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Últimas opiniões enviadas

  • Raphael Georg Klopper

    Certamente já devem ter escutado o quanto o cinema atual vem se esfateando em produzir continuações de antigos clássicos, no intuito de resgatar o sentimento de nostalgia e criar uma base para uma nova franquia moderna e fazer bilhões com o público atual, Star Wars que o diga. Bom, se por enquanto esse suposto "trade" passar longe da nostalgia barata e qualidade sofrível de filmes como Independence Day: O Ressurgimento e continuar trazendo filmes com a qualidade da nova trilogia Star Trek; Mad Max: A Estrada da Fúria; Creed; o próprio Star Wars: O Despertar da Força e Os Último Jedi, e agora Blade Runner: 2049, então por favor, continuem trazendo filmes assim!

    Me impressiona ainda o fato de um filme desse porte ter sido financiado hoje. Não que isso descarte o fato de que estúdios procuravam criar mesmo o início de uma nova potencial franquia ao ressuscitar o nome de Blade Runner para o cinema atual. Uma idéia de se fazer uma continuação para um dos marcos mais originais e únicos do gênero da ficção científica até hoje, soa por alto, completamente desnecessária. Mas aí quando você tem o financiamento vindo de um cara ambicioso em sua visão como Ridley Scott e que concede a total liberdade para um prodígio diretor em constante crescimento como Denis Villeneuve, que é um fã assumido do filme original, e possui um olhar único para se contar ambiciosas histórias, o resultado é algo que não poderia ser abaixo da média.

    E ele era mesmo o diretor atual perfeito para assumir um filme como Blade Runner, com todos os seus filmes recentes dessa década, que conquistaram grande atenção e apelo crítico, se mostrando quase que como um preparo do diretor para o que ele viria a realizar de grande aqui. O thriller de forte teor dramático com o serne de sua trama sendo focado na troca de laços familiares tirado de Incêndios; o suspense policial com uma carga soturna e brutal de Os Suspeitos; o mistério experimentalista e visual de aura surrealista de O Homem Duplicado; sua criação de suspense e tensão crescente através da diegética do som, visual e exímia montagem acompanhado da reação perspectiva de seus atores, como fez em Sicario; e o filme sci-fi com temas de escala universal sendo contados a partir de uma escala dramática ricamente íntima e complexa como fez em A Chegada.

    Tudo isso que lhe permitiu aqui por os pés na criação de Blade Runner 2049, o seu digno grande épico feito após anos de preparo em seu rico cinema independente e por em prática em uma escala que talvez ele nunca imaginasse ser capaz de realizar.

    Um digno filme de caráter artístico e um dos melhores exemplares de uma narrativa contemplativa sendo feita no cinema atual, se disfarçando descaradamente de um blockbuster milionário, que já permitiu vários pensamentos ignorantes serem criados sobre o como o filme é chato ou sonolento, sem sentido e sem ação, ignorando ou desconhecendo o trabalho cinematográfico em seu estado mais bruto e natural que Villeneuve cria aqui. Que aproveita de seu gordo orçamento para por em prática todo o seu potencial e realiza uma verdadeira continuação do clássico de 82, sem nunca recorrer (de forma exagerada) à nostalgia ou copiar elementos passados e anda com as próprias pernas dentro do mesmo mundo. Fazendo o mesmo que James Cameron fizera em "Aliens", e expande o universo do filme original em novas escalas e novos conceitos ainda tão fiéis à literatura original de Phillip K. Dick, se mostrando como outro exemplar tão marcante do gênero sendo feito nos dias de hoje.

    Sendo beneficiado pelo trabalho brilhante de um artista feito Roger Deakins na criação de uma fotografia deslumbrante frame por frame, e outra composição inventiva e diegética de uma memorável trilha de Hans Zimmer, que em nada deve ao trabalho original Vangelis; ajudando a dar vida ao mundo de Blade Runner 30 anos mais velho e possuindo uma ótica quase surrealista em sua escala utópica grandiosa e hipnotizante. Sem se esquecer dos elementos do cinema Noir impregnados no seu filme original, se mantendo ainda firmes e fortes aqui em uma trama carregada de mistérios intrigantes, laçados por uma aura dramática intimista e elevados por um sentimento de inevitável tragédia através de complexos personagens que o exemplar roteiro de Hampton Fancher e Michael Green aqui constroem.

    Acompanhado ainda de um elenco estelar que formam esse digno próximo capítulo da história, com óbvio destaques para Ryan Gosling e sua criação tão sutil e carregada de emoções do seu personagem K, com uma solidão e vazio cotidiano ansiando por algo à mais na sua vida, um propósito em uma ação que prove sua humanidade ou sentimentos genuínos de amor e prazer que a figura de sua amante da Joi de uma surpreendentemente complexa Ana de Armas não é capaz de dar.

    O mesmo pode ser dito aos personagens de Wallace de Jared Leto e a Luv de Sylvia Hoeks que passam longe de serem caricaturas de seus papéis de vilão de mente brilhante e a capanga porradeira. Trazendo cada um consigo um nível complexo à mais em suas características, Wallace com seu ego inflado de criador de vida, coberto em arrogância e crueldade disfarçados com um ar de falso messiânico, e Luv a subserviente extremamente leal e letal em seu ar intimidador, mas que carrega um bizarro sentimento de valorização pela vida que a faz derramar lágrimas a cada nova vítima. E ainda com Harrison Ford também passando longe de ser uma caricatura antiquada e envelhecida do seu personagem Deckard, mostrando sua veia dramática mais afiada do que nunca ao expressar tanto do personagem com um olhar cheio de pesares e dores não resolvidas do passado.

    Mas classificar Blade Runner 2049 como sendo apenas uma ótima continuação é simplificar uma obra que se mostra muito mais do que se apresenta. É um exemplo soberbo de um blockbuster milionário moderno ousando em suas ambições e mostrando um viéis artístico que invoca o melhor que um filme pode a oferecer. Uma história intrigante que clama por sua paciência e atenção para contemplar e refletir nas ricas temáticas sobre o mundo e a humanidade, sendo transpostas por um exímio roteiro e um visual rico em cada detalhe de sua concepção utópica e ultra realista, junto de uma trilha diegética e invocativa que te emerge em seu universo, e um elenco pontual em cada detalhe individual de seus personagens.

    Tudo comandado por um diretor no ápice de sua carreira, mostrando o melhor de sua direção com exemplar esforço posto em cada detalhe técnico e dramático que constroem e fazem de Blade Runner 2049, não só um sucessor digno e merecedor do seu filme original, se igualando lado a lado (se não superando), como se mostra sendo uma das melhores continuações que o cinema já produziu até hoje. E claro, um dos filmes mais bravos e ambiciosos que a década viu até hoje e cujo o tempo só fará justiça.

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  • Raphael Georg Klopper

    Então né...que situação um tanto embaraçosa. Depois de um marketing tão surpreendente anunciando o lançamento do filme de forma inusitada durante o Superbowl, a produção de J.J. Abrams e a rede da Netflix mais uma vez se mostraram revolucionários e gênios do mercado atual da distribuição e rede streaming de filmes, causando um alvoroço em pequena escala que rapidamente chamou por atenção e mais uma vez mostrou a diferenciação da franquia Cloverfield no cinema atual, arriscando em anunciar seus filmes de forma surpresa e mostrando explorar diferentes gêneros dentro do seu universo e mantendo o pé firme na ficção científica. Algo inovador e até original de fato....mas em questão de qualidade...

    A questão é que depois da grande grata surpresa que foi Rua Cloverfield Lane 10 de Dan Trachtenberg, a franquia parecia prometer revolucionar o gênero e criar o seu universo de spin offs com gêneros múltiplos, e de forma refrescante e original. E quando Paradox brevemente prometia um filme que iria explicar como todos os filmes iriam se conectar e explicar quem era o "monstro" ou os "invasores" do filme original tudo parecia ser muito ainda mais instigante e interessante. Mas o que acabou sendo foi uma confusão tremenda.

    Mas com isso não posso dizer realmente que achei "Paradox" um completo desastre. Até gostei de ver a forma "diferente" e até ousada com que o estreante Julius Onah constrói o filme inicialmente. Variando entre uma base narrativa familiar seguida de sutis transições contemplativas e visuais para introduzir muito bem o serne emocional da protagonista Hamilton de uma ótima Gugu Mbatha-Raw. Se arriscando em não aprofundar os restantes dos personagens e deixar as ações e o mistério que se sucederam na trama ser o motor à engatar o drama e a tensão, vide Enigma de Outro Mundo ou Alien como boa inspiração para tal.

    O problema começa exatamente quando o roteiro parece um verdadeiro cego em tiroteio, sem parecer saber aonde ir com sua trama com uma reviravolta bizarra atrás da outra, e com reações ainda mais estúpidas e irrealistas dos personagens para os acontecimentos. Para no final resumir a resposta para tudo em um "simples" fator de realidades paralela simplesmente jogado no meio do nada e de forma expositiva, deixando o filme inchado em suas próprias linhas de mistério completamente usadas para criar uma espécie de mistery box no espaço, só que fica mais parecendo um episódio mediano e estendido de Black Mirror. Só que nem um episódio de Black Mirror iria cair em um convencionalismo clichê e tão irritantemente previsível como faz em seu clímax, a "força assassina" matando um por um etc.

    Até a direção, embora com um ritmo bem fluido, começa a entrar em reciclagem sempre recorrendo aos planos holandeses para dar um ar de caos alucinógeno ao filme, e apenas se torna uma técnica barata. E graças aos personagens tão mal escritos as eficientes cenas de suspense apenas se tornam vazias e uma junção de coisas que já vimos antes e melhor. Sem falar no desenlace do filme que, principalmente para quem assistiu ao filme original, vai perceber o GRANDE (literalmente) furo de roteiro ali presente.

    Sinceramente exijo um vídeo explicativo do diretor e dos roteiristas e do J.J explicando o que raio eles queriam fazer com esse filme nesse universo e para onde planejam ir com a bagunça aqui deixada. Que não se isenta de ter até um bom valor de produção refletido em bons efeitos, uma boa fotografia e um elenco cheio de talentos. Mas com personagens e boas idéias que gostaria de ter visto serem melhor aproveitadas por um dirigente mais competente. Apenas não deixem esse universo morrer e na próxima tragam talento de qualidade de verdade e idéias mais claras!

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  • Raphael Georg Klopper

    Admito logo que sou um grande suspeito de entregar elogios para o senhor de nome Steven Spielberg, já que o mesmo se trata de ser um dos meus favoritos de todos os tempos (se não o maior). Então sempre quando ele vem com um novo projeto, o 99% de probabilidade do que vai acontecer é que rasgarei elogios para este, mesmo que se trate de ser um dos seus filmes mais divisivos de opinião, como exatamente The Post se apresenta ser.

    Reações que muito se assemelham à outro de seus recentes filmes dessa década como fora o caso de Lincoln, onde se de um lado os críticos "conceituados" rasgaram elogios pelos seus ricos e complexos temas, parte do grande público o criticou como um filme chato, arrastado, tedioso ou politizado e burocrático. Mas tirando a semelhança de reações, noto semelhanças no estilo e na forma com que Spielberg aborda os temas de ambos os filmes. Não só na composição cênica, sempre se baseando em longas trocas de diálogos ambientados em locais fechados remetendo à uma estrutura teatral, como também suas temáticas se interrelacionam no quadro histórico retratado por Spielberg.

    Se Lincoln fora um drama de tribunal que botava em questão a índole dos homens políticos em embate pela escolha moral de ser contra ou a favor da abolição escravocrata, The Post se caracteriza como um digno drama/thriller jornalístico na mesma pegada de Todos os Homens do Presidente de Alan J. Pakula, sobre trabalhadores da imprensa pressionados pela sua profissão e pela repreensão política de realmente escancarar a triste verdade para uma nação inteira ou sofrerem a aprisionada censura.

    Com uma narrativa realmente intricada e difícil em seus desdobramentos em território político e jornalístico técnico, mas que realmente pede e demanda pela paciência e atenção do público na discussão de seus temas e promete recompensar no momento certo quando a "ação" propriamente dita do filme tem início. Onde Spielberg põe em prática o que só um excelente diretor é capaz de fazer, criar o momentum de antecipação e tensão palpáveis para os eventos que se sucedem no filme mesmo que, historicamente, já saibamos o desenlace.

    Mesmo que caia em notas piegas e melodramáticas (com até óbvias caricaturas politicas) no seu final, isso não impede o bom roteiro de abordar seus temas de forma madura e caracterizar seus interessantes personagens como representantes da luta recorrente pela liberdade de imprensa e uma ode ao jornalismo factual. Com Tom Hanks dando um ar canastrão arrogante de coração bem intencionado com toques de Cary Grant para o seu Ben Bradlee, e Meryl Streep, superestimada ou não, consegue tanto dar uma fragilidade e insegurança quanto uma complexidade moral e destreza em constante crescimento para a sua Kay Graham, a tornando em uma verdadeira figura inspiradora e mostrando a grande atriz que sempre é e sempre foi.

    Ainda acompanhados de um ótimo elenco que abre espaço para destacar um ótimo Bob Odernik a.k.a. Saul Goodman finalmente recebendo atenção e destaque no cinema, e um sempre subestimado Bruce Greenwood encarnando Robert McNara. Onde nunca tornam seus personagens meros adereços de trama na sua retratação histórica, e os enchem de personalidade e alma para sentimos a humanidade individual de cada um.

    Que ao contrário de seu recente primo temático, o bem eficiente Spotlight de Tom McCarthy que se preocupa habilmente em sua retratação fidedigna dos fatos reais retratados, mas esquece de construir qualquer vínculo dramático com os personagens com seus atores trabalhando no automático. Spielberg opera de forma o "inversa" a isso e faz de seu The Post sim um filme documental em sua retratação fiel, oras difícil e realmente político, mas não esquece de por sua sempre elegante direção classuda em cena, se permitindo até em brincar com um final bem sacana. E humanizar seus personagens com um trabalho mais do que eficiente de um rico elenco.

    Longe de se igualar entre os seus melhores e certamente se configura em um de seus trabalhos menores, e mesmo que caia em traços caricatos e piegas no seu desenlace, ainda é um inegável ótimo filme!

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  • Luiz Felipe
    Luiz Felipe

    Estranho pois eu havia curtido essa lista, aparecia o seu nome - por isso vim até o seu perfil -, e quando nela entrava, aparecia que o acesso estava restrito e agora ela sumiu. Se foi um erro de sistema do Filmow, peço desculpas pelo equívoco, mas que seu nome estava lá, como criador, estava.

  • Luiz Felipe
    Luiz Felipe

    Você restringiu o acesso a sua lista de filmes perturbadores?

  • Filmow
    Filmow

    O Oscar 2017 está logo aí e teremos o nosso tradicional BOLÃO DO OSCAR FILMOW!

    Serão 3 vencedores no Bolão com prêmios da loja Chico Rei para os três participantes que mais acertarem nas categorias da premiação. (O 1º lugar vai ganhar um kit da Chico Rei com 01 camiseta + 01 caneca + 01 almofada; o 2º lugar 01 camiseta da Chico Rei; e o 3º lugar 01 almofada da Chico Rei.)

    Vem participar da brincadeira com a gente, acesse https://filmow.com/bolao-do-oscar/ para votar.
    Boa sorte! :)

    * Lembrando que faremos uma transmissão ao vivo via Facebook e Youtube da Casa Filmow na noite da cerimônia, dia 26 de fevereiro. Confirme presença no evento https://www.facebook.com/events/250416102068445/