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Últimas opiniões enviadas

  • nzm

    Assunto de Família (Manbiki Kazoku) dá a impressão de ser um sucessor da narrativa explorada por outro filme de Kore-eda: Ninguém Pode Saber (Dare mo Shiranai, 2004). O antigo aborda uma família que vai se desfazendo ao longo da projeção, enquanto o mais recente expande o tema do abandono, adicionando novos laços advindos de uma nova e irregular construção familiar.
    Ambos os filmes lidam com a questão do abandono infantil, maus-tratos, solidão e marginalidade social, e dão a impressão de que seus personagens vivem num mundo a parte das demais pessoas com as quais dividem o seu mundo, não apenas por sua situação precária e sofrida, mas também pelo modo com o qual se relacionam e transitam entre os demais; absortos em seus próprios mundos, como que imunes e estrangeiros a tudo aquilo que os cercam. Essa, aliás, é a atmosfera que permeia a maioria (se não todos) os filmes de Kore-eda.
    Não posso deixar de citar, também, a semelhança que Manbiki Kazoku tem com outro filme (ainda mais antigo), de Ōshima Nagisa, chamado O Garoto Toshio (Shōnen, 1969), que também retrata a vida de outra família irregular e delinquente. Tanto o filme de Ōshima quanto o de Kore-eda aborda a trajetória de pessoas vindas de lares desfeitos, com histórico de abusos e atividades criminosas, que, em algum momento, acabam se juntando e formando algo similar a um núcleo familiar, ao mesmo tempo que continuam a viver a seu próprio modo dentro da sociedade, até enquanto a sorte lhes sorri.
    Manbiki Kazoku, Dare mo Shiranai e Shōnen dão protagonismo à crianças, que apesar da pouca idade, demonstram possuir mais experiência e maturidade que os adultos que as cercam. O peso do sofrimento e solidão aos quais são expostas, ao invés de a quebrarem, faz com que fiquem mais fortes e calejadas à indiferença do mundo, roubando-as da inocência e ingenuidade que jamais serão capazes de reaver.
    Todos esses filmes são um retrato nu e cru da realidade da vida em sociedade, que não diferencia crianças de adultos, nem humanos de animais. Democrática em sua frieza e implacabilidade, a civilização cobra o seu preço a todos que dela fazem parte.

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  • nzm

    Apesar do nome e evento principal do filme estarem conectados ao voo que deu errado, o filme é, de fato, sobre as mazelas e auto-sabotagens de um homem preso a um círculo vicioso do qual não consegue (ou não quer) escapar.

    (A crítica revela fatos e cenas do filme, então, caso ainda não o tenha visto, não prossiga na leitura)

    Whip Whitaker (Denzel Washington) é um piloto bastante habilidoso, que, nas noites anteriores ao voo, passou dias e noites bebendo e cheirando cocaína; tudo isso acompanhado de uma atendente de voo. Inclusive na manhã do voo, Whitake consome vodka, ainda embriagado da noite anterior. Ken (Brian Geraghty), seu copiloto, percebe as condições de seu colega, mas escolhe por ignorá-las. O tempo não estava colaborando com a decolagem, mas isso logo foi solucionado, graças às habilidades de Whitaker. O problema se deu na aterrissagem, momento no qual o avião começou a despedaçar-se. Whitaker fez um milagre e, apesar de a aterrissagem ter sido trágica, apenas meia dúzia de vidas foram perdidas, ao invés de centenas.

    À partir daí começa um grande circo sobre a queda do voo e de quem seria a culpa. Contudo, interessei-me mais pela determinação de Whitaker de parar com tudo, logo após ser liberado do hospital; até recair novamente e ir atrás da garota, Nicole (Kelly Reilly), justo no momento em que ela estava sendo despejada. Whitaker oferece abrigo à ela, na antiga fazenda de sua família; local no qual estava ficando no momento, para fugir da mídia - e de si mesmo.

    Nicole admite seu vício por heroína e passa a frequentar reuniões de ajuda a viciados, enquanto que Whitaker insiste em continuar o seu estilo de vida autodestrutivo. Ele alega que bebe por escolha própria, e isso bem poderia ser verdade, pois não é incomum vermos pessoas escolhendo, por exemplo, fumar alguns baseados durante o decorrer do dia, apenas para escapar à realidade.

    Whitaker, no último momento, durante algum tipo de audiência, após um momento de indecisão, decide confessar seus erros e finalmente admite que sofre de um problema. Admite ser alcoólatra. E, apesar das consequências ruins que essa sinceridade lhe trouxe, Whitaker conseguiu se livrar do seu velho eu e viver em paz, sem mais necessidade de muletas.

    Acomoanhamos a rotina e a racionalidade de um viciado, um que não admite seu problema e insiste em continuar a se matar aos poucos. Há vários presos nesse tipo de situação, e é importante e reconfortante ter contato com obras com as quais possamos nos identificar e que podem, inclusive, nos ajudar a dar aquele pequeno passo para a recuperação.

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  • nzm

    Este filme me surpreendeu enormemente. “Gone Baby Gone” (com sua adaptação de título horrível por aqui: Medo da Verdade) é o primeiro que vejo sob a direção do Ben Affleck. Sempre tive minhas ressalvas com ele enquanto ator, então fiquei ainda mais em dúvida em relação a um que ele dirigiu.

    Mas como me surpreendi! Interesso-me bastante por casos misteriosos e especialmente os de sequestro de crianças (interesse mórbido, mas enfim), e o filme apresenta um caso com diversos desdobramentos e discussões éticas e morais (Especialmente entre o personagem do Casey e o do Ed Harris). Todos os diálogos são geniais e alguns bastante divertidos. Fora que conhecer o Patrick (Casey), cuja evolução e desenvolvimento se desenrolam durante toda a trama, é um prazer, visto que ele é possuidor de uma personalidade tão rica e admirável.

    Morgan Freeman também fez um ótimo trabalho como um capitão de polícia cansado, marcado por um trauma fortíssimo de seu passado. A mãe da menina, Helene (Amy Ryan) convence super bem como uma pessoa quebrada, egocêntrica e auto-destrutiva, mas que, apesar de tudo, nutre um amor sincero de mãe por sua filha.

    Diferente de muitos aqui, não “odiei” o final. Apenas foi-se feito uma decisão moral e ética por parte de Patrick, e ele foi capaz de arcar com as consequências dela. Sim, a natureza otimista dele chega a incomodar, mas não o culpo por ser tão esperançoso na melhora e mudanças dos outros; visão completamente oposta de sua mulher, Angie (Michelle Monaghan).

    Excelente filme, quase que impecável. Vale a pena ter numa coleção

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  • Juliana Sal
    Juliana Sal

    Suas listas são incríveis, seus comentários são precisos, suas avaliações são ótimas. Deveriam tombar seu perfil como patrimônio histórico do filmow. Deveriam te contratar como crítico de cinema!

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