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Últimas opiniões enviadas

  • Leonardo Lopes Carnelos

    Suspensão de descrença é uma grande relação de custo benefício. O expectador de um filme abre a mão de acreditar na viabilidade de algo acontecer para em troca ser surpreendido com uma grande trama ou uma grande cena de ação. Podemos citar, por exemplo, da saga Star Wars, as cenas em que temos explosões no espaço, ou ainda, a existência de espadas com lasers brilhantes. As cenas de batalha espacial e as lutas com sabres de luz recompensam os fato do observador atento que lembra que não existe barulho no espaço nem tampouco lasers no formato de lâminas. Tudo faz parte do show.

    Insurgente é o segundo filme da série Divergente, baseado na série de livros homônimos escrito por Verônica Roth: Divergente, Insurgente e Convergente. A idéia principal da série já havia ficado bem clara no primeiro filme, onde vemos a população mundial dividida em cinco castas: Abnegação, Amizade, Audácia, Franqueza e Erudição; e aqueles que não se enquadrassem em nenhum destes grupos seriam praticamente banidos da sociedade.

    Este é um grande trunfo das distopias, levar os expectadores para um futuro surreal para fazer críticas a sociedade atual, e no caso da série, a metáfora principal se dá no isolamento de pessoas que não se encaixam na sociedade atual, minorias que vivem a margem do padrão comum e que aparentemente não gozam dos mesmos direitos dos demais ditos normais.

    No entanto, além da metáfora principal, a série Divergente peca muito em manter a coesão da narrativa. O roteiro não chega a ter o artifício Deus Ex-macchina, que sempre é um pecado mortal, principalmente em filmes de ficção científica, mas peca principalmente na coerência de seus personagens que parecem mudar de opinião rapidamente e sem motivos reais aparentes, servindo apenas de suspense para sustentar falsos plot-twists que mais enganam o expectador que os surpreendem.

    Em termos da ficção científica em si, Insurgente não traz muitas novidades, e sim apenas alguns elementos reciclados de Matrix, Star Wars e do recente Maze Runner.

    Há de elogiar as atuações de Kate Winslet e Shailene Woodley. A primeira goza de um prestígio que acaba engrandecendo um filme dito fraco se comparado com sua filmografia; e a segunda está seguindo uma carreira interessante alternando boas participações em filmes com apelo jovem como a série Divergente e A Culpa é das Estrelas com filmes mais “sérios” como Os Descendentes de Alexander Payne. Estratégia esta que parece ter funcionado com Scarlet Johannson e Jennifer Lawrence, e a minha aposta é que ela segue o mesmo caminho.

    E este é um filme de protagonistas femininas mesmo, pois a atuação de Jai Courtney, Mekhi Phifer, Theo James, Ansel Elgort e o próprio Miles Teller são apagadas como a importância de seus personagens.

    Insurgente foi filmado em 3D e Comparando-se com outros que o antecederam é possível ver alguma evolução no uso da tecnologia, principalmente em cenas externas e bem abertas, onde os cenários mais afastados em profundidade de campo realçam e destaca o primeiro plano, trazendo beleza a cena, mas contribuem muito pouco, ou nada para a narrativa.

    As próprias cenas de ação que deveriam ser o grande trunfo na relação custo benefício da suspensão de descrença acima descrita possuem uma sustentação lógica duvidosa e uma edição rápida e confusa, fazendo com que Insurgente entregue muito pouco em relação a falta de coerência que exige dos espectadores.

    Só de lembrar que o último livro, Convergente, será dividido em mais dois filmes (parte I e II) eu já fico entediado, mas de certa forma, se o filme está fazendo sucesso entre os adolescentes e isso faz com que eles se interessem por outras distopias como 1984, Admirável Mundo Novo, Laranja Mecânica e Fahrenheit 451; a série já terá cumprido seu papel.

    Leia crítica completa em:
    http://www.artperceptions.com/2015/04/insurgente-da-serie-divergente.html

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    http://www.artperceptions.com/

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  • Leonardo Lopes Carnelos

    Grandes Olhos apresenta a história baseada em fatos da pintora Margaret Keane (Amy Adams), uma artista que pinta crianças com olhos grandes em cenários melancólicos. Minha mãe e minha sogra viveram nesta época em que eram estimuladas a assinar seus quadros apenas com as iniciais ou apenas com o último sobrenome, pois “quadros pintados por mulheres não são muito bem aceitos”. Os quadros de Margaret Keane tornaram-se muito populares depois que seu marido, Walter Keane (Christoph Waltz) assume a autoria e passa a vendê-los. O que vemos acontecendo na história é um verdadeiro absurdo, mas ao mesmo tempo é natural esperar que essas aberrações sejam fruto de uma sociedade onde a mulher é subjugada a uma posição inferior e seu trabalho não é levado a sério.

    O ponto alto do filme fica para as atuações dos protagonistas. Amy Adams está adorável como sempre e interpreta muito bem desde a dona de casa apaixonada, uma artista em busca de independência, até uma mulher angustiada por conta da situação em que se encontrava. Já o fanfarrão Christoph Waltz mostra sua versatilidade ao interpretar um artista frustrado, mas sedutor e com grande tino para os negócios.

    A história é um prato cheio para Tim Burton repetir sua recorrente crítica ao american way of life, e para representar uma sociedade com valores distorcidos ele também repete a estética colorida em alto contraste da cidade perfeita de Edward Mãos de Tesoura. Além do machismo já citado, o filme deflagra críticas à igreja e à crítica de arte. Uma forte crítica a religião é feita quando Margaret, estando aflita pelo fato de estar mentindo para a própria filha, pede conselhos para um padre que sugere que ela respeite o discernimento do marido, mesmo que este pareça estar errado.

    Outra cena marcante é o depoimento do dono da galeria que fica horrorizado com o sucesso dos panfletos com crianças de olhos grandes: “Isso não é arte!”, como se ele fosse a única pessoa no mundo credenciada a definir o que é arte ou não, ou ainda, diminuindo os quadros de Keane por eles serem populares, como se a arte só pertencesse a “ambientes eruditos” ou a pessoas de “fino trato”. Muita gente pode aproveitar o filme para criticar o artista plástico brasileiro Romero Brito, que tem trajetória e popularidade parecidas com a de Keane. Mas assim como a protagonista do filme, ele criou em suas obras uma identidade visual própria, única, popular e facilmente identificável. Por mais que eu não me identifique com a alegria infantil de Brito e com os grandes olhos de Keane, seus trabalhos são dignos de respeito e admiração. Parece que está na moda, ou mesmo virou cult criticar o sucesso comercial do brasileiro, mas no fundo aqueles que o fazem caem na mesma armadilha de soberba representado pelo crítico de arte do filme.

    Acho interessante que Tim Burton tenha escolhido contar esta história no cinema. Ele mesmo, através de influências expressionistas criou uma estética em seus longas que funciona como uma marca registrada, e por este e outros motivos é criticado por fazer filmes “pasteurizados”. Estaria o diretor através da história de Margaret Keane clamando por reconhecimento? Apesar de gostar de filmes como Ed Wood e Peixe Grande, acho que falta a Tim Burton outro longa-metragem arrebatador como Edward Mãos de Tesoura que está pra completar 25 anos do seu lançamento.

    Leia a crítica completa em:
    http://www.artperceptions.com/2015/03/grandes-olhos-de-tim-burton.html

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  • Leonardo Lopes Carnelos

    Até hoje é impossível gerar números aleatórios em ambiente computacional. O algoritmo mais comum é gerar uma seqüência de números a partir de um número qualquer chamado "semente". Para um usuário do computador que desconhece a semente esta seqüência é aparentemente aleatória. Usando este conhecimento junto com a famosa frase: "Deus joga dados", se fosse possível descobrir a semente que rege os dados que Deus usa, então seria possível prever o futuro.

    O protagonista de PI, Max, é um matemático que procura descobrir em sua pesquisa um número fundamental que pode ser comparado com a semente de Deus acima descrita. Dado a sua reclusão social associada com grande habilidade técnica é possível concluir que o protagonista está em alguma posição inicial do espectro autista. Já nas primeiras cenas Max nos conta que na sua infância ele quase ficou cego ao ficar muito tempo olhando para o Sol, fazendo uma alusão a sua habilidade com números ser uma iluminação. Porém, esta tendência para as ciências exatas trouxe consigo mais alguns distúrbios mentais, como paranóia e fortes dores de cabeça.

    PI (1998) é o primeiro longa-metragem de Darren Aronofsky, diretor norte americano que já na sua estréia demonstra grande controle da técnica audiovisual. Junto com o compositor Clint Mansell e o diretor de fotografia Mathew Libatique, o diretor criou em PI uma série de rimas visuais que funcionam perfeitamente como reforço narrativo.

    A marca registrada do filme é uma edição rápida em algumas cenas, geralmente em plano-detalhe de objetos como trancas das portas e pílulas gerando assim uma realidade acelerada que combina com o estilo de vida paranóico do personagem.

    O filme tem uma montagem moderna bem visível, onde temos acesso as notas mentais do protagonista através de uma narração em off, e o tempo subjetivo do filme acelera ou freia de acordo com a cena em questão. A trilha sonora também dá dicas ao expectador de quando protagonista está padecendo de fortes enxaquecas ou não.

    A utilização do Branco e Preto reforça a dualidade entre ciência e religião, mas também a dualidade entre homem e máquina e não distinção entre alucinação e realidade.

    Outro grande ponto de destaque é a utilização do roteiro em elipse, praticamente uma espiral de paranóia. Assim como a natureza retratada pela matemática, as cenas seguem padrão que vai sendo acelerado aos poucos até o clímax final.

    O diretor retrata em sua obra, temas psicológicos como paranóia, alucinação e obsessão, sendo possível enxergar influências da Trilogia do Apartamento de Roman Polansky e o ar pesado dos romances de Franz Kafka enquanto acompanhamos a jornada de descobrimento de Max.

    Comentário contando partes do filme. Mostrar.

    No filme são usados vários números que tem correlação com a natureza para fazer alusão a esta semente: a relação áurea, a série de Fibonacci, o próprio número PI e assim por diante; mas eles não têm relação nenhuma com o número fundamental, porém foi muito elegante relacionar este número com o nome de Deus, algo parecido com o que foi feito no livro Contato de Carl Sagan.

    O filme tem duas conclusões que se complementam, uma científica e uma religiosa. A científica é uma ótima representação de que sabedoria é sinônimo de sofrimento e ignorância é o caminho da felicidade. O preço que o computador paga por chegar até o número é a destruição do processador, que por assim dizer é o cérebro do computador. Agora fazendo o paralelo computacional / orgânico, ao descobrir o número, Máx está usando o nome de Deus em vão e a sua penitência é uma dor de cabeça capaz de incitar o personagem a realizar uma auto lobotomia com uma furadeira.

    Curiosidades Matemáticas
    É interessante a escolha de Max para o nome do protagonista, max remete a máximo, uma função matemática, ou ainda, podemos entender que ele usa o cérebro e o processador do computador ao máximo. Se quisermos achar mais padrões malucos, Sol em inglês é Sun, que remete a função matemática Sum de soma, a operação matemática mais simples e intuitiva que existe, mas ao mesmo tempo remete a Solution (solução) que nada mais é que o resultado de uma operação matemática qualquer e assim por diante.

    A semente de Deus é um número de 216 dígitos. Curiosamente, 216 é o resultado direto da multiplicação: 6x6x6 e 666 é um número cabalístico que remete a besta, contrapondo a sua divindade e remetendo a, assim como Yin e Yang, Deus e o Diabo serem as duas faces de uma mesma moeda.

    Leia a crítica completa em:
    http://www.artperceptions.com/2015/03/pi-de-darren-aronofsky.html

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  • Filmow
    Filmow

    O Oscar 2017 está logo aí e teremos o nosso tradicional BOLÃO DO OSCAR FILMOW!

    Serão 3 vencedores no Bolão com prêmios da loja Chico Rei para os três participantes que mais acertarem nas categorias da premiação. (O 1º lugar vai ganhar um kit da Chico Rei com 01 camiseta + 01 caneca + 01 almofada; o 2º lugar 01 camiseta da Chico Rei; e o 3º lugar 01 almofada da Chico Rei.)

    Vem participar da brincadeira com a gente, acesse https://filmow.com/bolao-do-oscar/ para votar.
    Boa sorte! :)

    * Lembrando que faremos uma transmissão ao vivo via Facebook e Youtube da Casa Filmow na noite da cerimônia, dia 26 de fevereiro. Confirme presença no evento https://www.facebook.com/events/250416102068445/

  • Bruno Gunter Fricke
    Bruno Gunter Fricke

    Ha! Finalmente uma nota 5 com louvor.

    Beijo Carnelos!

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