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Se puséssemos Arthur Penn e Antonioni na cama, encostássemos uma arma na cabeça deles e os obrigássemos a trepar enquanto Bresson olhava pelo buraco da fechadura, teríamos Taxi Driver. (Paul Schrader)

Filmo não importa o quê,mas nunca não importa como. (Claude Chabrol)

Se se ganha dinheiro, o Cinema é uma indústria. Se se perde, é uma Arte. (Millôr Fernandes)

Os filmes começam com D.W.Griffith e terminam com Abbas Kiarostami. (Jean-Luc Godard)

É considerado OK em Hollywood ter cenas de sexo nos filmes, contanto que as pessoas envolvidas não pareçam estar se divertindo. Se elas estão, é pornografia. Se não estão, é arte. (John Waters)

Muitas coisas que não percebemos cotidianamente passamos a perceber através da câmera. ( Sergei Loznitsa)

Cinema é como um sonho, como uma música. Nenhuma arte perpassa a nossa consciência da forma como um filme faz; vai diretamente até nossos sentimentos, atingindo a profundidade dos quartos escuros de nossa alma. (Ingmar Bergman)

Últimas opiniões enviadas

  • Rodrigo Miguel

    O mito hollywoodiano é carregado de astros e estrelas talentosos e belos, de cineastas visionários e de filmes que são obras primas eternas. Mas, e a outra Hollywood? Aquela das produções B e dos artistas sem talento. Essa fica escondida nas sombras dos grandes estúdios. O misterioso Tommy Wiseau surgiu dessa segunda Hollywood, já que a primeira nem sabia que ele existia. Sempre com o desejo de poder atuar e após conhecer seu futuro amigo e cúmplice Greg Sestero em um grupo de teatro, ele parte para Los Angeles para ganhar a fama. Desprezado em diversos testes por causa da sua notável falta de dicção e por não saber atuar, Wiseau decide ele mesmo escrever, produzir e dirigir um filme, além, é claro, de ser o galã principal. Daí surgiu "The Room", que gastou seis milhões de dólares de produção e faturou mil e oitocentos em sua passagem de duas semanas em um único cinema. Eleito pela crítica como o pior filme já feito, virou cult ao ser exibido em inúmeros festivais de cinema pelo mundo.
    Evidentemente o sucesso chamou a atenção e logo a história da produção do filme virou roteiro com a direção e atuação de James Franco. “Artista do Desastre” é uma obra que faz paródia e ao mesmo tempo homenageia o cinema. A câmera passeia no caótico set mostrando a paixão de Wiseau pela sétima arte, mesmo que claramente ele não saiba o que está fazendo. Franco faz um ótimo trabalho em recriar identicamente cenas de “The Room”, usando exatamente os mesmos enquadramentos e a mesma paleta de cores (se é que se pode dizer que aquele filme possuía tais elementos) além de mostrar as situações ridículas, o roteiro medonho e as atuações infantis.
    Se Franco é ótimo na direção, ele ultrapassa os limites na encarnação de Wiseau. Com certeza será um papel que o levará, no mínimo, a uma indicação ao Oscar (Quando escrevi esse texto, Franco já havia ganhado o Globo de Ouro). Todos os trejeitos do artista do desastre são emulados por Franco. A fala quase incompreensível, o modo robótico de andar e até um dos olhos que é mais fechado que o outro estão lá. O trabalho do ator é apoiado pelo fiel figurino e pela maquiagem. Dave Franco não precisou se esforçar muito para dar vida ao amigo inexpressivo Greg Sestero. Há um grande número de participações de personalidades, ao começar pela abertura que imita um documentário e colhe depoimentos de gente como J.J. Abrams, Kevin Smith e Lizzy Caplan. No elenco principal há Seth Rogen, Zac Efron, Bob Odenkirk e Josh Hutcherson.
    “Artista do Desastre” não pode ser chamado de cinebiografia, já que conta a história de um desconhecido que ninguém sabe de onde vem, qual a sua idade ou de onde tira todo o seu dinheiro, mas consegue emocionar e fazer rir sem desrespeitar o homem que é mostrado em tela, mesmo que esse pareça não se levar a sério. Toda a estrutura narrativa é apoiada nas cenas durante as filmagens do “pior filme já feito” o que não impede que conheçamos a faceta solitária de Wiseau, que é tratado com Frankenstein quando sempre quis ser o herói do mundo que construiu em sua cabeça. Por isso, quando chega ao set no primeiro dia de filmagem, ele convida todos para entrar em seu planeta, construído para que possa fugir daquele em que nasceu. A arte surge de diversas formas e em diversos lugares e, com certeza, ela é diferente nesse outro planeta, onde o filme ruim se torna a obra prima a passar nas telas da cidade dos sonhos.

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  • Rodrigo Miguel

    O cinema grego vem ganhando destaque nos últimos anos por causa de suas histórias que fogem ao comum. O principal cineasta dessa nova onda é, sem dúvida, Yorgos Lanthimos, que passou a chamar a atenção com “Dente Canino” de 2009. Em 20015 ele dirigiu “O Lagosta”, seu primeiro trabalho em solo Hollywoodiano. Seu talento em construir sequências com situações esquisitas, usando enquadramentos inspirados, além da grande habilidade na direção de atores são fatores que explicam o sucesso do diretor. Esse talento também pode ser conferido no novo “O Sacrifício do Cervo Sagrado”, que possui no elenco Colin Farrell, Nicole Kidman, Alicia Silverstone e os novos expoentes Barry Keoghan e Raffey Cassidy.
    Uma cirurgia de coração no início do filme serve para apresentar o cardiologista Steven (Farrel), que é casado com a oftalmologista Anna (Kidman). Os dois possuem um casamento aparentemente perfeito e moram numa casa de boneca em um bairro rico junto com seus filhos Kim (Cassidy) e Bob (Sunny Suljic). A vida tranquila dessa família muda quando o garoto Martin (Keoghan) entra em cena. Martin é filho de um homem que morreu na mesa de cirurgia de Steven, o que faz com que o médico passe a se encontrar frequentemente com o órfão. Esses encontros são demonstrações de culpa por parte de Steve, mas ele disfarça esse sentimento dizendo que tem pena do garoto. Gradativamente Martin começa a demonstrar obsessão por Steven e um comportamento violento surge daí.
    Misteriosamente, os filhos do casal ficam doentes e não conseguem andar ou mesmo comer. Martin parece ter algum tipo de poder nas crianças e diz a Steve que a cura só se dará quando houver o sacrifício de um membro da família. Lanthimos traça, a partir da possibilidade do sacrifico, toda a desconstrução do ideal da família perfeita que existe na cultura ocidental, especialmente nas com influência norte-americana. O pai nesse contexto é o causador dos problemas e aquele que precisa remedia-los e resolve-los. A figura paterna como centro das atenções não é novidade na breve filmografia do cineasta, basta assistir o já citado “Dente Canino”. É interessante notar como a câmera do diretor de fotografia Thimios Bakatakis dá atenção especial ao médico e como os pontos de vista são alterados de acordo com o ambiente onde ele se encontra. Nos inicios de cenas no hospital, ele sempre é acompanhado por um estranho plano sequência em plongé, que parece que esta flutuando um pouco abaixo do teto, quase o esmagando. A sensação de que algo o segue pelos corretores herméticos, como um ser sobrenatural, é evidente. As sequencias na luxuosa casa mostram sempre os amplos espaços onde os personagens interagem, ao mesmo tempo em que há close-ups que enchem a tela e evidenciam toda a confusão mental pelo o que estão passando.
    A escolha de planos também é responsável por evidenciar esse desequilíbrio mental. Em nenhum momento vemos diálogos acontecendo no meio do quadro. O deslocamento para a borda, onde o plano corta uma pessoa ao meio enquanto ela é encarada pela outra é quase assustador. A forma com os diálogos são apresentados também pode ser, no mínimo, estranho para quem está acostumado com as narrativas clássicas. Os atores os dizem de forma acelerada, sem traçar qualquer característica de personalidade. Parecem pessoas sem almas ou seres artificias que precisam obedecer a uma programação. Possivelmente se trata de um artificio que tem por objetivo demonstrar o quão fora da realidade todos se encontram. A escolha de cores neutras nos figurinos e no design de produção ajuda a criar uma história que parece ser passada dentro de um sonho.
    Lanthimos constrói um final impactante e consegue expor uma discussão moral que, apesar de cruel, não deixa de ser válida. Mesmo com seu estilo excêntrico, “O Sacrifício do Cervo Sagrado” pode ser eleito o longa mais fácil do cineasta, já que segue um esquema de narrativa clássica de thriller. São raras as obras que se propõem a desafiar o espectador, e quando uma delas aparece, é preciso ir ao cinema e conferi-la. É garantido que ela ficará presente em suas mentes por muito tempo.

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  • Rodrigo Miguel

    A premissa de “The Square - A Arte da Discórdia” chega a ser curiosa, já que a produção dirigida por Ruben Östlund discute, entre outros temas, o mercado artístico em nossa sociedade contemporânea. Aqui, em especial, da dita abstrata, aquela em que os significados nem sempre são claros. A curiosidade se dá pelo fato do próprio filme e muitos outros do circuito alternativo fazerem parte desse tipo de arte. O dito cinema de arte é, em muitas vezes, mais difícil de ser compreendido pelo público do que as complexas instalações em museus pós-modernos. Claro que esse tipo de cinema é reservado aos cinéfilos “intelectuais”, que conseguem ler nas entrelinhas as mensagens dos cineastas, também providos de muita massa cinzenta. O roteiro de “The Square - A Arte da Discórdia” também tira sarro dessas pessoas que são os “entendedores” e os “construtores” culturais. É engraçado, mas também desconfortavelmente trágico.
    A Palma de Ouro em Cannes não foi desperdiçada com essa produção que tem um diretor já conhecido no circuito por causa do excelente “Força Maior”. Östlund segue o estilo satírico, que faz o espectador rir mesmo sabendo que algo fora do que podemos julgar como ético está acontecendo. A trama acompanha um gerente de museu que usa de todas as armas possíveis para promover o sucesso de uma nova instalação. Entre as tentativas para isso, ele decide contratar uma empresa de relações públicas para fazer barulho em torno do assunto na mídia em geral. A burguesia europeia é retratada de forma degradante pelo roteiro, já que é ela que financia as caras exposições no museu, ao mesmo tempo em que ignora de forma contundente os miseráveis imigrantes à sua volta. As sequencias que mostram as exposições ou mesmo a visita das pessoas ao museu evidenciam a completa ignorância de todos em relação às obras.
    Em um dos momentos mais marcantes há a performance de um ator durante um jantar de luxo. Ele praticamente incorpora um gorila e passeia no meio dos convidados. Como um animal selvagem, avança de forma violenta contra as pessoas nas mesas e assedia as mulheres. Depois de um grande desconforto, é atacado por vários convidados, imitando assim as relações de luta por sobrevivência dos símios nas florestas. O ser irracional dentro daquele dito civilizado é o que toma conta, mesmo que objetos de luxo estejam adornando- o. A alma das obras se perde quando aqueles que as observam são nada mais que selvagens.
    O elenco é encabeçado pelo fantástico Claes Bang, como Christian, o curador do museu. Um homem elegante e sofisticado que acusa falsamente um garoto imigrante de ladrão e não possui a honra de se desculpar. Há também Elisabeth Moss, uma jornalista que tem um caso com Cristian e Dominic West como um artista de renome. Os dois últimos possuem papeis pequenos mais de grande importância para a trama já que são espécies de degraus que os roteiristas usaram para contextualizar as situações.
    Provavelmente o mais importante em relação às pretensões do roteiro seja a constatação de que a arte apenas serve para mascarar uma classe dominante que usa de sua falsa cultura para manter o status quo. O niilismo de suas vidas esta impressa em esculturas e pinturas que eles realmente não entendem, mas que apreciam e financiam por excesso ou soberba. Talvez, contudo, eu tenha caído na armadilha dos realizadores e esteja encontrando significados falsos em pedaços de filme. Os entendedores em forma de críticos podem estar enganados e há alguém rindo em suas constas. Rindo por causas da ignorância burguesa sem sentido, que possui a convicção de ter visto muito onde não existe nada, ou mesmo vendo fora do lugar.

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  • Filmow
    Filmow

    O Oscar 2017 está logo aí e teremos o nosso tradicional BOLÃO DO OSCAR FILMOW!

    Serão 3 vencedores no Bolão com prêmios da loja Chico Rei para os três participantes que mais acertarem nas categorias da premiação. (O 1º lugar vai ganhar um kit da Chico Rei com 01 camiseta + 01 caneca + 01 almofada; o 2º lugar 01 camiseta da Chico Rei; e o 3º lugar 01 almofada da Chico Rei.)

    Vem participar da brincadeira com a gente, acesse https://filmow.com/bolao-do-oscar/ para votar.
    Boa sorte! :)

    * Lembrando que faremos uma transmissão ao vivo via Facebook e Youtube da Casa Filmow na noite da cerimônia, dia 26 de fevereiro. Confirme presença no evento https://www.facebook.com/events/250416102068445/

  • Filmow
    Filmow

    Rodrigo Miguel,

    Como o filme O Diário de uma Camareira (http://filmow.com/o-diario-de-uma-camareira-t74483) ainda não está sendo exibido comercialmente, o sistema removeu a sua indicação “já vi”. Caso você tenha assistido à obra em alguma mostra ou festival, por favor, confirme data e local no formulário abaixo para reabilitar a sua marcação.

    Esta medida está sendo tomada para zelar pela veracidade e credibilidade do conteúdo publicado no Filmow, reforçando a relação de confiança entre o site e seus usuários.

    Obrigado pela colaboração.
    Equipe Filmow

  • Carla Daniele
    Carla Daniele

    Olá! Comprei o pacote de 20 filmes. =)
    Por que você não consegue me adicionar?

    https://www.facebook.com/caahniele
    Beijos