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Se puséssemos Arthur Penn e Antonioni na cama, encostássemos uma arma na cabeça deles e os obrigássemos a trepar enquanto Bresson olhava pelo buraco da fechadura, teríamos Taxi Driver. (Paul Schrader)

Filmo não importa o quê,mas nunca não importa como. (Claude Chabrol)

Se se ganha dinheiro, o Cinema é uma indústria. Se se perde, é uma Arte. (Millôr Fernandes)

Os filmes começam com D.W.Griffith e terminam com Abbas Kiarostami. (Jean-Luc Godard)

É considerado OK em Hollywood ter cenas de sexo nos filmes, contanto que as pessoas envolvidas não pareçam estar se divertindo. Se elas estão, é pornografia. Se não estão, é arte. (John Waters)

Muitas coisas que não percebemos cotidianamente passamos a perceber através da câmera. ( Sergei Loznitsa)

Cinema é como um sonho, como uma música. Nenhuma arte perpassa a nossa consciência da forma como um filme faz; vai diretamente até nossos sentimentos, atingindo a profundidade dos quartos escuros de nossa alma. (Ingmar Bergman)

Últimas opiniões enviadas

  • Rodrigo Miguel

    Criado pelo prolifero Stan Lee e seu companheiro Jack Kirby na década de 60, o Pantera Negra fez sua primeira aparição em uma edição do Quarteto Fantástico. Na época, muitos o associaram ao partido revolucionário Black Panther, mas isso logo foi desacreditado pelos seus criadores. Verdade ou não, o fato é que o personagem e seu universo possuem em seus cernes o ideal libertário e igualitário de um povo que sofre com perseguições de todo tipo desde que nós nos consideramos como sociedade civilizada. A representatividade da obra é importante em um mundo moderno cada vez mais apartado, e o novo filme da Marvel vem para cumprir o papel de panfleto, no melhor sentido do termo.
    Claro que o filme “Pantera Negra” é, antes de tudo, uma aventura cheia de ação; produzido para inserir Wakanda no universo Marvel. Como história de origem, apresenta todos os personagens importantes para a construção do herói africano. A premissa é aquela já conhecida em se tratando de início de franquias: o príncipe T'Challa (Chadwick Boseman) está pronto para assumir o lugar de seu pai, morto em um atentado terrorista mostrado em “Capitão América: Guerra Civil”. Ele será rei e adquirirá os poderes místicos, além da armadura do Pantera, mas, antes, precisará ganhar a confiança do povo e de seus íntimos, além de derrotar um inesperado inimigo. Basicamente é a mesma trama de todos os longas solos dos integrantes dos vingadores, entretanto, faz uso de uma roupagem ainda não vista em filmes de super heróis.
    Wakanda possui elementos tribais misturados com tecnologia. Nota-se a arquitetura recorrente dos países africanos inserida em um contexto futurista de naves, arranha céus e trem velozes. Tudo é construído com Vibranium, o mesmo material usado no escudo do Capitão América e que só pode ser encontrado no local fictício. É um país de primeiro mundo; uma potência bélica, que se mantém escondida de seus vizinhos pobres. Temos aí um sentimento de separação, onde a nação desenvolvida constrói um muro (aqui, um campo de força que a torna invisível) para que os indesejáveis não destruam seu estado de bem estar social. T'Challa, como novo líder, fica entre abrir as portas ou manter o status soberano. Seu grande interesse amoroso, Nakia (Lupita Nyong'o) e seu nêmeses Erik Killmonger (Michael B. Jordan) acham que precisam se revelar ao mundo. Ela com ajuda humanitária e ele por meio da dominação e exportação de suas inovadoras armas.
    B.Jordan constrói Killmonger com aspirações de poder e com sentimentos que o fazem buscar vingança contra aqueles que o ignoraram a vida toda, conseguindo se sair melhor que alguns dos vilões unidimensionais apresentados em filmes baseados em quadrinhos atualmente. Isso não o redime de entregar uma atuação banal, que se esvazia no ato final, infelizmente. Boseman se limita a carregar de sotaque o seu inglês e esquece-se de trazer profundidade nos momentos que está sem a máscara. O restante do elenco que conta, além de Nyong'o, com Danai Gurira, Forest Whitaker, Martin Freeman e Andy Serkis, são apenas corretos, sem nenhum destaque. Ryan Coogler (Creed: Nascido para Lutar) apesar de não conseguir que seus atores tenham desempenhos exemplares, imprime certo estilo em algumas bem filmadas cenas de lutas. A melhor delas, em uma casa noturna, é uma demonstração de domínio de mise en scène, principalmente em um ótimo plano sequência que acompanha dois núcleos de batalha com a câmera subindo e descendo em gruas. A coesão é evidente em embates bem coreografados. Entretanto, essas qualidades não são vistas nas derradeiras batalhas do filme (principalmente na luta entre herói e vilão) por serem apáticas e picotadas por uma edição que não favorece o fluxo da ação. Porém, são pequenos problemas que não apagam o valor simbólico de “Pantera Negra” e, gostando ou não do universo Marvel, é preciso reconhecer o excelente trabalho que o estúdio vem fazendo com seus personagens. São pop, mas possuem alma, e isso é muito importante.
    Em síntese, basta dizer que todos os espectadores que acompanham um pouco o obscuro cenário político norte americano da era Trump, ficarão felizes com o pacifismo e a vontade de integração impressos nas linhas do roteiro. Por mais que haja inúmeras cenas de tiroteios e lutas, a figura do Pantera vem carregada de diplomacia e senso de justiça. Os conflitos com os quais ele se envolve são os que fogem ao seu controle; aqueles mancomunados pelos vilões (um deles quer ser o líder supremo). Inevitavelmente é no gueto onde o filme começa e onde ele acaba, trazendo à luz os excluídos; os que não possuem acesso ao avanço social e tecnológico intrínseco a Wakanda. O colorido daquele lugar quase mágico será o grande incentivo para que uma nova sociedade tome forma. Novos heróis irão se erguer a partir das ruas e darão inicio à revolução. A única torcida é para que, no mundo real, haja aqueles que imitem a ficção.

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  • Rodrigo Miguel

    Nada no mundo contemporâneo tem deixado tantas feridas e causado tanta dor como o terrorismo. Ele está em todos os lugares, carrega varias bandeiras e atinge inocentes aos milhares. Por anos a Europa vem sofrendo com a barbárie; o que faz seus cidadãos vítimas em potencial. Além dos já conhecidos grupos do oriente médio, há uma nova onda de criminosos que se escondem por trás de ideologias politicas de extrema direita, e a Alemanha, infelizmente, é uma das nações que mais produz esse tipo de individuo. A causa, evidentemente, é o seu passado à sombra de Adolf Hitler.
    “Em Pedaços” do cineasta alemão, de ascendência turca Fatih Akin vem tratar desse problema assustador que é o Neo Nazismo. A história é contata através de Katja Sekerci (Diane Kruger) que perde seu marido e filho em um atentado terrorista realizado por um casal de supremacistas brancos (essas informações não são spoilers, já que estão no trailer do longa). Nuri (Numan Acar), o marido, é um ex-presidiário turco, dono da pequena loja que é explodida. Depois do ocorrido e dos suspeitos presos, Katja irá ao tribunal para acompanhar e servir de testemunha no processo judicial, enquanto tenta lidar sozinha com uma vida insuportável sem seus entes queridos.
    O espectador é transportado para a nova realidade de Katja. Se antes a vida era feliz em uma casa coberta pelos raios de sol da manhã, agora ela é funesta; cortada por corredores escuros, onde a pouca luz só serve para que a mulher não tropece no acumulo de objetos jogados no chão. No passado os sorrisos e brincadeiras de fins de semana na praia são abundantes, agora, em substituição, há a neve e a chuva torrencial de um presente melancólico. Essa construção expressionista pode parecer genérica, mas é bem trabalhada por Akin em sequências discretas, quase fazendo com que a câmera seja esquecida em um relato documental. Realidade é o que procura o roteiro, sem cair no manjado esquema de filme de vingança Hollywoodiano, mesmo tendo uma estrela como Diane Kruger no elenco.
    Kruger é, sem dúvidas, um dos grandes atrativos do filme. A força de sua atuação mostra o motivo dela ter ganhado um prêmio no festival de Cannes em 2017. Ela também ganhou o Globo de Ouro e foi injustamente ignorada pelo Oscar. Quem ainda acha que a atriz alemã é apenas mais um rosto bonito ficará impressionado com o tom visceral da construção de sua personagem. A dor da mãe e esposa é explanada em cenas magistrais de descontrole e em diálogos com seus familiares. Mistura-se a essa dor a raiva, o que dá ainda mais profundidade e significado aos seus sentimentos. Não há momentos de baixas em seu desempenho, tudo é uma grande crescente até os últimos momentos de projeção. Os outros personagens são usados como escadas para que essa excelente atriz dê seu show e ela entrega o melhor de sua carreira até agora.
    A narrativa é construída como um thriller, mas não acelera o tempo a procura de respostas fáceis. Cadenciadamente a trama se desenrola e todas as peças são expostas. Nunca pesando a mão na direção, Akin consegue discutir as falhas processuais do sistema jurídico alemão e as raízes às vezes não tão evidentes das formas de preconceito racial em um país rachado de forma invisível (a família mora em um bairro exclusivo de imigrantes, em especial turcos). O cineasta não faz parte da raça ariana, como diria os fanáticos. Então, provavelmente, já deve ter passado por situações que o tarimbam para a discussão. Com um final poderoso, “Em Pedaços” deixa um vazio na alma e faz a pergunta que não quer calar: Será que o sofrimento um dia acabará?

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  • Rodrigo Miguel

    É impossível escrever sobre “Todo o Dinheiro do Mundo” sem citar Kevin Spacey, por mais que os realizadores o tenham apagado do filme. A má conduta do ator fez com que algo inédito acontecesse na indústria cinematográfica: a exclusão de um astro em um filme já pronto. Ridley Scott gastou dez milhões de dólares acima do orçamento para refilmar todas as cenas de Spacey com Christopher Plummer em um prazo curto, às vésperas com o lançamento. Até já havia uma campanha para a indicação ao Oscar para Spacey, que também foi extinta. O Novo protagonista também ganhou uma indicação ao Oscar pelo seu excelente desempenho, mas será prejudicado por fazer parte de uma produção banal, daquelas esquecíveis com o passar dos anos. Alias, será pior, todos apenas se lembrarão do filme porque tinha em seu elenco um criminoso sexual. Entretanto, não se pode julgar o longa por causa de seus problemas de bastidores, é preciso coloca-los de lado e deixar a arte falar por si só.

    Dito isso, o roteiro se apoia em fatos reais para contar a história do bilionário Jean Paul Getty (Plummer), que nos anos 70 possuía a maior fortuna do mundo. Getty era conhecido por não gostar de gastar seu dinheiro e isso foi afirmado quando seu neto John Paul Getty III (Charlie Plummer) é sequestrado e o homem se recusa a pagar o resgate pedido pelos sequestradores, mesmo com os suplícios da mãe do garoto, vivida por uma competente Michelle Williams. Ao invés de pagar, Getty Sênior encarrega o seu homem de confiança para cuidar do caso. O ex-espião Fletcher Chase (Mark Wahlberg) tem a missão de efetuar o resgate gastando pouco ou mesmo nada. Tudo se complica quando uma orelha do neto é enviada pelo correio. A necessidade de posse intrínseca ao mundo capitalista é bem representada na figura do decrépito bilionário. Só o dinheiro não basta, há a avidez por colecionar obras de arte valiosas que são acumuladas em uma enorme mansão. Roma é o cenário em que a história se passa e, em uma sequencia em que Getty mostra para o neto o coliseu, fica claro o caminho pretendido pelo roteiro. Tudo pertence ao imperador, até mesmo as pessoas.

    Um dos problemas de “Todo o Dinheiro do Mundo” é que Ridley Scott parece aqueles diretores iniciantes que são contratados por um estúdio apenas para executar o trabalho de marcenaria. Seus planos são desprovidos de inspiração e mesmo a direção de atores é negligenciada, deixando que cada um execute os personagens da maneira que lhes convém (como na atuação extremamente forçada de Romain Duris como um dos sequestradores). A reconstituição dos anos 70 é bem trabalhada, no entanto, não é algo que Hollywood já não tenha mostrado anteriormente. Toda aquela tensão dos filmes de sequestro que poderia ser um ponto forte fica prejudicada por não nos importarmos com o sequestrado e seu sofrimento. De fato, o tema do filme são as atitudes desumanas do avô. O conhecimento prévio da história e seu desfecho (por se tratar de uma história baseada em fatos) também não ajudam na imersão. O ato final é tão anticlímax que é quase impossível não torcer pelos sequestradores, para ver se alguma emoção saí da tela. Desejos de emoção e tensão são apropriados quando tratamos de um cineasta que pariu obras como “Blade Runner”, “Alien” e o mais recente “Perdido em Marte”. É de se imaginar que “Todo o Dinheiro do Mundo” é um produto feito nas férias de alguns meses das superproduções que Scott costuma produzir, e devido ao fracasso recente de uma delas (no caso Alien: Covenant) ele tenha abaixado a cabeça e feito algo mais seguro, porém efêmero.

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  • Filmow
    Filmow

    O Oscar 2017 está logo aí e teremos o nosso tradicional BOLÃO DO OSCAR FILMOW!

    Serão 3 vencedores no Bolão com prêmios da loja Chico Rei para os três participantes que mais acertarem nas categorias da premiação. (O 1º lugar vai ganhar um kit da Chico Rei com 01 camiseta + 01 caneca + 01 almofada; o 2º lugar 01 camiseta da Chico Rei; e o 3º lugar 01 almofada da Chico Rei.)

    Vem participar da brincadeira com a gente, acesse https://filmow.com/bolao-do-oscar/ para votar.
    Boa sorte! :)

    * Lembrando que faremos uma transmissão ao vivo via Facebook e Youtube da Casa Filmow na noite da cerimônia, dia 26 de fevereiro. Confirme presença no evento https://www.facebook.com/events/250416102068445/

  • Filmow
    Filmow

    Rodrigo Miguel,

    Como o filme O Diário de uma Camareira (http://filmow.com/o-diario-de-uma-camareira-t74483) ainda não está sendo exibido comercialmente, o sistema removeu a sua indicação “já vi”. Caso você tenha assistido à obra em alguma mostra ou festival, por favor, confirme data e local no formulário abaixo para reabilitar a sua marcação.

    Esta medida está sendo tomada para zelar pela veracidade e credibilidade do conteúdo publicado no Filmow, reforçando a relação de confiança entre o site e seus usuários.

    Obrigado pela colaboração.
    Equipe Filmow

  • Carla Daniele
    Carla Daniele

    Olá! Comprei o pacote de 20 filmes. =)
    Por que você não consegue me adicionar?

    https://www.facebook.com/caahniele
    Beijos