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Últimas opiniões enviadas

  • Sabrina G.

    Interessante como existem obras que têm o poder de tornar poético, lírico e fascinante o que é moralmente proibido, para não dizer repugnante.
    Este é a simples, e também complexa, visão que tive logo após assistir este filme (Perdas e Danos [Orig: “Damage”]), sob a direção de Louis Malle e roteiro de David Hare e Josephine Hart.
    Não sinto importância, no momento, de comentar a qualidade de atuação ou, quem sabe, da fotográfica deste filme, já que o roteiro e enredo da obra é o que mais me atrai neste momento.
    Este filme, com certeza, é uma obra de arte, ante sua complexidade oculta. Isto porque um olhar superficial sob o longa-metragem não é capaz de absorver a profundidade implícita que, a meu ver, existe no roteiro: os sentimentos conturbados e as distorções doentias destes que tão costumeiramente convivemos dia a dia, sem nem ao menos percebermos.
    Claro, tal distorção de sentimento e desejo é explicitada em um contexto exagerado, em uma situação que, aparentemente, seria extrema demais.
    Não se entende o porquê dos acontecimentos, e o diretor e roteirista deste filme não se preocupam nenhum pouco com explicações. Isto é ótimo. Certas coisas não acontecem em nossas vidas mediante esclarecimentos prévios, simplesmente acontecem. Aí está a poesia da coisa. As últimas palavras do personagem Ministro Stephen Fleming são cruciais para entender o “sentido” da obra.
    “Levamos pouquíssimo tempo para nos afastarmos do mundo. Eu viajei até chegar à minha própria vida. O que faz de nós, o que somos, é inalcançável, é incompreensível. Nos entregamos ao amor, pois isso nos dá uma noção do que é incompreensível. Nada mais importa... não, no fim”.
    Passamos a vida toda vivendo o que dizem para vivermos. O que melhor comer, vestir, assistir, estudar... viver. Será que nossas escolhas são realmente nossas? Será que tudo o que fazemos na vida está respaldado por nossos sentimentos e anseios mais profundos e, por que não dizer, aqueles inteiramente nossos? Mas... como viver esta premissa se não conhecemos a nós mesmos em tal profundidade?
    Provavelmente as pessoas por trás das câmeras não tinham a intenção de dizer aos espectadores tudo isto que aqui escrevo, e com certeza não da mesma maneira, mas não posso deixar de registrar a surpreendente reação e reflexão que subitamente veio a minha mente após ter a experiência de ver este maravilhoso filme.

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  • Sabrina G.

    AVISO - EXISTEM ALGUNS SPOILERS ABAIXO:
    Este curta é realmente genial, pois influencia na interpretação do espectador de modo PESSOAL. Ou seja, quando você assiste começa a pensar... EU sou mais parecido com Sheldon ou com Francesca?
    Ouso pensar que, se o espectador já “se doou” incondicionalmente em um relacionamento amoroso, e se arrependeu disso posteriormente, provavelmente vai achar o Sheldon um “trouxa” ou “idiota”, mas, no fundo, esse xingamento não é para o Sheldon, mas para ele mesmo.
    Se o espectador somente “levou patada” nos relacionamentos, ou sempre esperou algo de grandioso vindo do parceiro e isto jamais aconteceu, Sheldon será seu mais novo ídolo, um “verdadeiro exemplo de amor” ou o “amor puro”.
    Claro, não podemos esquecer da Francesca, o par romântico do Sheldon, que foi considerada, por muitos, como egoísta ou sem amor, por ter deixado Sheldon se acabar (corporalmente).
    Tiro essas conclusões de mim e dos mais de seiscentos comentários, dos quais li vários, que têm no filmow. Sim, estou julgando os outros, mas também eu mesma. Minha intenção é apenas escrever as reflexões que acabei tendo após ler tantas opiniões, posso dizer, diferentes.
    Com certeza a grande maioria AMOU o curta, porque, realmente, ele é de ótima qualidade, tanto de gravação, fotografia, atuação, ambientação, como em história e capacidade de tocar nos sentidos das pessoas, sejam estes bons ou ruins.
    Além disso, assisti-lo sem acabar tendo uma reflexão posterior se mostra quase impossível, sejam essas reflexões, repito, contrárias ou a favor do desenrolar da história.
    Sim, Sheldon se doou demais. Sim, Francesca deixou ele se doar demais. Sim, o amor é muito intenso, muito mais VISÍVEL em Sheldon do que em Francesca.
    Como reagir após uma demonstração de amor obsessivo como a do Sheldon? Coloco-me muitas vezes na situação da Francesca e vejo como é difícil para ela dizer não. A parte introdutória do filme é essencial, ao meu ver, para entender o porquê Sheldon de doar tanto no relacionamento. Antes de conhecer Francesca, Sheldon apenas vivia sua rotina melancólica, tendo, talvez, lá no fundinho de suas entranhas robóticas, uma vontade de fazer algo diferente, de ser algo/alguém diferente. Mas, a princípio, não tem coragem ou motivo para SER diferente.
    Então Francesca aparece em sua vida, de um modo “corajoso” por assim dizer, dirigindo um carro, coisa que só humano pode fazer, como deixou bem claro a velinha chata do ponto de ônibus. Francesca despertou algo em Sheldon, que eu entendendo por “vontade de viver”.
    Com certeza EU teria dificuldade em viver sabendo que minha existência custou todo o corpo do meu amor, no caso do filme, do Sheldon. Mas pensem Sheldon, como ELE viveria se perdesse Francesca? Isso é falta de amor próprio ou excesso de amor alheio? Isso é amor verdadeiro? Não sei a resposta correta, pois não sou dona da verdade. Cada relacionamento tem a sua verdade. Cada verdade é relativa para que a pensa ou a defende.
    O “sonho” de Sheldon se realizando ao entregar sua perna para Francesca não poderia ser considerado a maior conquista de sua felicidade? Ter salvado a vida da única pessoa que ama no mundo não poderia ser considerada aquela felicidade intensa e inexplicável que praticamente todo mundo busca na vida? Para mim faz muito sentido o que Sheldon fez, apesar de por muitos ângulos que não concordar. Mas o contexto da vida que ele levava SEM a Francesca torna claro o PORQUE dele se doar por inteiro por ela; porque somente com ELA a vida dele tem SENTIDO.
    Intrigante isto, e realmente comum em muitos relacionamento humanos, e, como cada ser humano é diferente um do outro, acabe por ter inúmeras consequências diversas nos relacionamentos, como, por exemplo: ciúme excessivo (você não vive sem aquela pessoa, então tem medo de perdê-la); relacionamento feliz (pode ambos os parceiros se doarem um para o outro, então o egoísmo não atrapalhará); relacionamento desequilibrado (um se doa muito e o outro se aproveita disso); relacionamento doentio (toda a vida de um é pautada pelo outro); exemplo de crescimento (comoção do parceiro diante da bondade do outro, fazendo com que haja crescimento pessoal); dentre inúmeras outras variações que somente o ser humano, com sua complexidade aparentemente infinita, pode criar.
    Enfim, Sheldon e Francesca são o retrato singular destas inúmeras variações de relacionamentos, pois no filme somente é retratado a doação em si, mas não suas consequências propriamente ditas. O momento "pós-doação" é deixado em aberto, portanto, não se sabe se a atitude de Sheldon trouxe benefícios ou malefícios para o relacionamento com Francesca, fazendo com que a interpretação se torne abrangente e, como disse no início, pessoal, porque nossas experiências de vida/amorosas acabam por se tornar o momento "pós-doação" não abordado no filme.
    Acredito que seja por esta razão que este culta trouxe tantos sentimentos diversos para as diferentes pessoas, com diferentes experiências de vida, que o assistiriam.
    Assim sendo, escrevo novamente o quanto é brilhante este curta-metragem por trazer à tona esta vasta quantidade de reflexões, devaneios e divagações sobre as relações e sentimentos que, por várias vezes, jamais poderão ser expressos em palavras do mesmo modo fácil, e também complexo, como são sentidos.

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