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34 years São Paulo - (BRA)
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Para quem interessar, segue o link das minhas críticas no woomagazine.com.br:

http://woomagazine.com.br/author/rodrigo-chinchio/

Se puséssemos Arthur Penn e Antonioni na cama, encostássemos uma arma na cabeça deles e os obrigássemos a trepar enquanto Bresson olhava pelo buraco da fechadura, teríamos Taxi Driver. (Paul Schrader)

Filmo não importa o quê,mas nunca não importa como. (Claude Chabrol)

Se se ganha dinheiro, o Cinema é uma indústria. Se se perde, é uma Arte. (Millôr Fernandes)

Os filmes começam com D.W.Griffith e terminam com Abbas Kiarostami. (Jean-Luc Godard)

É considerado OK em Hollywood ter cenas de sexo nos filmes, contanto que as pessoas envolvidas não pareçam estar se divertindo. Se elas estão, é pornografia. Se não estão, é arte. (John Waters)

Muitas coisas que não percebemos cotidianamente passamos a perceber através da câmera. ( Sergei Loznitsa)

Cinema é como um sonho, como uma música. Nenhuma arte perpassa a nossa consciência da forma como um filme faz; vai diretamente até nossos sentimentos, atingindo a profundidade dos quartos escuros de nossa alma. (Ingmar Bergman)

Últimas opiniões enviadas

  • Rodrigo Miguel

    A segunda guerra mundial provavelmente é o conflito mais retratado pelo cinema nos últimos anos. Já foram feitos filmes sobre as batalhas em si e sobre pessoas comuns que tiveram importância nos seus rumos. Alguns dos mais conhecidos e premiados são “A Lista de Schindler”, “O Pianista” e “O Resgate do Soldado Ryan”. Praticamente todos os anos temos alguma produção que conta alguma história passada no período, e que saem de vários países, não só de Hollywood. A França faz o seu em “A Viagem De Fanny”, que é sobre um grupo de crianças judias que são acolhidas e escondidas por famílias francesas durante a ocupação nazista no país. Após a descoberta dos abrigos, elas são obrigadas a fugir e tentar chegar à fronteira com a Suíça.
    A guerra pelo ponto de vista de crianças deixa o tom da produção um pouco mais leve, apesar de haver alguns momentos de tensão durante a fuga, como quando elas são aprisionadas por soldados traidores. A condução de Lola Doillon é eficiente em tirar de todos em cena, mesmo dos mais novos, atuações convincentes e sem exageros, além de construir cenas em que as brincadeiras infantis aliviam o clima. Por isso, a esperança sempre está presente dentro do grupo, o que leva o espectador acreditar que tudo ficará bem.
    A fotografia segue o otimismo por trazer ambientes extremamente iluminadas e coloridos, destacados pelos planos abertos e por expositivos movimentos de câmeras. O que, evidentemente, tem o objetivo de mostrar os belos cenários em que a história se passa. O figurino é trabalhado para, praticamente, retirar as cores escuras da vestimenta das crianças, deixando para os soldados o preto e cinza. O roteiro não traz nenhuma grande sacada, apenas mostra o típico Road Movie que todo cinéfilo aprendeu a gostar, sendo os relacionamentos o seu foco principal. Os adultos são mostrados como seres que não são de total confiança, tornando a aparição de qualquer um em uma potencial ameaça. Personagens como de Cécile de France e Stéphane De Groodt são os poucos que servem de ajuda durante a jornada, mas que estão presentes apenas como pontes para o amadurecimento precoce das crianças.
    Obviamente, a personagem Fanny (Léonie Souchaud) é a que possui mais atenção do roteiro, sendo ela a líder do grupo e a que mostra mais coragem para enfrentar os problemas. Sua responsabilidade é ainda maior porque tem que cuidar das duas irmãs pequenas e precisa fazer o papel dos pais ausentes. Ela, ao olhar pelo visor de uma câmera, lembra-se dos momentos felizes com sua família no passado e sonha um dia voltar a eles, mas, para isso, precisa chegar à Suíça. A falta de comida, de água e a perseguição dos inimigos é constante, o atrito entre o grupo também chega a ser um problema para a garota. A aventura do filme está contida nesses elementos e a inocências dos envolvidos confere, às vezes, alguns momentos cômicos, servindo de escape para o contexto geral da trama. A fofura de algumas situações ajuda a criar empatia suficiente para que a história transcorra até o final sem grandes percalços.
    O filme é baseado em uma história real e tem em sua base os inúmeros órfãos que surgiram na Europa pós-guerra. É triste constatar, pelo que é mostrado no filme e pelos fatos históricos, que muitas dessas crianças não tiveram chances de fugir, sendo vitimas dos campos de concentração nazistas. O que nos resta é o consolo em saber que houve inúmeros grupos de Fannys que conseguiram sobreviver a umas das maiores barbáries que nós já produzimos neste planeta. Vale a pena conferir para que possamos pensar com mais carinho sobre nossas crianças.

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  • Rodrigo Miguel

    Guerra. Essa é uma palavra muito presente na história da humanidade e, por mais que evoluímos, esses conflitos ainda estão presentes. A nossa espécie busca na destruição a forma de resolução de seus problemas, e assim será até que não sobre pedra sobre pedra. A arte alerta para esse padrão destrutivo que possuímos, como Pablo Picasso fez com Guernica ou Kubrick com “Nascido para Matar”, mas os erros continuam a ser cometidos. As guerras podem ser em escala mundial ou podem fazer parte de um microcosmo, como a guerra travada por negros e mulheres para serem aceitos como iguais, ou mesmo dos homossexuais que são tratados como escória por vários outros grupos que fazem parte do mundo dito civilizado. As diferenças são, talvez, as principais causadoras dos horrores que fazemos uns para os outros. O medo do que é diferente é uma arma poderosa para causar a extinção, e é sobre isso que trata “Planeta dos Macacos: A Guerra”.
    Caesar (Andy Serkis) é a síntese dos conflitos vividos por todos os seres pensantes que já pisaram na terra. Apesar de parecer mais evoluído e, claro, por não fazer parte do homo sapiens, Caesar está entre a compaixão, o perdão e o ódio, assim como está o Coronel (Woody Harrelson). Os dois compartilham a busca pela sua sobrevivência e de seus semelhantes e também o medo de um futuro incerto para as espécies. “Planeta dos Macacos: A Guerra” começa com um grupo de macacos sendo perseguidos por soldados em meio a uma floresta, onde estão exilados junto a seu líder Caesar. Mesmo com a vitória, os macacos sofrem inúmeras baixas, fazendo-os pensar em fugir para uma região mais afastada. Daí surge o embate entre o líder dos macacos e o Coronel, seguindo as temáticas da perseguição, escravidão e, claro, da guerra. O Coronel não é retratado como um simples vilão que quer a morte dos macacos por motivos fúteis. Ele possui motivos tão profundos como os de Caesar e Woody Harrelson contribui para a complexidade do personagem, assim como o faz Andy Serkis. Os macacos são ameaçados pelo Coronel e seu exército, e o Coronel por sua vez é ameaçado por um inimigo desconhecido que não conhecemos de início
    Matt Reeves executa uma obra dramática e filosófica, que possui cenas pontuais de ação, bem menos do que sugeriam os trailers, que mostraram muitas explosões e correria. A câmera de Reeves é ágil nas sequencias de batalhas e soturna naquelas onde as mortes são retratadas. A fotografia executa algumas homenagens, como a cavalgada na praia ao pôr do sol, remetendo ao Planeta dos Macacos clássico e mesmo alguns planos na mata, que fazem lembrar “Apocalypse Now” ou mesmo “Platoon”. O holocausto também está presente nas prisões ao céu aberto onde os macacos são confinados. Em meio às referencias está Caesar, o grande herói grego. Ele possui tragédias em sua família, a sabedoria angariada como líder e a responsabilidade entre escolher para seu povo a barbárie ou a complacência. Caesar nos guia em sua epopeia ao mesmo tempo que lidera os macacos. Como Moisés fez com os israelitas. A jornada é reforçada pela trilha de Michael Giacchino, que nos traz uma mistura de tensão – com batidas intensas e ininterruptas – e heroísmo – rápidas e de teor épico – o que já era esperado se tratando de um super blockbuster.
    Como Caesar é o ícone aqui, é justo que o filme jogue todas as suas fichas nele. As representações físicas de conceitos abordados pelo roteiro são claras de várias formas. A variação da postura de Caesar é um exemplo: se suas emoções estão mais próximas das dos humanos, o vemos ereto em meio aos seus súditos, parecendo um ditador que faz valer suas vontades supremas, já quando corre em quatro patas, se iguala ao povo e entende as suas agruras. Na verdade vemos Caesar quadrúpede poucas vezes, sendo uma já quase no encerramento e de forma decisiva. A inclusão de novos personagens como o atrapalhado e inocente Macaco Mau (Steve Zahn) e uma garota muda, chamada de nova – como sendo uma evolução dos humanos e macacos – faz um contraponto ao sério líder, o que confere leveza e alivio cômico em alguns momentos.
    “Planeta dos Macacos: A Guerra” encerra a franquia trazendo algumas definições, mas deixa muito em aberto para que haja mais histórias no futuro. Provavelmente veremos algum filme pautado na nova espécie evoluída dos humanos e macacos e os conflitos gerados pela divisão em três frentes, o que seria interessante de ver. O certo é que a franquia não irá parar por aqui , já que trata das melhores produções que Hollywood vem entregando nos últimos anos.

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  • Rodrigo Miguel

    No imaginário popular dos brasileiros há a visão enraizada de um cinema nacional onde o que impera são os filmes violentos passados em favelas, os do sertão miserável ou mesmo as comédias escatológicas. Esse tipo de ponto de vista é presente porque as produções estão em nossas telas há muito tempo e em grande quantidade, quase transformando o nosso cinema em um produtor de temáticas limitadas. Parece que não aproveitamos nosso grande território, concentrando as histórias no centro oeste e no nordeste. Mas, como Selton Mello prova em “O Filme da Minha Vida”, a verdade não é bem essa.
    Toda a trama de “O Filme da Minha Vida” se passa na bela e bucólica região da serra gaúcha, mais precisamente na pequena cidade de Remanso. Lá, acompanhamos o jovem Tony (Johnny Massaro), que decide retornar a sua terra natal após passar alguns anos estudando na capital. Ao chegar, ele descobre que Nicolas (Vincent Cassel), seu pai, voltou para França alegando sentir falta dos amigos e do país de origem. Tony acaba tornando-se professor e vê-se em meio aos conflitos devido às inexperiências juvenis e também à melancolia crescente de sua mão Sofia (Ondina Clais Castilho, ótima).
    A história adaptada a partir da obra do autor chileno Antonio Skármeta é carregada de poesia visual. Selton Mello, com o apoio do celebre diretor de fotografia Walter Carvalho, desfila seu estilo em planos que parecem tirados de pinturas impressionistas, por causa da variação de cores e do belo trabalho de luz. As casas e os objetos de cena são todos pensados para que pareçam antigos e gastos, com a ferrugem sempre aparente. Uma espécie de capsula do tempo. As influencias do cinema europeu são evidentes pelo estilo da fotografia e pela direção, que é mais cadenciada e privilegia as atuações. Para reforçar a europeização há também a trilha sonora, onde se destacam Charles Aznavour e Nina Simone.
    Além de belo, “O Filme da Minha Vida” traz uma narrativa que consegue proporcionar emoção e suspense. Mello conduz intercalando passado e presente e mescla com momentos de sonhos de Tony. A montagem é competente ao mostrar o essencial e ajuda a construir o caráter dubio de alguns personagens chave para a resolução da trama. O drama familiar e o amadurecimento são os temas abordados pelo roteiro (também escrito por Selton Mello) e, com um elenco inspirado, são convincentes em suas execuções. Johnny Massaro cria um Tony que começa frágil, quase um filhote de pássaro sozinho em um ambiente hostil. A falta de compreensão sobre a fuga do pai deixa Tony quase que em um estado catatônico, mergulhado em lembranças. Mello o faz seguir o tortuoso processo de amadurecimento sem uma figura paterna presente e as idas do rapaz todos os dias à estação de trem, na esperança da volta do pai, revelam a sua falta de preparo para a vida.
    O pai possui pouco tempo em cena, já que se quer reforçar a ausência, mas é peça chave para o entendimento dos sentimentos de Tony. Vincent Cassel entrega todo seu charme com um português cheio de sotaque e por isso, mesmo largando a família, não se torna um vilão da história, e sim mais uma vitima das casualidades da vida. Luna (Bruna Linzmeyer) é uma antiga amiga e potencial interesse amoroso de Tony e carrega um olhar profundo e misterioso, mas que será importante para o amadurecimento do rapaz. Mesmo o trem acaba se tornando um personagem do filme, já que é nele que as despedidas acontecem e as esperanças florescem. As viagens da Maria fumaça são filmadas de forma romântica e representam as aspirações das pessoas daquela cidade.
    Selton Mello mais uma vez mostra que sabe conduzir um filme com sensibilidade e técnica e que seus roteiros e mesmo sua direção sempre fogem do obvio. Sua arte extrapola qualquer pretensão comercial e leva mensagens sentimentais para seu público. Espero que ele tenha vida longa atrás e à frente das câmeras, porque, hoje em dia, estamos precisando de um pouco de beleza nesse cinza e feio mundo em que vivemos.

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  • Filmow
    Filmow

    O Oscar 2017 está logo aí e teremos o nosso tradicional BOLÃO DO OSCAR FILMOW!

    Serão 3 vencedores no Bolão com prêmios da loja Chico Rei para os três participantes que mais acertarem nas categorias da premiação. (O 1º lugar vai ganhar um kit da Chico Rei com 01 camiseta + 01 caneca + 01 almofada; o 2º lugar 01 camiseta da Chico Rei; e o 3º lugar 01 almofada da Chico Rei.)

    Vem participar da brincadeira com a gente, acesse https://filmow.com/bolao-do-oscar/ para votar.
    Boa sorte! :)

    * Lembrando que faremos uma transmissão ao vivo via Facebook e Youtube da Casa Filmow na noite da cerimônia, dia 26 de fevereiro. Confirme presença no evento https://www.facebook.com/events/250416102068445/

  • Filmow
    Filmow

    Rodrigo Miguel,

    Como o filme O Diário de uma Camareira (http://filmow.com/o-diario-de-uma-camareira-t74483) ainda não está sendo exibido comercialmente, o sistema removeu a sua indicação “já vi”. Caso você tenha assistido à obra em alguma mostra ou festival, por favor, confirme data e local no formulário abaixo para reabilitar a sua marcação.

    Esta medida está sendo tomada para zelar pela veracidade e credibilidade do conteúdo publicado no Filmow, reforçando a relação de confiança entre o site e seus usuários.

    Obrigado pela colaboração.
    Equipe Filmow

  • Carla Daniele
    Carla Daniele

    Olá! Comprei o pacote de 20 filmes. =)
    Por que você não consegue me adicionar?

    https://www.facebook.com/caahniele
    Beijos