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''Cinema é a fraude mais bonita do mundo.'' - Jean-Luc Godard

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Últimas opiniões enviadas

  • Ari

    Mais do que um visual lindo para um filme de sci-fi, Arrival é um filme que acaba levantando questões completamente existenciais (como qualquer obra-prima do gênero): sobre a finitude da existência, a memória, e o tempo.

    Comentário contando partes do filme. Mostrar.

    E o que de fato chama a atenção, é como se vê o enorme poder da montagem (que claro, é uma consequência da brilhante estrutura do roteiro) que ressignifica a mesma morte. Nos emocionamos primeiramente com a morte de uma garota com câncer e o sofrimento de sua mãe, e ao final, nos emocionamos igualmente (ou até mais) por sermos lembrados daquela mesma morte, mas de um jeito diferente.
    E por isso, se pode pensar que esquecemos da morte, ou nos lembramos mais amargamente que ela existe?
    Mais do que qualquer herói ou heroína, Louise é a suprema de todos. Ela vive com o fardo que verá sua filha morrer antes dela e aceita isso. E aceita isso porque mais do que qualquer herói ou heroína, ela é um ser humano.
    Louise vive e sente algo que ela sabe que um dia vai acabar, mas por que não viveria e sentiria mesmo assim? Somos mais que seres errantes e sem propósito no Universo, somos seres que sentimos e vivemos, como uma forma de esperarmos pela morte, mas ainda mais, como uma forma de nos sentirmos vivos.
    Trabalhando com uma estrutura circular, onde a temática do ciclo da vida está enraizada no filme, vemos nascimento e morte caminhando juntos. Desde o começo, até o final. Seja na maravilhosa música tema do Max Richter que toca no começo e no fim, na forma oval da concha (representando o útero e o nascimento - e consequentemente, a morte) e até mesmo no nome da filha de Louise, Hannah, que tem seu nome sendo um palíndromo, podendo ler lido da esquerda para direita ou vice-versa.
    E assim, se abre espaços para mais simbolismos do filme, onde Louise aparece como uma verdadeira figura messiânica. Se na bíblia, Jesus teve seus 12 discípulos e o seu sacrifício final em prol dos outros, aqui, Louise ajuda os habitantes da 12 naves e a humanidade, e tem seu sacrifício ao receber o ‘’presente’’ dados pelos seres extraterrestres. E não falta nem a auréola em sua cabeça formada pelo símbolo linguístico dos heptapods, quando os mesmos acabam por expressar o ‘’oferecer arma’’ para ela.


    Já faz alguns anos que Denis Villeneuve nos entrega um filme incrível após o outro, mas é com Arrival que ele definitivamente faz uma obra-prima absoluta. Desde já, é um dos melhores filmes de sci-fi já feitos.

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  • Ari

    ''Então o Senhor Deus fez o homem cair em profundo sono e, enquanto este dormia, tirou-lhe uma das costelas, fechando o lugar com carne. Com a costela que havia tirado do homem, o Senhor Deus fez uma mulher e a levou até ele. Disse então o homem: 'Esta, sim, é osso dos meus ossos e carne da minha carne! Ela será chamada mulher, porque do homem foi tirada’’’.
    Com filmes excelentes lançados em 2015 sobre o empoderamento da mulher, visto mais em blockbusters como Mad Max e Star Wars, em que já mostram a mulher superando o mundo machista, Ex Machina é o mais inteligente, não só pela forma como ele aborda sobre o que fala, mas porque ele foca em uma das questões mais importantes sobre o tema: a relação da mulher com deus e o seu papel visto pela bíblia e pela cristianismo.
    Mais do que o controle de nossas criações (o que também poderia representar a relação entre deus - mas um impotente - com o homem) e a vontade de sobreviver, o filme é sobre a mulher se emancipando de deus e suas amarras, pelo machismo perpetuado por um livro onde a mulher tem como principal objetivo servir ao homem - para reprodução, para seu prazer e ainda ficando à mercê dele. Ava (a evolução/diferenciação de Eva) não tem a necessidade de reproduzir, ela sente prazer e não sente nenhuma necessidade de servir a ninguém - pelo contrário, ela tenta fugir disso.
    Nathan, é o deus/homem, o bilionário que tem tudo o que o dinheiro pode comprar, e com isso, cria a vida. Afinal, segundo o Caleb, sua criação não seria apenas ''o maior evento científico da história da humanidade, mas sim, da história dos deuses’'.

    Comentário contando partes do filme. Mostrar.

    Caleb então descobre o que o Nathan faz com suas criações a seu bel prazer - e há de se falar sobre duas cenas que são poeticamente lindas: quando a Kyoko tira partes de sua pele em frente a ele, começando justamente pela costela; e então, quando perturbado, ele se olha no espelho, analisando a sua costela, e logo depois, se cortando.
    Aliás, a questão da costela também aparece no final e com ainda mais força: Ava (com o lindo design da personagem que apenas dá partes de um corpo humano da sua cintura para baixo, do seu busto e do seu rosto - deixando suas costelas, seus braços (!) e sua cabeça (!) com aparência de uma máquina) acabara de se desprender de seu opressor, e prestes a de fato viver por si só, ela muda.
    É interessante então falar sobre o experimento de pensamento que o Caleb comenta pra ela - o de Mary no quarto em preto e branco: em que Mary é uma especialista em cores, mas mora em um quarto preto e branco. Ela nasceu e foi criada lá, e ela só pode observar o mundo exterior através de um monitor em preto e branco. Então um dia alguém abre a porta, e ela sai. E que naquele momento ela aprende algo que seus estudos nunca lhe ensinaram… ela aprende a ver as cores. E que o experimento era pra mostrar aos alunos a diferença entre um computador e a mente humana - Mary é o computador no quarto preto e branco. O humano é quando ela sai de lá.
    E assim como Mary, Ava sai de lá como um ser humano, como uma mulher, pronta pra viver no mundo de verdade, e não na prisão em que ela foi colocada por toda a sua vida.

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  • Ari

    Dois lugares. Irlanda e EUA. As dificuldades e a imigração como meio de alcançar uma vida melhor, de alcançar a felicidade. Mas ao contrário da maioria dos filmes que aborda esse tema, não é por dinheiro ou uma mancha no passado e o desejo de ''apaga-la’’ que Eillis vai embora de sua terra natal. Ela não passa necessidade e, aparentemente, não há nada que não a faça ficar por ali.
    Eillis é uma personagem um tanto complexa. A personagem não apenas é uma mulher que, no pós-guerra, se torna independente e vai atrás dos seus objetivos e sonhos sem nenhum medo de uma sociedade patriarcal a impedir. Ela é uma personagem que se pode resumir como a do ‘’não pertencer’’.
    Entre os dois países, há a dualidade de duas visões distintas, dois lugares e culturas distintas. Rivalidades - surgida quase que irracionalmente pela migração de um povo diferente na ‘’sua’’ terra.
    Eillis, apesar de ter passado sua vida inteira naquele lugar, se sente deslocada e assim, procura um lugar para que possa pertencer. E acho que uma fala que define o filme, é quando a mesma pergunta à uma colega da pensão se ela se casaria novamente, e ela diz que sim… ‘’é por isso que vou a esse baile miserável toda semana. Quero esperar na porta do meu próprio banheiro. Enquanto um cara com mal temperamento, com pêlo nas orelhas, lê o jornal na privada. E então, desejaria estar aqui falando com você.’’ É o não pertencer eterno dentro do pertencer. Não são só os sentimentos de angústia quando se vê só ou quando surge algum problema, é o fato de que, mesmo se não houver nada, haverá sempre o sentimento e o desejo de fuga à procura de algo melhor (ou num sentido mais amplo, novo).
    Assim, é lindo ver como o figurino e a direção de arte do filme ajudam a retratar a psique da protagonista. Antes de conhecer Tony, o verde tem papel fundamental no seu figurino, afinal, ele representa a óbvia saudade que tem de casa e como, de certa forma, sua terra natal a protege (ou protegia), por se sentir segura em um lugar já conhecido. E então, quando o Tony surge, de verde, ele surge como a ligação, ou melhor, a transição definitiva entre os dois lugares. E em outros momentos o verde também figura em seu figurino. Mas ao voltar pra Irlanda, tons pastéis tomam conta de suas roupas, deixando o verde especificamente para os irlandeses. Assim, tanto quanto o roteiro, eles conseguem transmitir o dilema de uma jovem mulher que ao mesmo tempo se vê saudosista de um lugar, mas que quando se encontra nele, se vê deslocada, e assim, à procura de algo para se conectar.

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  • Jessica
    Jessica

    Opa, só vi esse comentário agora, desculpinhas. Eu sou graduada em rádio, televisão e vídeo e pós-graduada em cinema, trabalho com produção audiovisual. Por que? :)

  • Rodrigo Ribeiro
    Rodrigo Ribeiro

    Obrigado por add :)

  • Flávia
    Flávia

    The Meyerowitz Stories eu não curti esse filme :P

    O The Handmaid's Tale eu comecei a ver mas não simpatizei com a protagonista vou dar outra chance.

    Esse O Outro Lado da Esperança eu não tinha visto ainda nem o trailer vou procurar para ver o filme depois