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Ator e Diretor de teatro e Humano, demasiado Humano. Eu sou a própria vara curta que sempre cutuca a onça.

Últimas opiniões enviadas

  • Mateus Barbassa

    A cena inicial do filme “Heartstone” é sintomática. Estamos na Islândia. Alguns garotos estão esperando para pescar peixes. Um deles avista um cardume. Todos pegam suas iscas. Eles pescam alguns peixes. São extremamente violentos para matá-los. De repente, um deles pesca um peixe-pedra. Um bicho de aparência horrível. Eles chutam, pisam, esmagam o animal. É sobre isso que fala o filme. Sobre essa espécie de horror que o diferente causa. Essa socialização marcada por princípios estruturantes daquilo que se supõe ser masculino e heterossexual já faz parte do cotidiano daqueles garotos, mesmo que não tenham se dado conta. Eles estão sempre brigando, batendo em algo ou alguém, se bolinando, masturbando, se agredindo, se xingando. Mas a sociedade vigia meninos e meninas, exigindo capacidades, características e qualidades diferentes de ambos e produzem medo distintos também. Se os meninos temem ser vistos como gays, as meninas sofrem com o estigma de putas. É tudo sobre sexo. É tudo sobre não ser mais visto como digno de respeito ou admiração. Esse cenário padronizado de sexualidade produz muito sofrimento, já que somos máquinas desejantes e ficamos divididos entre seguir nossos desejos ou se encaixar naquilo que a sociedade espera de todos. Um rumor de que o pai de alguém deu em cima de um outro homem, a dificuldade de lidar com os parceiros sexuais da mãe ainda jovem, que é taxada de puta pelos moradores e próprios filhos, cumprem o papel de alertar os mais novos. Quem ousar sair dos papéis previamente definidos (no momento em que o médico disse o sexo do bebê) sofrerá as conseqüências. O filosófo e pensador queer Paul Beatriz Preciado escreveu que “se você não é heterossexual, é a morte que te espera”. Essas normas regulamentam o desejo de todos e são passados de geração em geração, com o auxílio dos filmes, novelas, músicas, escolas, igrejas, etc, etc... Mas o que fazer com o desejo?

    Thor e Christian são amigos e estão naquela fase de se descobrirem sexualmente. Dão em cima de duas garotas e até começam a ter algum envolvimento com elas. Mas um deles se descobrirá apaixonado pelo amigo. Como lidar com a situação? Existem muitos filmes com essa temática, mas esse se destaca pela maneira com que mostra essa descoberta e suas conseqüências. É um filme poético, de delicadas metáforas. A cena final (que não revelarei aqui) se casa perfeitamente com a do início e é uma das mais fortes e belas que já vi. “Heartstone” se transforma assim num filme de resistência, num grito desesperado debaixo d’água de um garoto que se descobre diferente dos demais. É um final interessante que se coaduna com o pensamento da filósofa Judith Butler: “As normas nos dizem o que devemos fazer para ser um homem ou uma mulher. Nós devemos a todo instante negociar com elas. Alguns de nós as adoram e as encarnam apaixonadamente. Outros a rejeitam. Alguns detestam mas se conformam. Outros brincam de ambivalência... Eu me interesso pela distância entre as normas e as diferentes formas de se responder a ela.”

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  • Mateus Barbassa

    O diretor Bruce La Bruce é conhecido por seus filmes polêmicos, mas “Gerontophilia”, justamente com uma temática bastante provocativa, consegue ser uma obra sensível, delicada, beirando o poético. Lake é um garoto que namora uma menina feminista. Ele também cuida da mãe com problemas de alcoolismo e que só se relaciona com homens que a maltratam. Um dia, a mãe consegue emprego num asilo e o leva para trabalhar lá também. Lake se assusta com o tratamento dispensando aos idosos. Todos sentem nojo do que fazem. Menos ele. Nesse lugar incomum, Lake conhece Sr. Peabody, um idoso de 81 anos de idade. Estabelecem uma relação de amizade que aos poucos evolui para um namoro. Sim. Gerontofilia é o nome que se dá para denominar quem se sente atraído por pessoas muito mais velhas. Mas o diretor não está interessado em categorizar a relação surgida entre esses dois seres. Muito pelo contrário. Bruce La Bruce mostra essa delicada relação de maneira não fetichista. Tudo é construído aos poucos e é impossível não se envolver com a história apresentada. Lake e Sr. Peabody são tão bonitos juntos, que pelo menos no meu entendimento, não há patologia nenhuma ali. Há amor. Há beleza.

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  • Mateus Barbassa

    “Acha que pode saber de algo antes de acontecer? Algo bom ou ruim, não importa, mas é como se o ar mudasse ou... algo dentro de você.”

    Não sei se estou ficando louco, mas vendo esse filme chamado “Departure” (“Partida”) me peguei pensando várias e várias vezes em “A Chegada”, filme de Denis Villeneuve que está em cartaz nos cinemas. Ambos os filmes parecem falar dessa capacidade humana de prosseguir mesmo quando nada sai como pensamos. Só que aqui a linguagem a ser apreendida não é a de um alienígena, mas a do desejo. A linguagem do nosso desejo. Daí, que “Departure” é um filme denso. Não consegui ver tudo de uma vez. Não sei bem porque... Mas vi um pedaço. Parei. Fiz outras coisas. Depois, voltei renovado para o filme. O enredo é bastante simples e tem apenas três personagens. Um outro importante personagem aparece mais pro final, mas basicamente esses três dominam a cena. Uma mãe e um filho viajam para a casa de verão da família. Eles têm que providenciar alguns documentos e organizar a casa para que seja vendida. Ao mexer nos móveis, fotos, disco ambos vão se dando conta do fracasso das relações estabelecidas entre eles. O pai ausente também faz parte dessa espécie de solidão em família. Até que Elliot, o filho, conhece Clément e tornam-se amigos. Mas Elliot deseja-o. A mãe do garoto quando conhece o amigo do filho também se sente atraída por ele. E a esperança que esse desejo se concretize dá um novo fôlego para os dois, mãe e filho. A metáfora evocada aqui é a de que ambos estão se afogando no vazio de suas vidas e a chegada de Clément pode ser a salvação. Mas também ele está insatisfeito com sua vida. Também ele tem sonhos, expectativas e desejos. Como concatenar tantas faltas, tantos desejos? A chegada do pai só faz aumentar a tensão daqueles corpos, daquelas mentes. Também ele tem seus desejos. Também ele é obrigado a lidar com isso. Todos parecem estar feridos. Como se alguma coisa ficasse sempre faltando e nada nem ninguém é capaz de suprir essa sensação. A idealização de um impossível idílio amoroso é prova cabal do fracasso da humanidade. Será da aceitação disso que poderá brotar alguma saída.

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  • Filmow
    Filmow

    O Oscar 2017 está logo aí e teremos o nosso tradicional BOLÃO DO OSCAR FILMOW!

    Serão 3 vencedores no Bolão com prêmios da loja Chico Rei para os três participantes que mais acertarem nas categorias da premiação. (O 1º lugar vai ganhar um kit da Chico Rei com 01 camiseta + 01 caneca + 01 almofada; o 2º lugar 01 camiseta da Chico Rei; e o 3º lugar 01 almofada da Chico Rei.)

    Vem participar da brincadeira com a gente, acesse https://filmow.com/bolao-do-oscar/ para votar.
    Boa sorte! :)

    * Lembrando que faremos uma transmissão ao vivo via Facebook e Youtube da Casa Filmow na noite da cerimônia, dia 26 de fevereiro. Confirme presença no evento https://www.facebook.com/events/250416102068445/

  • Verônica Dodde
    Verônica Dodde

    Eu posso te adicionar? Ah! Já add... o/

  • Luis Carlos
    Luis Carlos

    É só clicar no link que te passei. Tu tem facebook? Eu esqueci de perguntar, pois é necessário ter perfil lá (costume de achar que todos tenham, rs). Depois de solicitar participação, é só esperar.

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