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Últimas opiniões enviadas

  • Polly

    A boa ficção científica é aquela que parece querer retratar os problemas do futuro, mas, na verdade, quer tratar dos problemas contemporâneos. “Black Mirror” faz isso de maneira magistral, pois, apesar da roupagem futurista, quer abordar problemas e dilemas filosóficos que nós já enfrentamos. É justamente por essa proximidade que a série nos deixa emocionalmente abalados ao final de cada episódio.
    Eu poderia falar sobre cada um dos seis episódios da terceira temporada, mas meu comentário ficaria muito superficial, portanto, vou me ater ao episódio 03 (“Shut Up and Dance”), que foi o que me deixou mais abalada.
    O terceiro episódio gira em torno de Kenny, um adolescente de mais ou menos 18 anos, que leva uma vida normal e pacata, até que, por um descuido da irmã, seu notebook é contaminado por um vírus que grava suas ações. Ele é filmado se masturbando e recebe um e-mail de alguém que ameaça divulgar o vídeo para os seus contatos caso Kenny não siga todas as suas instruções.
    A partir daqui, leia apenas se já tiver assistido ao episódio, pois conterá MUITOS spoilers.

    Comentário contando partes do filme. Mostrar.

    O roteirista deste episódio foi muito esperto, afinal, se o personagem principal fosse um jovem arrogante ou antipático, nós jamais deixaríamos passar as inúmeras evidências que foram colocadas ao longo da trama e não sentiríamos um banque tão grande com a revelação final.
    O protagonista é apresentado como um rapaz tímido, que não interage muito com as outras pessoas e que sofre bullying dos colegas de trabalho. Desde o início você se simpatiza com ele, sente pena e torce para que, ao final, ele consiga cumprir todas as tarefas determinadas para não ter o seu vídeo divulgado.
    Entretanto, nossa empatia pelo personagem nos torna cegos, a ponto de não percebermos, apesar das pistas, que aquele doce garoto está preocupado em proteger o seu segredo não por ser extremamente tímido, mas sim porque ele é um pedófilo e está com medo de ser descoberto.
    Quando o episódio acabou, eu percebi o quanto eu fiz papel de trouxa. Confesso que me senti péssima e com o coração partido. Listo abaixo as pistas lançadas ao longo do episódio, mas que só fui me dar conta ao final:

    (1) No início do episódio, Ken entrega um brinquedo para uma garotinha e interage com ela de forma extremamente afetuosa e fica admirando a menina indo embora (parecia ser uma gentileza, mas, ao final, percebemos que não era só isso);
    (2) Em determinada parte do episódio, Kenny está limpando uma mesa e fica olhando fixamente para um desenho que foi colorido por uma criança, ele está perdido em seus próprios pensamentos quando é interrompido por uma colega de trabalho que pergunta se ele havia feito aqueles desenhos;
    (3) A porta do quarto dele tinha uma tranca (adolescentes querem privacidade, mas uma tranca me parece um exagero);
    (4) Ele fica muito desinquieto quando percebe que a irmã pegou seu laptop (mais uma vez, jovens gostam de privacidade, mas, provavelmente, o nervosismo se deve ao fato de que a irmã poderia encontrar algo que ele esconde);
    (5) Quando ele acaba de se masturbar, ele lava as suas mãos e as cheira para constatar se não há qualquer resquício daquele ato e que possa ser percebido por outras pessoas;
    (6) Quando Ken está dentro do carro conversando com Hector, este comenta que está desesperado, pois o pessoal por trás dos e-mails “sugaram” todo o seu HD. Neste momento, Ken começa a chorar copiosamente, pois percebe que, não só a sua imagem havia sido gravada, mas também todos os seus dados foram capturados (provavelmente, em seu HD, havia mais imagens comprometedoras e, por isso, ele ficou tão desesperado);
    (7) Quando Ken encontra o homem da caixa, contra quem ele terá que lutar, o homem pergunta o que ele havia feito para ter sido pego. Ken diz que apenas viu umas fotos e o homem da caixa pergunta, de forma irônica, qual seria a idade das pessoas das fotos que Ken viu. Ken fica muito desesperado e negando com a cabeça. Eu estava tão cega que, mesmo após esse comentário, eu não percebi que ele também havia visto fotos de crianças, eu pensei que fosse o caso apenas do homem da caixa.

    Quando a mãe do protagonista fala em alto e bom som que eram crianças nas fotos, foi como se eu tivesse levado um soco no estômago. A culpa tomou conta de mim, afinal, sem saber eu estava torcendo por alguém que fez algo tão horrível. Doeu muito perceber o quanto estamos suscetíveis a tais enganos.
    Às vezes convivemos com pessoas que estão acima de quaisquer suspeitas e, por isso, ficamos cegos, ignorando inúmeras evidências de que ela possa estar fazendo algo errado. Não sejamos cegos, olhemos mais para o mundo ao nosso redor.


    Pronto, tirei de dentro de mim toda a angústia e tristeza que esse episódio causou.
    Só queria fazer mais duas observações leves para dar uma amenizada na depressão pós-black mirror: (1) Eu achei a atriz que faz a personagem Yorkie (4º episódio) a cara da Katy Perry; (2) É a terceira vez que uma personagem de “Black Mirror” canta a música “Anyone Who Knows What Love Is”. A música é linda e sempre me dá aquela dorzinha no coração, por conta do episódio “Fifteen Million Merits”.
    É isso! Assistam a “Black Mirror” e lembrem-se: todo ódio que você espalha na internet pode voltar para você.

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  • Polly

    E se, de repente, no ano de 2016, no Brasil, um político que, antes era tido como inofensivo, e, por isso, não era levado a sério, despertasse em Brasília e começasse a instigar a população proferindo discursos autoritários, repletos de ódio, chegando ao absurdo de homenagear um coronel que foi considerado um torturador da ditadura militar brasileira? Ele seria rechaçado ou tratado como um “mito”? Ainda bem que não temos que nos preocupar com isso, pois se trata apenas de um exercício mental, afinal, nós já passamos pelas dores da ditadura militar e aprendemos a rejeitar esse discurso autoritário e de ódio! Com certeza o Brasil não seria solo fértil para alguém assim!
    Após esse exercício de pensamento, que nada se assemelha à realidade, vamos ao que interessa.
    A falta de expectativa é uma bênção! Vi esse filme sem esperar nada e tive uma grata surpresa!
    A premissa é até simples: como seria se Hitler despertasse no ano de 2014 no mesmo lugar em que estava localizado o seu bunker? Será que ele teria seguidores? Como seria a vida dele neste mundo "completamente diferente"?
    Partindo desses pontos, o filme vai se desenvolvendo, alternando momentos sérios e momentos cômicos (mas é um humor que te incomoda, um humor que te faz rir de nervoso diante de situações tão bizarras).
    O ator que interpretou Hitler atuou de forma primorosa! Ele parecia realmente a reencarnação de Hitler! A aparência, os gestos, os trejeitos e o jeito de falar, tudo ficou muito parecido (afinal, temos registros históricos que podem comprovar isso). Tenho a impressão de que foi a melhor interpretação de Hitler já feita.
    Acho que todos, principalmente aqueles que defendem políticos com discursos autoritários, deveriam assistir a esse filme! Eu me surpreendi muito, especialmente com o final... QUE FINAL! Aquele diálogo em que os personagens estão na parte superior do prédio é um verdadeiro tapa na cara da sociedade.
    O que também me chamou a atenção foi mostrar que, mesmo se Hitler voltasse em outra época, ele conseguiria, mais uma vez, encontrar “inimigos” que devem ser combatidos, o que demonstra como a História é um ciclo que se repete de tempos em tempos.
    Tem uma frase muito boa de Nietzsche que diz mais ou menos assim: "Quem combate monstruosidades deve cuidar para que não se torne um monstro. E, se você olhar longamente para um abismo, o abismo também olha para dentro de você”. Quando ficamos insatisfeitos com nossos governantes (o que é legítimo) devemos tomar cuidado para não eleger aqueles que estão dentro do abismo, apenas esperando que nós olhemos para eles. Se nós votamos em monstros, nós também somos monstros... não adianta depois colocar a culpa apenas naquele que levantou a espada, afinal, se ele a levantou, foi com a nossa autorização.
    Temos que pensar nisso urgentemente, pois ele já está de volta e muitos nem se deram conta disso...

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  • Polly

    A primeira ressalva que eu faço àqueles que pretendem assistir a esse filme é que não esperem um terror no formato hollywoodiano. O terror presente no filme é mais psicológico. Eu quero abordar algumas dúvidas que li nos comentários. Friso que esta é a minha interpretação, até por ser um filme aberto em alguns pontos, portanto, o que vou dizer não são verdades absolutas, mas o que eu enxerguei a respeito do filme. Pode conter spoilers nos tópicos, portanto, sugiro que leiam apenas depois de ter assistido ao filme.

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    - Da obviedade do “mistério” inicial: Acho que não era a intenção dos diretores esconder de nós a morte de Lukas. Pelo contrário, desde a primeira interação dos filhos com a mãe já é possível perceber que só um filho está realmente ali (ela usa os verbos no singular).
    - Da morte de Lukas: Confesso que, não tinha reparado bem na cena do lago. Desde a primeira cena com a mãe eu percebi que era só um filho, mas eu fiquei muito curiosa para saber como o outro filho havia morrido. Eu criei diversas teorias que, no final, não se concretizaram, mas isso não deixou o filme ruim. Quando li que Lukas tinha morrido afogado, revi a cena do lago e percebi que tinha passado batido pela causa da morte.
    - É ou não a mãe: Para mim sim, aquela é a mãe deles. Ela passou por muitos traumas recentes, o que fez com que sua personalidade tivesse certa mudança (o que é totalmente compreensível). O fato de ela não se lembrar da música favorita do filho é algo muito pequeno para embasar a teoria de quem defende que não era a mãe. A cena da floresta não passa de um sonho, ou melhor, pesadelo de Elias.
    - O gato: Vi muita gente questionando a respeito do gato, o motivo que levou a mãe a matá-lo. Entretanto, hora nenhuma fica claro que foi a mãe que o matou. Para mim, o gato já não estava muito saudável quando ele foi levado para casa, o que é reforçado por ele estar muito quietinho quando os meninos o encontram em meio àquela ossada. Ele pode muito bem ter piorado e morrido ou, até mesmo, indo mais longe no sadismo de Elias, ele mesmo ter matado o bichinho para ter um motivo para se voltar, definitivamente, contra a mãe.
    - Por que a mãe finge estar dormindo: Em determinado momento, me parece que ela não quer tanto contato com Elias. Acho até que ela demora a tirar as faixas do rosto de propósito, justamente para ter uma desculpa para o seu afastamento (tem uma cena em que ela está sem as faixas, mas, ao perceber a aproximação de Elias, ela as coloca de forma apressada). Talvez ela tenha medo do filho, afinal, ela sabe que ele ainda tem interações com o irmão morto, o que demonstra algum transtorno psicológico por parte do menino. Por ela não querer entrar no “jogo” dele, talvez ela tenha medo de algum tipo de represália.
    - Sobre um possível primeiro incêndio: Li em alguns comentários sobre um possível primeiro incêndio. Confesso que, não vi qualquer indício a respeito deste fato. Vi também algumas pessoas comentando que ela fez plástica por conta desse primeiro incêndio. Eu não sou médica, mas tenho a impressão de que a cirurgia plástica reparadora difere da cirurgia plástica estética. Acho que os diretores são muito detalhistas e não deixariam este fato passar em branco. Fora que, ela iria queimar somente o rosto no incêndio? Geralmente, colocamos o braço para nos proteger de situações de perigo, portanto, acho que ela teria queimado também o braço. Acho que a teoria de uma cirurgia meramente estética é mais plausível, visto que se trata de uma apresentadora de TV.
    - As pizzas: Quem encomendou tanta pizza? Este é o ponto que mais tive dúvida. Pensei em duas possibilidades: (1) Elias, pois talvez seu plano inicial, era manter a mãe em uma espécie de cativeiro até que ela aceitasse a ideia de interagir com o irmão morto. Como ele não sabia por quanto tempo essa situação iria perdurar, achou melhor se prevenir, até porque, seria o sonho de qualquer criança comer pizza todos os dias (o que me intriga é como ele teria dinheiro para tanta pizza); (2) a mãe, pois, querendo ou não, eles vivem em um lugar isolado e, é sempre bom ter um freezer cheio (o que me afasta um pouco dessa possibilidade é que a mãe me parece uma mulher vaidosa e preocupada com a aparência, portanto, acho que ela não iria querer se alimentar de pizza por tanto tempo).
    - Da falta de impacto no final: Nossa, se uma criança com tamanho sadismo contra a mãe não é impactante, então, não sei o que pode ser! Para mim, teve muito impacto ver essa real personalidade de Elias, afinal, até então, você vê o filme sob o ponto vista dele e acha que a mãe é a vilã da história. Mas, a partir dali, você começa a ver a história sob o ponto de vista da mãe, e percebe o quanto Elias ficou perturbado com a morte do irmão. Como a mãe não entra no seu “jogo”, ele se volta contra ela.
    - Da cena final: Na cena final, no canto esquerdo, percebe-se uma mulher passando pelos bombeiros sem ser notada. Depois, vemos os meninos andando no milharal. Após, mãe e filhos aparecem abraçados, como uma família feliz. A cena é bem irônica e incômoda, pois, depois de uma tragédia, aparece uma cena feliz, como se nada tivesse acontecido e a música reforça ainda mais o desconforto sobre tudo o que estamos vendo. Acho que é a parte mais aberta a interpretações. Vi algumas pessoas interpretando de uma forma mais sobrenatural, de que todos morreram e aqueles eram os seus espíritos. No entanto, eu não interpretei assim. Não fica claro que Elias morreu no incêndio. Para mim, ele não morreu e, aquela reunião feliz, não passa de mais um devaneio da sua cabeça (se repararmos bem, percebemos que um dos meninos estampa um sorriso muito largo, enquanto a mãe e o outro irmão sorriem de maneira mais discreta). Mais uma vez, ele se nega a encarar a realidade. Como não havia qualquer elemento sobrenatural antes, acredito que os diretores não iriam optar por esse recurso no final.

    Bem, esses são os pontos que eu queria destacar. No mais, o filme tem uma fotografia impecável e o ritmo mais lento, por mais que desagrade muitos, é condizente com a história e serve para nos fazer entrar naquela atmosfera e ter a sensação de que, a qualquer momento, alguma tragédia acontecerá. Além disso, nos faz pensar em questões importantes, dentre elas, a maternidade. Ele não é tão simplista como muitos disseram em seus comentários. Muito bom ver que estamos diante de uma nova leva de filmes criativos de suspense e terror.

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  • Filmow
    Filmow

    O Oscar 2017 está logo aí e teremos o nosso tradicional BOLÃO DO OSCAR FILMOW!

    Serão 3 vencedores no Bolão com prêmios da loja Chico Rei para os três participantes que mais acertarem nas categorias da premiação. (O 1º lugar vai ganhar um kit da Chico Rei com 01 camiseta + 01 caneca + 01 almofada; o 2º lugar 01 camiseta da Chico Rei; e o 3º lugar 01 almofada da Chico Rei.)

    Vem participar da brincadeira com a gente, acesse https://filmow.com/bolao-do-oscar/ para votar.
    Boa sorte! :)

    * Lembrando que faremos uma transmissão ao vivo via Facebook e Youtube da Casa Filmow na noite da cerimônia, dia 26 de fevereiro. Confirme presença no evento https://www.facebook.com/events/250416102068445/

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