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Últimas opiniões enviadas

  • Lara Fernandes

    Comentário contando partes do filme. Mostrar.

    Olha, cagaram no papel da psicóloga. Ainda mais nessa ideia de medicar imprudentemente (se nem medicar uma psicóloga poderia, né). Apesar disso, é um filme para ser sentido. As lembranças felizes me doeram. Eu senti esse filme como se retratasse o despreparo pra términos porque, na realidade, ninguém tá pronto. Eu gostei de como enxergamos o mundo pelos olhos de Antonio e aí, quando percebemos as coisas pela ótica dele fica esse "precipício" entre o que ele acha que é o motivo do término e o real motivo do término - não sabemos, ele não sabe; e muitas vezes é mesmo isso. Términos são cobertos de "e se" onde é difícil medir quando foi que começou o fim.
    O que mais gostei do filme é que enxergo etapas. Etapas que são reais nesse processo de lidar com finais. A etapa de fugir sentir (negar sentir, “estou ótimo”), a etapa do sentir raiva (a ligação descompensada com vários “vai tomar no cu”), a etapa de tirar o peso da culpa de si (ele queria que Sofia apontasse o que estava acontecendo com ela), a etapa de sentir carência (ele até foi atrás dela), a etapa de compreender que o outro continua com uma vida depois de você (ele vê isso nas redes sociais dela e depois quando se depara com a ideia de que ela está com outra pessoa), a etapa de se perder e ter que novamente se achar (ele não sabia nem medir quando era momento ou não de beijar alguém), as constantes imagens feito filme de lembranças – e ele que não controla os próprios pensamentos e grita em seus pensamentos que se o pensamento é dele, ela não deveria estar ali mas ela tá. Isso das lembranças felizes serem a atual fonte da tristeza, foi especialmente aí que senti o peso da realidade do filme.
    Eu entendo o filme como sendo uma não aceitação do final do relacionamento, até caminhar para o entendimento disso. Acho interessante como na sessão com a psicóloga ele diz “não sentir nada” depois dos remédios e quer continuar assim, pois “finalmente está bem”. Daí mostra ele continuando a vida se apoiando em medicação, acho simbólico quando ele está escutando a prima, mas a cena mostra como ele não está de fato. A segunda fase, que é ele largando os remédios e começando a se permitir sentir é um divisor de águas (vê-lo ali chorando sozinho no apartamento). Ele limpa a casa, isso também é se limpar. Ele compra móveis para a própria casa, antes ele não queria nada dele, “é temporário” sempre repetia; esse “temporário” também era negação mas daí finalmente ele decorou a casa, até com aquela girafa que ele tinha gostado e deixou pra levar outro dia. Ele cozinha com os amigos (mesmo que continue cozinhando muito mal). Ele recebe uma mensagem da Sofia enquanto há outras 5 do tinder (ele continuou usando, ele tá vivendo um dia de cada vez né). Ele finalmente tem uma conversa tranquila com a ex namorada. E especialmente, achei necessária aquela cena final. Ele está conversando com a prima, porém agora é uma conversa real. E veja só, ela também enfrenta um término e o que ele diz pra ela é que vai doer. E vai ser bom, de alguma forma. E é isso. Ele entendeu ou está começando a entender. Que bom que finalmente ele está se permitindo sentir. Vai doer. E tá tudo bem doer.

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  • Lara Fernandes

    Eu não entendia quando uma amiga, durante vários anos, insistia para que eu assistisse “O segredo dos seus olhos”. Protelei por muito tempo, até chegar o dia de hoje. Não lembro a última vez que um filme mexeu comigo dessa forma.

    Comentário contando partes do filme. Mostrar.

    Num momento do filme em que interpretam as cartas com nomes de jogadores de futebol, é dito em relação ao Andretta: “Uma coisa séria: aqui o chamamos de Platão, porque vive na academia.”, pouco após a cena do discurso sobre paixões que falou Sandoval para Espósito. Pensei na ideia das paixões que tanto aborda Platão; e não o Platão dito no filme, mas o Platão filósofo.
    Nesse caso, do Platão que estou apontando, há a ideia de que as pessoas têm uma dualidade conflitante de corpo e alma. A alma trataria daquilo que anseia pela perfeição do mundo inteligível e o corpo daquilo que anseia pelos prazeres. O corpo possui paixões conflitantes, excessos; e excessos podem levar a prazer e dor.
    Espósito se fechava para o amor por temer os conflitos cotidianos (logo, queria a perfeição do mundo inteligível), por isso ele experimentava o amor pelos olhos de Morales que, veja só, a partir do momento que deposita seu amor em alguém que já morreu: não sofreria com as dificuldades dos desgastes do cotidiano (e poderia viver na perfeição das lembranças do mundo inteligível), o amor estaria intacto naquelas exatas lembranças. Entretanto, enquanto Espósito evita os prazeres do corpo para não chegar à dor, Morales já experimentou os prazeres e a dor e agora se mostra obsessivo em substituir o prazer e a dor com a busca de Gómez, sem se contentar em não ter mais esses excessos de sentimentos. O mundo inteligível, para Morales, não é suficiente – nota-se isso quando ele mesmo começa a duvidar das próprias lembranças.
    Outra coisa curiosa, ainda nessa linha de raciocínio, é que o filme bate muito na tecla da “falta” e eu entendo, em parte, o amor dito por Platão exatamente como essa “falta”. Amamos aquilo que desejamos e o desejo está muito inclinado, também, para a questão da falta. Desejamos, muitas vezes, o que não temos. Espósito deseja Irene, mas não se permite ter; Irene deseja Espósito, mas não o “tem” e não há duvida de que eles se amam; Morales, entretanto, já pensou que teve Liliana – e ama obsessivamente por perceber que não tem de fato; as pessoas morrem, os caminhos descruzam, enfim – não é como se necessariamente aquela pessoa fosse passar o resto da vida ao seu lado e é ilusória, de toda forma, a ideia de possuir alguém. Ainda assim, é interessante notar como Espósito vê esse amor como “ideal”.
    Depois, quando Espósito observa que fim levou a substituição do amor obsessivo de Morales pelo ódio à Gómez (a solução pelo quê viver durante esses 25 anos que Morales encontrou), penso que existiu um “estalar” em Espósito. Esse “estalar” que falo agora, no entanto, é de compreender que a vida é apenas uma e que, sim, as nossas escolhas do presente são guiadas pelo nosso passado, os nossos atuais desejos, nossas atuais urgências e que, se a vida é uma só, ainda temos coisas a compreender e, quem sabe, resolver. Espósito passou 25 anos trancafiando o desejo e o amor que sente por Irene e compreendeu que não fazia sentido “viver” apenas no mundo inteligível com esse amor porque se permitir sentir prazer e dor é o que nos faz, afinal, existir. Ali, diante da prisão perpetua de Gómez, observando até mesmo como Gómez nem ao menos dialoga com Morales, pensei que Morales estaria, por fim, existindo num vazio, não há mais nem mesmo o que sentir, não há sensação de existir.
    É assim que analiso que, então, Espósito luta contra a própria existência vazia e para isso ele escuta o reflexo que o seu passado tem sim em seu presente, voltando para a ideia de que a vida é uma apenas uma. Desta forma, compreende o ato falho de escrever “TEMO” que era para ser "TE AMO", faltando à mesma letra "a" da máquina de escrever – e nada poderia ser mais bonito do que isso.

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