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Últimas opiniões enviadas

  • c:

    A referência muito presente na animação é sobre o livro 'Moby Dick', e creio que o filme não peca ao relatar pouco a amizade entre Rei e Kumatetsu porque, afinal, Kumatetsu é, na verdade,

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    a fera interior de Rei.

    No livro Moby Dick é evidenciado o eterno conflito entre o homem e seu destino -- a baleia representando a ferocidade, materializando o inevitável, por ter decepado a perna de um homem do mar (capitão Ahab), e ele, a vontade do homem que se opõe às forças do próprio destino. A baleia representa o instinto animal, o homem a razão humana, de um lado temos Kumatetsu, a fera solitária que acabou tendo que se fortalecer sozinha, um dos personagens chega a dizer que era exatamente isso a desgraça e o trunfo de Kumatetsu: a solidão.

    Do outro lado temos Rei, um humano que luta e discute constantemente com sua ''fera'', sua solidão, sua teimosia, sua arrogância. E, a longo do filme, ele aprende a lutar com kumatetsu, a lidar com ele e, de certa forma, a se conciliar com sua fera interior. É nessa parte que surge a palavra 'recomeço'.

    Existe também a menção sobre 3 tipos de força:

    1) A força da ilusão: " Ela pode se tornar mais forte que a realidade". Essa é a deixa para interpretarmos de forma metafórica todo o contexto do mundos das ''feras''. A forma como Rei - criança - consegue lidar e enxergar sua própria realidade, assim como no filme "Life of Pi''.

    2) A força da Telecinese:"Não importa quão forte seu orgulho seja, há coisas que você não pode vencer sozinho". O próprio sábio, mesmo dominando o poder da telecinese, pede ajuda a Rei para que coce suas costas, por exemplo.

    3) A força da Resistência: "Em dias chuvosos ou de ventania, eu apenas permanecia como uma rocha". Os 8 anos que Rei passa ''treinando'' e ''lutando'' com Kumatetsu, mesmo com todas as dificuldades e sempre querendo desistir, praticaram a resistência em si.

    Já no conflito final, quando Kumatetsu se torna a espada no coração de Rei, é uma passagem emblemática de que ele conseguiu superar toda a amargura que sentia por seu próprio destino, ter perdido a mãe e não ter o pai presente, se sentindo sozinho num mundo completamente estranho. Só depois desse episódio é que ele volta definitivamente ao mundo humano, se reconcilia com o pai e decide prestar as provas para ingressar na universidade.

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  • c:

    Sutilezas para se perceber no filme ( que não é ângulo de câmera nem nada técnico ) =

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    O assassino que deixa pistas do próprio paradeiro pra que a parceira o encontre, a estranha que pinta o cabelo de loiro pra não ser facilmente esquecida ou o garoto mudo que começa a ficar loiro para corresponder o sentimento de obsessão que seu 'primeiro amor' tem pela misteriosa "blondie", mesmo que a solidão seja a protagonista do filme, a mensagem que ele quer passar, na minha opinião, é outra. Eles querem ser encontrados, lembrados e adorados.

    Ali, cada personagem adota uma filosofia de vida que vemos mudar durante o filme, perdendo contato com o que sabíamos deles.
    [Assassino]
    Antes de - decidir - morrer, ele nos confessa:
    " — A melhor coisa sobre o meu trabalho é: eu não tenho que tomar decisões. Quem deve morrer, quando e onde, é sempre planejado por outras pessoas. Mas eu tenho pensado ultimamente ... eu sinto que quero mudar. Seja bom ou ruim, eu acabei de tomar uma decisão por mim mesmo."

    [Parceira do assassino]
    " Eu peço para que ele me leve pra casa. O caminho não é muito longo e eu sei que vou acabar enjoando dele fácil. Mas neste momento ... estou sentindo uma proximidade agradável."
    É uma personagem que se nutre do amor platônico que tem pelo assassino e pensa que conhecer intimamente uma pessoa é tarefa desgastante e enjoativa. É cruel quando ouvimos - junto com ela - a música "forget him (esqueça ele)" que o assassino pede pra ela escutar, e é quando ela cai mais fundo nesse amor platônico. Só no fim, quando ela encontra o He, é que começa a se libertar dele, assumindo que o contato real com alguém, fosse algo caloroso.

    [ He ]
    " Nós trombamos com pessoas estranhas o tempo todo. Algumas podem se tornar nossos confidentes ou melhores amigos, é por isso que eu sempre sou otimista. Ás vezes é dificil, e isso machuca. Mas tudo bem, eu tento estar sempre feliz. Hoje eu vi aquela mulher de novo."
    O engraçado é que ele foca na possibilidade de achar um amigo ou um confidente entre estranhos, mas os dois personagens que acabam se envolvendo de forma sincera com ele são duas pessoas que ele vê o tempo todo: o pai e a parceira do assassino.

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  • c:

    Tornou-se meu favorito. E posso explicar.
    Talvez eu estivesse com o humor adequado no dia, talvez fosse o ambiente atmosférico favorável. Ou talvez porque ... :

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    Ele não tem um nome.

    Quando estão todos sentados na mesa, o Standard pergunta ao filho se ele sabe como ele e a mãe, Irene, se conheceram. O menino responde que não, e ele conta:
    " — Eu perguntei o nome dela. "
    Esse é o primeiro passo clássico para se aproximar de alguém, e é exatamente isso que o 'Driver' não tem.

    Personagem de poucas palavras, é apenas através das letras das músicas que entramos em contato com ele.
    É de noite e ele liga pra Irene:
    " — Vou a um lugar e não creio que poderei voltar. Só queria que soubesse que estar ao seu lado e do Benício ... foi a melhor coisa que já me aconteceu".

    Nightcall é a primeira música e a cereja do bolo.
    " [ Voz masculina ]
    Estou lhe fazendo uma ligação noturna para dizer como me sinto
    Eu queria levá-la pela noite, descer as colinas.
    Eu vou dizer-lhe algo que você não quer ouvir;
    Eu vou te mostrar onde é escuro, mas não tenha medo.

    [voz feminina]
    Há algo dentro de você
    É difícil de explicar (... )"

    A segunda música é "Under your spell" e toca na festa de boas-vindas do Standard, Irene está sentada no corredor e o 'Driver' aparece. Não há muito diálogo nessa parte. E a música continua tocando:
    " Você acha que esse sentimento pode durar para sempre?
    Você quer dizer para todo o sempre?
    Isso.
    Ó Deus, eu espero que sim!
    Eu também."

    A penúltima - e a mais cruel - é "Oh my love".
    Standard diz que segundas chances são raras, e não são todos que podem ter. E é exatamente com sua morte que existe a possibilidade de uma segunda chance ao Driver, Benício e Irene de ficarem juntos, como na parte da música em que diz "Assim como as estrelas devem morrer para nos trazer um novo dia". Há o diálogo entre Drive e Irene, logo após a morte do Standard:
    "(...) — Deu tudo errado. Sinto muito. Eu pensei ... vocês poderiam sair daqui, se quisessem. E eu poderia ir com vocês. Eu poderia cuidar de vocês ... " Ele chora.
    Essa é a segunda chance deles. O elevador se abre e aparece o assassino. Eles entram. Ele mata o assassino. O elevador se abre de novo e ela sai. As portas se fecham. Essa é a segunda chance que eles perderam.

    "Oh meu amor olhe,
    O sol nascendo do rio,
    milagre da natureza, mais uma vez
    Vai iluminar o mundo.

    Mas esta luz não é para aqueles homens
    que ainda estão perdidos na velha sombra negra.
    Mas me ajude a acreditar
    Que eles vão ver um dia um dia melhor
    Quando todas as sombras vão desaparecer
    Nesse dia, eu vou chorar.

    Oh meu amor, acima de nós
    O sol agora abraça a natureza
    E é da natureza que devemos aprender que
    Isso tudo pode começar de novo
    Como as estrelas devem desaparecer
    Para nos dar um novo dia."

    A última é "A real hero". Dispensa comentários.
    "Encurralado e contra as probabilidades
    Só com sua força de vontade e sua causa.
    (...) Na contra mão de reivindicações distópicas
    Você provou ser...

    Um verdadeiro ser humano e um heroi de verdade."

    BÔNUS: A fábula do escorpião e do sapo, citada pelo driver.
    "O mal pelo bem e o bem pelo mal"

    Na fábula, o escorpião pede ajuda para o sapo ajudá-lo na travessia do rio. De início o sapo se recusa, mas é persuadido pela lógica do escorpião de que ''se ele o matasse, também morreria afogado''. No meio da travessia, o escorpião crava seu ferrão no sapo, que questiona o porquê fez isso. E ele responde:
    "— Porque eu sou um escorpião. E essa é minha natureza."
    A todo momento temos a fala do personagem:
    "— I'm a driver. I drive." O que eu sou e o que eu faço. A sua natureza.
    É através dessa natureza que ele desencadeia TODOS os acontecimentos do filme. Ele dá carona para Irene e Benício, e é dessa forma que acontece a aproximação deles. Ele aceita entrar no projeto do Shannon, juntamente com seus ''sócios'' e acaba na teia de ambos. Ele ajuda no assalto a loja, e é dessa forma que ele se envolve (novamente) com Nino e o Standard morre. Os pontos chave do filme são todos movidos pela natureza do Driver. É por isso a jaqueta do escorpião. E é por isso que - mesmo manchada de sangue - ele continua a usá-la. Essa é sua natureza. E o filme não poderia ter terminado diferente. "I'm a driver. I drive."

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