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Últimas opiniões enviadas

  • Felippe Kein

    Quando foi que Silicon Valley se tornou tão chato? Foi difícil terminar essa última temporada, se não soubesse que era a última, teria largado no terceiro episódio. Os personagens se afundaram em suas características se tornando previsíveis ao extremo. Dinesh tenta derrubar Gilfoyle de alguma maneira e termina se ferrando. Gilfoyle com seus olhares de sempre, vai dar alguma tirandinha sarcástica e Richard faz besteiras, fica desesperado e algo surge para salvar. Jared foi o único que supreendeu de alguma maneira. Desde a saída do TJ Miller, parece que a série foi murchando até esse final insosso.

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  • Felippe Kein

    Um filme que toca em diversos assuntos: velhice, juventude, sexualidade, memórias, família, classes sociais, elite inconsequente, poder público, etc... E sim, tudo se encaixa, se entrelaça e funciona muito bem.

    Comentário contando partes do filme. Mostrar.

    De início nós mesmo participamos da construção de um trecho das tantas memórias da personagem principal, a escritora Clara. Temos uma festa, com relações entre as pessoas que ali se encontram, se gostam, partilham um ambiente e constroem ali um momento de suas vidas. Aquele apartamento abriga pessoas que passaram por problemas, como o câncer de Clara, tiveram felicidades como aquela festa de aniversário, foram jovens e transaram por todo canto, em cima da mobília, etc. Ali mora não só Clara, mas sua história de vida. Durante a festa, Tia Lúcia que faz 70 anos olha para sua cômoda, e lembra como aproveitou seus tempos mais jovens, e aqui o sexo tem uma forte relação com a ideia de jovialidade. Toda vez que ele aparece, o sexo e a juventude da personagem aparecem também.
    Clara é uma mulher ativa, que vai à praia, que caminha, que sai para dançar, que pensa sobre si, que pensa sobre o mundo, que indaga, que questiona. Não é, como ela mesmo diz, uma louca que simplesmente tem um apego exagerado por seus pertences. Ela não morreu, assim como o que possui. Seus LPs, seus livros, seus móveis, seus quadros, tudo ali ainda tem história para contar, ainda estão vivos. Mesmo a mídia não tem o mínimo interesse de demonstrar com essa história, como quando Clara conta sobre um de seus LPs, e a matéria que vai ao jornal simplesmente faz um recorte vazio de suas falas. E por isso Clara é persistente em se manter, é um grito de resistência àqueles que cismam em decretar que sua velhice se faz presente, chegando assim o momento de ficar reclusa em um apartamento cheio de seguranças e muros em sua volta esperando a morte chegar. Mesmo sua família não respeita isso, com desculpa de estar protegendo-a, mas não respeitam sua liberdade. A arte aqui também demonstra sua vitalidade eterna, ela se mantém não só na memória de Clara, ela é ainda relevante, mesmo que sejam LPs antigos, a arte é atemporal e conversa com situações dos tempos atuais. A arte é forma de resistência.
    Temos também alguns momentos interessantes de como o filme fala sobre família. O amor de Clara pelos filhos é claro e inegável, mas ela possui apoio em outras pessoas que não seriam os mais óbvios e cria com eles laços sutis, porém fortes. Seja com seu sobrinho, a nova namorada dele, com a mulher que trabalha em sua casa, com o salva-vidas na praia em frente ao apartamento. São relações que de forma inesperada, demonstram maior partilha e sinceridade.
    A desigualdade social e as relações de poder são outros dos assuntos presentes fortemente no filme. Aquarius nos coloca do lado de Clara, criamos empatia por sua luta, por sua forma de agir, por sua forma de bater de frente com aqueles que querem roubar aquilo que é seu. Mas ao mesmo tempo o filme nunca nos deixa esquecer que dentro dessa sociedade Clara também possui uma “superioridade” na relação de poder com muitos das personagens, com a sua “empregada”, com os empregados do condomínio e da construtora, com os pintores. Ela sim resolve os problemas, ela vai atrás, mas praticamente não coloca a mão na massa. O interessante é que a personagem parece perceber muito disso, mas quando lhe convém, se torna mais desejável utilizar esse poder. Resumindo... ”que os empregados limpem a merda vinda da escada lá de cima enquanto eu me mantenho incólume na segurança de meu apartamento”. Ou seja, o modo padrão de agir da classe média.
    Uma das cenas que achei forte foi a da família de Clara olhando álbuns e mais álbuns de fotos. Enquanto passam por suas memórias, pessoas e lugares do passado, Clara vê uma foto de uma “empregada” com a qual conviveu, e dela lembra duas coisas: que aquela pessoa fazia uma ótima comida e que roubou algumas joias, o que a fez ser mandada embora. Mas pena para lembrar seu nome. Aqui demonstra uma sutil mesquinhez. Aquilo que recorda diz apenas sobre si mesma: que fazia uma comida gostosa que CLARA gostava e que roubou joias de CLARA, mas é incapaz de buscar sem dificuldade o nome daquela pessoa, quem foi aquela pessoa, não sabe o que lhe aconteceu, e como mostra a cena em que Clara vai ao quarto e vemos um vulto “fantasmagórico” da esquecida “empregada” passar rapidamente para dentro de um quarto, porque no fim a isso ela foi resumida, um vulto. E logo depois a atual “empregada” passa mostrando uma pequena e simplória foto de seu filho, sem floreios, sem grandes feitos, apenas a foto de um filho, e a família não é capaz de demonstrar interesse. Achei essa cena especialmente pesada, ela demonstra como não é permitido ao pobre ter memória, ele deve ser apenas uma engrenagem invisível para a produção de memórias daqueles que serve. O que lhes resta é ser lembrado por seus feitos, e que sejam bons, caso contrário serão eternamente lembrados por roubarem as joias da patroa. A memória destes está nas mãos de seus “superiores”, eles vão decidir como você vai ser conhecido futuramente.
    Mas temos aqui a ideia de um mal menor, pois o mal mesmo, aquele que age para tal vem representado na família Bonfim, donos da Bonfim Engenharia e dona dos demais apartamentos. Temos Diego e seus avô que passa ao neto por laços familiares o poder sobre a empresa. Diego tem uma atuação perfeita para um tipo bastante comum hoje em dia, ele representa muito bem esse novo empreendedor cheio de sorrisos e maneiras educadas, ele seduz e te convence, mas não se diferencia em nada em suas ações mais básicas de perpetuação de poder.
    Diego faz festas nos apartamentos vazios acima do apartamento de Clara. Inclusive a própria estrutura do prédio é perfeita para a demonstração das classes. Os empregados são vistos mais no térreo ou descendo as escadas representando uma classe mais pobre, enquanto Clara é vista mais em seu apartamento, acima do térreo onde o serviço é feito e abaixo das ações da construtora que ocorrem acima dela, representando assim a classe média, e a construtora usa apenas os apartamentos que estão acima, representando uma elite. As festas são regadas pela mais pura...putaria... e até ai não temos problemas, até porque todos no fundo gostam de uma boa e velha putaria. O problema é que não há respeito pelo espaço de Clara, o som alto, bitucas de cigarro vindos do andar de cima que caem na casa dela, as fezes no chão da escada no dia seguinte, é uma representação de uma elite inconsequente e indiferente aos demais. O acontecido toma proporção ainda maior com as cenas de religiosos nos corredores até o apartamento onde a festa tinha sido feita, Diego tem ligações com as igrejas. Então temos aqui não só uma elite inconsequente e indiferente com aqueles abaixo, mas também moralista e que usa da fé da população de forma criminosa. O ambiente de putaria é o mesmo de falsa santidade.
    Essa elite é tal como é pois possui sempre uma classe trabalhadora que fará todo o trabalho sujo para alcançar os seus objetivos. Seja queimar os colchões marcados por suas perversões, seja obriga-los a subir com uma colmeia de cupim para ruir toda a estrutura e alcançar seus objetivos. Além disso, a elite é sempre muito bem relacionada, laços familiares ou qualquer relação para que se fortaleçam. O dono do jornal é irmão do padrasto do dono da construtora, que é amigo intimo do dono da igreja, que é genro do político, e por ai vai... São puros laços de poder. É estrutural e é grande, possui meios de se proteger ou usam da burocracia para embaralhar os caminhos, como fica claro na cena dos arquivos bagunçados. Mas Clara aqui surge realmente como salvadora, ela vai vasculhar, vai atrás de achar os podres deles. E nesse momento a cômoda que remetia a jovialidade, aparece em foco enquanto ela vasculha na internet informações. Aqui ela demonstra que apesar da idade, possui uma jovialidade de uma resistência feroz capaz de bater de frente com qualquer tipo de adversário.
    Ao final temos a descoberta do plano da construtora, onde acham a colmeia de cupim e nada mais representativo de uma elite que tem como principal objetivo vencer mesmo que seja corroendo toda a estrutura para demarcar o seu território, mesmo que reinem em cima de destroços. E como Kleber Mendonça Filho faz em O Som ao Redor, um recorte ali formado é uma representação da sociedade brasileira como um todo, e para mim o prédio é uma representação do Brasil e a utilização do cupim no final por uma empresa privada é bastante significativo. Uma crítica muito bem construída do desmonte dos bens públicos em favorecimento de uma futura aquisição dos mesmos pelo setor privado. Se corrói a estrutura, não respeitando a memória, a liberdade, a vontade daqueles que ainda ali residem, e isso tudo numa rede que inclui mídia, igreja, construtoras, políticos, etc. O estado é corroído e depois vendido. E no fim temos a angústia de Clara ao descobrir tudo isso, mas mesmo assim ela enfrenta e temos a ótima e satisfatória cena final dela jogando pedaços da madeira corroída e cheia de cupim.
    Clara é um personagem muito forte, em nenhum momento é negado que ela tem seus favorecimentos por ser uma mulher branca de uma pequena elite cultural, mas isso não diminui as suas lutas, ainda é uma mulher forte que não teve sua feminilidade destruída por uma mastectomia, que enfrenta dançando um homem que não a quis por simplesmente não ter um seio, nada disso tira a sua força de ser mulher. Aqui as mulheres muito se unem, enquanto a construtora é basicamente masculina. O filme mostra além de tudo o poder feminino e sua forma diferencia.
    Aquarius é incisivo e ao mesmo delicado em suas críticas, ele escalona lentamente e na reta final nos leva a um certo suspense sobre o que está acontecendo, prende e nos faz querer saber mais daquilo que está escondido, que está sendo feito pela construtora. Tenho como ponto negativo algumas poucas atuações que me incomodaram um pouco, e certos momentos em que o áudio dificulta o entendimento com uma mixagem ruim entre o som do ambiente e a da voz dos atores. Mas nada que atrapalhe e faça desse mais um filme excepcional de Kleber Mendonça Filho.

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  • Felippe Kein

    Algo me incomoda muito na minissérie: quem é Luka Magnotta?

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    A série é instigante e te faz ter interesse sobre o ocorrido, nisso ela tem muitos méritos. Mas no final, quando Luka é pego, tem-se alguns poucos minutos para se falar dele baseado apenas nos crimes e em seu interrogatório, dando uma conclusão de forma rasa e simplista ao meu ver, resumindo: Um louco narcisista que ama uns filmes e os usa como referência para seus crimes. Em um rápido momento a mãe cita bullying sofrido na infância e mais nada. Para mim faltou ao menos um episódio inteiro sobre ele, sobre seu passado sobre sua trajetória. E ainda a série acaba de forma abrupta na crítica novamente rasa de 5 minutos sobre darmos ou não audiência para essas pessoas. Nós damos audiência por que elas são pontos fora da curva, porque sempre existiram e sempre vão existir pessoa assim, e silenciar sobre o assunto não é solução, ao meu ver. Se não dessem atenção para quando matou gatos, talvez teria matado pessoas do mesmo jeito para da mesma forma chamar atenção. É a mesma lógica triste de quando alguém tenta um suicídio e diminuem a situação falando que "só queria chamar atenção". O simples fato de alguém tentar chamar atenção através de algo tão absurdo como auto mutilação ou matando filhotes, já demonstra a necessidade de algo maior e não de mais exclusão. É importante entender cada vez mais essas pessoas ao meu ver, e fiquei com uma imagem totalmente embaçada de quem é Luka, e isso me incomodou muito!

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  • Alan Guimarães
    Alan Guimarães

    Oi, Felippe, obrigado pelas curtidas das minhas listas e espero que tenha gostado. Quanto as de História, tem também a do Oriente Médio (complementar), dê uma conferida. Abraços

  • Filmow
    Filmow

    O Oscar 2017 está logo aí e teremos o nosso tradicional BOLÃO DO OSCAR FILMOW!

    Serão 3 vencedores no Bolão com prêmios da loja Chico Rei para os três participantes que mais acertarem nas categorias da premiação. (O 1º lugar vai ganhar um kit da Chico Rei com 01 camiseta + 01 caneca + 01 almofada; o 2º lugar 01 camiseta da Chico Rei; e o 3º lugar 01 almofada da Chico Rei.)

    Vem participar da brincadeira com a gente, acesse https://filmow.com/bolao-do-oscar/ para votar.
    Boa sorte! :)

    * Lembrando que faremos uma transmissão ao vivo via Facebook e Youtube da Casa Filmow na noite da cerimônia, dia 26 de fevereiro. Confirme presença no evento https://www.facebook.com/events/250416102068445/

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