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Últimas opiniões enviadas

  • Gustavo Henrique Garcia

    Robert Altman é o mestre da sutileza. O humor do filme está nas entrelinhas; determinados gestos dos personagens, pequenos detalhes nos objetos de cena, algumas expressões e metalinguagens... Essas pequenas coisas constroem a base do filme, sendo essa uma grande sátira a indústria norte-americana de cinema.

    Na superfície do filme, temos também um grande thriller, movido a fantásticas atuações, dilemas morais perfeitamente desenvolvidos, personagens fortes e temas significantes. A todo momento o filme brinca com a metalinguagem daquilo que é verdade e o que é ficção, os personagens tentam fugir da realidade a todo custo, e o final do filme, por mais feliz que seja, deixa uma ambiguidade no ar. Pela conversa no telefone entre Tim Robbins e o homem que o ameaçava, percebemos que ele tem um certo desespero na voz quando diz "tem que me garantir de que o final será esse", dando a entender que o que vemos é, assim como "habeas corpus", a versão fantasiosa do que realmente aconteceu, e o personagem procura esperança para sua vida nessa ficção.

    De certa forma, todos nós vemos no cinema uma fuga de nossa própria vida, Nos alienamos da tristeza que nos cerca com falsos finais felizes e conclusões banais, e essa fuga se torna nossa salvação. Percebam o detalhe de que, a única personagem que tenta manter a realidade no final do filme que estão produzindo, é também a única que termina com um final triste e amargo, enquanto todos os outros que renunciaram a realidade conseguiram alcançar o final feliz.

    Assim como Nashville é uma genial sátira ao mundo da música e todos os seus jogos de falsidade, egoísmo e avareza, Altman faz o mesmo em The Player com a indústria do cinema. Tudo que eu falei está mais relacionado ao roteiro, cheio de subtextos e discussões, mas a direção precisa ser exaltada. A câmera se move de um jeito espetacular, a começar por um dos planos sequência mais impressionantes que já vi em um filme. Clássico absoluto!

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  • Gustavo Henrique Garcia

    Como renovar o gênero de ação em um período do qual praticamente tudo que poderia ter sido feito no gênero já foi repetido exaustivamente? É difícil entender como, mas John Wick conseguiu.

    O grande mérito desses filmes talvez seja a genialidade de como a franquia entendeu o que faz de um filme de ação bom, e ainda agregou a isso suficientes coisas para torná-lo original dentro dos limites que o filme se propõem. A começar pelo personagem central; carismático, com uma pitada de drama e um objetivo moral que dá um rumo ao personagem e cria um elo dele e o espectador. Sim, a ideia de "assassino querendo se aposentar" é uma das mais repetidas da história do cinema, mas algo ser clichê, não é o mesmo que "fácil de ser executado". Pelo contrário. Pra cada "os imperdoáveis" que fez a coisa do jeito certo, existem centenas de "x-men origens Wolverine" que fizeram da maneira mais tosca e sem alma possível.

    Definindo bem o personagem, que tal uma direção competente? Não precisa ser um George Miller, basta um bom diretor que saiba manter a história e atuações nas rédeas, com um bom padrão de qualidade, e cenas onde a ação se mantém clara ao público e vibrante aos olhos. Longe daquelas porcarias de câmeras tremidas que invadiram o gênero e destruíram todas as cenas que puderam. Em John Wick a ação é clara e objetiva, e o filme ainda se preocupa em criar momentos marcantes, como a cena do tiroteio no labirinto de espelhos, que é um caleidoscópio de violência.

    Agora, a grande sacada vem na história. Ao mesmo tempo que você estabelece um plot simplista, que torna a ação ágil e perfeita para aqueles que só querem um cinema escapista, você ainda faz dela uma espécie de sátira do gênero. Qual o motivo mais banal pra um cara decidir matar 2 milhões de pessoas? Bem, e não são todos?

    Nessa continuação, o universo é expandido. O quão brilhante é vermos esse contraste da violência banal e descontrolada, com os modos e códigos morais que regem o mundo dos assassinos.Outro aspecto extremamente acertado desses filmes, é o cansaço e mutilação que o protagonista sofre ao longo de sua jornada. Sim, John Wick matará a todos, mas no processo, será esfaqueado, baleado, pisado, cuspido, atropelado.… Esse pequeno detalhe, torna o personagem mais vulnerável, e por mais foda que ele seja, o público ainda teme por sua vida, e torce a todo momento para que ele consiga escapar de mais uma.

    Por fim, o detalhe que foi a cereja no bolo de sangue pra mim, e fez eu chegar a conclusão de que, se o terceiro filme manter o nível, será a melhor trilogia de ação do cinema: A paranoia!

    Sim! Um dos melhores conceitos pra boas histórias é a paranoia. Como em "the thing" ou “invasores de almas”, onde qualquer um pode ser o alienígena, ou então nas obras de Agatha Christie, onde qualquer pessoa em um local pequeno pode ser o culpado pelo crime; aqui nós temos um universo onde qualquer um pode ser um assassino, e todos querem te matar. Quase que um apocalipse zumbi elevado ao quadrado, o próximo filme da franquia tem tudo na mão pra ser uma obra-prima da escatologia e ação. Torcemos para que tudo dê certo.

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  • Gustavo Henrique Garcia

    Mais um grande exemplo da beleza artística e cultural única das animações japonesas. O filme se inicia apenas como uma fábula fofa e belíssimamente animada a respeito de amizade, criação e mudanças; mas quanto mais o tempo passa, mais camadas vão se juntando ao escopo inicial, dando ao filme inúmeras possibilidades interpretativas e um forte elemento dramático.

    Toda a busca dos pretendentes pelo presente que conquistaria Kaguya é brilhantemente construído, com as doses exatas de humor, romance e tragédia. Kaguya, inclusive, é uma das personagens mais complexas e fascinantes que já vi em uma animação. Sua evolução de garota simples e feliz para uma princesa deprimida, seguido de sua busca por algo que traga-lhe a felicidade de volta; é uma trajetória de personagem extremamente marcante e identificável.

    Os únicos problemas do filme são algumas transgressões e excessos de elementos narrativos como sonhos e narrações, que poderiam ter sido podados, eliminando assim o segundo problema do filme: a duração. De resto, clássico contemporânea do gênero.

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