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Se puséssemos Arthur Penn e Antonioni na cama, encostássemos uma arma na cabeça deles e os obrigássemos a trepar enquanto Bresson olhava pelo buraco da fechadura, teríamos Taxi Driver. (Paul Schrader)

Filmo não importa o quê, mas nunca não importa como. (Claude Chabrol)

Se se ganha dinheiro, o cinema é uma indústria. Se se perde, é uma Arte. (Millôr Fernandes)

Os filmes começam com D.W.Griffith e terminam com Abbas Kiarostami. (Jean-Luc Godard)

É considerado OK em Hollywood ter cenas de sexo nos filmes, contanto que as pessoas envolvidas não pareçam estar se divertindo. Se elas estão, é pornografia. Se não estão, é arte. (John Waters)

Muitas coisas que não percebemos cotidianamente passamos a perceber através da câmera. (Sergei Loznitsa)

Cinema é como um sonho, como uma música. Nenhuma arte perpassa a nossa consciência da forma como um filme faz; vai diretamente até nossos sentimentos, atingindo a profundidade dos quartos escuros de nossa alma. (Ingmar Bergman)

Últimas opiniões enviadas

  • Rodrigo Miguel

    Quando a Marvel começou sua jornada no cinema lá em 2008 com o primeiro “Homem de Ferro”, planos grandiosos já estavam sendo traçados, e a intenção era clara quando Tony Stark encontra Nick Fury na famosa e pioneira cena pós-créditos. Todo fã de quadrinhos ficou com aquele frio na barriga de expectativa. Finamente iria-se ver os grandes heróis juntos na tela grande. Depois dos famosos filmes de origem, a história culminou no primeiro “Vingadores”, seguindo com “Vingadores: A Era de Ultron”. Divido em fases, o estúdio, junto com suas mentes criativas, confeccionou uma teia de eventos complexa e inédita no cinema e tornou-se tendência copiada pela concorrência. O que está em movimento agora é a fase três, que terá “Homem Formiga e a Vespa” e “Vingadores 4” para o fechamento. Precedidos, logicamente, por esse arrasa quarteirões chamado “Vingadores: Guerra Infinita”.
    Esperado com ansiedade, o embate contra o poderoso Thanos finalmente é executado. O grupo separado em “Capitão América: Guerra Civil” se junta novamente para enfrentar um inimigo em comum; agora com a ajuda do Pantera Negra e toda a nação de Wakanda e dos Guardiões da Galáxia. Thanos é um destruidor de mundos que quer juntar todas as joias do infinito em sua manopla e aumentar seu poder, para assim, num estralar de dedos, matar metade dos seres vivos do universo.
    Bem trabalhado em computação gráfica, o vilão é tridimensional e segue conflitos pessoais como os que passam os heróis. A competente atuação de Josh Brolin confere um ar de superioridade ao mesmo tempo em que demonstra cansaço entre as marcas de seu rosto. Seus atos genocidas são, para ele, como atos de misericórdia, já que é aceitável matar trilhões de seres vivos para salvar outros trilhões da falta de recursos causada pela superpopulação.
    A invasão das tropas alienígenas é rápida, não dando tempo para que Tony Stark consiga reunir a equipe. Por isso, o longa é dividido em núcleos de combate em Nova York, Wakanda e espaço, junto a isso ainda há os minutos reservados para Thanos. No quesito direção, os irmãos Russo trabalham com vigor as cenas de ação descomunais. Suas câmeras viajam entre as lutas de inúmeros personagens sem fazer com que a noção espacial seja perdida. Sempre é claro o que está acontecendo na tela. Para ajudá-los há a montagem que dá conta de fazer com que tantas situações não confundam o espectador, tornando a trama fluida e divertida. Como de costume, as piadas estão presentes para balancear o tom sombrio que cenas de tortura e mortes podem causar. Talvez esse seja a produção mais sombria do universo Marvel, chegando a causar medo em alguns momentos. Parece uma iniciativa mais adulta, que não tem medo de mostrar os grandes ícones sangrando em momentos de guerra. Depois da invasão do exercito de Thanos em Wakanda, o filme se torna ainda mais visceral, mesmo que algumas cenas sejam suavizadas pela edição rápida.
    Sem sombra de duvidas o futuro de personagens que o público aprendeu a se importar durante os anos é incerto desde a introdução até o final. Será que eles terão forças para superar um inimigo mais forte e implacável? Essa é uma pergunta que o roteiro de “Vingadores: Guerra Infinita” responde em parte, já que ele trás mais perguntas do que respostas, deixando as revelações para o próximo filme. É interessante notar que cada um dos heróis principais possuem praticamente participações iguais em tela durante a projeção. Dessa vez o manto de protagonista não caiu nas costas do Homem de Ferro, distribuindo a importância e ampliando as possibilidades dramáticas. Isso é muito bom, pois abre o leque para possíveis despedidas, e prepara o terreno para uma eventual nova equipe na próxima fase.
    “Vingadores: Guerra Infinita” guarda algumas surpresas (o que é raro em filmes de super-heróis) conseguindo fazer com que alguns nerds pulem da cadeira, principalmente no final do terceiro ato. Enfim, tira aquele sabor ruim de mesmice que os seus antecessores deixaram e ilumina um futuro promissor para um segmento que já parece demostrar sinais de saturação.

    Obs: Como todos já sabem, há uma cena extra no final dos créditos. Essa em especial precisa ser vista, devido a sua grande importância para o que vem a seguir, não só em relação aos Vingadores, mas também a outros membros do universo.

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  • Rodrigo Miguel

    Em uma pequena cidade dos EUA uma família sobrevive a algo que aparentemente devastou quase toda a vida do planeta. O que resta agora são destroços do que já foi a nossa civilização. A câmera passeia no meio de casas e carros abandonados até chegar aos humanos que ainda lutam; amontoando-se em grupos de maltrapilhos. Sinopses como essa se tornaram comuns no cinema e na TV em produções que mostram invasões alienígenas, monstros, maquinas assassinas, vírus e zumbis. Quando um filme nesses moldes é anunciado, todos se perguntam: Será que haverá algo de novo? No caso de “Um Lugar Silencioso”, a resposta é sim.
    A tal família aqui é formada pelo pai (John Krasinski), a mãe (Emily Blunt), a filha surda (Millicent Simmonds) e os dois filhos interpretados por Noah Jupe e Cade Woodward. No inicio do longa vemos todos eles indo a um pequeno mercado atrás de suprimentos. O que chama a atenção nessa sequencia é o silencio. Não há diálogos (a não ser o por meio da linguagem de sinais), não há música, e todo o caminho entre a casa na fazendo onde eles moram até a pequena cidade é demarcado por uma trilha de areia, que serve para abafar os ruídos de seus passos. Todos estão descalços e tomam o maior cuidado ao manusear objetos que possam fazer qualquer tipo de som. Logo é revelado que os humanos foram subjugados por um predador cruel que, apesar de cego, possui superaudição.
    John Krasinski, que atua e também dirigi, consegue criar um ambiente sufocante ao tirar a capacidade de seus personagens de se comunicarem verbalmente e de tensão quando a simples queda de um objeto pode ser fatal. Nem mesmo os gritos podem ser ouvidos quando as mortes acontecem. Usando “Sinais” de M. Night Shyamalan como referencia, o diretor aterroriza nas cenas que a família está presa em casa enquanto as criaturas espreitam do lado de fora. O andar hora quadrupede, hora ereto, faz a madeira ranger e casa tremer com a movimentação rápida de caçadores no teto e pelas paredes. A menção a “Alien” feita acima também não é por acaso, já que Krasinski bebe na fonte do clássico de Ridley Scott para assustar a plateia quando as vitimas são pegas de surpresa por um ataque rápido, que vem de fora do quadro. Só sai uma nave perdida no espaço e entra uma fazenda isolada.
    Além do clima bem construído, o filme faz uso de um bom elenco. Dor, medo e desespero são entregues por meio de expressões, e a novata Simmonds, que perdeu a audição na vida real, é o foco da trama. Por causa de acontecimentos que não cabem ser explanados para evitar spoilers, ela se sente preterida por um pai que não consegue demonstrar seu amor. Blunt é encantadora como sempre na pele de uma mulher que quer a todo custo defender sua prole e Krasinski segue a linha do pai focado em seguir as regras de uma nova realidade. Ou seja, “Um Lugar Silencioso” é um drama familiar independente misturado com o gênero terror, passado em um ambiente apocalíptico. É evidente que as intenções íntimas do roteiro possuem origem no casamento entre os atores principais, tornando a interação entre os dois ainda mais orgânica na tela.
    Claro que nem tudo são louros, já que os clichês do gênero insistem em dar as caras. Então, não se surpreenda com os sustos fáceis proporcionados por falsas situações de perigo ou com algo que aparece na tela de surpresa. E, se o design de som é competente em construir um mundo onde pequenos elementos sonoros dão vida a um mundo de silêncio, ou quando “sentimos” a surdes da garota como quando nossos ouvidos são tampados pela agua, ele também é prosaico em aumentar o tom para que aquele susto produzido por algo que aparece na tela seja potencializado. Pontos relevantes, mas que não atrapalham a competência de um ótimo filme de terror.

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  • Rodrigo Miguel

    Ser cinéfilo nos anos oitenta e noventa foi um grande prazer. Nessas décadas surgiram grandes clássicos do cinema Pop norte americano que se tornaram sucesso em todo o mundo e criaram uma legião de fãs. Um dos artistas que está no topo dos letreiros de muitos desses filmes é Steven Spielberg. Como diretor, produtor ou roteirista, Spielberg fez com que as pessoas se apaixonarem pela sétima arte e ajudou a formar muitos dos que estão na indústria de Hollywood hoje em dia. O segredo foi carregar seus filmes de emoção e magia em histórias humanas, mas usando a fantasia e a ficção cientifica como agregadores narrativos.
    As produções do cineasta são usadas como referência há muito tempo, o que não deixou margem para surpresas quando Ernest Cline lançou seu livro “Jogador Nº 1” em 2011, se apropriando de ícones como “De Volta para o Futuro”, “Gremlins”, etc. Mas, “Jogador Nº 1” não se contenta em Spielberg, também há “King Kong”, “Godzilla”, O Iluminado (toda uma importante sequência reverencia Kubrick e Stephen King), entre outros. O cinema não é o único a ser usado como matéria prima, conferindo aos games um papel ainda mais importante para a trama que se passa em 2044, onde Wade Watts, assim como o resto da humanidade, prefere o simulador OASIS ao mundo real. Quando o seu criador, o excêntrico James Halliday morre, os jogadores devem descobrir a chave de um quebra-cabeça diabólico para conquistar sua fortuna inestimável.
    Ninguém mais indicado para dirigir uma adaptação de um livro com essa proposta do que o próprio Spielberg e, sem sombra de duvidas, o homem sabe para onde apontar suas câmeras, mesmo que essas sejam na maior parte do tempo virtuais, emulando um mundo de RPG. Nas mãos de alguém com menos talento, todo o significado além da pirotecnia seria desperdiçado e temas como o isolamento, a amizade e a fuga da realidade perderiam a importância. Realidade distópica em cidades que mais parecem grandes favelas amontoadas em toneladas de lixo. OASIS é o que faz as pessoas fugirem dessa miséria e como os celulares, os aplicativos, as redes sociais e os próprios jogos eletrônicos do ano de 2017, proporciona a fuga em vidas imaginarias na pele de avatares escolhidos pelo jogador. Igualmente como hoje, há as corporações que visam lucrar com a escravização eletrônica dessas pessoas e exploram o que todas elas possuem: seus sonhos.
    Um grupo de jovens às margens lutando contra um vilão maior e poderoso. Com certeza se trata de uma fórmula batida, no entanto, a construção narrativa, como um jogo, pedia que esses personagens subissem de level assim que as fases fossem superadas e que reunissem habilidades para o final apoteótico, ao mesmo tempo em que prestaria homenagem a todas as obras que usaram dessa tal fórmula no passado. Como em “Gonnies”, a aventura dos amigos é perigosa ao mesmo tempo em que diverte a plateia. As batalhas são emocionantes por misturarem tantas figuras nerds conhecidas. Tudo é montado de forma frenética, nunca deixando que a sensação de clímax se esgote.
    Se a ação, aliada à trilha sonora com os hits “We're Not Gonna Take It” do Twisted Sister, “Stayin' Alive” do Bee Gees e “I Hate Myself For Loving You” de Joan Jett proporcionam frio na espinha, o mesmo pode ser dito da constatação feita pelo roteiro de que a prisão virtual na qual estamos pode ser permanente se caso não buscarmos laços humanos. A integração entre pessoas é primordial em um mundo conectado por telas que projetam o artificial. No terceiro ato isso fica evidente e o chefe final só poderá ser vencido quando o grupo formado por Parzival (Tye Sheridan), Art3mis (Olivia Cooke), Aech (Lena Waithe), Sho (Phillip Zhao) e Daito (Win Morizaki) saberem o momento de jogar e também de desconectar.

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