro "O Segundo Sexo", da Simone de Beauvoir e pela referência à peça "Casa de Bonecas", do Ibsen, durante o filme.

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    Ter a Rosa como uma simbólica ressignificação contemporânea da protagonista Nora, de "Casa de Bonecas" foi uma grata surpresa.

    Do título vem a icônica frase do Belchior "Ainda somos os mesmos e vivemos como os nossos pais"

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    e, no filme, é até mesmo aliviante ver que a Rosa, que sustenta a família sozinha, como sua mãe o fez no passado, consegue se encontrar e ter forças para mudar e quebrar esse ciclo

    .

    Um resumo doce e sutil do filme para mim está em uma das últimas cenas,

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    na qual a Rosa rega as rosas do jardim como se estivesse, finalmente, cuidando de si mesma em um ato que demonstra o amor, o crescimento, o amadurecimento, a ressignificação e o fortalecimento de si mesma. ❤🌹

    Sem dúvida temos um dos grandes filmes do ano.

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