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Últimas opiniões enviadas

  • Miriam Carpeaux

    "Você terá as crianças, eu terei a fama", é o que, verdadeiramente ou parte apenas de um roteiro, diz Virginia (2° episódio). O movimento que me parece acontecer, nesta minissérie, é a inversão desta mesma sentença: o foco recai quase que completamente sobre Vanessa - os pontos de luz e sombra de sua vida, o centro inequívoco do equilíbrio, a liderança bastante sutil sobre as reminiscências da família fragmentada, abstratamente, pela morte da mãe e, posteriormente, pelo ponto de partida da série, pela morte do pai.
    Somos, como interlocutores, pressionados a criar uma afinidade maior com Vanessa Stephen, e então com Vanessa Bell; somos levados a possuir uma simpatia pelas delicadezas de sua vida. Se seria verídico acreditar que, se estivéssemos frente a frente com a realidade expressiva do grupo, teríamos as mesmas experiências, as mesmas opiniões, não saberia eu dizer. Se o foco fosse múltiplo, tenho intuição de que nossas simpatias também o seriam.
    A minissérie - sem questionar seus recursos, que julguei brilhantes, como costumeiramente são as produções da BBC - parece fluir topicalizando, talvez demasiadamente rápido, as principais pinceladas de diversas e inúmeras vidas. São inúmeras as sensibilidades que nos escapam, e saímos da experiência com a sensação de ter passado por um furacão, desejosos de uma calmaria à nível do nosso raciocínio. O passar do tempo, afinal, são 40 anos!, é veloz e, julgo, pouco adequado para três episódios de duração regular. Ainda assim, seleciona admiravelmente detalhes que, àqueles que sobre a temática não muito conhecem, seriam inadmissíveis de serem perdidos.
    Eu, como grande e impossivelmente admiradora de Virginia Woolf, esperava um contato mais amplo com ela e com sua intimidade. Afinal, quando ouve-se sobre modernidade literária inglesa, remete-se (também) a sua contribuição ao fluxo de consciência, às diversas peculiaridades da narrativa woolfiana. A fama, como a autora própria explana, está ao seu lado. E, de certa forma, quando adentramos em temáticas como tais, é isso o que esperamos dela. Inevitavelmente falhamos - e isso não é de forma alguma negativo. Penso apenas que seria uma oportunidade de desmistificar o ideal virginiano que se construiu - o mito da tristeza absoluta, a vericidade (ou não) de um certo caráter esnobe (que, acredito intimamente, não se deve em absoluto à uma falta de caráter, mas antes à uma incapacidade de se fazer compreender as minúcias de sua sensibilidade), os questionamentos infinitos quanto à sua sexualidade. Era, acredito, um dos momentos possíveis.
    Ainda assim, do breve contato que temos com a personalidade da autora, entra-se na questão: não era assim que eu a pensava. Ao menos ao meu ver, sua personalidade era para mim composta de minúcias bastante diversas das que encontrei. Como, no entanto, afirmar a verdade? Como seria ela, como agiria, como seria quando ri, quando sofre, quando desespera-se pelo mais absurdo detalhe - quem haverá de saber e contar-nos? E sinto talvez que parte da crença que eu tinha dela encontrei enormemente em Vanessa - e que isso talvez se deva à grande admiração, e também da grande obsessão de ser da mesma forma, que Virginia tinha por ela.
    No âmbito pessoal, o que justificaria para mim a presença dessa decepção em encontrar uma Virginia diferente da idealizada (e encontrada) na leitura, e assumindo que a versão que nos é apresentada aqui é parcialmente tendenciosa ao verídico, o que justificaria seria a internalização de hábitos, de comportamentos, de ideais, uma parece seguir a outra pela vida. Entrelaçadas a um nível quase incompreensível, talvez fosse importante pincelar tal relação mais afundo - afinal, se há um foco e se este recai sobre Vanessa, a relação entre ambas deveria estar num dos patamares principais de seu equilíbrio. O interlocutor sabe deste vínculo, mas não consegue senti-lo, não consegue tocá-lo, assimilá-lo.
    E, no demais, os três episódios são de uma sensibilidade admissível, pontuais, factuais com um dos grupos mais importantes da expressão modernista inglesa, consistindo, assim, numa série tematicamente inovadora no que diz respeito ao repertório da BBC e que, justamente por tanto, deve ser vista com olhos e mentes mais abertas do que àqueles que os cercavam, na primeira metade do século XX.

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  • Miriam Carpeaux

    "What you call sin, I call the great spirit of love, which takes a thousand forms." Ficou faltando a célebre frase da versão original, indispensável, ao meu ver.

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