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Últimas opiniões enviadas

  • Raphael Georg Klopper

    Lembro-me como se fosse ontem quando "Star Wars: O Despertar da Força" de J.J. Abrams, mesmo que em meio de louvação crítica, também recebeu constantes críticas dos raivosos fãs de Star Wars pelo filme ter copiado muitos elementos passados da saga, e o acusando de ser um remake disfarçado do filme original (ou Uma Nova Esperança se preferirem). Parece que nem foi necessário o clamor dos fãs por algo novo e diferente no filme seguinte, já que o novo encarregado aqui, o talentosíssimo Rian Johnson, tem como prioridade aqui: atualizar e inovar a saga Star Wars quase que por completo e de forma muito audaciosa e arriscada. Retomando, sim, elementos do passado já tão bem preestabelecidos no universo, pegando seus amados e inesquecíveis personagens, os levando por caminhos novos e completamente inesperados, e arriscados.

    Ousando em quebrar todas e quaisquer expectativas, subvertendo arquétipos característicos e temáticos dos mitos da saga, e acima de tudo fugindo do padrão da franquia em fazer do segundo filme da trilogia mais sério e sombrio. Ao invés disso, faz talvez o filme mais bem-humorado de toda a saga até então, mas não o menos dramático ou isento de complexidade emocional na forma com que lida com as ações e decisões tomadas por todos os personagens em sua jornada aqui. Mostrando optar assim pela escala intimista e pessoal no meio de suas megalomanias blockbuster, algo que Johnson recuperou tão bem de Rogue One, mostrando uma narrativa bem mais intricada e desafiadora.

    E se muitos pensaram que J.J. Abrams era o diretor mais nerd e fã de Star Wars que eles poderiam arranjar para comandar um filme da saga, Rian Johnson se apresentou aqui como forte concorrente para tal. Não só o diretor mostra conhecer tão bem esse universo de cabo à rabo, como também é fascinado por tudo que o compõe. Mostrando ter um estilo próprio e intuito narrativo dentro da história completamente diferente de muitos diretores que já comandaram a saga no passado.

    Pois se enquanto Abrams trazia uma essência nostálgica, declarando seu amor por essa franquia com uma direção classuda e apostando em um ritmo direto ao ponto à la os filmes do seu mestre mentor Steven Spielberg. Já George Lucasfazia uma mistura de suas referências clássicas desde o cinema samurai ao Western, abordando temas políticos e sociais. E Gareth Edwards, por sua breve vez, apostou no filme de gênero ao realizar um verdadeiro filme de guerra nas galáxias (ou estrelas). Por fim, Johnson tem uma identidade própria e busca uma nova forma de contar Star Wars. Conseguindo de cara em fazer um filme completamente diferente, tanto esteticamente quanto tematicamente ao seu anterior Despertar da Força, e insere um estilo completamente novo e mostra seguir mesmo uma nova direção.

    Tanto no uso de sua montagem se usando de ágeis cortes nas suas transições cênicas mostrando querer brincar com a noção de tempo e espaço de forma quase experimental e analítico nos diferentes núcleos narrativos que formam a trama principal. Esses divididos em três arcos diferentes dos personagens, um dos poucos resquícios estruturais de O Império Contra-Ataca aqui, onde cada um parece conter uma tonalidade distinta própria: o núcleo de Luke e Rey parecendo um filme samurai à la Akira Kurosawa, recheado de um humor cínico marca do mesmo, e algumas belas sequências paisagísticas, lado também dos embates mais dramáticos do filme; a fuga da frota rebelde lembrando e muito um filme de guerra/sobrevivência e conflito interno como o confinamento e tensão de O Barco: Inferno no Mar; e a missão sem sal e nem açúcar de Finn e Rose lembrando um filme de heist e aventura seguindo uma tonalidade mais leve e escapista que lembram O Retorno do Jedi, este último servindo de grande inspiração cênica e estrutural para o diretor de forma até surpreendente. Sabendo também comandar a ação de forma crível e potente cheia de uma imparável adrenalina, e entregando a escala de ameaça de forma soberba e garantindo a diversão sem parar. Mas sem esquecer de lidar com sua narrativa de forma madura, centrada e aberta para audaciosos questionamentos sobre sua história. Esse padawan claramente sabe o que está fazendo.

    E por conhecer os trabalhos anteriores do diretor, prioritariamente Looper e Ponta de um Crime, era um pouco de se esperar que com a vinda de Rian Johnson para a cadeira da direção, veríamos um pouco de sua marca diretorial mais "peculiar". Podemos classificar, facilmente, que Os Últimos Jedi consegue o feito de ser o filme mais cinematograficamente diferente de toda a saga, com um estilo sensorial muito próximo do cinema independente, ou “artístico” por assim dizer. Não só graças à deslumbrante fotografia do seu já antigo parceiro Steve Yedlin, que consegue criar uma identidade visual rica e variada, revelando a mais pura beleza de cada um de seus belíssimos cenários e alguns dos mais belos enquadramentos que a saga já teve.

    Desde o vasto deserto de sal do planeta vermelho, revelando uma vasta escala grandiosa e imersiva digna de um épico como Lawrence da Arábia; a pomposidade do cassino que Finn e Rose invade que parece um cenário tirado de Cassino Royale só que no espaço; o deslumbre contemplativo que algumas das cenas espaciais revelam (o sacrifício da almirante Holdo de Laura Dern por exemplo); a própria natureza em movimento sendo usada quase como uma reveladora dos sentimentos em causa presentes no embate entre Rey e Luke (a monotonia interrompida pelo vento quando estão afastados; o calor ensolarado quando dialogam sobre a Força e os Jedi; a chuva revelando tempestuosa revelando o conflito quando ambos se desentendem); tudo com uma textura cênica digna dos mais maduros e complexos dramas. Não só na encenação, como também na forma em que conta sua história através de uma montagem enganosa, usando de cenas psicológicas visualmente ricas, diálogos certeiros nas suas pontadas temáticas audaciosas. Levando os poderes da Força e o drama de seus personagens para caminhos talvez nunca antes explorados e que por alguma razão irritou à tantos fanboys.

    Pois há uma grande diferença entre alternar características já pré estabelecidas de seus personagens e universo para moldes bobos e caricatos, vindouros de alguém que não entende ou respeita o universo criado por George Lucas; e outra é querer mostrar elementos já familiares e querer construir a partir destes novos elementos que integram e evoluem esses mesmos personagens e universo por novos caminhos que em nada desrespeitam o passado e sim vislumbram um promissor futuro que se mantém à par e fiel com o que já foi construído nesse universo até então. Mas tais "mudanças" e adições que só geraram reclames odiosos e até infantis dos fãs que pra mim ainda são incompreensíveis. E grande parte disso coincidentemente parece advir de um personagem em questão, o Luke Skywalker de Mark Hamill.

    Nunca entendi certos comentários feitos sobre as habilidades de atuação de Mark Hamill quando se lembram de sua participação na franquia. Fato que ele era apenas ainda um jovem aprendendo a atuar no primeiro filme, mas que mostrou notável melhoramento ao longo dos anos. Agora ele retorna aqui a saga e melhor do que nunca! Encarnando seu velho icônico personagem como se nunca o tivesse deixado depois de todos esses anos, revelando tantos sentimentos de dor, tristeza e arrependimento só com seus sutis olhares e angustiantes silêncios cheios de mistério. Mas também surpreendendo com um cinismo e humor ácido um tanto discrepantes do personagem, tão centrado e de fé, que vimos pela última vez há trinta anos atrás.

    Com isso, nos faz notar como sua caracterização, que o público fã já tão bem conhece, seja desconstruída de forma quase brutal e cruel, revelando o difícil estudo de personagem, herói vs vilão, mito vs lenda, a luz contra escuridão que Rian Johnson tão bravamente propõe aqui. Nunca vimos o personagem dessa forma, moralmente quebrado, ideologicamente confuso e misterioso. Para no final, sua jornada íntima e pessoal revelar o verdadeiro grande e inesquecível personagem que é Luke Skywalker em alguns dos momentos mais épicos de toda a saga.

    Muitos também já devem ter notado as grandiloquências visuais que George Lucas implementou na sua trilogia prelúdio, aproveitando todas as capacidades que a tecnologia moderna poderiam lhe permitir de criar amplos mundos e diversas criaturas, aumentando as lutas de sabres de luz, deixando assim para trás o básico e o prático do passado. Mas a nova fase da franquia vem mostrando ser a mistura do melhor dos dois tempos e Johnson prova seu fascínio pela criação do prático em suas criativas novas criaturas (os Porgs são um clássico instantâneo).

    Não só nisso, como também amplia o universo em novas escalas jamais imaginadas. Não só em sua inchada duração, que ainda assim permite ampla atenção para a maioria de seus personagens, como garante momentos de verdadeiro arrepio na espinha. Ação excitante, batalhas enormes, embates de alto grau de emoção, fugas frenéticas, esse é o espetáculo do escapismo de Star Wars sendo feito com total esmero, no filme que ousa ser talvez o mais divertido e porque não um dos mais emocionantes filmes de toda a saga. George Lucas está orgulhoso assim como os fãs também deveriam ficar. A força é realmente forte com esta nova trilogia de Star Wars!

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  • Raphael Georg Klopper

    Creio que seja justo dizer que Aaron Sorkin é um daqueles raros roteiristas como Charlie Kaufman ou até Dalton Trumbo que conseguiram ter seu nome amplamente bem reconhecido em fama, tanto para com os dentro do ramo quanto no meio público graças ao seu incrível trabalho por detrás da escrita de alguns ótimos filmes. Então, era de se pensar que quando um autor como esse, por detrás de tão ricos roteiros de filmes bem reconhecidos (Rede Social, Jobs, Moneyball), viesse assumir pela primeira vez a direção de um de seus textos, sua verdadeira essência autoral poderia florescer na tela graças à sua ótica pessoal finalmente comandando tudo. Bem, sim e não.

    Pois se por um lado temos (como sempre) um roteiro que cumpre com proeza sua proposta de explorar o submundo dos jogos de sorte com una elegância invejável em seus muito bem escritos diálogos. Tomando base na narrativa auto-explicativa dos filmes de crime de Scorsese (mas sem nunca soar cansativo) e conseguindo ir além ao explorar um até complexo estudo de personagem com sua incrível protagonista Molly Bloom, interpretada com carisma e alma por Jessica Chastain, dividindo cena ainda com dois ótimos Idris Elba e Kevin Costner, ambos em seu melhor.

    Enquanto por outro lado temos uma direção sem muita inspiração e se baseando muito no básico e automático de seus planos, e se estendendo até demais em uma montagem sem freio, mas que não alcança o status de cansativo graças à riqueza do texto e às excelentes performances. E com Sorkin ainda conseguindo mostrar em suas entrelinhas, seu resquício de autor à dar muito mais camadas emocionais e dramáticas do que se poderia imaginar aos seus personagens de atos moralmente questionáveis, ainda que não sejam devidamente explorados.

    Mas é notável e louvável ver aqui uma boa história de uma rica persona que desperta interesse e atenção instantâneos e faz-nos questionar o moralmente legal e certo em um mundo operado pela sorte do destino e pela proeza humana que sua personagem carrega. Só tente ousar mais em sua direção na próxima vez senhor Sorkin, pois enquanto no texto o senhor ainda nos presenteia ricamente.

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  • Raphael Georg Klopper

    Começar por chamar um filme do MCU de divertido à essa altura já se tornou algo de desgastante de previsível, pois se há algo que esse universo compartilhado vem acertando nos últimos 10 anos foi em conseguir manter uma linha de entretenimento acertada em todos os seus filmes, mesmo que tenha caído na linha formulaica do genérico repetitivo constantemente. Então sim, "Thor: Ragnarok" é mais do mesmo de um filme da Marvel: não gasta tempo em estabelecer uma história interessante; a ameaça vilanesca é inserida do nada no meio narrativo; as piadas são atiradas como uma metralhadora de inconveniência ignorando ou atirando fora momentos de cunho dramático para dar lugar ao humor e diversão. E quer saber? Nunca a fórmula conseguiu funcionar de forma tão autoral quanto aqui!

    É nisso que dá em trazer um diretor com uma marca tão própria de se construir uma narrativa e humor tão peculiares e lhe garantir o mínimo de liberdade possível com um de seus personagens mais cheio de potencial dentro de seu universo. Eles já tinham aprendido isso com James Gunn em ambos Guardiões da Galáxia e Taika Watiti pra mim é o mais novo felizardo a se adaptar tão bem no universo cinematográfico da Marvel sem perder o seu toque pessoal. E se o Thor de Chris Heamsworth estava para tomar o lugar até então do mais desinteressante personagem herói dos Vingadores com os mais fracos filmes do MCU, ele finalmente conseguiu aqui receber o que o Capitão América de Chris Evans recebera no seu "Capitão America: O Soldado Inverna"l, um filme que redefinie por completo tudo que já tínhamos visto do personagem até então e o explora em um novo território de gênero mas sem perder sua essência ou identidade.

    Então podem ir esquecendo daqueles dois filmes do personagem título que tentavam falhamente ser de aventura e fantasia com terríveis doses de humor e um leque de personagens chatos que ninguém se lembra mais que existem mesmo à essa altura, e se delicie aqui com o melhor tipo de diversão escapista que o cinema "sessão tardiana" pode invocar no seu melhor. Com Watiti criando a velha e boa aventura corrida contra o tempo com o feeling de tragédia iminente em seu percalço no melhor estilo Império Contra Ataca, onde o diretor não poupa tempo em matar e se livrar de vários personagens e elementos conhecidos do herói, dando um foco e aura dignos de um seriado ala Flash Gordon. E conseguido criar no percurso um mundo vivo que parece tirado direto das páginas de Jack Kirby, expelindo cores vivas, exuberantes e uma personalidade de extravagância akward muito única.

    Ainda conseguindo acertar bem na porradaria blockbuster de suas cenas de ação, mesmo que derrape por vezes nos confrontos corpo a corpo na frente da câmera com uma montagem bem picotada, mas deixa fluir bem nas batalhas em grande escala. E o humor galhofa vem como uma infestação quase imparável, mas por algum milagre Watiti o faz funcionar bem em vários momentos, não só com observações e conotações satíricas e até metalinguísticas sobre o herói e seu universo de forma inteligente mas sem perder o fio da bobalhagem. Ainda surpreendendo saber brincar com a montagem em momentos específicos como a ÓTIMA breve cameo do Doutor Estranho de Benedict Cumberbatch (que cá entre nós, em poucos minutos de cena, consegue superar o seu filme solo por completo).

    E tudo parece funcionar bem mesmo que com um serne emocional quase que completamente vazio e mais oco que o plano e motivação ultra genéricos da vilã da vez Hela, mas cuja presença se salva graças a performance tão cheia de carisma e charme de uma sempre exuberante Cate Blanchett que impõe uma boa presença intimidadora e até sedutora com a personagem. O mesmo pode ser dito pelo resto do elenco de carismáticos personagens desde o sempre charmoso rouba cenas Loki de Tom Hiddleston, a Valquiria deliciosamente fodona de Tessa Thompson, os alívios cômicos pontuais e que nunca falham do Grandmaster de um afetadíssimo Jeff Goldblum e o hilário Korge do próprio Taika Watiti. E ainda a talvez melhor (e a mais divertida) participação que o Hulk já teve no cinema, ao lado também do melhor que Chris Heamsworth já esteve no papel do Deus do Trovão, finalmente encontrando sua voz e a personalidade sarcástica e arrogante mas de bom coração, que no final consegue deixar um gostinho de "quero mais" de seu personagem nesse universo.

    Se forem para dar esse tipo de liberdade criativa para diretores com tamanha marca despirocada e que consiga fazer a fórmula Marvel funcionar de um jeito tão divertido e dar vida e carisma para seus personagens, então por favor continuem investindo mais nessa qualidade para dar vida aos seus personagens dona Marvel. Mas não esqueça do coração na próxima vez!

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  • Luiz Felipe
    Luiz Felipe

    Estranho pois eu havia curtido essa lista, aparecia o seu nome - por isso vim até o seu perfil -, e quando nela entrava, aparecia que o acesso estava restrito e agora ela sumiu. Se foi um erro de sistema do Filmow, peço desculpas pelo equívoco, mas que seu nome estava lá, como criador, estava.

  • Luiz Felipe
    Luiz Felipe

    Você restringiu o acesso a sua lista de filmes perturbadores?

  • Filmow
    Filmow

    O Oscar 2017 está logo aí e teremos o nosso tradicional BOLÃO DO OSCAR FILMOW!

    Serão 3 vencedores no Bolão com prêmios da loja Chico Rei para os três participantes que mais acertarem nas categorias da premiação. (O 1º lugar vai ganhar um kit da Chico Rei com 01 camiseta + 01 caneca + 01 almofada; o 2º lugar 01 camiseta da Chico Rei; e o 3º lugar 01 almofada da Chico Rei.)

    Vem participar da brincadeira com a gente, acesse https://filmow.com/bolao-do-oscar/ para votar.
    Boa sorte! :)

    * Lembrando que faremos uma transmissão ao vivo via Facebook e Youtube da Casa Filmow na noite da cerimônia, dia 26 de fevereiro. Confirme presença no evento https://www.facebook.com/events/250416102068445/