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  • Julian Ortiz

    É indiscutível a importância das entrevistas de Kemper ao FBI, que ajudaram a definir termos conhecidos hoje, como a separação entre serial, spree e mass murderers, além dos "motivos" para seus crimes. Porém, apesar da produção decente, o documentário em si toma rumos no mínimo bizarros. Quem conhece a história do assassino em questão sabe que ele era o camarada dos policiais, se enturmava com eles e queria até se tornar um. Aqui, esse parece ser o foco.

    Comentário contando partes do filme. Mostrar.

    A incompetência policial é abafada pela incessante afirmação do quão Kemper era inteligente. Mostram seu QI, contam como ele conseguiu sair do hospital psiquiátrico, e repetem a cada 10 minutos que, pra não esquecerem, ele era muito inteligente. O cara foi parado por um policial por dirigir com uma lanterna traseira quebrada, e, ao sair do carro, pergunta se o policial quer checar o porta-malas (onde tinha um cadáver), no que o policial responde que não precisa e vai embora. Mas esse episódio, além das dicas que Kemper dava enquanto bebia com policiais, são tratados apenas como detalhes, o importante mesmo é relembrar que ele era inteligente. O próprio assassinato das garotas caronistas é contado entre descrições do quão gentil ele era.

    Humanizar a imagem de serial killers é uma parte importante para o estudo dos motivos e eventualmente a descoberta de soluções para prevenção do mesmo, mas aqui vemos esse caso elevado à "n" potência. Chega a ter o depoimento de um ex agente da lei descrevendo como Kemper (depois de preso) curou seu torcicolo em 5 minutos, e de como se sentia protegido ao lado dele, ao invés de temeroso.

    O toque final é a repetida citação de como sua mãe é responsável pela matança (sim, o famoso John Douglas afirma isso no documentário), e aí mora a principal característica que busca sustentar a benevolência de Kemper. Sua incapacidade de comunicação com as mulheres que sentia atração nunca é linkada com o fato de ele passar os anos mais importantes de desenvolvimento (15-21) num hospital psiquiátrico, depois de matar os avós. Em vez disso, é relembrado constantemente o relacionamento conturbado com a mãe ao longo da vida, e até o fato de ela não querer arrumar encontros para ele com estudantes da faculdade onde ela trabalhava.

    Acho essa abordagem curiosa quando comparada à casos como o de Aileen Wuornos. Na maioria esmagadora das análises sobre sua vida, o fato de ser abusada repetidas vezes até pelo avô é passado como detalhe, e não fator principal, enquanto o foco é ressaltar quantas vidas preciosas de pais de família ela tirou. Exatamente o tratamento contrário do camarada Kemper.

    No geral, o documentário basicamente insinua como Kemper era legal, gentil, inteligente, prestativo, e, mesmo depois de matar, continuou sendo tudo isso. Um verdadeiro "parça".

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