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Se puséssemos Arthur Penn e Antonioni na cama, encostássemos uma arma na cabeça deles e os obrigássemos a trepar enquanto Bresson olhava pelo buraco da fechadura, teríamos Taxi Driver. (Paul Schrader)

Filmo não importa o quê, mas nunca não importa como. (Claude Chabrol)

Se se ganha dinheiro, o cinema é uma indústria. Se se perde, é uma Arte. (Millôr Fernandes)

Os filmes começam com D.W.Griffith e terminam com Abbas Kiarostami. (Jean-Luc Godard)

É considerado OK em Hollywood ter cenas de sexo nos filmes, contanto que as pessoas envolvidas não pareçam estar se divertindo. Se elas estão, é pornografia. Se não estão, é arte. (John Waters)

Muitas coisas que não percebemos cotidianamente passamos a perceber através da câmera. (Sergei Loznitsa)

Cinema é como um sonho, como uma música. Nenhuma arte perpassa a nossa consciência da forma como um filme faz; vai diretamente até nossos sentimentos, atingindo a profundidade dos quartos escuros de nossa alma. (Ingmar Bergman)

Últimas opiniões enviadas

  • Rodrigo Miguel

    O que é o cinema se não a representação da vida? O que é a vida sem a inevitável morte? São perguntas que o cineasta mexicano Michel Franco tenta responder no delicado e, ao mesmo tempo, brutal “Chronic”, onde dirige e escreve. Ganhador de melhor roteiro no festival de Cannes em 2015, Franco entrega um filme “puro”, aquele que tem por principio mostrar a realidade sem as amarras narrativas ou estilísticas, quase se aproximando do documentário. Faz um recorte de vida de pessoas comuns de forma minimalista, mas inteiramente competente. Trata-se de uma proposta onde um fio de história serve para o filme todo, não necessitando de grandes arcos dramáticos ou de uma jornada pré-definida. De fato, é a realidade que bate à porta.
    Como nome mais conhecido do elenco, Tim Roth dá vida a o enfermeiro David, que fornece assistência em domicílio a pacientes em fase terminal. Seu trabalho dedicado vai além das tarefas atribuídas a ele, levando-o a se envolver emocionalmente com cada um dos enfermos. Por outro lado, David tem no passado algo que o atormenta e que o fez se afastar da filha estudante de medicina. A solidão do homem é tanta que, em algumas vezes, ele toma para si a história dos pacientes de quem cuida. Um exemplo é quando, em um papo de bar, ele diz que era casado, mas que a esposa havia morrido de AIDS. Isso logo após ter cuidado de uma aidética antes dela falecer. Diferentemente dos personagens explosivos da carreira de Roth, seu David beira a inércia em uma atuação que depende do olhar e dos pequenos gestos. Sua constante vontade de ajudar com sorriso no rosto contrasta com a melancolia de quando está sozinho em sua casa escura.
    O que ajuda Roth em seu desempenho é a maneira que Franco constrói os planos. Pouco movimentando a câmera e apostando em seguidos planos “mortos”, onde a situação se desenrola naturalmente, sem mudança focal ou cortes, o diretor força o espectador a olhar a degradação que traça o limite da breve existência do ser humano. David está sempre por perto; enquadrado entre batentes de portas e colunas, que o integram e o aprisionam naquelas casas. Os poucos travellings usados são para mostra-lo em suas corridas durante as folgas ou quando chega à casa de um paciente que morreu fora de seus cuidados, ou seja, em momentos de stress, onde nada está sobre seus cuidados. A figura do enfermeiro pode ser comparada a dos anjos mitológico que espreitam o leito de morte. Estão ali para levar a alma quando a vida chegar ao fim. Porém, não há nada de mitológico em “Chronic”, há sim a grande discussão existencial do sentido da vida em seres que já nascem com o cronometro contando o tempo para o fim. Às vezes o cronometro é adiantado por uma doença ou qualquer outra fatalidade. Por isso, para que amaram, se reproduziram, ou mesmo viveram? Pelos rumos tomados pelo roteiro é fácil decifrar a ideia de uma vida efêmera e sem significado. Deixando a irônica reflexão de que o que resta a ser feito é amar, se reproduzir e viver.
    Com enxutas e suficientes uma hora em meia de duração, é possível traçar todos os dilemas de David sem forçar uma resposta fácil ou precipitada. Decisões polêmicas são tomadas e gerariam enorme discussão se o filme fosse direcionado a um publico mais amplo, fora dos circuitos de festivais. Infelizmente algumas obras são apreciadas por poucos e discutidas em esferas menores. A intenção desse texto é trazer mais um suspiro a essa produção de três anos atrás e torcer para que alguém se interesse em conferi-lo.

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  • Rodrigo Miguel

    Imagine um mundo onde os livros e, consequentemente, todos os tipos de arte são proibidos. Nesse mundo, os bombeiros não combatem incêndios, porque são os agentes causadores do fogo; uma força policial que procura rebeldes acumuladores de arte e faz fogueiras de livros em praça pública a mando de um governo ditatorial que controla a população por meio de uma ideia deturpada de felicidade. No ideal desses homens, para que servem os livros, filmes e musicas com suas propostas autorais, fazendo com que as pessoas fiquem confusas em suas entrelinhas ou em suas confusões filosóficas? O controle vem por meio da tecnologia onde o big brother vigia a todo o momento e transmite ao vivo a privacidade dos cidadãos em rede nacional.
    Ray Bradbury escreveu o ícone da ficção cientifica distópica “Fahrenheit 451” na década de cinquenta, mas a sua história se encaixa perfeitamente na sociedade moderna. A escravização tecnológica promovida pelas telas de celular e internet pode ser o inicio de uma realidade próxima ao do livro, só falta um governo como, por exemplo, o de Donald Trump nos EUA, para dar o golpe final. As ditaduras tomam forma quando a população está distraída com outros assuntos e não consegue perceber quando algo está errado. Retirar a arte e cultura é o estopim para formar cidadãos sem a capacidade de formar pensamentos críticos, sendo relegados a miseras formigas trabalhadoras. François Truffaut já tinha dado a sua visão em 1966 quando filmou a história com Oskar Werner e Julie Christie e conseguiu êxito com um filme que, assim como o livro, virou clássico.
    Em 2018, a sempre confiável HBO lança a versão modernizada de “Fahrenheit 451” trazendo o astro do momento Michael B. Jordan no papel do bombeiro com peso na consciência Guy Montag. Como cadete Montag espera a promoção de seu superior e amigo Beatty (Michael Shannon) para que fique em seu lugar como capitão. A péssima recepção crítica em Cannes, onde foi mostrado fora de competição, fez com que o longa caísse no limbo das preferencias cinéfilas, tendo um lançamento frio por parte do canal. Felizmente, os críticos de Cannes não estavam totalmente certos em suas análises. Claramente se trata de um filme que não transparece nenhum tipo de emoção em seu roteiro. Seus frios personagens são geram qualquer ligação com os espectadores. Frieza que parte principalmente de seu protagonista extremamente desinteressante. B. Jordan tem parte de culpa em relação a isso, já que cria um Montag sem inspiração, praticamente no automático. Já Shannon precisa urgentemente pedir a seu agente que lhe mande papéis diferentes do que ele fez em “A Forma da Agua”. Um ator de alto calibre como ele não pode ficar preso em estereótipos de vilões sem escrúpulos. Por fim, Sofia Boutella entrega o que pode nas linhas rasas de sua Clarisse McClellan.
    Todas as adaptações de livros consagrados ao cinema receberão por parte dos fãs e especialistas algum tipo de ressalva, o que não é diferente aqui. Talvez, a parte de ser exatamente uma adaptação não esteja sendo entendida por todos. Um roteirista não é obrigado a transcrever exatamente o que está na obra literária, e isso é impossível. O cinema possui suas particularidades e precisa se valer delas para destacar-se perante as outras artes. Dito isso, o roteiro de Ramin Bahrani não é totalmente um desastre em criar novos personagens e situações, assim como alterar o final, em prol de um fluxo narrativo mais de acordo com as propostas iniciais. Também cuidando da direção, Bahrani consegue de forma aceitável mostrar suas intenções em cenas bem construídas. Ajudado pela boa fotografia de Kramer Morgenthau, que ilumina um mundo de forma escassa, apostando nas penumbras e em cores que lembram destruição o tempo todo, o diretor usa do vermelho e amarelo do fogo refletido nos rostos para externar as suas facetas. Distorcendo os planos, principalmente quando caminhão dos bombeiros é mostrado em ação, Bahrani lembra que aquela sociedade está doente.
    Tecnicamente bem executado, mas com falta de inspiração, essa nova aposta fica na média se comparado com as produções mais comerciais feitas nos EUA atualmente. Nada fora do comum, porém, bem longe da imagem execrável feita após o festival de Cannes. Afinal, Bahrani não é Truffault, dificultando assim a tarefa de fazer um filme que se tornasse memorável.

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  • Rodrigo Miguel

    Quando a Marvel começou sua jornada no cinema lá em 2008 com o primeiro “Homem de Ferro”, planos grandiosos já estavam sendo traçados, e a intenção era clara quando Tony Stark encontra Nick Fury na famosa e pioneira cena pós-créditos. Todo fã de quadrinhos ficou com aquele frio na barriga de expectativa. Finamente iria-se ver os grandes heróis juntos na tela grande. Depois dos famosos filmes de origem, a história culminou no primeiro “Vingadores”, seguindo com “Vingadores: A Era de Ultron”. Divido em fases, o estúdio, junto com suas mentes criativas, confeccionou uma teia de eventos complexa e inédita no cinema e tornou-se tendência copiada pela concorrência. O que está em movimento agora é a fase três, que terá “Homem Formiga e a Vespa” e “Vingadores 4” para o fechamento. Precedidos, logicamente, por esse arrasa quarteirões chamado “Vingadores: Guerra Infinita”.
    Esperado com ansiedade, o embate contra o poderoso Thanos finalmente é executado. O grupo separado em “Capitão América: Guerra Civil” se junta novamente para enfrentar um inimigo em comum; agora com a ajuda do Pantera Negra e toda a nação de Wakanda e dos Guardiões da Galáxia. Thanos é um destruidor de mundos que quer juntar todas as joias do infinito em sua manopla e aumentar seu poder, para assim, num estralar de dedos, matar metade dos seres vivos do universo.
    Bem trabalhado em computação gráfica, o vilão é tridimensional e segue conflitos pessoais como os que passam os heróis. A competente atuação de Josh Brolin confere um ar de superioridade ao mesmo tempo em que demonstra cansaço entre as marcas de seu rosto. Seus atos genocidas são, para ele, como atos de misericórdia, já que é aceitável matar trilhões de seres vivos para salvar outros trilhões da falta de recursos causada pela superpopulação.
    A invasão das tropas alienígenas é rápida, não dando tempo para que Tony Stark consiga reunir a equipe. Por isso, o longa é dividido em núcleos de combate em Nova York, Wakanda e espaço, junto a isso ainda há os minutos reservados para Thanos. No quesito direção, os irmãos Russo trabalham com vigor as cenas de ação descomunais. Suas câmeras viajam entre as lutas de inúmeros personagens sem fazer com que a noção espacial seja perdida. Sempre é claro o que está acontecendo na tela. Para ajudá-los há a montagem que dá conta de fazer com que tantas situações não confundam o espectador, tornando a trama fluida e divertida. Como de costume, as piadas estão presentes para balancear o tom sombrio que cenas de tortura e mortes podem causar. Talvez esse seja a produção mais sombria do universo Marvel, chegando a causar medo em alguns momentos. Parece uma iniciativa mais adulta, que não tem medo de mostrar os grandes ícones sangrando em momentos de guerra. Depois da invasão do exercito de Thanos em Wakanda, o filme se torna ainda mais visceral, mesmo que algumas cenas sejam suavizadas pela edição rápida.
    Sem sombra de duvidas o futuro de personagens que o público aprendeu a se importar durante os anos é incerto desde a introdução até o final. Será que eles terão forças para superar um inimigo mais forte e implacável? Essa é uma pergunta que o roteiro de “Vingadores: Guerra Infinita” responde em parte, já que ele trás mais perguntas do que respostas, deixando as revelações para o próximo filme. É interessante notar que cada um dos heróis principais possuem praticamente participações iguais em tela durante a projeção. Dessa vez o manto de protagonista não caiu nas costas do Homem de Ferro, distribuindo a importância e ampliando as possibilidades dramáticas. Isso é muito bom, pois abre o leque para possíveis despedidas, e prepara o terreno para uma eventual nova equipe na próxima fase.
    “Vingadores: Guerra Infinita” guarda algumas surpresas (o que é raro em filmes de super-heróis) conseguindo fazer com que alguns nerds pulem da cadeira, principalmente no final do terceiro ato. Enfim, tira aquele sabor ruim de mesmice que os seus antecessores deixaram e ilumina um futuro promissor para um segmento que já parece demostrar sinais de saturação.

    Obs: Como todos já sabem, há uma cena extra no final dos créditos. Essa em especial precisa ser vista, devido a sua grande importância para o que vem a seguir, não só em relação aos Vingadores, mas também a outros membros do universo.

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