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Minha classificação dos filmes por estrelas é a seguinte:

Meia estrela = Cocô.
Uma estrela = Lixo.
Uma estrela e meia = Péssimo.
Duas estrelas = Ruim.
Duas estrelas e meia = Razoável/não me cativou, não necessariamente ruim.
Três estrelas = Bom.
Tres estrelas e meia = Muito bom.
Quatro estrelas = Ótimo.
Quatro estrelas e meia = Excelente, um filmão da porra.
Cinco estrelas = Perfeito e irretocável.

Últimas opiniões enviadas

  • Brunna Arrais

    Edgar G. Ulmer, realizador austríaco, traçou seus primeiros passos ao lado de grandes nomes como F.W. Murnau e também Fritz Lang. Assim como o mesmo, fez parte da leva de diretores que migraram aos Estados Unidos e passaram a conduzir suas produções audiovisuais na América. Ulmer foi relegado a condição de diretor de filmes ''B'', ou seja, produções de, geralmente, baixo orçamento e realizadas por uma unidade secundária de um grande estúdio, para exibição em sessões duplas. O filme que será analisado nesta resenha é um exemplo concreto e expressivo dessa forma de produção.

    Curva do Destino (Detour), noir de 1945, é uma produção obviamente barata, as gigantescas falhas técnicas do filme são explícitas, como, por exemplo, as cenas onde os personagens se encontram dentro de um carro, claramente com imagens sendo projetadas ao fundo para passar uma noção de movimento, assim como a predominância de cenas cobertas por uma espécie de nevoeiro denso e constante, também demonstrando que foram rodadas em estúdio. Não é surpresa, considerando que foi filmado em aproximadamente duas semanas e à custa de recursos parcos.

    É importante salientar que a história é contada através de um flashback, recurso amplamente utilizado no gênero e usualmente utilizado como uma forma de expressar o fatalismo constante.

    Os atores principais, Tom Neal (Al Roberts) e Ann Savage (Vera) não convencem. O primeiro apresentando uma interpretação bastante morna do pianista Al e a intérprete da femme fatale Vera, entrega uma atuação por demais exagerada que, por algum tempo, me pareceu caricata, quase cômica, tirando uma parcela do peso que a obra fílmica deveria apresentar. Apesar disso, no que a técnica falha, o roteiro salva de forma brilhante.

    No plot, o pianista Al trabalha em uma boate e é perdidamente apaixonado por sua colega de trabalho, a cantora Sue Harvey. Ela, em busca de fama, vai a Hollywood, tentar se tornar uma estrela. Apesar de desolado, o nosso protagonista decide ir ao seu encontro após um tempo, para que assim pudessem se casar. Sem dinheiro, Al pega caronas para economizar o máximo possível. Foi inevitável aqui não lembrar da obra do escritor Jack Kerouac em seu livro ''On the Road'', onde os personagens viajam pelos Estados Unidos através de caronas, estilo beatnik.

    Comentário contando partes do filme. Mostrar.

    Em uma desses caronas, ele conhece Charles Haskell, um homem aparentemente bem-apessoado e em boas condições financeiras, o mesmo apresentava um feio arranhão em uma das mãos, o qual explica que fora causado por uma mulher (ponto importante para o enredo). Durante uma tempestade, dopado pela grande quantidade de remédio que ingeria, Haskell dormia profundamente enquanto Al conduzia o veículo. Até o momento tudo corria tranquilamente, mas como estamos tratando de um noir, não permaneceria dessa forma. Ao abrir a porta do carro, o protagonista se vê enredado pelo destino, uma vez que a ação fez o homem adormecido cair do carro e bater a cabeça em uma pedra, vindo a óbito.

    Desesperado e acreditando piamente que a polícia nunca o ouviria, Al decide trocar de identidade com o homem morto, tomando seu nome e história. Já aqui temos dois elementos clássicos do estilo noir, primeiro: o protagonista que, devido a circunstâncias extraordinárias, acaba cometendo atos criminosos ou se envolvendo numa teia que o sufoca a cada minuto em tela; segundo: a noção do ''duplo'', as identidades em tela que se confundem o tempo inteiro.

    Acreditando ter escapado a prisão certa, Al dá carona a uma mulher misteriosa, de poucas palavras. Infelizmente, para o seu azar, aquela figura intrigante era Vera, a mesma mulher que havia arranhado a mão de Haskell. Ela o ameaça, pois sabe de sua farsa. Ainda mais sufocado pelo destino, ele acata as ordens da exigente femme fatale, esperando que de alguma forma ainda fosse possível escapar da enrascada em que metera.

    Vera demonstra ser difícil, não medindo esforços para atingir seus desejos. Sua cobiça cresce exponencialmente ao ser confrontada com uma notícia em um jornal qualquer. Acontece que o pai de Haskell, um milionário, estava muito doente e procurando o seu filho. Aqui ela vê uma oportunidade de enriquecer rapidamente, exigindo que Al se passe pelo filho do homem rico afim de receber uma gorda herança.

    Ciente do absurdo, o protagonista (já em um pequeno apartamento alugado em nome do Sr. e Sra. Haskell) nega a participação na empreitada, desafiando abertamente Vera que, alcoolizada, cita novamente que o tem em mãos e pode facilmente ir até a polícia. Eles discutem, Vera corre para o quarto e se tranca com um telefone ameaçando o entregar. Desesperado, Al puxa o fio tentando o romper e impedir a ligação, ignorando o fato de que o mesmo havia se enrolado no pescoço da mulher que morre estrangulada.

    Al Roberts agora é um homem acabado, com dois assassinatos nas costas. Sua identidade roubada havia sido manchada, uma vez que ele havia se registrado no hotel sob o nome Haskell. Sem saída, ele caminha desolado, um homem comum que teve sua vida bagunçada e destruída pelas circunstâncias da vida.

    Registro um fato curioso sobre o filme, o final foi diretamente influenciado pela censura da época. O Código Hays que vigorou entre os anos 30 até final da década de 60 impedia que diversas cenas fossem mostradas em produções audiovisuais. No caso, o final onde o protagonista se safasse era impraticável. Então, Ulmer decidiu por encaixar filmar a última cena onde uma viatura leva Al.

    Mas será que de fato os policiais aparecem para levá-lo afim de que o mesmo pagasse pelos seus crimes ou era apenas mais uma carona?

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  • Brunna Arrais

    Sempre (ou quase) é positivo quando encontro um filme que tem tanto cuidado na construção de cada um de seus planos, cada frame é um deleite para os olhos. E falar o que da fotografia? Melancólica para um caralho. A trilha sonora encaixa perfeitamente, nunca é intrusiva, simplesmente dá o tom necessário.

    E, mesmo com a trilha, é silencioso. Os diálogos entram quando são necessários, acrescentam na história como um todo. Me parece o tipo de obra que é mais sensorial que qualquer outra coisa.

    Até o momento é o melhor filme de 2017 que assisti. Nunca imaginei que a representação de luto mais real e dolorida que eu veria no audiovisual seria uma cena longa e sem cortes de uma mulher comendo uma torta.

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  • Brunna Arrais

    Comentário contando partes do filme. Mostrar.

    Poderia ser um filme bom se o red herring não fosse tão óbvio assim, fomentar a dúvida de que a protagonista poderia sim estar maluca e não deixar a madrasta ser tão malvada o tempo inteiro teria enriquecido e muito na narrativa, infelizmente não aconteceu. Conheço um filme nesse estilo que é anos luz melhor executado, mas estragaria a experiência de quem assistir contar qual é, melhor que encontrem por acaso e assistam de boa

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  • kleverton souza
    kleverton souza

    Aaaaaah, entendi ;c se tu souber onde posso encontrar me avisa, plss c:

  • kleverton souza
    kleverton souza

    Relaxaaa kkkkk tá suave. Eu to na mesma ;c universidade tá foda. Mas sim, que massa isso daí, o curso de Cinema daí é massa? O da UFS ainda tá tomando corpo, mas pra mim já tá sendo bem bom.

    Mudando de assunto, onde tu viu Vestígio (CHIRI) da Naomi Kawase???????
    EU TO LOCO PRA VER, foi no ano que a Uno Kawase faleceu daí acredito que ele seja em relação a sua tia-avó :c

  • kleverton souza
    kleverton souza

    Ai que massa, tu estuda onde?

    Tem uma curiosidade para ti que é: uma das pessoas que mais entende de cinema, que eu conheço por aí, inclusive ele é mentor de um cineclube, é um professor de Ciências Sociais.
    (no caso, aqui na ufs)