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Últimas opiniões enviadas

  • Lucas Kich

    Mesmo com poucas expectativas, esse filme sobre amor [sic] foi uma grande decepção pra mim. A música City of Lights é muito boa. Ponto positivo. Mas...

    O cinema novamente nos trouxe uma mistura da idealização de dois tipos de romance: o conto do príncipe encantado e a infidelidade justificada com romantismo distorcido. Esse padrão é mais comum do que parece: Titanic, A Rosa Púrpura do Cairo, A Casa do Lago, Simplesmente Complicado, [...]. Estamos tão acostumados que normalmente nem notamos.

    Não foi diferente com La La Land:

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    A "mocinha" trai o parceiro porque a relação do casal é "chata". Literalmente, nos primeiros minutos de filme, a personagem da Emma Stone corre para os braços de outro (Ryan Gosling). O filme se esforça para que torçamos por eles, como se isso fosse lindo e como se nada tivesse acontecido. Daí, no que sobra de história, o novo casal desfaz o relacionamento por uma briga insignificante; nenhum deles tenta propor uma solução para que ambos continuem juntos (o que era possível, mesmo com agendas conflitantes); depois, por algum motivo desconhecido, perdem a comunicação por 5 anos, período em que ela casa com um homem aleatório, com quem tem uma filha; e, por "coincidência cinematográfica", o atual marido a convida para entrar numa casa de jazz — Oh! De quem será? — e lá ela fica, paralisada, com o marido ao seu lado, desejando e projetando sua vida com outro homem. Um filme sobre amor? Onde? Ninguém poderia ter feito uma colocação tão boa quanto o escritor David Cox em um artigo no site do jornal britânico The Guardian, quando diz que La La Land é “o conto de dois narcisistas que sacrificam o amor por interesse próprio”.

    Se você concorda comigo, busque por este texto da Carta Capital: "Maior traço de modernidade em ‘La La Land’ é tratar de um amor líquido".

    Enxergo um cinismo extraordinário ao entrar nas páginas de filmes que apresentam relacionamentos recheados de traição e discórdia, e leio comentários que apontam que o filme é "realista" por nos entregar um "romance real". Sonho com o dia em que será comum ver na tela relacionamentos puros, baseados em confiança, companheirismo e fidelidade, sem cair na utopia dos contos de fadas nem no desastre de uma distopia. Até lá, lamentavelmente mais alguns milhões de pessoas serão influenciadas sem perceber.

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  • Lucas Kich

    A naturalidade de um relacionamento é tão rara no cinema. Normalmente somos apresentados ao apaixonar-se do casal idealizado (e romantizado no sentido fantasioso), com vislumbres dos primeiros momentos da relação – quando tudo é novo e consequentemente tomado de euforias. Diferente disso, esse filme traz um casal que já está junto há um tempo e vive uma relação natural de companheirismo e união, que é intrínseco ao relacionamento. E sendo o relacionamento um crescimento contínuo que liga duas pessoas, os dois aprendem com as situações que são expostos, firmam ou reafirmam opiniões e desafiam novas experiências. Apesar da insegurança do porvir, Burt e Verona carregam suas preocupações sem desespero ou pessimismo. Tratam da vida com humor, apoiam um ao outro nas individualidades, desviam do que contradiz seus ideais e questionam com estranheza os casais não-apaixonados.

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    – Não concorda com eles, não é?
    – Não. Sobre o quê?
    – Aquilo que disseram antes, que fazer uma boa família é impossível. Que tudo está destinado ao fracasso.
    – Não, não concordo. Você sabe que eu não concordo, Burt, eu simplesmente odeio essa atitude, sabe? "Tudo já está quebrado, então por quê não quebrar de novo e de novo?".

    Me tocou a cena em que,

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    numa das idas e vindas, eles estão deitados e abraçados num quarto de hotel, e ela se sente perdida, receosa. Eles trocam olhares e, de novo, a insegurança e o medo que afronta o casal "inexperiente" são tratados de um jeito sutil, delicado e cheio de companheirismo.

    – O que vamos fazer?
    – O quê?
    – O que nós vamos fazer?
    – O que você quer dizer?
    – Ninguém está apaixonado como nós, certo? Isso é tão estranho. O que nós vamos fazer?
    – Vamos ver o que acontece.

    E o que eu considero as duas melhores cenas do filme, a primeira numa conversa com o casal de antigos amigos de escola que moram em uma das cidades visitadas, e a segunda quando eles viajam até o irmão de Burt, que foi deixado pela esposa:

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    – Casamento é maravilhoso. O que você precisa para ser feliz e equilibrado é isto:

    (O personagem monta uma casinha com palitos e representa o casal e o bebê com cubinhos de açúcar, daí continua falando)

    – É um lar? Uma família? Não. Não, é claro que não. É apenas a matéria-prima. As pessoas, as paredes, os móveis. Isso é o básico. Mas isso não é um lar, nem uma família. O que une tudo isso, é isto. Isto é o amor. Este é o seu amor. Aqui vem. A paciência, a sua consideração, sua melhor versão. Cara, vocês não fazem ideia de como podem ser bons. Mas vocês tem que usar tudo isso. Tudo mesmo. Não é simples alvenaria, onde se usa uma pequena camada de argamassa entre os tijolos. Não. Aqui você deve usar toneladas. Para cada tijolo, meia tonelada de argamassa. É a cola. São todas aquelas coisas boas que você tem em você. O amor, a sabedoria, a generosidade. O altruísmo. A paciência. Paciência. Às 3:00 da manhã, quando todos estão acordados porque Ibrahim está doente, não encontra o banheiro e vomita na cama de Katya. Paciência quando você pisca... Quando você piscar já é 5:30 e é hora de começar tudo de novo, e sabe que estará cansado o dia todo, toda semana, a vida toda. E fica pensando: "O que aconteceu com a Grécia?", "o que aconteceu com nadar pelado na costa da Grécia?". E tem que estar disposto a formar a família com o que você tem.
    – Você tem que ser muito melhor do que jamais pensou.

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    – Ela foi embora e essa família não pode ser consertada. É isso. E se um de nós se descontrola assim?
    – Não vamos. Isso pode mudar. E você sabe disso. Burt, tá tudo bem. Olhe pra mim, por favor.
    – E se alguma coisa acontece com um de nós e nos faz enlouquecer? Tipo, e se eu estou passando por uma construção e cai alguma coisa, arrebenta a minha cabeça, altera a minha personalidade, e aí eu deixo de ser um bom pai? O que acontece então?
    – Bem, tome cuidado quando andar perto de uma construção.
    – E a Munch?
    – Também será cuidadosa ao andar perto de locais de construção.
    – Não, sério. Não é só olhar para ela e querer dar-lhe tudo o que ela quer? É muito injusto que ela não possa...
    – Sim, tem razão. É injusto que ela não possa ter um bebê, que maus pais ainda consigam ser pais e bons pais morrem quando seus filhos estão na faculdade. E daí?
    – Desculpe, Rona.
    – Tudo o que podemos fazer é sermos bons para este bebê. Não temos controle sobre muito mais.
    – Casaria comigo? Pelo menos.
    – Nunca. E nunca te deixarei.
    – Sim.
    – Eu prometo.
    – Eu sei. Você... Prometeu nunca casar comigo porque não quer se casar sem os seus pais lá. Eu entendo. Você prometeu nunca me deixar. Promete nunca deixar este bebê que teremos?
    – Eu prometo. É sério. Você promete parar de falar se vai conseguir encontrar ou não a minha vagina depois de dar à luz?
    – Prometo. Você promete deixar-me esculpir no meu tempo livre, e ensinar a nossa filha a sabedoria do grande Mississipi?
    – Prometo. Promete nunca desenvolver interesse pelos cavalos-marinhos?
    – Prometo.
    – Bom.
    – Promete deixar que nossa filha seja gorda ou magra ou de qualquer peso? Porque queremos que ela seja feliz, não importa como. Ser obcecada com o peso é clichê demais para a nossa filha.
    – Sim, eu prometo. Promete que, quando ela falar, você vai ouvir? Ouvi-la de verdade, especialmente quando ela estiver com medo? E que as lutas dela serão suas lutas?
    – Eu prometo. E você promete que se eu morrer de algo constrangedor e chato vai dizer a nossa filha que seu pai foi morto por soldados russos num intenso corpo-a-corpo na tentativa de salvar a vida de 850 órfãos chechenos?
    – Órfãos chechenos. Eu prometo. Prometo.

    A relação do casal principal é verdadeira, pura, íntima. E os casais que eles encontram oferecem reflexões importantes para o que eles já têm e o que desejam para o futuro. O filme aborda muito bem o amadurecimento e o amor romântico sem idealizações utópicas, algo que eu só tinha visto brevemente em A Delicadeza do Amor. Finalizo citando um comentário anterior: Esta comédia dramática nos mostra que apesar das eventualidades dos acasos existentes nos percussos de nossas vidas, a união incondicional de um casal pode superar o imprevisível buscando uma felicidade escondida por trás dos nossos sofreres.

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    "Este lugar é perfeito para nós".

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  • Lucas Kich

    Todo apreciador da obra do Miyazaki, do Isao Takahata e do Studio Ghibli em geral deveria reservar um tempo para assistir a este aqui. (: Algumas das últimas frases do próprio Hayao no documentário valeram tanto como inspiração (seja lá para qual fim; ao cinema, à arte, à criação da arte, à vida?) quanto à mostra de que grandiosos e poderosos filmmakers também são pessoas com anseios e receios.

    "Inside me I have negativity, despair, or hopelessness; in fact a lot of hopelessness and pessimism. But I don't feel like expressing it in my films, which children see. I'm more interested in what drives me to make a happy film or what makes me feel happy."

    "The 21st Century is a tricky time. Our future isn't clear. We need to re-examine many things we've taken for granted, whether it's common sense or our way of thinking. We need to reconsider each norm in the field of entertainment and children's films, too. We must question the format we've been following. You can't just create a baddie from a mould, then beat him. We must not make a film in the easy way."

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