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Últimas opiniões enviadas

  • Jorge Cruz Jr.

    Muito se falou, quando do lançamento de O Estrangeiro, do tom mais dramático na atuação de Jackie Chan, que há pelo menos 20 anos, quando explodiu em popularidade ao estrelar A Hora do Rush (1998), fez parte de muitos filmes de ação de diversão fácil, com pouca preocupação em relação ao conteúdo.

    Ignorar boa parte de uma carreira de mais de quarenta anos alegando se tratar de uma produção apenas comercial é tão errado quando elevar este longa ao patamar de ponto de virada da carreira de Chan. Baseado em um livro de Stephen Leather, a adaptação de David Marconi apenas atualiza a forma como um thriller de suspense é contado - e nem é um estilo tão novo assim. De poucos trabalhos ao longo da carreira, o roteirista repete o trabalho de Inimigo do Estado (1998) e de Duro de Matar 4.0 (2007) - neste segundo creditado apenas pelo argumento. Ele cria boas camadas para nos aprofundarmos nas motivações do protagonista, como um bom filme de ação faz desde os anos 1980.

    Chan interpreta Quan, um dono de restaurante chinês que acaba de presenciar um ataque terrorista em Londres que vitimou sua família. O carisma do ator torna convincente sua interpretação, principalmente quando vemos uma transformação sutil do personagem ao chegar em casa desolado e revisitar o quarto da filha adolescente, uma fase em que somos tão desorganizados quanto espaçosos. O texto de Marconi permite atacar em mais duas frentes: a dos responsáveis pelo ataque (que fica um pouco solta e é abandonada por longos períodos) e a de Liam Hennessy, irlandês vivido por Pierce Brosnan. Formalmente ex-membro do IRA, ele atua como Ministro britânico sob a responsabilidade de manter a paz junto aos separatistas da Irlanda do Norte (onde o filme foi banido dos cinemas) - enquanto comete o adultério nosso de cada dia, como um bom canalha pede.

    Estas tintas fortes nas personalidades de protagonista e antagonista é o que permite acreditar que O Estrangeiro - mesmo sendo um bom filme - está longe de ser a salvação da lavoura. A trama é baseada na vingança da honra da família por parte de Quan, que abandona sua rotina para ir atrás dos assassinos e conta com as informações de Liam para isso, fazendo com que um "ordinary man" vire uma mistura de MacGyver com Bruce Lee e John McClane. O diretor Martin Campbell, que atualizou por duas vezes a franquia James Bond com 007 Contra GoldenEye (1995) e Cassino Royale (2006) faz a história ser contada da maneira mais realista e violenta possível. Ele voltou à cadeira depois da bomba Lanterna Verde (2011) e deve ser orgulhar do retorno.

    Pouca coisa em O Estrangeiro incomoda. Uma delas é no roteiro que, por não saber desenvolver a motivação de Liam com a mesma eficiência que a de Quan, saque um diálogo expositivo que chega a ser enfadonho perto da dinâmica do restante do longa. Além disto, a atuação de Pierce Brosnan, forçando o sotaque irlandês, parece fora de tom, contrastando com a (surpreendente) naturalidade de Chan. A alegria de quem gosta do ator chinês é saber que, mesmo na casa dos 60 anos, ainda é possível aproximar sua filmografia de projetos interessantes como este. Mesmo que o resultado final não seja primoroso, a experiência de ver O Estrangeiro ainda é válida se comparada com a média geral, por passar longe da superficialidade.

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  • Jorge Cruz Jr.

    O Motorista de Táxi, representante da Coréia do Sul na briga pelo Oscar de melhor filme estrangeiro em 2018, é um excelente exemplo de de comunhão entre uma produção de boa técnica cinematográfica em uma história de ótimo apelo junto ao grande público. Filmes como esse deverão ser cada vez mais comuns, dada a popularização da produção cinematográfica. No representante brasileiro, Bingo: O Rei das Manhãs, foram citadas estas mesmas características, a conferir ainda.

    A trama conta a história de Kim, motorista de táxi de Seul em maio de 1980. Viúvo, com uma filha pré-adolescente e devendo quatro meses de aluguel, ele atravessa uma corrida para Gwangju destinada a um colega. Ele deverá levar o jornalista alemão Peter, que viajou para cobrir uma onde de protestos de estudantes que acontecia naquela cidade, que acredita que Kim sabia falar inglês e em que furada estava se metendo. Este levante estudantil foi abafado pelo governo e pela imprensa do país, apesar do Exértico ter isolado a cidade com boatos de que estavam respondendo às reuniões com balas de verdade.

    Em um primeiro momento, O Motorista de Táxi não mede esforços para que a história seja contada de maneira até leve. A personalidade de Kim nos permite acreditar que, mesmo diante de tantos problemas, ele é uma pessoa bem humorada - mesmo com os trejeitos do taxista clássico, que reclama das condições da pista, do trânsito e de todos os outros condutores que chegam perto dele. Já Peter é um típico ocidental que se vê em um país com cultura e língua muito diferentes da sua. É de se criticar que o roteiro utiliza por quase toda a primeira metade um alívio cômico baseado apenas em uma piada: o fato de um protagonista não entender o que o outro fala. Mesmo assim, ao final concluimos que isto não afeta tanto o resultado final.

    A interpretação de Kang-ho Song, como o taxista Kim, é nada menos que espetacular; enquanto a performance do alemão Thomas Kretschmann como Peter se encaixa muito bem com a proposta do roteiro ao seu personagem. Esqueça o ocidental que está em cena para ser o heroi. Ele assume a vez de observador, trazendo surpresa, emoção e - principalmente - comoção, na hora certa. O trabalho de estreia do roteirista Yu-na Eom é bom, mesmo que utilize uma técnica ultrapassada consistente em escrever uma excelente cena de determinado personagem, criando uma empatia automática com o espectador, para que momentos seguintes ele sofra uma tremenda injustiça. Porém, utilizar o melodrama com moderação é um de seus acertos e O Motorista de Taxi termina com muito mais impacto do que uma simples biografia pudesse causar. Consegue ser eficiente com alguns truques utilizados para marcar o grande público. Um exemplo de linguagem acontece em duas cenas em que Kim dá uma guinada com seu carro: a primeira tentando fugir da cidade e abandonar Peter e a segunda quando parece entender qual sua missão humanitária naquele momento.

    Isto porque a ambientação histórica do longa acontece no Massacre de Gwangju, um episódio que ocoreu entre 18 e 27 de maio de 1980 na Coréia do Sul. Apontado como uma revolta comunista, depois se revelou ser um levante democrático, contrário ao governo do ditador Chun Doo-hwan. Vale destacar a boa direção de Hun Jang, principalmente nas cenas dos protestos. Excelentes enquandramentos, além de montagens e trilhas sonoras alinhadas, utilizando muito bens os sons da rua como os cantos e os barulhos de tiros. Com esta soma de trabalhos inspirados, não poderia ser negativo o resultado desta produção.

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  • Jorge Cruz Jr.

    O nepotismo na produção de O Abutre tinha tudo para fazer com que escolhas não tão acertadas pudesse colocar tudo a perder, todavia isto não ocorreu. O filme entrega exatamente aquilo ao que se propõe, mesmo que não em um nível de pequena obra-prima, como alguns tentaram vender - e o potencial era para isso.

    Dan Gilroy, um roteirista em ascenção em Hollywood, arriscou seu primeiro trabalho como diretor com um texto que, de longe, é o mais pretensioso de todos que parece ter escrito. É possível que ele tenha visto apenas em si potencial para tirar do papel a trama de Louis Bloom, jovem desesperado por trabalho e sem muitas perspectivas de encontrá-lo. Ele encontra uma oportunidade ao ver como pessoas munidas de um carro, um bom equipamento de filmagem e um rádio que intercepta as mensagens da Polícia de Los Angeles conseguem faturar um dinheiro vendendo vídeos extremamente violentos de acidentes e crimes cometidos pela cidade. A viagem do filme traz muito da discussão acerca da ética da decadente profissão de jornalista e seus programas policiais cada vez mais sensacionalistas e viscerais, feitos para agradar uma audiência obcecada por sangue.

    Para que esta nova função de Dan pudesse ser executada, era importante que Tony Gilroy, seu irmão mais velho, ancorasse a produção. Ele também é roteirista e quando se arriscou como diretor obteve dupla indicação ao Oscar de 2008 por Conduta de Risco (2007), outra trama que discute ética de uma outra profissão decadente, a de advogado. A edição de O Abutre ficou sob responsabilidade de John Gilroy, irmão gêmeo de Dan. A dupla deverá ter longa vida em Hollywood, uma vez que em 2016 conseguiram colocar as mãos em um dos produtos mais valiosos da indústria, ao serem creditados como roteiristas e editores de Rogue One: Uma História Star Wars (2016).

    Por fim, Dan Gilroy manteve sua tradição de encaixar um personagem de destaque para sua esposa, Rene Russo. A atriz, que estava um pouco esquecida até viver Frigga nos filmes do Thor, interpreta Nina Romina, a chefe de redação do canal de televisão de pior audiência de Los Angeles (tipo a Rede TV) e vê seu desespero por melhoria de resultados aumentar uma vez que seu contrato de dois anos está chegando ao fim. Ela serve de equilíbrio na narrativa de O Abutre. Funcionando como par, antagonista, vítima e vilã, sua personagem passeia pelo roteiro para que a trama tenha o tom que aquele momento pede.

    Porém, a alma do filme é Jake Gyllenhaal, brilhante e dez quilos mais magro no papel de Bloom. Atuando em larga escala, com mais de 30 filmes em menos de 20 anos de carreira, ele é perfeito para seres como Louis, meio andróginos e desprovidos de qualquer vínculo afetivo, algo entre o autismo e a psicopatia. Parece até uma zona de conforto, uma espécie de evolução do papel-título de Donnie Darko (2001), que, assim como Louis, também praticamente não piscava o olho. Trata-se de uma maneira de atuar em que Jake traz uma referência de sua própria filmografia. A evolução de seu personagem, que se sente um pouco justiceiro quando tenta identificar alguns criminosos ao mesmo tempo em que evita dar os primeiros socorros a um acidentado para encontrar o melhor enquadramento para suas imagens, é muito convincente. Suas motivações, mesmo quando não claras no início de algum episódio, se revelam e são coerentes ao final. Mais uma vez a Academia ignorou seu trabalho e ele segue com apenas uma indicação, como ator coadjuvante por O Segredo de Brokeback Mountain (2005).

    Dan GIlroy cortou todo um arco introdutório acerca da origem de Bloom, uma decisão magnífica. Ele ser apresentado como um produto do meio gera um distanciamento sentimental fundamental no espectador. A pegada é de um thriller psicológico urbano, um gênero que não nasceu com Martin Scorsese, mas possui como magnum opus Taxi Driver (1976). Já o ponto de virada se assemelha mais com Blow-Up: Depois Daquele Beijo (1966) - e sua versão americana Um Tiro na Noite (1981). Talvez essa ligeira sensação de déjà-vu tire um pouco do peso de O Abutre para um cinéfilo mais aficcionado. Além disto, a temática de utilizar o audiovisual como instrumento psicótico não é inédita, lembrando um pouco a abordagem do injustamente execrado pela crítica 8mm (1999) - mesmo que este siga um caminho muito diferente. Para manter esta viagem cinematográfica, vale mencionar que, definitivamente, estamos diante de um filme muito melhor que o superestimado Drive (2011), que, aliás, utiliza o mesmo restaurante de uma das cenas de O Abutre.

    As quebras narrativas quando o cenário da madrugada violenta de Los Angeles dá espaço para a redação do jornal são ótimas, dignas de um roteiro apurado. Foi merecida a indicação de Dan Gilroy ao Oscar nesta categoria. Além disto, no segundo ato em especial, a trilha sonora incidental se destaca até de forma surpreendente, uma vez que o longa não parecia inclinado a estas variações artísticas. Notas de produção informam que toda a trilha tocada representa a música que tocava na cabeça de Louis naquele momento. O ato final movimentado tem o condão de aproximar O Abutre do grande público, o que não só transformou a qualidade do filme em reconhecimento direto, como abriu portas para a evolução na carreira de seus realizadores. Com um pouco mais de profundidade, ele seria um pequeno clássico. Mesmo assim, ainda excelente.

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  • Filmow
    Filmow

    O Oscar 2017 está logo aí e teremos o nosso tradicional BOLÃO DO OSCAR FILMOW!

    Serão 3 vencedores no Bolão com prêmios da loja Chico Rei para os três participantes que mais acertarem nas categorias da premiação. (O 1º lugar vai ganhar um kit da Chico Rei com 01 camiseta + 01 caneca + 01 almofada; o 2º lugar 01 camiseta da Chico Rei; e o 3º lugar 01 almofada da Chico Rei.)

    Vem participar da brincadeira com a gente, acesse https://filmow.com/bolao-do-oscar/ para votar.
    Boa sorte! :)

    * Lembrando que faremos uma transmissão ao vivo via Facebook e Youtube da Casa Filmow na noite da cerimônia, dia 26 de fevereiro. Confirme presença no evento https://www.facebook.com/events/250416102068445/

  • Ariane
    Ariane

    Atualiza seu Filmow, por favor.

  • Filmow
    Filmow

    Pessoal…

    O Oscar 2012 está chegando, e nós do Filmow resolvemos fazer um bolão para vocês usuários. E é claro que o vencedor não irá sair de mãos abanando, iremos dar um iPad 2 para o primeiro colocado.

    Então não perca essa chance, é só entrar na pagina do bolão, fazer o seu cadastro e já começar a dar os seus palpites.

    http://filmow.com/bolao-do-oscar/

    Participe e boa sorte.